Pete’s Word – Folk Music

Às vezes tudo que você precisa é de um pouquinho de tédio e nenhum planejamento. Meu sábado foi assim. Na sexta-feira, tinha corrido com tudo que precisava fazer só para ter agenda livre no fim de semana. Não achei que fosse dar certo. Nunca dá, porque sábado sempre aparece alguma desgraça de última hora, tipo acompanhar os filhos numa festa, arrumar alguma tralha em casa que quebrou ou visitar alguém que eu não quero visitar. Mas, acontece que dessa vez deu.

E eu fiquei perdido. Com mais de oito horas livres, era como se uma enorme planície de possibilidades se estendesse à minha frente. Não tenho maturidade pra ter tempo livre. A felicidade é o cabresto. Decidi ver um filme, mas não tinha nada que eu queria ver. Comecei a assistir Inside Llewyn Davis pela décima vez. Esse filme deve ser o milionésimo roteiro inspirado por Homero, mas é um clássico. “tudo que você encosta vira merda, você é tipo o irmão idiota do rei Midas“. Sou meio assim.

A turma do filme, esperando eu fazer algo útil.

Mal Davis começou a cantar a música final, percebi que nem se visse todas as obras baseadas na Odisséia naquele dia, conseguiria vencer o tédio. Precisaria inventar outra coisa. Fiz o percurso quarto-sala-cozinha umas cinco vezes até repousar os olhos em minha prateleira de livros – sim, ainda tenho esses, com encadernação e tudo. Peguei qualquer coisa pra ler e pensar o que ia fazer em seguida. Death & Company – o livro de coquetelaria do afamado bar de Nova Iorque.

E foi aí que aconteceu. Uma descobrta incrível feita pela amálgama do tédio com o acaso. Pete’s Word. Uma variação de um clássico. O Last Word, apenas com a troca do gim por whisky turfado. O Pete’s Word foi criado por Phil Ward em 2008, para o cardápio do Death & Company. É dele também a variação do mesmo coquetel que leva Rye Whiskey, já explorado aqui no Cão – o Final Ward.

Parece falta de criatividade, mas não é. Fazendo uma pequena parábola: quase toda jornada do herói tem por base a Odisséia. De Star Wars a Peixe Grande. Não é por isso que deixa de ser original. O scotch whisky turfado traz informação sensorial suficiente para garantir uma diferença notável entre a adaptação e a fonte de inspiração. E, por fim, clássicos de verdade sempre merecem riffs. “se nunca foi novo e nunca envelhece, é música folk“, disse Llewyn. Drinks são assim também.

Por falar nisto, a história do Last Word merece um parágrafo. Ele nasceu entre 1915 e 1920 em Detroit, mas ficou meio que esquecido por uma porção de décadas. Seu ressurgimento rolou em 2005 pelo bartender Murray Stenson, do Zig Zag Café de Seattle. De lá pra cá, o coquetel ganhou popularidade e alcance incríveis, e deu origem a mais de uma dúzia de variações – a mais famosa de todas, o Paper Plane, de Sam Ross. Essa você não imaginava, né? Informação aleatória – o Rei Leão é baseado em Hamlet, caso você não tenha notado.

Stevenson

Por fim, Chartreuse. Ultimamente o preço do licor francês, feito pelos monges cartuxos, não tem sido nada estimulante. Por outro lado, é um ingrediente complexo e versátil, que funciona em diveros coquetéis, e em quantidades quase sempre pequenas – menores do que no Last Word. Um exemplo é o maravilhoso Campbeltown, que apareceu nestas páginas há alguns meses.

Mas, sem mais adaptações, revisões ou inspirações, vamos à receita. Que merece ser feita – entediado ou não.

PETE’S WORD

INGREDIENTES

  • 22,5 ml (3/4 dose) whisky turfado
  • 22,5 ml (3/4 dose) Chartreuse verde
  • 22,5 ml (3/4 dose) Licor de Maraschino (Luxardo)
  • 22,5 ml (3/4 dose) limão tahiti
  • Parafernalia para bater
  • taça coupé

PREPARO

  1. adicione todas as delícias em uma coqueteleira com bastente gelo
  2. bata, até sentir que está bem gelado
  3. desça em uma taça coupé previamente resfriada

6 whiskies para o dia dos pais

Na volta a gente compra. Não, você não pode usar o cachorro de montaria. Come de boca fechada. Deixa eu pensar um pouco se eu deixo (na vã esperança da crança esquecer o que pediu). Não é pra comer a pipoca que caiu no chão e a pomba bicou. Vai lá perguntar pra mamãe se pode. Continua essa malcriação que eu dirijo de volta pra casa a-go-ra.

Assim como filhos, pais vem em diferentes tamanhos, formatos – mas geralmente esféricos ou ovais – e idades. Mas, algumas frases parecem ter sido imbuídas em suas mentes assim que nasce a primeira prole. Comigo foi meio assim. Num dia, criticava o Cão pai por reclamar quando voltada depois da meia-noite. No outro, tava de pijama e copo de whisky na mão às 21:30.

Pais tem difernetes gostos, também. Ainda que alguns sejam relativamente universais. Dentre eles, whisky. Mesmo o pai que não bebe whisky, vai adorar receber whisky de presente. Deve ser um lance de autoafirmação da paternidade.

Assim, essa lista é para você, querido casal, filho ou filha que ainda não decidiu o presente do papai. Ou para você, progenitor, que merece se auto-recompensar por praticamente gabaritar a prova da paternidade. Separei 5 whiskies para todos os bolsos – especialmente novidades no Brasil. Vamos a eles.

Lamas Rarus

O Lamas Rarus foi lançado em meados de junho, logo após o Lamas Robustus. É, na opinião deste Cão, um dos single malts mais equilibrados e complexos da Lamas. O Lamas Rarus possui dupla maturação. Primeiro, passa por barris de carvalho americano. Depois, é finalizado em barris também de carvalho americano que previamente contiveram o Rum Norma – que também é produzido pela destilaria.

A garrafa custa em torno de R$ 200 e pode ser comprado no website da própria destilaria.

Union Pure Malt 2005

Como o nome sugere, o Union Vintage 2005 foi todo destilado em 2005, e os barris preenchidos no mesmo ano. Estes maturaram por longuíssimos dezesseis anos até que foram finalmente esvaziados e seu conteúdo engarrafado. Ao todo, renderam duas mil e cinco garrafas – uma coincidência suspeita, se alguém me perguntar.

O whisky foi engarrafado com sua cor natural, na graduação alcoolica de 48%. Sensorialmente, lembra um scotch whisky delicado e herbal. Para mim, remeteu claramente ao Aultmore 21. Mas, talvez eu que seja meio maluco.

O Union Pure Malt Vintage 2005 pode ser comprado no Caledonia (óbvio!) ou no e-commerce oficial da Union por aproximadamente R$ 500.

Glenlivet Founder’s Reserve

Nada de novo aqui – exceto, talvez, por uma embalagem especial para presentear. Seja como for, o Founder’s Reserve é atualmente, no mercado brasileiro, uma das melhores opções para quem está no início deste caminho sem volta que é a paixão por whiskies.

Como muitos single malts escoceses, o Founder’s Reserve é maturado em uma combinação de barricas de carvalho americano de primeiro uso, que antes continham Bourbon whisky, com outras barricas de carvalho americano que já haviam maturado The Glenlivet antes. Essa combinação permitiu que Alan Winchester, o master distiller da marca, produzisse um whisky consistente, escolhendo e combinando as barricas pelo sabor, e não pelo tempo de maturação em seus armazéns.

