O Cão Didático – Copos e taças para whisky

O uso de ferramentas. Por muito tempo, acreditava-se que essa era nossa principal diferença com os animais. Nós, seres racionais, teríamos o poder de moldar elementos ao nosso redor para servir de utensílio para certo fim. Atualmente, sabemos que alguns outros bichos fazem isso. Primatas utilizam gravetos de bengala e vara.

Essa história é bem ilustrada no filme 2001 – Uma Odisséia no Espaço, de Kubrick. Na primeira cena do filme, um macacão – na verdade, um hominídeo pré-histórico – tem a brilhante ideia de utilizar um osso como porrete. Uma ferramenta rudimentar, que, ao longo do tempo, foi se tornando cada vez mais especializada e específica. Atualmente, há milhares de instrumentos que podemos usar para arrebentar coisas. Tacos de beisebol, martelos, espadas, machados. Enfim, qualquer coisa com uma haste e, de preferência, com algo bem dolorido ou afiado na outra ponta.

Milênios de evolução

A evolução do ferramental humano é incrível. A cozinha é outro exemplo claro disso. Há cinquenta anos, jamais poderíamos sonhar com a especificidade de utensílios que temos hoje. Há cortadores para tudo – maçãs, abacaxis e até manteiga. E se sua ideia não for cortar, mais sim conservar, você sabia que existe um recipiente desenhado especialmente para guardar bananas? E que ele só serve para isso. Se você tentar colocar um pepino lá dentro, por exemplo, não vai dar certo. Para isso, existe um guardador específico para pepinos.

Tamanha especialização se refletiu também no mundo da bebida alcoólica. Há taças ou copos para todo tipo de líquido. No mundo do vinho, por exemplo, há tipos diferentes de taça para uvas diferentes. Isso sim, é bem específico. No entanto, até pouquíssimo tempo, não havia qualquer copo ou taça desenhado exclusivamente para o consumo de whisky. A bebida era servida dentro de qualquer coisa – de copos baixos e largos a taças altas e bojudas. Recipientes que, muitas vezes, atrapalhavam bastante a tarefa de perceber os aromas do destilado.

A degustação analítica de whiskies era feita, muito frequentemente, nas taças ISO. Seu formato e tamanho foi padronizado pela International Organization of Standardization em 1977 como taças especializadas para degustação de vinho.

Padrões da ISO

As taças ISO são uma excelente escolha para padronização de degustações. Em provas com mais de um tipo de bebida – rum, brandy, whisky – elas são perfeitas. E até mesmo para degustação de um único tipo, frequentemente são utilizadas. São taças que geralmente possuem bom preço e entregam um ótimo resultado. Porém, são como um tupperware. Ótimo para guardar tanto bananas quanto pepinos, mas não absolutamente voltadas para cada tarefa específica. ISOs são fáceis de serem encontradas, inclusive online, como aqui.

Assim, até  2001 não havia qualquer copo para whisky, e para whisky apenas. No entanto, naquele ano, a Glencairn Crystal resolveu este problema. Ela identificou o copo ideal para a bebida, desenvolvido por Raymond Davidson há mais de vinte e cinco anos daquela data. O desenvolvimento contou com a participação de alguns dos mais respeitados master blenders do mundo do whisky, de forma a tornar seu desenho inicial perfeito.

O Glencairn Whisky Glass permite apreciar todos os sabores e aromas do whisky. Ele não ressalta qualquer característica específica, mas potencializa o conjunto de elementos que formam a bebida. Eles são excelentes para qualquer single malt, blended whisky, irish whisky ou mesmo bourbon. Suas bordas estreitas concentram os aromas, e permitem perceber todas as nuances do whisky. Atualmente, o Glencairn é o copo oficial para degustações de whisky, e é utilizado nos mais respeitados bares e destilarias ao redor do mundo. Por aqui, ele foi recentemente importado pela Single Malt Brasil, e pode ser encontrado aqui.

Instruções de uso do Glencairn.

Recentemente um outro copo foi lançado no mercado. O Norlan Glass. Ele surgiu de um projeto no Kickstarter em 2015 que obteve enorme sucesso. O Norlan possui parede dupla de vidro com isolamento de ar entre a parte externa e a interna, semelhante àquele de uma garrafa térmica. Ao contrário do Glencairn, as bordas do copo se voltam discretamente para fora. Seu interior possui quatro pequenas reentrâncias, que servem para aerar o whisky. O copo é um belíssimo trabalho de engenharia, não há como negar.

O desenho todo do Norlan – segundo a empresa baseado em bio-mímica, seja lá o que for isso – é focado em potencializar o aroma do whisky e tirar o álcool do caminho. Nas palavras da Norlan “a segunda maior característica é o formato das paredes internas, que se fecham a medida que sobem, mas depois divergem novamente, para não bater no nariz. A altura e diâmetro da menor abertura foca no aroma, enquanto, simultaneamente, difundem o etanol para longe do rosto, fantasticamente melhorando o sabor do whisky“.

O marketing ao redor do Norlan é tão intenso que às vezes parece exagerado. O site chega ao ponto de dizer que os demais copos e taças de whisky são antissociais, porque obrigam o apreciador a desviar o olhar para experimentar a bebida – problema que seria resolvido pelo Norlan e suas bordas abertas. Este Cão, não consegue imaginar algo mais desesperador do que não ter nenhum pretexto para desviar o olhar das outras pessoas. E que, portanto, este é um problema que não precisa ser resolvido.

