Five Keys -Mona Lisa

Você já deve ter visto a imagem abaixo. Quero dizer, a única, certamente viu. Mas talvez essa, com trinta. A obra se chama Thirty Are Better Than One e foi criada em 1963 pelo artista pop Andy Warhol. Ele reproduziu, em serigrafia, a Mona Lisa tritna vezes. Trinta minimonalisas, lado a lado, como se fosse um item em um supermercado. O legal que, ao contrário de outras reproduções, que contam com uma ou outra distorção visual, ele não mudou nada. A violência está na repetição. Deixa eu tentar explicar isso melhor. Ao reproduzir uma obra única trinta vezes, ela perde singularidade, e se torna um produto seriado. A crítica de Warhol não é à pintura, mas ao sistema que transforma obras em ícones replicáveis até a exaustão. É genial, porque não é um ataque direto à obra, mas mais uma dissolução dela, por excesso. Clássicos muito bem resolvidos costumam sofrer desse destino. Quando a estrutura é sólida demais, ela vira molde. A coquetelaria tem uma porção de drinks assim, também. Mas talvez, o primeiro da lista seja o Manhattan. Ele é – discutivelmente – um original tão bem construído que passou a ser reproduzido quase por inércia. O Five Keys, […]

Chivas Regal Crystalgold – iPad

Quando vi um iPad pela primeira vez, achei graça. Não era um telefone que cabia no bolso, nem um computador que aguentava o tranco do trabalho pesado. Era um troço híbrido.Como um triciclo, que é grande demais para usar o corredor de moto, mas que não tem capota para te proteger da chuva. Não vi nenhuma boa razão para ter um até lá pela terceira geração, quando resolvi que ia usar para desenhar – algo que gosto de fazer desde criança. Aí, descobri outros usos para aquela televisãozinha. Tipo ver filmes enquanto corro na esteira, que é o único exercício possível para mim, por ser totalmente mecânico, desprovido de qualquer raciocínio. Até comprei um mini-teclado que se acoplava a ele, para poder escrever uma coisa ou outra para este blog, quando a ideia surgia. Não comprei outro depois, mas assumo que, depois de um tempo, achei bem confortável para uma porção de coisas. E que muita gente usa profissionalmente, hoje em dia. Aos olhos de um ser humano normal – como eu – aquele fora um tremendo de um risco, para a Apple. Porque era um produto desnecessário, uma inovação que ninguém pedira. Mas que, aos poucos, foi encontrando função […]

The Macallan Art is the Flower – A Fonte

Dizem que a função primordial de um mictório é oferecer um destino higiênico ao subproduto de uma noite regada a whisky. Em 1917, porém, o artista Marcel Duchamp decidiu transmutar a essência de uma porcelana branca. Comprou um urinol na loja de ferragens Mott, virou de ponta-cabeça, assinou com o pseudônimo canastrão “R. Mutt” e o batizou de “The Fountain” (ou A Fonte). Por fim, enviou a exposição de Artistas Independentes de Nova Iorque. A Fonte, porém, jamais participou da mostra. Ela foi rejeitada, por ser considerada imoral e vulgar. A diretoria da exposição decidiu que ela não era arte, e a escondeu atrás de uma divisória, longe do público. Duchamp, ciente da rejeição, levou a obra ao estúdio de Alfred Stieglitz, onde foi fotografada e depois devolvida à exposição. Este fora o único registro da versão original daquele objeto. Porque, ironicamente, ao final do evento, a Fonte foi jogada no lixo por algum faxineiro, que provavelmente achou que aquilo fosse só mesmo um urinol, vandalizado por um tal Mutt. E me perdoe se estou postergando chegar ao ponto desta matéria, que é o The Macallan Art is The Flower, mas prometo que fará sentido, no final. Mesmo sem sua […]