A venda no e-commerce oficial da Pernod-Ricard com a embalagem por R$ 249,90

Highland Park 12 anos

O Highland Park 12 chegou ao Brasil sem muito alarde há uns 2 meses. Tipo você, quando chega meio ébrio em casa e não quer acordar ninguém. Foi se esgueirando aí pelas principais lojas especializadas e por lá ficou, discretamente. Apesar do pouco fusuê em relação à chegada, o HP 12 – para os íntimos – é um whisky espetacular. Ele é também um dos únicos representantes de uma classe de whiskies que acho maravilhosa. A dos vínicos e defumados. A venda em diversos varejistas por, aproximadamente, R$ 500.

Yamazaki Distiller’s Reserve

Este não é bem uma novidade. Mas é um single malt japonês excelente, que, injustamente fica eclipsado pela sombra de seu irmão mais velho, o Yamazaki 12 anos. Mas, na – suspeita – opinião deste Cão, é até melhor do que o parente superstar.

 O Yamazaki Distiller’s Reserve é um whisky sem idade declarada, resultado de uma comibnação de barricas de diferentes idades e usos. Há um whisky jovem, maturado em barris de vinho tinto de Bordeaux, bem como um bem mais maturado em barris de jerez. Há também a participação dos famosos barris de carvalho japonês Mizunara

O Yamazaki Distiller’s Reserve custa em torno de R$ 900.

Macallan Harmony Rich Cacao

O The Macallan Harmony Collection: Rich Cacao foi desenvolvido pela whisky maker Polly Logan para combinar com chocolates. Mais especificamente, os chocolates de Jordi Roca, do El Celler de Can Roca. O resultado foi um whisky que combina barris de carvalho americano e europeu, com um perfil claramente – adivinhem só – achocolatado.

De acordo com o Brand Ambassador da marca no Brasil, Gianpaolo Morselli, “a expressao foi pensada para ser uma simbiose perfeita entre chocolate e whisky. Assim como como alguns queijos, na verdade. Mas quando voce degusta junto com o chocolate, tem um sabor final que não há nem no whisky nem no chocolate. Cria-se um terceiro sabor.

O The Macallan Harmony Collection: Rich Cacao custa em torno de R$ 1.900 em varejistas selecionados.

Highland Park 12 – Northman

Essa semana consegui finalmene separar três horas ininterruptas para assistir um filme que queria há algum tempo. The Northman, do Robert Eggers. Para quem não ouviu falar ainda, ele conta uma história bem conhecida. A de um jovem príncipe, que resolve vingar o brutal assassinato de seu pai – que, convenientemente, é o Rei – por seu tio. Um tio que usurpa o trono e subjuga sua mãe, a rainha. Se você começou a mentalmente cantarolar Hakuna Matata, está no caminho certo. A história é a de Hamlet, de Shakespeare, que também inspira O Rei Leão.

Mas, assim como no Rei Leão, que subsititui os personagens shakespearianos por felinos e suricatos, há diferenças sensíveis na adaptação de Eggers. A elouquência elizabetana e psicologia sutil dão espaço para, bem, violência. Na verdade, violência brutal, flatulência, incesto, vísceras ao ar livre, suor, sujeira, vulcões, guardiões mortos-vivos de espadas lendárias e a Bjork sem olhos. Mas, incrivelmente, sem abrir mão da profundidade de seus pivôs.

Dancer in the Dark

O príncipe Amleth – este é o nome de seu personagem principal, veja que coincidência – é regido pelo seu tempo. É a honra que motiva sua vingança, assim como Hamlet. O que muda, no entanto, é o significado da palavra. Honra, para um nobre elizabetano, talvez seja levar a cabo sua retaliação sem abrir mão do cavalheirismo. Para um viking, entretanto, é encarnar um lobo e enfrentar seus inimigos implacavelmente. Seja como for, para o leitor – ou espectador – a sastifação é parecida.

Recentemente, provei também um lançamento no Brasil. O Highland Park 12 anos Viking Honour. Aliás, a experiência entre o filme e o whisky teve um intervalo de menos de dez dias. Assim, era inevitável que fizesse essa associação com o nome. Viking Honour. Não notei no whisky nenhum sabor de morte, raiva, destruição, fluidos corporais ou lava. Tá, lava talvez um pouquinho. Aliás, a brutalidade passou longe da garrafa deste single malt. O que encontrei foi mais Hamlet do que Amleth.

O Highland Park 12 Viking Honour faz parte da linha permanente da Highland Park, localizada na ilha de Orkney – que fora, há muito tempo, habitada pelos vikings. O lugar é inclusive referenciado em The Northman em um momento crucial do filme – sem spoilers aqui. Orkney também é lar de outra famosa destilaria, a Scapa, que possui perfil sensorial quase diametralmente oposto àquele mais conhecido da Highland Park. Curiosamente, ambas fazem parte da mesma região de acordo com a SWA – as Highlands. Mas vamos deixar essa digressão para outro momento.

A Highland Park utiliza 20% de malte turfado em seus whiskies. Este malte é produzido na própria Highland Park, utilizando turfa de Orkney. Isso é uma maravilha para um whisky geek: turfas com diferentes origens possuem composições diferentes, e podem trazer sabores diferentes ao whisky. A turfa de Islay, por exemplo, provém de vegetação marítima, e é bastante iodada. A de Orkney, entretanto, é composta quase exclusivamente de fungos e vegetação rasteira. Isso traz ao malte defumado um incomum um aroma floral. É interessante notar, entretanto, que o nível fenólico no new-make é inferior a 3ppm a 70% de graduação alcoolica.

Barris da Highland Park

A maturação do Highland Park 12 ocorre em barricas de carvalho americano e de carvalho europeu, ambas que foram temperadas com vinho jerez espanhol da Gonzales-Byass, feito sob medida para a destilaria. A política de barricas é igual àquela da The Macallan, que, convenientemente, pertence ao Edrington Group. A qualidade das barricas é notável, assim como o fino equilíbrio entre elas e o new-make.

Sensorialmente, o Highland Park 12 é adocicado e frutado, com uma nota enfumaçada seca, pouco predominante. Este parece ser o caso com todos os whiskies da Highland Park, até mesmo os mais alcoolicos. A força bruta viking dá espaço para sofisticação e equilíbrio. Como disse, mais Hamlet do que Amleth. E este, na verdade, é o maior mérito. É muito difícil equilibrar turfa e influência vínica. E a Highland Park faz isso magistralmente.

O Highland Park 12 anos chegou ao Brasil no começo de junho sem muito alarde, acompanhado de seu irmão mais velho, o 18 anos. Foram poucas garrafas, de um lote que talvez não se repita. É uma pena. Highland Park é um dos mais incríveis exemplos de whiskies enfumaçados e vínicos, um perfil sensorial quase inexistente por aqui. Assim, se você, como este Cão, adora este estilo, vá atrás de uma garrafa. Pode encarnar o viking, mas sem vísceras, suor, sangue ou fogo. Só corra.

HIGHLAND PARK 12 ANOS VIKING HONOUR

Tipo: Single Malt

Destilaria: Highland Park

País: Escócia – Highlands

ABV: 40%

Notas de prova:

Aroma: enfumaçado e frutado, com ameixa e baunilha.