Nem sempre é uma boa fazer contato visual.

Apesar de ser um copo belíssimo, este Cão não ficou apaixonado pelo Norlan. Ele realmente tem sucesso no que se propõe – volatilizar o whisky e reduzir a agressividade do álcool no aroma. Porém, também acaba mascarando algumas características da bebida. E pior, ao analisar whiskies menos alcoólicos ou delicados, compará-los com os mais robustos e alcoólicos torna-se mais difícil. Os Norlan não são importados para nosso país.

Além destes, outros copos e taças foram desenvolvidos nas últimas décadas. Há, por exemplo, o copo NEAT. Um nome bem cretino, que significa em inglês “puro” e, ao mesmo tempo, é a sigla para Naturally Engineered Aroma Technology (Tecnologia de Aromas Naturalmente Desenvolvida), outra coisa que não faço idéia do que seja. Há um belo copo para single malts produzida pela famosa Riedel, e uma caríssimo e exclusiva taça de cristal lapidado da The Macallan, feita pela Lalique.

Atualmente, é vastíssima a variedade de copos e taças criados para a melhor bebida do mundo. Escolher entre um e outro dependerá, essencialmente, de sua preferência. Este Cão tem como favorito absoluto o Glencairn, seguido pela ISO. Porém, seja qual for sua escolha, lembre-se sempre da mais essencial regra de toda degustação caseira de whiskies: aproveite. Seja sozinho ou ao lado dos amigos – com ou sem contato visual – o importante é agarrar o momento e divertir-se.

 

Dádiva Odonata #5 – Nossa própria cerveja maturada em barris de single malt!

Quando comecei a escrever o Cão Engarrafado, não sabia muito o que havia pela frente. Mas imaginava algumas coisas. Previa que – se tudo desse certo – em algum ponto do percurso guiaria alguma degustação de whiskies. Imaginava também que, invariavelmente, conheceria muita gente. O que não é necessariamente bom, porque como uma vez disse Sartre, o inferno são os outros. Sabia, no entanto, que – em certos casos excepcionais – teria contato com gente bacana.

Tinha certeza de que descobriria uma centena de maltes apaixonantes, e provaria outros que não seriam muito além de medíocres. Sabia que beberia um pouco demais e gastaria além da conta. Em meus delírios mais sofisticados, antevia que poderia elaborar a carta de whiskies de certo bar ou restaurante. Todas essas coisas, apesar de bastante longínquas há três anos, me pareciam estágios do desenvolvimento de um blog sobre um assunto tão incrível quanto whisky.

Mas uma coisa que jamais poderia prever, nem em meus devaneios mais estratosféricos, é que assinaria e faria parte do desenvolvimento de uma cerveja. Mas foi exatamente isso que aconteceu recentemente com este Cão. Há alguns meses fui convidado por Victor Marinho – mestre cervejeiro da Dádiva – para participar de um dos projetos mais empolgantes que já tive a oportunidade de estar envolvido. A produção de uma Russian Imperial Stout que passa por barricas de whisky.

O resultado foi a Dadiva Odonata #5, maturada em barricas de single malt scotch whisky das highlands – que eu jurei de pé junto não contar qual é. A maturação, que levou em torno de dois meses, trouxe à cerveja um sabor adocicado de baunilha e madeira, que complementa perfeitamente suas notas amargas, de chocolate e de café. Há um certo mel residual, bem característico do whisky. Quando pude prová-la, antes de seu lançamento, fiquei estarrecido. Naquela oportunidade a cerveja ainda não estava nem carbonatada, mas já parecia um produto acabado e excepcional.

Deu sede só de ver a foto.

Mas a história é ainda mais surpreendente. Acontece que a Odonata #5 – como o número de sobrenome pode denunciar – não é filha única. Junto com ela, a cervejaria lançou mais duas Odonatas. A #4, que utiliza malte defumado por folha de charuto e é maturada em barricas de carvalho americano que antes contiveram rum; e a #6, maturada em barricas de carvalho europeu de cachaça. As meio-irmãs de minha Odonata são filhas, respectivamente, dos especialistas César Adames e Dinah Paula. E se você estiver se perguntando porque a numeração começa em quatro, eu explico. Não é uma homenagem a Star Wars. É que no ano passado foram lançadas outras três edições especiais desta incrível Russian Imperial Stout.

Para as Odonatas deste ano, serão feitos quatro lançamentos. Um geral, no Empório Alto de Pinheiros, no dia 17 de julho, e outros três, específicos para cada uma das cervejas. Estes acontecerão em locais com tradição no tema de cada uma. Assim, a cerveja de Adames será lançada no Cateto Pinheiros (anfitrião das conhecidas Smokey Mondays), no dia 18 de julho. A de Dinah, em sua Quinta das Castanheiras, no dia 20 do mesmo mês. E, finalmente, a deste Cão, no Admiral’s Place – referência de bar quando o assunto é whisky.