Sabor: compota de frutas, adocicado e enfumaçado. Final longo e oleoso, com um pouco de fumaça e frutas vermelhas.

O Cão Geek – Fermentação no whisky

Para quem não sabe, sou advogado. Trabalhei por mais de dez anos em direito societário e financeiro. Então, digo com conhecimento de causa. Direito é chato. Na verdade, deixe-me ser mais específico. O Direito é aquela área de conhecimento capaz de tornar enfadonha até a mais instigante atividade.

Fórmula 1 por exemplo. Tudo é empolgante: alta velocidade, competitividade, tecnologia de ponta. Mas o contrato de locação da pista é chato. Ninguém quer ler o contrato de locação da pista por puro prazer. Música também, não importa seu gosto. É uma enorme satisfação ver uma apresentação de seu artista ou compositor preferido, seja Arvo Paart, Korn, Maiara & Maraísa ou Lady Gaga. Mas, o contrato de cessão de direitos de imagem é chato.

Se você discorda de mim, peço que responda de forma cândida. Quando foi a última vez que você leu tudo antes de clicar no quadradinho de “eu concordo com os termos do contrato” ao baixar algum software ou jogo, ou aderir a alguma promoção no shopping? Ninguém le os termos do contrato, e eu sei disso, porque por três anos, eu escrevi mais de vinte termos do contrato, e ninguém – nem meu chefe, que devia revisá-los – leu. E eu nem repreendo, porque eu sei que é insuportável.

Mentira.

No mundo do whisky, fermentação é um pouquinho assim, também. Falar de fermentação é chato. Porque, em whisky, tem assunto bem mais legal. Tipo quanto o corante caramelo influencia no sabor do seu whisky. Ou como as destilarias malvadas, comercialmente vendidas, passaram a fazer filtragem a frio para ganhar clientes, e esqueceram de seus entusiastas esclarecidos. Fermentação é chato. Não tem emoção, é só fungo, bactéria, cheiro ruim e espuma – uma descrição perfeitamente aplicável também ao banheiro da loja de conveniencia do posto mais próximo de sua casa.

Mas, fermentação é um passo necessário para a produção de whisky. E há nuances, também. Processos, escolhas. Fermente seu mosto de forma equivocada, e terá um whisky terrível. Escolha bem sua levedura e a gravidade de seu wort. Este post é para você, querido entusiasta, que está com insônia, e quer saber mais sobre este desprezado estágio de produção. Se você não dormir, sairá um pouquinho mais sábio. Ou não.

Malteação

A Malteação é a primeira parte do processo de fermentação. Ela não é obrigatória, mas, ao mesmo tempo, é. Aqui, o grão é molhado para que parcialmente germine. Qualquer grão pode passar por este estágio, mas, tradicionalmente, usa-se cevada maltada. Há várias razões para isso. A primeira, é histórica – a cevada maltada era o grão predominante onde se produzia whisky nos tempos antigos. Mas é também científica. Durante o processo de malteação, há a liberação das enzimas que convertem o amido nos grãos em açúcares. E serão estes açúcares que, mais tarde, serão fermentados.

Por isso, ela é e não é obrigatória, tipo ler os termos do contrato. Se não maltear o grão, poderá substituir o processo por uma torra por exemplo. É o que destilarias de grain whisky e bourbon fazem. O grão é torrado e depois moído, para que o amido se torne mais acessível.

Mash Tun da The Macallan

Depois, este pó é misturado à cevada maltada. As enzimas da cevada maltada se encarregarão de quebrar o amido dos demais grãos não maltados. E há grãos que, naturalmente, já possuem uma boa quantidade de açúcares – basta que sejam cozidos. O milho é um exemplo. Seja como for, as enzimas contidas na cevada maltada auxiliarão na atalização da conversão de amido em açúcares.

Há whiskies que não usam cevada maltada em nenhum estágio? Sim. Mas o processo de fermentação é bem mais difícil, e, por isso, são casos excepcionais e raríssimos.

Mostura

A mostura já foi parcialmente explicada acima. O grão é moído e cozido, até que se torne uma espécie de xarope bem ralo, ou talvez um mingau. É esse líquido que contém os açúcares dos grãos, que mais tarde será fermentado. A temperatura e o tempo de cozimento dependerá, essencialmente, do grão utilizado. Em alguns casos, há mudança de pressão, para acelerar o processo.

O processo de mostura acontece em um recipiente ou equipamento, conhecido como Mash Tun. É nele que água quente induzirá as enzimas da cevada a transformar o amido em açúcares fermentáveis, principalmente maltose. A água quente é adicionada em em três ou quatro estágios diferentes, com temperaturas cada vez mais elevadas. A primeira tipicamente é de 62ºC, e a última. 85ºC – para destruir as enzimas que já converteram o amido em açúcar. A cada estágio, a água é drenada.

Por fim, o líquido – conhecido como wort – é drenado por meio de um fundo falto na base do mash tun. As cascas e frações maiores dos grãos funcionam como uma espécie de filtro. Essa parte é importante. O líquido drenado, Wort, que será fermentado. O nível de filtragem afetará o sabor do whisky. Um wort mais opaco, contendo cascas e farinha, produzirá um destilado mais apimentado e maltado. Um mosto mais clarificado – como é o caso da Mortlach – produzirá um whisky mais leve.

Se você ainda está acordado, talvez seja hora de falar de mash tuns. Nem todos os mash tuns são feitos igualmente. Há três tipos principais. Os tradicionais rake-and-plough, os lauter e semi-lauter. A maior diferença está em como o líquido é agitado em seu interior. Rake-and-Ploughs lembram uma enorme haste com braços mecanizados, que emergem e submergem da mistura, para evitar que a farinha mais grossa se deposite no fundo. Como revolvem toda a mistura, o wort produzido é mais opaco.

Rake-and-plough da Bruichladdich

Lauters e semi-lauters são parecidos. Num semi-lauter, há uma enorme haste metálica com barbatanas que descem, e chegam até o fundo do mash tun. Essas barbatanas são fixas, e a haste gira em um pivô central. Em palavras mais simples, há um movimento de rotação da haste, mas não das lâminas. No lauter, ou full-lauter, a haste e as barbatanas giram. A ideia é que esse movimento promova a drenagem sem agitar demais a mistura, produzindo um wort mais claro. No full lauter, as lâminas podem subir ou descer, controlando a agitação no fundo do mash tun. A Glenmorangie, por exemplo, usa full-lauters. A Glenfiddich, mash tuns com hastes rake-and-plough tradicionais.

O Bourbon é um caso curioso. Água é adicionada aos cereais, que são cozidos numa espécie de panela de pressão gigante – ou, se você preferir, um ofurô com lâminas mortais – que são diferentes de rake and plough, lauters e semi-lauters. Cada grão exige um tempo diferente de cocção e de pressão. Incrivelmente, um dos períodos mais longos é o do milho – em torno de uma hora, reduzido para vinte e cinco minutos graças à pressão. Essa mistura – agora chamada de mosto – é resfriada, e transferida para os tanques de fermentação.

Fermentação

Antes da fermentação, o wort é passado por um trocador de calor, que reduz sua temperatura para 34ºC. Isso é importante, porque é nessa temperatura que a levedura trabalhará melhor para fermentar o líquido. Esta fermentação ocorre em outro recipiente, conhecido como washback. Assim como os mash tuns, há diferentes tipos de washbacks.