Odonatas

As Odonatas estarão disponíveis em garrafa e chope, em locais selecionados. Nos dias dos lançamentos, haverá garrafas a venda, que poderão ser adquiridas pelos presentes. No dia 17 de julho, este Cão estará no Empório Alto dos Pinheiros, junto com os demais padrinhos, para autografar as cervejas compradas no evento – ainda que eu não consiga ver qualquer boa razão para querer um autógrafo meu. Para saber mais sobre o evento, clique aqui. É uma oportunidade para experimentar uma cerveja incrível e conhecer muita gente. Eu sei, o inferno são os outros. Mas quem gosta de cerveja e whisky é exceção.

Veja abaixo o vídeo que gravei – com toda desenvoltura que me é natural – sobre o lançamento:

 

DÁDIVA ODONATA #5 – MAURÍCIO PORTO

Cervejaria: Dádiva

País: Brasil

Estilo: Russian Imperial Stout

ABV: 12%

IBU: 60

Notas de Prova:

Aroma: café, chocolate, um certo fundo vínico muito suave.

Sabor: Encorpada e com pouca carbonatação. Sabor predominantemente de chocolate, com mel, baunilha e frutas vermelhas. Final progressivamente mais adocicado, puxado para o chocolate e a influência da madeira.

 

Chivas Extra – Juntos e Extraordinários – Final

Qual seu programa de domingo? Bem, em um domingo qualquer, um domingo ordinário, eu provavelmente acordaria tarde, almoçaria e veria um filme em casa. Talvez prepararia algum texto para este blog. Ou acordaria cedo e sairia com a Cãzinha para algum parque ou museu. E a tarde, quando ela dormisse, me afundaria no sofá ao confortável e constante som da rota de aviões que passa próxima à minha casa. O que, convenhamos, é ótimo.

Mas este domingo – dia 09 de julho – foi um dia extraordinário. Não, não é por conta do feriado da revolução constitucionalista. Mas porque este Cão foi convidado para participar, como jurado, do primeiro campeonato de coquetelaria do whisky Chivas Extra. Um convite decerto extraordinário.

O Concurso,  batizado de “Juntos & Extraordinários” marcou o lançamento do Chivas Extra para os bares brasileiros. A ideia é mostrar a versatilidade do whisky também do lado de lá do balcão. Assim, o bartender deveria elaborar um coquetel que tivesse como base o Chivas Extra, dentro do tema “Quais ingredientes que juntos formam um drink extraordinário” e divulgá-lo via Instagram. Dentre os competidores, cinco de cada região foram selecionados.

Para a  segunda etapa de São Paulo, que aconteceu neste extraordinário domingo no The View, os bartenders selecionados foram Royter Correia, do Barê, Silas Rocha do Riviera, Ivo Rangel do próprio The View, Thiago Pereira do Sala Especial e Vladimir Cabral do SubAstor. Estes tiveram que improvisar, na hora, um coquetel com o tema “como você comemoraria um momento especial com Chivas?“. Os jurados foram Mijung Kim, embaixadora da Chivas Regal, Marcelo Sant’Iago e Jairo Gama, além deste Cão, que pela primeira vez ocupava uma cadeira de julgador.

The view from the view

Antes de começar o campeonato, imaginava que o trabalho seria fácil. Afinal – pensava eu – não seria nada além de beber coquetéis e escolher um favorito. Mas a realidade, como sempre, foi bem diferente da expectativa. Porém, dessa vez, a superou extraordinariamente. Em primeiro lugar porque os coquetéis apresentados foram incríveis. Contos de fadas, cafés, pães, bolas de fogo, tampas voadoras, copos com luz própria, fumaça – aliás, muita fumaça – e ceviches cuidadosamente preparados foram os insólitos ingredientes daquela extraordinária noite. Em segundo, porque a tarefa de julgar trabalhos tão incríveis não era nada, nada fácil.

No entanto, após numerosas idas e vindas nas fichas de avaliação, um pouco de reflexão e muitas rasuras, já tinha meu resultado. Resultado que, somado àquele dos demais jurados, enviaria o vencedor a Lima, para participar da Clase Maestra 2017, um dos maiores eventos de coquetelaria do mundo. E – não sem um pouco de suspense – o ganhador foi finalmente anunciado. Sylas Rocha, do Riviera Bar. Seu coquetel, “O Momento” contou com uma apresentação literalmente mágica, além de uma garrafa surpresa, preparada com antecedência e cheia do drink, para que todos na festa pudessem compartilhá-lo.

O Momento de Sylas (fonte: Elton Araújo Fotografia)

“Juntos & Extraordinários” foi, para este Cão, uma grande experiência. Respondendo a pergunta “Como você comemoraria um momento especial com Chivas?” Bem, um ótimo whisky num domingo extraordinário, com coquetéis e pessoas incríveis certamente seriam parte dessa resposta.

 

Fondue de Chocolate e Whisky

 

O inverno brasileiro é engraçado. As pessoas aguardam ansiosas o fim da sudorese e a chegada de uma temperatura mais amena. A ansiedade é tanta que, às vezes, nem começou a fazer frio e já está todo mundo de casaco. Quer dizer, quase todo mundo. Alguns, poucos, não foram avisados sobre a chegada do inverno, e fizeram o que fazem todos os dias – se vestiram de acordo com a real temperatura externa. O resultado disso é que, a dois metros de uma moça de sobretudo há um rapaz de bermuda e camiseta. E ninguém acha isso esquisito. É como se o figurinista da Globo tivesse escolhido a roupa de todo mundo.

Outra coisa curiosa que acontece no inverno é a mudança dos hábitos alimentares. O inverno não precisa nem ser sentido – basta que seja anunciado – para que centenas de caixinhas de fondue invadam os supermercados. Nos mais sofisticados, há bem mais do que as duas clássicas variedades de queijo e chocolate. Hoje em dia, há especificidade. Fondues de chocolate amargo, chocolate ao leite, queijos emmental, gouda e gorgonzola. É muito fondue para tão pouco frio.

E vou contar um negócio. Adoro queijo e gosto de chocolate, mas nunca entendi a graça de passar calor e depois ter que lavar uma arroba de louça só para comer queijo derretido com pão. Eu nunca fui um grande fã de fondue. Até agora. É que na semana passada resolvi que mudaria isso. A começar pelo fondue de chocolate, que era o último na minha lista de predileções. Mudaria, é claro, da única forma que sei. Adicionando whisky. E incrivelmente, o resultado foi ótimo.

É obvio que, neste ponto, eu poderia simplesmente sugerir que fossem ao supermercado mais próximo, comprassem uma caixinha de algum fondue de chocolate pronto e, na hora de preparar, descesse uma talagada de algum bourbon. Mas, meus caros, não vou fazer isso. Porque valorizo o tempo de vocês, e imagino que esta óbvia ideia já tenha percorrido suas mentes. Se fosse assim, ler este texto seria uma terrível perda de tempo.

Por isso vou explicar como preparar a receita do começo. Sem atalhos. E se você achava que o fondue pronto já fazia sujeira, preparem-se para transformar sua cozinha numa obra de arte do Vik Muniz. Peguem seus caderninhos e agarrem suas sinvastatinas. Aí vai uma receita que vai te aquecer e elevar seu nível glicêmico só de ver a foto.

FONDUE DE CHOCOLATE COM WHISK(E)Y

Antes de qualquer coisa, isto é um blog de whisky. Então vamos discutir o whisky. A ideia aqui é que a bebida realmente complemente o sabor de chocolate. Não apenas com aquele aroma e sabor alcoolico. Mas que, de fato, empreste sabores novos. Assim, a escolha do whisky é importantíssima.

Este Cão testou algumas vezes, com whiskies de preços e estilos diferentes. Primeiro – esqueça os defumados. O medicinal e marítimo deles não funciona direito com o fondue. Whiskies com alguma maturação em jerez ficaram ótimos – como o Famous Grouse, Chivas Extra e o Whyte & Mackay. Bourbons, especialmente os mais adocicados como o Maker’s Mark também – nem precisa dizer – ficaram excelentes. Estes emprestam baunilha e uma certa profundidade à sobremesa.

INGREDIENTES:

  • 225g de chocolate meio amargo (1 barra e meia)
  • 225g de chocolate ao leite (1 barra e meia)
  • 200g de creme de leite fresco
  • whisky a gosto – sim, isso é uma medida discricionária. Este cão obteve os melhores resultados com algo próximo de 150ml.
  • frutas, bolachas ou qualquer coisa que fique boa no fondue.

PREPARO

  1. Quebre os chocolates em pequenos pedaços
  2. em uma panela, adicione o creme de leite e o chocolate, e derreta enquanto mistura. Talvez fazer isso em banho maria seja providencial.
  3. Quando a mistura já estiver quase homogênea, adicione o whisky.
  4. Pode servir!

Drops – Royal Brackla 16 anos

 

Você sabe o que é um Royal Warrant? Um Royal Warrant é uma espécie de selo de aprovação da família real. Isso, na prática, significa que certa marca – a qual o Royal Warrant é concedido – fornece um serviço ou produto de altíssimo nivel para a corte real. E que, por conta disto, merecem deferência. Ou que a marca – a destilaria, no caso – é profundamente admirada por certa celebridade de sangue azul.

A maioria dos países que, em algum momento, adotaram o regime monárquico possuem Royal Warrants. Até mesmo no Brasil isto aconteceu. Ao todo, foi concedido o inacreditável numero de dois. Um para a Granado – sim, aquela que faz os sabonetes – e outra para Henry Poole & Co, alfaiataria britânica que produzia parte das vestimentas de Dom Pedro II. A família real inglesa, porém, não foi tão seletiva. Ao longo de sua história, ela já forneceu milhares de royal warrants. Atualmente, há pouco menos do que novecentos. Companhias em ramos tão diversos quanto a Aston Martin, Nestlé, Twinings e Burberry possuem estes selos.

A Brackla foi a primeira destilaria a receber o Royal Warrant. O Royal Warrant da Brackla foi concedido pelo Rei William IV em 1833, quando a destilaria possuía apenas 23 anos de idade. Em 1838 a Rainha Victória renovou o Warrant. Por conta dessa história os whiskies da Brackla até hoje são vendidos com os dizeres “The King’s Own Whisky” ou “O Whisky do Próprio Rei” em seus rótulos. Além disso, a destilaria pode utilizar a denominação “Royal” em seu nome.