Os tradicionais, são feitos de madeira, especialmente pinho. Outros, mais modernos, utilizam aço inoxidável. Aqui, há um enorme debate sobre as implicações disso no destilado final. Então, talvez, fermentação seja um assunto mais interessante do que Direito. Mas, enfim.

Washbacks da Auchentoshan

Os que preferem washbacks de madeira argumentam que estes possuem um papel no controle de temperatura do mosto. Madeira esfria e esquenta muito menos do que aço inox. Por isso, criam um ambiente mais favorável para que a levedura transforme o açúcar em álcool. Além disso, washbacks de madeira preservam a micro-fauna de bactérias e fungos que podem auxiliar no processo de fermentação, trazendo complexidade ao wash, que será destilado.

Aço inoxidável, por outro lado, é bem mais prático. É mais fácil de limpar, e exige bem menos manutenção. As almas práticas, partidárias dos washbacks inoxidáveis dizem que eles também podem ser lar de microorganismos. Basta ser relapso na limpeza e deixar uns cantinhos propositalmente sujos. O que às vezes pode parecer meio nojento, mas faz todo sentido. Destilarias que produzem um whisky mais leve tendem a preferir washbacks de madeira. É o caso da Aberfeldy, por exemplo. Mas, há exceções para ambos os lados.

Washbacks de inox da Ben Nevis

O processo de fermentação em si ocorre quando levedura – que é um fungo – é adicionada ao wort dentro dos washbacks, junto com um pouco de água. A levedura imediatamente começa a trabalhar, convertendo os açúcares do líquido em álcool e gás carbônico.

Há variações infinitas neste estágio também. Muito do sabor do new-make do whisky vêm da fermentação e seus componentes. Como o tipo de levedura usado, o tempo de fermentação, temperatura e a gravidade do wash. Vamos falar de cada um deles, e depois, eu prometo que sua noite de sono será tão agradável quanto a de um tartígrado em hibernação.

Primeiro, a levedura. Até 2003, as destilarias escocesas eram obrigadas a usar uma úncia cepa de levedura, a DLC M, de saccharomyces cerevisiae. Atualmente, a destilaria poderá usar a variação que quiser. Algumas das mais usadas são Mauri, Kerry e MX. Essas leveduras podem ser adquiridas em diferentes formas. Líquida, semi-seca e seca. A escolha depende, na verdade, da durabilidade versus custo. Maioria dos produtores escoceses preferem a versão líquida, ainda que mais frágil.

O tempo de fermentação é a variação mais conhecida e alardeada pelas destilarias. Uma fermentação de até 50 horas é curta. De 60 a 75 horas, média, e acima de 75 horas, longa. A Aberfeldy é uma das destilarias com o processo fermentativo mais longo da Escócia. São mais de 120 horas. Em tese, quanto mais longa, mais floral e menos maltoso será o new-make final, porque aproveita-se o período de hibernação das leveduras, e a ação de bactérias oportunistas no wash. Este é um assunto bem discutível.

O processo de fermentação, convertendo açúcares em gás carbônico e álcool pelas leveduras aumenta a temperatura do tanque. Por isso, boa parte das destilarias utiliza processos de resfriamento, para manter a temperatura da mistura numa faixa favorável à produção de álcool da levedura. A escolha da temperatura de fermentação será importante porque poderá ou não dar espaço para microorganismos oportunistas. Uma bactéria, por exemplo, que trará mais acidez ao mosto, será vitoriosa em temperaturas mais altas, onde a levedura não está mais tão ativa.

Por fim, a gravidade do wash não tem nada a ver com a força que nos puxa para o centro da terra. Mas, tão somente, à proporção entre wort e água que é adicionada aos washbacks. Um wash com maior “gravidade” é mais concentrado, com mais wort e menos água. O rendimento aqui é menor – porque as leveduras teríam muito trabalho para converter todos os açúcares em álcool. O resultado é um new-make mais puxado para o malte, como é o caso de Cragganmore.

Seja como for, o próximo passo do processo é a destilação. O mash, depois da fermentação, é transferido para os alambiques, onde é aquecido e destilado, produzindo os low-wines. Mas, essa parte, todo mundo já conhece e ama. Todo mundo quer discutir sobre altura dos alambiques, angulo do Lyne Arm e operação do alambique. É tipo jogar videogame. Apertar start é sempre uma delícia. Dureza é ler os termos e condições do contrato.

(Ainda mais) quatro whiskies que fazem falta no Brasil

Esta é a terceira edição de um post sobre whiskies que fazem muita falta no Brasil. Para ler a primeira edição, clique aqui . Para a segunda, aqui.


Miso Hungry. Se você gosta de documentários sobre comida, precisa ver Miso Hungry – que está disponível na Netflix. Ele acompanha as experiências gastronômicas de Craig Anderson no Japão. Craig é um diretor e produtor australiano viciado em junk food, que resolve fazer uma reeducação alimentar na terra do missô. Doze semanas comendo as mais variadas especialidades japonesas, na esperança de perder peso e melhorar a saúde. Sorte de Craig que rodízio japa é coisa de brasileiro.

Mas enfim, durante suas explorações, Anderson descobre o natto. Se você não sabe, Natto é uma gosma, digo, um alimento tradicional japonês, feito de soja fermentada. O natto se tornou tradicional no Japão durante o período Kamakura (século 12). Ele é considerado um superalimento, por seus benefícios à saúde – possui vitamonas K, B6 e E, além de trazer um nível de saciedade fantástico.

Sensorialmente, Natto tem aroma e sabor pungente, que remonta coisas deliciosas (not) como amônia, queijo velho e chulé. De longe, remonta a caldo de feijão sem tempero. A textura é pegajosa e mucosa, com uns pedacinhos mais duros que os demais. Inclusive – curiosidade aleatória – você não pode entrar em uma loja de queijos ou iogurtes no Japão depois de ter comido natto, porque a cultura de fungos do alimento pode interferir na dos laticínios.

Nham.

Eu sei de tudo isso porque, mal acabei de ver o documentário, corri pra pesquisar onde tinha Natto. E descobri – decepcionado – que o Brasil não era muito fã da mistura. Custei a encontrar um restaurante que tinha. Achei, pedi uma porção de vezes, saiu do cardápio. Provavelmente eu era um dos únicos que pedia aquilo. Me conformei que natto jamais seria um vedete de minha dieta. Tipo Lagavulin – um whisky que amo, mas que só consigo comprar fora de nosso país. E aí, como tudo é whisky, resolvi fazer uma lista de outros quatro que todo mundo sente falta, mas que não vêm de jeito nenhum.

Antes de tudo, preciso acertar o tom. Eu sei que não é nada fácil importar whiskies para o Brasil. Há infinitos percalços, analises laboratoriais, documentos, certificados, licenças. Aliás, eu aposto que seria mais fácil trazer oficialmente um míssil Exocet do que uma garrafa de algum cask strength. A turma da receita diria “ah, tudo bem, é só uma ogiva antinaval, o que de pior pode acontecer? Afundarem o Minas Gerais?”. Mas cask strength não. Cask strength “é alcool demais, vocês podem ficar bêbados, melhor atrapalhar esse rolê errado“.

Recolhendo a língua bífida (mas nem tanto), vamos a (ainda mais quatro) whiskies que fazem muita falta por aqui. Pelo menos pra mim.

Glendronach

Desde que abri o bar Caledonia, não há uma única semana que passe sem que alguém apareça por lá procurando um Glendronach. No começo, ficava até meio incomodado de dizer que não tinha. O tempo, entretanto, fez crescer em mim um sentimento sádico meio inexplicável. Me regojizo em ver os olhos brilhantes do cliente ficarem opacos e perderem a vida quando digo “não vem, não tem nem previsão, vai ter que viajar pra comprar. Aproveita e bebe Lagavulin, que não vem também“.

Um dia eu ainda vou fazer alguem chorar porque não tem Glendronach. Neste dia, meu coração terá finalmente terminado seu processo de virar uma ameixa seca. Será ótimo, porque jamais terei outra decepção na vida. Obrigado, Glendronach, por me transformar em uma pedra do mal.

Four Roses

Eu consigo entender a falta de alguns whiskies no Brasil, especialmente americanos. Tem que ser mais doido que um ratel, vulgo texugo do mel, pra resolver vender Pappy Van Winkle por aqui. Uma garrafinha custaria fácil mais de três mil pratas. Mas não é o caso de Four Roses. Four Roses, especialmente seu bourbon de entrada, é ridiculamente barato. Na minha ébria conta, uma garrafa não ultrapassaria os cento e sessenta reais na prateleira da loja.

A Four Roses tem duas mashbills diferentes. Uma “high-rye”, com 35% de centeio e 60% de milho e outra com 20% de centeio e 75% de milho. Que, convenhamos, também tem bastante do grão apimentado. Isso o tornaria um dos únicos high-rye bourbons de nosso mercado, e uma excelente opção para coquetéis clássicos como o Manhattan.

Mas, infelizmente, ele não vem pro Brasil. A Four Roses pertence à Kirin Brewing Company, que você deve conhecer por causa da enorme fusão entre ela e a Schincariol, em 2011. A subsidiária brasileira, Brasil Kiirin, mais tarde foi vendida para a Heineken, em 2017 por 704 milhões de dólares. Muito dinheiro, muito milho, mas nada de whisky.

Nikka

A Nikka é a segunda maior produtora de whiskies japoneses. As principais destilarias são Miyagikyo e Yoichi. Seus blends mais famosos são Taketsuru e Gold & Gold, que talvez você conheça pela versão exclusiva de duty-free, que usa uma distintiva armadura e samurai.

Para ser justo, não é como se eles nunca tivessem tentado. A Nikka já foi importada para o Brasil em algum momento nos últimos trinta anos. Para os que acompanham, não é incomum ver em algum leilão um “Super” ou um “Old Nikka”. Espólios de uma época que provavelmente as importadoras eram mais destemidas. Ou a economia era melhor. Só espero que, algum dia, com o número crescente de entusiastas da melhor bebida do mundo, estas belezinhas possam voltar para cá.

Atualmente, a Nikka pertence à Asahi – aquela mesma, da cerveja prateadinha. Além dela, eles tem Pilsner Urquell e Peroni. Se você gosta de cerveja, não deixe de provar a primeira. E não esqueça de não provar a segunda. Além disso, têm também uma marca de cafés prontos chamada Wonda e uma linha de comidas de bebe nomeada Wakodo. Cervejeiros, cafeólatras e recem-nascidos estão bem servidos com a Asahi. Mas a gente, que gosta de whisky, vai ficar que nem o cliente-alvo da papinha: chupando dedo.

Redbreast (ou qualquer irlandês)

Uma vez, uma cliente me ligou lá no bar pedindo uma degustação de whiskies irlandeses, com cinco variedades. Topei, na hora. Era a primeira vez que faria algo do tipo. No orçamento, mandei Jameson, Jameson IPA, Jameson, Jameson IPA e – finalmente – Jameson. Que na real não é muito diferente do Jameson IPA. Eu acho que ela não gostou da piadinha, porque jamais respondeu.

Mas, infelizmente, é isso aí. O único whisky irlandês a desembarcar no Brasil é o Jameson. Com dois rótulos: o clássico e o finalizado em barricas que antes contiveram cerveja IPA. Tudo certo, por enquanto. São excelentes custo-benefício. Funcionam bem puros e maravilhosamente em coquetéis. Um de meus drinks preferidos do Caledonia, inclusive, é dele: o King James.

Mas, às vezes, a gente sente falta de mudar. A categoria de whiskies irlandeses cresceu monstruosamente nos últimos anos. E há uma variedade sensorial incrível também. De defumados como Coonemara a vínicos como Redbreast. Pra vir pro Brasil, sinceramente, podia ser qualquer irish – Bushmills, Teeling, Midleton, Writer’s Tears, Tullamore Dew. Só coloquei Redbreast no título porque amo.

É uma tristeza. Vou até tomar um irish para alegrar. Bebo Jameson ou Jameson?

Highland Park 18 – Deus Nórdico

Loki, Thor, Odin, Freya e o temido Ragnarok. Graças à Marvel, quase todo mundo sabe um pouquinho de mitologia nórdica hoje em dia. Quer dizer, ao menos as histórias publicáveis. Porque há uma meia dúzida delas que – graças ao bom senso – provavelmente não sairão dos livros de mitologia tão cedo. Tipo quando Loki engravidou de um garanhão gigante e pariu um cavalo de oito patas, que mais tarde virou montaria de Odin. Mas essa fica pra outro dia.

Outra dessas histórias é a de Kvasir, um poeta e o mais sábio dos homens. Kvasir foi concebido durante uma festa em que dois grupos de deuses – os Aesir e Vanir – comemoravam um tratado de paz. Mas não do jeito ei deusa nórdica, vamos ali no banheiro da balada divina fazer um negócio. Kvasir se autoconcebeu de dentro de um barril, onde a festa inteira tinha cuspido um monte de amoras mastigadas. O cara literalmente foi filho da saliva divina. Seu nome, inclusive, significa justamente isso “suco de amora fermentado”.

Apesar de seu nascimento um tanto escatológico – não que o nosso também não seja – Kvasir teve uma existência extraordinária. Durante sua vida, espalhou conhecimento ao redor do mundo, sem nunca deixar uma pergunta sem resposta. Até que um dia ele encontrou um grupo de anões, com os quais tentou também compartilhar conhecimento.

Spoiler, deu ruim pro Kvasir

Os anões, entretanto, eram terraplanistas (na real, todo mundo era, porque eles acreditavam que uma cobra enorme segurava o disco do mundo) e resolveram matar Kvasir, drenar seu sangue e fermentá-lo. Deste processo, surgiu um hidromel que fazia com que seu bebedor se tornasse um poeta instantâneo. Porque, claro, álcool sozinho não é catalisador suficiente para tamanha criatividade.

E foi assim que surgiu a poesia nórdica – graças a uma bebida maravilhosa. Que, sinceramente, eu duvido que fosse melhor que o Highland Park 18 anos Viking Pride – single malt escocês produzido na ilha de Orkney, com todo DNA nórdico. E que acaba de chegar a nosso país oficialmente pela importadora Aurora.

A Highland Park possui algumas particularidades interessantes. A primeira delas é sua política de barricas – que é bem parecida com a de sua irmã superstar, a The Macallan, que também pertence ao Edrington Group. A maioria de seus whiskies é maturada em barris de vinho jerez – sejam eles de carvalho americano ou europeu. Este é o caso do Highland Park 18 anos, composto principalmente por barris de carvalho europeu. A proporção exata, porém, não é divulgada pela destilaria.