O Royal Brackla 16 anos foi lançado apenas recentemente, em 2015. Juntamente com Glen Deveron, Craigellachie, Aberfeldy e Aultmore, ele compõe os “Last Great Malts of Scotland”. Um nome com bastante pompa e certa presunção, mas que, na realidade, é somente a reunião das destilarias sob comando da multinacional Bacardi. Ainda que a comercialização como single malts e o lançamento dos Last Great Malts sejam fenômenos recentes, os maltes já são velhos conhecidos do mercado. São eles os principais ingredientes dos blended whiskies da Bacardi, como o Dewar’s.

A primeira versão lançada do Brackla foi um whisky com 35 anos de idade, com preço sugerido de 15.000,00 (sim, quinze mil mesmo) dólares. Em seguida, a Bacardi revelou que não seria necessário vender um automóvel para experimentar um whisky da destilaria. As expressões do portfólio permanente da marca seriam bem mais acessíveis, ainda que não exatamente uma pechincha. O Royal Brackla 16 custa, atualmente, em torno de 70 libras.

Pechincha

O processo produtivo da Brackla é baseado no refluxo. O processo de fermentação – em washbacks de pinho – é longo. Os alambiques possuem pescoço de cisne, inclinados levemente para cima. O processo de destilação é também demorado, e o alambique começa seu processo bastante cheio. Tudo isso contribui para um destilado leve e pouco maltoso. Não há informação se os whiskies sofrem processo de filtragem a frio ou recebem a adição de corante caramelo.

O Royal Brackla 16 é maturado em barricas de carvalho americano de bourbon whiskey e finalizado em barricas de carvalho europeu de ex-jerez. E tudo seria lindo, não fosse um pequeno detalhe. Sua graduação alcoólica. Para um whisky como ele, leve e puxado para o vinho jerez, talvez um grau mais elevado de álcool funcionasse bem. Isso é uma pena, porque apesar de excelente, o Royal Brackla 16 anos teria o potencial para ser uma expressão incrível. De qualquer forma, se você cruzar com uma garrafa do Royal Brackla 16 anos, não perca a oportunidade de experimentá-lo. Afinal, não é sempre que se tem a oportunidade de provar um whisky digno de um rei.

ROYAL BRACKLA 16 ANOS

Tipo: Single malt com idade definida (16 anos)

Destilaria: Brackla

Região: Highlands

ABV: 40%

Notas de prova:

Aroma: Frutado, creme de baunilha, manteiga.

Sabor: Frutado e ao mesmo tempo seco. Frutas cristalizadas, crème brûlée, manteiga. Final longo e seco.

Disponibilidade: Duty Free de embarque internacional/lojas internacionais

 

 

Drink do Cão – Sazerac

Há algumas semanas falei sobre a incrível combinação de influências que trouxe a cidade de New Orleans sua riqueza cultural. Na oportunidade, entretanto, deixei de mencionar o cinema. É que a cidade também foi palco de mais de uma dezena de filmes memoráveis, como Bad Lieutenant, Um Bonde Chamado Desejo, O Curioso Caso de Benjamin Button, Ray e Doze Anos de Escravidão.

Além destas películas incriveis, New Orleans também foi a ambientação escolhida para o filme mais esquisito e surreal de James Bond. Live and Let Die – em português, Com 007 vida e deixe morrer. Se você nunca viu, ou não acha estranho, deixe-me apresentar alguns elementos da película. Há o improvável assassinato de um homem por uma banda de instrumentos de sopro. Há a tradicional misoginia, magia negra, um espírito imortal do vodu, tarô – ou melhor, uma taróloga – e um personagem que explode ao engolir um tanque de ar comprimido. Elementos que aparentemente não combinam. E, na verdade, não combinam mesmo.

Sério, que viagem.

Apesar de estar lá na borderline entre o medíocre e o cult, Live and Let Die possui alguns ótimos momentos. A perseguição de lanchas, que conta com uma piscina, um casamento e um incrível salto é excelente. E, claro, aquele já antecipado momento em que nosso agente secreto preferido vai aos copos.

Em Live and Let Die, 007 troca sua bebida de combate. Ao invés de dry martinis ou The Macallan, 007 bebe Sazeracs. Há uma cena em que ele e Felix leiter – sua versão americana na CIA – entram em um bar. Bond pede bourbon sem gelo. Mas Felix o impede, e solicita dois Sazeracs. Ao notar o semblante surpreso do agente inglês, Felix diz “onde está seu apetite pela aventura? – Estamos em Nova Orleans, relaxa!”.

E se eu fosse Leiter, teria feito justamente o mesmo pedido. É que o Sazerac, um dos mais clássicos coqueteis de todos os tempos, foi justamente criado naquela cidade. Seu nome vem do conhaque Sazerac de Forge, que compunha sua receita original. O tal conhaque era importado por um bartender chamado Sewell Taylor, que possuía uma espécie de híbrido entre loja e bar, o Merchants Exchange Coffee House, em New Orleans, lá por 1850.

Algum tempo mais tarde, Sewell vendeu seu empreendimento para Aaron Bird, que resolveu renomeá-lo de “Sazerac Coffee House”. Para promover o lugar, Bird inventou um drink da casa, que levava o aclamado conhaque, açucar e Peychaud’s bitters, produzidos pelo apotecário do Sr. Peychaud, que ficava apenas alguns metros distante.