Outro ponto interessante é sua turfa. A Highland Park utiliza 20% de malte turfado em seus whiskies. Este malte é produzido na própria Highland Park, utilizando turfa de Orkney. Isso é uma maravilha para um whisky geek: turfas com diferentes origens possuem composições diferentes, e podem trazer sabores diferentes ao whisky. A turfa de Islay, por exemplo, provém de vegetação marítima, e é bastante iodada. A de Orkney, entretanto, é composta quase exclusivamente de fungos e vegetação rasteira. Isso traz ao malte defumado um incomum um aroma floral.

Apesar de toda pompa, a Highland Park não é uma destilaria grande. Sua produção anual esbarra nos três milhões de litros. Se comparada a The Macallan, que ultrapassa os quinze, a Highland Park parece ainda menor. Os alambiques da Highland Park são relativamanete baixos e bem bojudos, o que sugere um new-make pesado. No entanto, os braços que levam aos condensadores são retos (nem pra baixo, nem pra cima), e o sistema de codensação usado é o de shell and tube. Essas duas ultimas características trazem um pouco de leveza ao new make.

Os alambiques da Highland Park – fonte: whisky.com

Sensorialmente, o Highland Park 18 anos é elegantemente enfumaçado, com uma nota vínica – uvas passas, ameixa – bem presente. A palavra de ordem aqui, entretanto, é elegância e equilíbrio. Isso é o mais extraordinário no Highland Park 18. Há dois temas distintos: fumaça e jerez. Equilibrá-los é algo que poucas destilarias conseguem. A Highland Park é uma delas. Outra é minha querida Bowmore, e a menos conhecida mas igualmente maravilhosa Tobermory.

Para os apaixonados por whiskies defumados e vínicos – como este Cão – o Highland Park 18 anos é uma prova quase obrigatória. Apesar do preço bem pouco convidativo, é um whisky que oferece uma experiência um tanto sem paralelo em nosso mercado. Primeiro, pela total ausência de single malts defumados e vínicos. Em segundo, por ser quase um gabarito de equilíbrio em seu perfil. Eu não posso afirmar com certeza, mas, sinceramente, duvido que o hidromel que deu origem à poesia nórdica fosse melhor que o Highland Park 18 anos.

HIGHLAND PARK 18 ANOS

Tipo: Single Malt

Destilaria: Highland Park

País: Escócia – Highlands

ABV: 43%

Notas de prova:

Aroma: enfumaçado, com ameixa seca e pimenta do reino.

Sabor: frutado, com frutas vermelhas cristalizadas. Enfumaçado leve, mas notável. Final longo e apimentado

Toronto Cocktail – Gosto Adquirido

Na semana passada levei a Cãzinha para experimentar sushi pela primeira vez. Dei todas as coordenadas básicas, inclusive sobre como segurar o hashi. Notei, no entanto, que essa parte exigia uma certa prática, e pedi que o garçom a ajudasse. Isso foi até engraçado, porque ele trouxe um mini pikachu de borracha que, quando espetado nas partes baixas, fazia uma espécie de mola que segurava os palitinhos abertos. Mas, enfim, não é isso que importa.

Mas papai, isso é bem esquisito, é arroz grudado com peixe cru, não é bom não. Levantei as sobrancelhas. Olha, cria, eu não tinha muito critério sobre o que comer quando era criança, mas, reconheço que eu também não gostei da primeira vez. E continuei. Acho que sushi é tipo anchovas, gorgonzola ou relacionamentos de longo prazo, é o que a gente chama de gosto adquirido. Se você insistir, vai passar a gostar tanto que até vai ficar com saudades. Ela acenou com a cabeça, fez plec-plec com os palitinhos presos pelo pokemon e pegou mais um hossomaki. Missão cumprida.

Natto. Outro gosto adquirido. Cãzinha vai chegar lá!

Depois, fiquei pensando como é engraçado esse lance de gosto adquirido. Tem coisas que eu detestava. E hoje, até corro atrás pra comprar. Dizem que nosso paladar muda a medida que envelhecemos. Eu devo ter a idade do Gandalf. Passei a gostar de marzipan, uvas passas, tomate, anchovas. Gosto até daquela bala dura de alcaçuz que quando você morde, parece que seu dente foi junto. Meus únicos e perenes ódios seguem sendo frango e morango. Por mim, os frangos deviam comer todos os morangos do mundo e explodir.

No mundo alcoolico, o paladar mudou também. Recentemente, descobri meu amor pela Fernet-Branca. Seria capaz até de substituir a pasta de dente por Fernet Branca, mas, aposto que nove entre dez dentistas preferiria recomendar Oral-B, conforme dita a propaganda. E um dos grandes responsáveis pela inclusão de Fernet na longa lista de meus gostos adquiridos foi um coquetel. O Toronto.

O Toronto é composto de Rye Whiskey – que, como o nome sugere, pode ser canadense – Fernet-Branca, xarope de açúcar e Angostura Bitters. O coquetel é um clássico, e apareceu pela primeira vez na literatura especializada em 1922, no livro “Cocktails: How to Mix Them” de Robert Vermiere. Por lá, o nome era Fernet Cocktail, o que, etimologicamente, parece até redundante. Mais tarde, ganhou seu nome Toronto no “The Fine Art of Mixing Drinks” de David Embury.

Embury. Parece de boa, mas era um malucão.

A receita original pede por rye canadense. O que, observe, pode ser uma cilada. No Canadá, para que um whisky seja chamado de “rye whisky” (whisky de centeio), ele não precisa necessariamente ter predominância de centeio. Parece estranho e é mesmo – eu explico a razão disto neste post. Assim, se for escolher um rye canadense, certifique-se que ele é feito do cereal antes mencionado. Ou opte pelo mais fácil, e pegue um rye whiskey americano, que é rye mesmo, e é mais barato e muito mais fácil de encontrar em terra brasilis.

O equilíbrio do coquetel também merece atenção. Um whisky mais leve ou mais adocicado exigirá que você mude as proporções de fernet e açúcar. Diminua o dulçor ou eleve a Fernet se usar um whisky mais doce. Mas, não tenha medo de errar. Experimentar faz parte do processo – afinal, ninguém nasceu gostando de uvas passas, queijos azuis e anchovas. Vamos à receita.

TORONTO COCKTAIL

INGREDIENTES

  • 60ml Rye Whiskey (vai ter que ser Jim Beam Rye, é o único que chega no Brasil.)
  • 15ml Fernet-Branca
  • 15ml xarope de açúcar (proporção 1:1)
  • 2 dashes (sacodidelas) de Angostura Aromatic Bitters
  • Parafernália para misturar
  • gelo
  • taça coupé.

PREPARO

  1. Adicione tudo no mixing glass com bastante gelo, mexa até gelar. Cuidado com a diluição!
  2. Verta em uma taça coupé e finalize com um zest (uma casca) de laranja.

The Macallan Harmony Collection Rich Cacao

Quando eu era criança, fazia uma porção de coisas bobas sem muito motivo. Não coisas grandes, tipo me arrebentar de boca depois de desafiar as leis da física numa bicicleta e tal. Mas, pequenas experiências. Como, por exemplo, sentar em cima da mão durante a aula, para retirá-la depois e perceber uma certa concavidade no derriére. Tentar empurrar todas as cores daquela caneta multicolorida. Ou enfiar um alfinete na pelinha do dedo, só pra ver ele pendurado. Ou, então, a clássica de colocar uma mão na bacia quente e outra na fria, e depois as duas na morna, para notar que a fria ficou mais quente que a quente. Ou algo assim.