Crocodilos. Porque faz mais sentido que o filme do 007.

Acontece que, mesmo sendo uma invenção excelente, aquele Sazerac não seria o mesmo por muito tempo. Durante a segunda metade do século dezenove, obter conhaque estava cada vez mais difícil. O fungo phylloxera – o mesmo que auxiliou o whisky escocês ganhar espaço internacional – havia devastado as vinícolas francesas. Assim, engenhosamente, aquele brandy foi substituído por Rye Whiskey.

E esta não foi a única mudança. O absinto era outra bebida em alta naquela época. Assim, nada mais natural do que, em algum ponto do percurso, alguém ter a ideia de adicioná-lo ao coquetel. E assim nasceu o Sazerac que hoje conhecemos. Com Rye Whiskey ao invés de conhaque. E com um toque de absinto.

A preparação do Sazerac é interessantíssima. O absinto é apenas usado para untar o copo. Os demais ingredientes, porém, são preparados como em um old fashioned – que provavelmente foi a inspiração da receita original daquele coquetel de conhaque.

Mas vamos parar com o papo. Com vocês, um dos mais clássicos entre os clássicos. Uma reunião de ingredientes tão improvável quanto um filme que une espionagem, magia negra e tráfico de drogas. A fusão entre o absinto e o whiskey. O Sazerac.

SAZERAC

INGREDIENTES

  • 2 Doses de Rye Whiskey (se não tiver, aposte em um bourbon com boa proporção de centeio em sua composição, como o Woodford Reserve ou o Bulleit).
  • 1/2 dose de calda de açúcar (proporção 1:1. Veja como fazê-la aqui) ou 1 torrão de açúcar
  • 3 dashes de Peychaud’s bitters – Se não tiver, vá sem, ou use sua criatividade.
  • 2 dashes de Angostura bitters
  • Absinto
  • Copo baixo ou taça coupé (existe uma certa polêmica aqui. Sério, escolha o que você achar mais bonito)
  • Mixing Glass (ou um copo para misturar)
  • Colher bailarina (ou algum instrumento apto a misturar)
  • Strainer (já sabe, improvise com uma peneira)
  • gelo
  • casca de limão siciliano para guarnição

 

PREPARO

  1. Pegue o copo baixo ou a taça coupé e despeje uma pequena quantidade de absinto. Gire a taça, como se a tivesse untando e depois descarte o excesso de absinto. A ideia é que a taça – ou copo – fique com o aroma da bebida.
  2. No mixing glass com bastante gelo, adicione o whiskey, a calda de açúcar e os bitters. Misture com a bailarina. Se optar pelo torrão de açúcar, adicione o torrão, depois embeba com os bitters. Adicione o whiskey e mexa até que o açúcar tenha se dissolvido quase inteiramente. Depois, adicione o gelo e mexa novamente.
  3. Com o auxílio do strainer, desça naquele primeiro copo, que você passou o absinto.
  4. Adicione uma pequena casca de limão siciliano como guarnição.

 

 

 

Juntos & Extraordinários – Campeonato de Coquetelaria Chivas Extra

Se há um whisky que acompanhou com destaque a história do Cão Engarrafado, este whisky é o Chivas Extra.

O Chivas Extra foi o protagonista de momentos extraordinários para este blog. Ele foi o vedete do primeiro convite recebido pelo Cão de uma marca de whisky – participar de um jantar harmonizado com aquele mais recente lançamento da Chivas Regal. Foi também, por muito tempo, nosso campeão de audiência. Em poucos dias, sua prova tornou-se o texto mais lido deste infame website, e, atualmente, faz parte dos cinco mais visitados de toda sua história.

O engraçado é que, até hoje, não consegui atribuir razão para isto. Talvez o sucesso do texto tenha sido uma sorte extraordinária. E talvez, por alguma extraordinária coincidência, o Extra tenha pontuado momentos tão extraordinários da história deste blog. Poderia acreditar nisso. Mas, para falar a verdade, cada vez têm sido mais difícil. Porque esta semana novamente um fato veio se juntar ao extraordinário rol de conquistas deste extraordinário whisky. Este Cão foi convidado por Mijung Kim, embaixadora da Chivas Regal, para acompanhar de perto um concurso de coquetelaria envolvendo o Chivas Extra.

O Concurso, jocosamente batizado de “Juntos & Extraordinários” foi concebido para marcar o lançamento do Chivas Extra para os bares brasileiros. A ideia é mostrar a versatilidade do whisky também do lado de lá do balcão. Na verdade, foram organizados dois concursos em paralelo – um na região nordeste, envolvendo Recife, Salvador e Fortaleza e outro na Cidade de São Paulo.

Segundo o regulamento, na primeira fase – concluída no dia 26 deste mês – o bartender deveria elaborar um coquetel que tivesse como base o Chivas Extra, dentro do tema “Quais ingredientes que juntos formam um drink etraordinário” e divulgá-lo via Instagram. Dentre os competidores, cinco de cada região foram selecionados para a final regional – a segunda fase – que ocorrerá no dia 10 de julho. Em São Paulo, os seguintes profissionais foram selecionados para a semifinal: Royter Correia, do Barê, Silas Rocha do Riviera, Ivo Rangel do The View, Thiago Pereira do Sala Especial e Vladimir Cabral do SubAstor.