Para falar a verdade, quando a gente cresce, não deixa de fazer essas coisas. Quer dizer, essas coisas não, mas coisas bem parecidas. Faz parte de nossa natureza fazer experimentações. Algumas, meio inúteis e sem graça. Outras, maravilhosas. E como um entusiasta de whiskies e gastronomia, para mim, pouca coisa supera a harmonização de sabores. E é justamente aí que entra o The Macallan Harmony Collection: Rich Cacao – recente lançamento da The Macallan.

O The Macallan Harmony Collection: Rich Cacao foi desenvolvido pela whisky maker Polly Logan, que viajou para Girona, na Espanha, para explorar o processo de produção de chocolates. Mais especificamente, para visitar Jordi Roca, confeiteiro do El Celler de Can Roca, restaurante triplamente estrelado pelo guia Michelin. “quando imergi neste mundo, descobri uma enorme sinergia entre o processo de produção de whiskies e de cacao (…) Ambos levam bastante tempo e atenção excepcional aos detalhes, sendo que mesmo as menores mudanças no processo encorajam diferentes aromas e sabores a emergir“. Depois de seu estudo, Polly buscou barricas de ex-jerez da The Macallan, que trouxessem notas de chocolate.

Polly Logan

O resultado foi um whisky que combina barris de carvalho americano e europeu, com um perfil claramente – adivinhem só – achocolatado. “Para essa expressão, busquei uma nota específica de chocolate nos barris de carvalho europeu temperados com xerez tradicional do The Macallan e combinei isso com uma nota de baunilha conferida por barris de carvalho americano temperados com jerez para adoçar a nota de chocolate ligeiramente amargo que eu havia encontrado ”, explica Logan. “Este requintado single malte oferece uma experiência deliciosa de uísque e chocolate e a chance de elevar a experiência Macallan a uma nova dimensão.

De acordo com o Brand Ambassador da marca no Brasil, Gianpaolo Morselli, “a expressao foi pensada para ser uma simbiose perfeita entre chocolate e whisky. Assim como como alguns queijos, na verdade. Mas quando voce degusta junto com o chocolate, tem um sabor final que não há nem no whisky nem no chocolate. Cria-se um terceiro sabor. Primeiro, voce mastiga o chocolate, e nada acontece. Depois, bebe o whisky. E de repente, acontece uma união dos dois, uma nota de nozes, de frutas secas. Ele foi pensado justamente para trazer isso e abrir a cabeça para as possibilidades de harmonização com o whisky.

Este Cão teve a oportunidade de experimentar o The Macallan Harmony Collection: Rich Cacao exatamente na experiência que lhe é proposto. Durante um evento de premiação dos 50 Best Restaurants, com chocolate escolhido a dedo para a harmonização. O resultado realmente é surpreendente. O single malt puxa para notas de jerez doce, especialmente compota de frutas e alcaçuz. O chocolate ressalta as notas florais e equilibra o dulçor do single malt.

Mas não é somente dentro da garrafa que há referências ao mundo do chocolate. A embalagem do The Macallan Harmony Collection: Rich Cacao é cem por sustentável. Seu estojo, por exemplo, é feito com residuos das vagens do cacau – um subproduto do processo de fabricação dos chocolates, e reciclável.

Tem até o Jordi Roca usando a força!

Para o entusiasta do whisky que quer expandir as fronteiras de seu amor por whiskies; ou para o foodie, que busca sempre combinações inusitadas e incríveis, o The Macallan Harmony Collection: Rich Cacao é perfeito. Na verdade, para todos aqueles que ainda tem a criança experimentadora dentro de si. Porque o gosto pela experiência não muda. O que melhora – e muito – é a própria experiência.

THE MACALLAN HARMONY COLLECTION RICH CACAO

Tipo: Single Malt

Destilaria: The Macallan

Região: Speyside

ABV: 43%

Notas de prova:

Aroma: frutado e floral. Alcaçuz, chocolate ao leite.

Sabor: Compota de frutas, chocolate, pimenta do reino. Final longo, com mais chocolate (que fica mais aparente no final) e puxado para o alcaçuz.

Dia dos Namorados com Whisky – presentes e eventos

Eu não quero que você queira porque eu quero. Eu quero que você queira porque você quer de verdade. Foi assim que terminou uma discussão de aproximadamente cinco minutos entre eu e minha querida Cã. O quase trava-línguas, proferido por ela, não dava muito espaço para réplica. Não importava ter boas intenções, eu tinha que querer de verdade.

A contenda começou com ela perguntando se eu queria sair pra jantar no dia dos namorados. Respondi, com toda minha pragmaticidade, que não. Que eu preferia demonstrar meu amor por ela por meio da gastronomia nos outros trezentos e sessenta e quatro dias do ano – quando não tem fila e bacalhau pelo dobro do preço. “mas então a gente não vai comemorar?” indagou ela, já num tom inquisitivo. “Podemos, não quer que eu cozinhe?“. “Você cozinha quase todo dia. Aliás, seu presente tá comprado, e o meu?

Meu silêncio me condenou. Faltavam ainda duas semanas pro dia dos namorados. Meu horizonte de planejamento de vinte e quatro horas não tinha chegado lá ainda. Acenei negativamente com a cabeça dei um sorrisinho doloso.” Acho que a gente podia ir naquele português que você ama, pensando bem.”. E foi aí, nesse momento, que ela respondeu com aquela frase. Como dizem os falantes da língua saxã: Drop. The. Mic

Tem que querer.

Não importava o que eu fizesse em seguida. Ou no dia 12. Se saíssemos pra jantar, era porque ela estava me obrigando. Se ficássemos em casa, era porque eu não me importava. Nem o mais ardiloso negociador profissional conseguiria encontrar consenso aqui. Meu dia dos namorados já fora liquidado. Mas nem tudo estava perdido. A controvérsia serviu para lembrar do dia – e tentar salvar a vida amorosa de vocês, queridos leitores. Tenham vocês ou não uma vida amorosa.

Assim, separei algumas idéias de eventos, programas e bebidas para dar – e receber – de presente nesse Dia dos Namorados. Do intimista ao hiperativo. Da solteirice ao matrimônio perene. Mas, atenção. Não pode querer porque ele ou ela quer. A lista só funciona se você quiser de verdade.

Clima casa e cobertor

Todo mundo conhece o provérbio do raio que cai no mesmo lugar. Com o dia 12, isso é bem verdade. Uma vez, esqueci completamente da data – e a Cã também. Por sorte, eu lembrei antes, e aí propus fazermos uma degustação de whiskies e vinhos do porto com queijos. Ela amou e ainda ficou super impressionada com minha capacidade de planejamento de última hora. Infelizmente, não tive a mesma fortuna este ano.

Para organizar o programa, é fácil. Escolha três a quatro queijos e três ou quatro bebidas que vocês gostam. Peça para sua melhor metade escolher alguns, e você outros. Dicas infalíveis – bourbon whiskey funciona com queijos como parmesão e Grana Padano. Whiskies defumados vão bem com queijos azuis, como stilton e gorgonzola. Camembert e Brie vão bem com whiskies vínicos.

Aqui no QG do Cão, a Queijaria Rima – especializada em queijos de ovelha – tem dois maravilhosos. O Araritaguaba lembra um pecorino. O Avecuia, um camembert. A Fazenda Atalaia tem um queijo azul incrível, chamado Alvorada, que fica ótimo com Talisker ou Port Charlotte 10. Na duvida, dá um pulo na Queijaria.

Clima tô solteiro / solteira

Vamos combinar uma coisa. Amor próprio é um troço super importante nos dias de hoje. É como diz o coach, se você não se amar, ninguém vai. Então, nada mais justo do que se autopresentear também.

Discuta consigo mesmo o que você quer fazer. Uma das maiores vantagens da solteirice é que você não precisa planejar muita coisa. Basta decidir e realizar. O que, pensando bem, às vezes é a parte mais difícil, porque você fica indeciso se quer comprar um whisky, sair pra beber, assistir um filme ou fazer um whisky carbonara e comer sozinho só porque você pode.

Minha recomendação: compre um Yamazaki Distiller’s Reserve e deguste na companhia de um bom filme. Aproveite para atualizar a biblioteca cinematográfica. Vá em Benedetta do Verhoeven, Licorice Pizza do Paul Thomas Anderson ou – pra algo mais light – On The Rocks da Sofia Coppolla. Quer ver gente? Beba até a vontade passar, ou vá a algum bar e peça um coquetel com whisky.

Clima namoro à distância

Meu pai costuma dizer que a proximidade é o que mais afasta os casais. Não vou me pronunciar sobre a declaração, sob pena de retaliação. Mas posso dar dicas para aqueles afortunados que mantém um relacionamento a uma distância saudável. Aqui, um presente especial parece caber perfeitamente. Se quiser impressionar, vá no novo Royal Salute Polo Estancia, ou no Royal Salute Edição Especial do Ano Novo Chinês. A apresentação é maravilhosa, e o líquido, à altura.

Prefere algo um pouco mais acessível? A Drinks and Community, website oficial da Pernod-Ricard, possui alguns kits especiais, de gins e whiskies, para presentear. O link acima dá acesso ao site apenas para convidados, com alguns preços bem bacanas.

Clima experiências novas

Gente, se você quer saber sobre experiências realmente novas, talvez aqui não seja o lugar certo. Afinal, é apenas um blog de whisky. Mas para experiências novas na área gastronômica, aí vai uma dica que é também um jabá. Mas, com propriedade. Compre uma vaga em alguma degustação de whiskies no Caledonia, nosso bar de São Paulo. Há diversos temas diferentes – e elas acontecem quase toda semana.

Se preferir algo menos acadêmico, o Caledonia também está com uma nova carta de coquetéis por tempo limitado, para comemorar o mês do Whisky. São cinco drinks com The Glenlivet e Chivas Regal. Destaque para o maravilhoso Bee Sting, que leva Glenlivet Founder’s Reserve infusionado com chá defumado Lapsang Souchong, xarope de mel, fernet branca, suco de bergamota e creole bitters.

Arroz de frutos do mar com whisky

Recentemente viajei para Portugal com a Cã. A viagem foi bem legal, bebemos vinhos ótimos e conhecemos lugares maravilhosos. Mas o que a gente mais fez lá foi, seguramente, comer. E é engraçado, porque os portugueses tem a mesma obsessão culinária que eu – tudo que vem do mar. Deve estar impresso no código genético de alguma forma.

Naturalmente, aproveitei para experimentar algumas coisinhas inéditas. Como, por exemplo, ligueirão – que é um bicho compridinho, que parece mexilhão de sabor e textura. E percebes, que além do nome curioso, é outro molusco estranho – visualmente, parecem várias mini-patas de triceratops. E, óbvio, lampréia, aquela sanguessuga enorme cheia de dentes. Que eles tradicionalmente fazem com um molho de vinho maravilhoso, para evitar que você pense que está a comer uma sanguessuga enorme cheia de dentes.

Delícia

Quando voltei para o Brasil, permaneci por algum tempo com a chavinha da obsessão ligada. E resolvi arriscar alguns pratos que havia provado lá. Dentre eles, um arroz de frutos do mar, que eu tenho apenas uma vaga lembrança do original, por motivos de vinhos do douro e do Porto. De toda forma, usurpei a memória que tinha e a adequei para minha habilidade culinária – que beira a de um cachorro bêbado. Foi assim que surgiu o prato que ora lhes apresento – O arroz de frutos do mar com whisky.

Minha esposa, a querida Cã, diz que isso não é um arroz de frutos do mar, mas sim uma paella. Eu discordo. Eu não sei fazer paella. Além disso, chamar o prato de arroz de frutos do mar ao invés de “paella” reduz as expectativas e evita que alguém arrisque comparar com aquelas paellas maravilhosas provadas em restaurantes espanhóis. Então, se alguém disser que é paella, negue. Vamos à receita.

INGREDIENTES

  • 4 colheres de sopa de azeite
  • 400g de Frutos do mar congelados – Lula, mariscos, polvo etc. Existem kits disso no supermercado, mas, se você tiver tempo livre, pode comprar tudo separado. Eu não comprei. Descongele antes.
  • 1 cebola picada a la brunoise
  • 3 dentes de alho picados
  • 2 xícaras de chá de arroz integral (é mais fácil de não errar. Mas pode ir no arroz normal)
  • 1 colher de chá de cúcrcuma
  • 1 xícara de chá de passata (você pode também fazer suco de tomate, fica ótimo!)
  • 3 xícaras de chá de água
  • sal, pimenta, salsinha e o que mais você quiser de tempero.
  • 60ml de bourbon whiskey para flambar
  • 120ml de whisky para a receita – pode ir de bourbon, ou, se estiver sofisticado, um whisky vínico.
  • 2 colheres de sopa de vinagre de jerez (eu usei Fernando de Castilla)
Percebes: não tem na receita, mas eu sei que você ia googlar

PREPARO:

  1. Adicione o azeite em uma panela funda ou wok.
  2. adicione os frutos do mar descongelados e refogue rapidamente.
  3. Adicione a cebola e o alho, misture tudo, e refogue por mais uns dois minutos
  4. adicione o bourbon para flambar. Dê uma leve viradinha na panela (com wok fica mais fácil!) para pegar fogo. Quando isso acontecer, fique longe para não se auto-imolar e mexa a panela para que tudo seja flambado por igual.
  5. Adicione seus temperos. Eu tenho aqui uma espécie de tempero cajun, que eu acho maravilhoso em tudo, e isso nessa receita. Pode colocar também a cúrcuma. Mexa tudo
  6. Adicione o tomate e as xícaras de água. Tudo junto. Pode colocar um pouco de sal aqui.
  7. Coloque o arroz e mexa tudo.
  8. Deixe reduzir e cozinhar o arroz. Lá pelos dez minutos, adicione whisky. O alcool vai evaporar e subir o aroma do barril.
  9. Quando estiver bem perto de ficar seco – lembre-se, não é um risoto, é um arroz. É pra ficar meio seco – adicione o vinagre e mexa novamente. A ideia é trazer acidez. Se você não gosta, vá sem. Pode substituir por limão siciliano também, na finalização do prato.
  10. Sirva com uma dose do seu bourbon favorito ou um single malt vínico!

OPCIONAL: COM POLVO

Talvez você tenha notado o enorme molusco na foto de introdução do post. Se estiver se sentindo sofisticado e qusier arriscar, pode fazer. Basta colocar dois tentáculos de polvo na panela de pressão com uma cebola e uma colher de chá de sal. Deixe na pressão por uns 20 – 30 minutos e abra. Se a cebola estiver desmontando sozinha, é sinal de que o polvo está bom. Dê uma leve chapeada e sirva junto, com azeite.