Os finalistas de Recife, Salvador e Fortaleza são Alex Yuji do Orbita Blue (Fortaleza), Rodrigo Damasceno do SP 20 (Salvador), Reinaldo dos Santos do Anjo Solto (Recife), Paulo de Melo do Le Chef (Recife) e Mauro Melo, do Em Cima Gim Bar (Recife).

Os vencedores da primeira fase de São Paulo.

A segunda fase do campeonato acontecerá no dia 10 de julho. Nela, os finalistas serão avaliados por um corpo de quatro jurados, e deverão improvisar novos coquetéis com Chivas Extra. O bartender deverá se inspirar na campanha #comemorejunto e criar um ritual para sua criação, seguindo o tema “como você comemoraria um momento especial com Chivas?“. Neste dia, serão escolhidos dois finalistas – um para cada região do concurso. Estes finalistas, então, ganharão uma viagem para Lima, para participar do evento de mixologia Clase Maestra 2017.

E aí vai a notícia boa. Até o dia 10 de julho os finalistas deverão inserir sua criação na carta de coquetéis de seus respectivos bares ou restaurantes, para que todos tenham oportunidade de prová-los. Assim, se visitar uma das casas até esta data, peça pelo drink da competição. Vai que ele se torna o protagonista de um momento especial, ou melhor, extraordinário para você também.

Drops – Eagle Rare 10 anos

Você sabe quem é Michael Phelps? Provavelmente sim. Ele é o nadador mais famoso do mundo, maior medalhista olímpico da história e atualmente detentor de sete recordes mundiais, ainda que eu não tenha a mais frágil ideia de quais sejam.

Para você ter uma ideia, o Phelps está empatado com a Índia no número total de medalhas. Mas ele tem bem mais de ouro. Considerando toda a história dos jogos olímpicos, Phelps conquistou mais medalhas do que Portugal, Chile, Bahamas e o Quirguistão, seja lá o que for o Quirguistão.

No universo dos bourbons, Phelps poderia ser comparado ao Eagle Rare 10 anos. Ele é um dos mais premiados whiskeys do mundo. O Eagle Rare conquistou mais de trinta prêmios na última década, incluindo alguns da Los Angeles International Wine & Spirits Competition, International Spirits Competition e International Wine & Spirits Challenge, três dos mais importantes campeonatos mundiais de bebidas. Ele foi o único whiskey a conseguir cinco medalhas de duplo ouro na San Francisco Spirits Competition, sendo que três delas foram concedidas em anos consecutivos – de 2003 a 2005.

E o Eagle Rare é mais bonito que o Phelps.

O Eagle Rare 10 anos é produzido pela Buffalo Trace Distillery, localizada em Frankfort, no Kentucky, e controlada pela Sazerac. Além dele, a destilaria produz uma variedade enorme de whiskeys, como o George T. Stagg, E. H. Taylor, W. L. Weller, Sazerac Rye, a preciosíssima linha de Pappy Van Winkle e os Blanton’s e Stagg. Jr., já revistos por aqui.

A composição da mashbill do Eagle Rare – conhecida simplesmente como a Buffalo Trace #1 – é secreta. Porém, sabe-se que há pouco centeio, resultando em um destilado adocicado e com poucas especiarias. A maturação – como todo bourbon – é feita em barricas de carvalho americano virgens. No caso do Eagle Rare, bastante queimadas.

O Eagle Rare é um whiskey muito equilibrado, relativamente adocicado, com notas de açúcar mascavo e caramelo. O álcool está completamente integrado e é pouquíssimo agressivo. Seu preço em sua terra natal é, em média US$ 35,00 (trinta e cinco dólares) – um excelente custo-benefício. Apesar de – na opinião canina – carecer da personalidade que transborda em seu primo Stagg. Jr., o Eagle Rare é um excelente bourbon.

Se tiver a sorte de encontrar essa ave rara, não deixe de experimentar. Nem o Phelps deixaria passar.

EAGLE RARE 10 ANOS

Tipo – BourbonWhiskey

ABV

Destilaria: Buffalo Trace

País: Estados Unidos

Notas de prova

Aroma: adocicado, com caramelo e baunilha.

Sabor: doce, com açúcar mascavo, caramelo, baunilha, trufas de caramelo. Final com mais açúcar mascavo e um pouco de especiarias. O alcool está completamente integrado e mal é percebido.

Disponibilidade: Apenas lojas internacionais

 

Whiskies para comprar no Duty Free III

Esta é a terceira edição de um texto sazonal com novidades nos Duty Free shops de aeroportos brasileiros que valem a pena. Confiram aqui o primeiro, e neste link o segundo texto sobre este tema.

Esses dias estava vendo uns desenhos com a Cãzinha no YouTube. Depois de alguns episódios de Sara e o Pato e Masha e o Urso (afinal, o que há com jovens meninas e animais?) resolvi mostrá-la alguns desenhos da minha época. Percorremos em bons quarenta minutos coisas como Tom e Jerry, Papa Léguas e Caverna do Dragão. Desenhos que eu julgava adorar.

Mas aí eu percebi como eles eram irritantes. Porque o Frajola nunca conseguiu pegar aquele passarinho. E o Coiote descobriu mais de uma centena de formas de morrer – explodido, dilacerado, esmagado, dividido, entre outras – tentando transformar o papa-léguas em almoço. Passei anos e anos de raiva esperando que eles tivessem sucesso. Sucesso que nunca veio. Eu devia ser uma criança estúpida, esperançosa ou muito masoquista mesmo.

cretino

Mas o pior deles era o que eu julgava ser meu preferido. Caverna do Dragão. Tudo que aquele pessoal queria era voltar para casa. Só que por mais próxima e mais palpável que parecesse a oportunidade, algo sempre acontecia. A chance era perdida – por acaso ou escolha – e tudo voltava àquele status quo. Se Caverna do Dragão me ensinou qualquer coisa, é que boas oportunidades são fugazes.

Sempre lembro desse desenho ao passar por um Duty Free. A loja do Duty Free é como aquele portal, que se abre apenas por poucos minutos, concedendo aos personagens a chance de algo extraordinário. Chance esta que eles sempre desperdiçam, mesmo com a ajuda de unicórnios e anciões misteriosos.

Mas aqui, meus caros, o desfecho da história será diferente. Porque este Cão hoje bancará o Mestre dos Magos, e guiará vocês pelo lindo portal das oportunidades do Freeshop, para que possam volta para casa em segurança e bem acompanhados. Os whiskies estão organizados por preço, do mais caro para o mais barato.

BRUICHLADDICH OCTOMORE 07.2

Apesar de (discutivelmente) bonita, a garrafa alta e opaca não cabe em quase nenhuma prateleira. Além disso, não dá para ver quanto whisky resta lá dentro. No entanto, o Bruichladdich Octomore 07.2 é absolutamente fantástico. Ele é um dos whiskies mais defumados do mundo – com 208 ppm (a título de comparação, um Ardbeg 10 possui em torno de 50ppm). Além disso, sua graduação alcoolica é de deixar qualquer um tonto – literalmente: 58,7%.

A maturação do Octomore 07.2 também é pouco ortodoxa. Ela ocorre em uma combinação de barricas de carvalho americano com barricas que antes contiveram vinho de uva syrah do vale do Rhone. O tempo de amadurecimento é de apenas cinco anos, mas é o suficiente para trazer adocicado e especiarias para este monstro enfumaçado.

No Duty Free, uma garrafa desta fumaça líquida custa US$ 190,00 (cento e noventa dólares). Tome uma dose antes, desce mais fácil.

AULTMORE 18 ANOS

O Aultmore 18 foi lançado em 2015, e faz parte de um grupo com um nome bastante modesto. The Last Great Malts. São representantes das cinco destilarias sob o comando do grupo Dewars (Bacardi). As outras são Aberfeldy, The Deveron, Royal Brackla e Craigellachie.

Aultmore é quase o contraponto do Octomore citado acima. É um whisky delicado, com notas vegetais e adocicadas. Há um sabor enfumaçado quase imperceptível que, de acordo com a destilaria, advém da água usada. É um whisky extremamente equilibrado e refinado, que certamente agradará entusiastas de blends de luxo, como meu querido Chivas Regal 18 anos.

O preço da ampola – maravilhosamente desenhada, por sinal – é de US$ 99,00 (noventa e nove dólares). Se você estiver se sentindo abastado, dá para comprar cinco dessas com a quota, e sobra cinco dólares para o chocolate do pessoal do trabalho.

CHIVAS REGAL BROTHERS BLEND

Se você é apaixonado pelo Chivas 18, mas flerta com o Chivas 12, o Brother’s Blend é seu whisky. Ele é uma variação do Chivas Regal 12 anos. O ponto de partida de sua fórmula é a mesma – o single malt Strathisla. Entretanto, a proporção é diferente. Ele leva uma quantidade bem mais generosa do single malt, o que o torna mais floral e frutado, como seu irmão mais velho.

O objetivo do Brother’s Blend é ser um whisky extremamente suave e agradável. Um blended whisky de qualidade, para se tomar acompanhado dos amigos, quiçá conversando sobre viagens passadas, ou combinando a próxima visita ao duty free. O Brother’s Blend custa, nos Duty Frees brasileiros, US$ 51,00 (cinquenta e um dólares)

WOODFORD RESERVE DOUBLE OAKED

Vai parecer que este Cão fez a escolha dos whiskies pela aparência das garrafas. Porque esta também é lindíssima.

O Woodford Reserve Double Oaked é uma versão turbinada do nosso conhecido Woodford Reserve Distiller’s Select. Aliás, ele começa a vida da mesma forma. Maturado em barricas virgens de carvalho americano. Porém, antes de ser engarrafado, ele é finalizado em barricas altamente tostadas e levemente torradas. Isso lhe traz um certo sabor de caramelo ou açúcar queimado que é absolutamente delicioso.

Além de ser um whiskey ótimo para se tomar puro, seu sabor mais forte o torna ideal para utilizar em coquetéis cuja base exige um bourbon adocicado. O preço desta maravilha torrada? US$ 50 (cinquenta dólares). Mê vê dez, por favor.