Johnnie Walker Blue Label Ghost & Rare Port Ellen

Em 1888, numa mina localizada em Kimberly, na África do Sul, foi feita uma descoberta extraordinária. Extraordinariamente valiosa. O outrora terceiro maior diamante do mundo, de uma translúcida cor de whisky. Batizado de De Beers – por conta da empresa de mineração que o encontrou – o brilhante, depois de lapidado, possuía mais de 230 quilates. Isso é realmente muito, caso você não seja um entusiasta da gemologia.

A pedra, que adquirira fama internacional, foi então comprada pelo marajá Bhupinder Singh, da Índia, em 1889. O monarca juntou a gema a mais 2.930 diamantes – alguns deles raríssimos – de sua coleção, e comissionou a Casa Cartier para criar uma das maiores peças de joalheria de todos os tempos. Um colar cerimonial, chamado Patiala. A peça final, produzida com platina, tinha mais de mil quilates. Em seu centro, reluzia o enorme De Beers.

Enfim, uma joia para uso casual.

Mas – e desculpem pela paráfrase medíocre – nem tudo eram diamantes no céu. Em meados de 1950, o enorme colar desapareceu do tesouro real, e assim permaneceu por mais de quatro décadas. Em 1998 ele foi encontrado pela própria Cartier em uma joalheria de Londres, mas sem suas pedras mais preciosas – dentre elas, o De Beers.

Se fosse um whisky, o colar cerimonial do marajá seria, com toda certeza, um Johnnie Walker Blue Label Ghost and Rare Port Ellen. Uma das mais sofisticadas criações da marca do andarilho à venda em nosso país. E, em seu centro, fazendo as vezes do De Beers, estaria o raro e cobiçado malte da destilaria desativada Port Ellen.

A Port Ellen, localizada na ilha de Islay – considerada por muitos a joia da coroa dentre os silent stills da Escócia – produzia um single malt muito semelhante ao Lagavulin. Ela foi desativada em 1983 e convertida em malting floor, para fornecer malte para as demais destilarias do grupo Diageo – que já possuía outras duas na ilha.

De lá pra cá, como aconteceu com a Brora, foram lançadas edições especiais limitadíssimas de Port Ellen, tanto pela própria Diageo quanto engarrafadoras independentes, utilizando seu estoque remanescente. Por conta de sua raridade e fama, estas garrafas passaram a atingir valores progressivamente mais altos em leilões. Em 2017, num plot twist digno de um colar de marajás, foi anunciada sua reativação, que, segundo estimativas, ocorrerá em 2020.

Perspectiva artística da Port Ellen após a reativação

O Blue Label Ghost & Rare Port Ellen é a segunda expressão da linha Blue Label que leva maltes de silent stills – o nome dado a destilarias que cessaram sua produção. A primeira foi o Blue Label Ghost & Rare Brora, lançado no Brasil em 2018, que tinha como coração a famosa destilaria Brora, das Highlands Escocesas, desativada em 1983 – e também com reativação anunciada.

De acordo com Guilherme Martins, diretor de Reserve da Diageo no Brasil “A série Ghost and Rare proporciona uma viagem pelas destilarias icônicas da Escócia que tem suas reservas cada vez menores. No ano passado, em sua primeira edição, a homenagem foi para a prestigiada destilaria Brora; agora é a vez de celebrar Port Ellen”

Além de Port Ellen, sua preciosa peça central, o Blue Label Ghost & Rare Port Ellen leva mais duas gemas raras. São whiskies de grain distilleries* silenciosas – Carsebridge, desativada em 1983, e Caledonian, silenciada em 1988. O blend se completa e equilibra com o uso de maltes de destilarias ainda ativas, como Mortlach, Dailuaine, Cragganmore, Blair Athol e Oban.

Caledonian (fonte: Whisky.com)

Segundo a Johnnie Walker, o Blue Label Ghost & Rare Port Ellen é um whisky “com camadas adocicadas de baunilha cremosa e ondas progressivas de frutas cítricas, malte e frutas tropicais – tudo perfeitamente equilibrado pelo caráter enfumaçado e marítimo de Port Ellen, que perdura na finalização“. Seja lá o que ondas progressivas de frutas cítricas significar.

Deixando de lado o caráter poético, as notas de prova acima não estão longe da verdade. O Ghost & Rare Port Ellen é um blend equilibrado e complexo, que apresenta um sabor vínico e adocicado no início, e que, progressivamente, se torna delicadamente enfumaçado. Ele está par a par com o Ghost & Rare Brora, seu predecessor e – melancolicamente, na opinião deste Cão – é notavelmente superior ao Blue Label tradicional em complexidade sensorial.

No Brasil, uma garrafa do Blue Label Ghost & Rare Port Ellen tem preço sugerido de R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais). É bastante dinheiro, em valores absolutos. Mas é também uma rara oportunidade de se provar um blend de qualidade sensorial excelente, produzido com um dos maltes mais raros de toda Escócia. Praticamente uma joia líquida. E se eu fosse você, experimentaria. Antes que ele misteriosamente desapareça.

JOHNNIE WALKER BLUE LABEL GHOST & RARE PORT ELLEN

Tipo: Blended Whisky sem idade definida (NAS)

Marca: Johnnie Walker

Região: N/A

ABV: 43,8%

Notas de prova:

Aroma: Mel, frutas vermelhas, pimenta do reino.

Sabor: frutas vermelhas, caramelo, baunilha. Final progressivamente enfumaçado e seco, com baunilha e pimenta do reino.

Preço Médio: R$ 1500,00 (mil e quinhentos reais)

*grain distilleries são destilarias que produzem whisky de grão, que utilizam principalmente cereais não maltados (e uma pequena proporção de cevada maltada). A destilação ocorre, na maioria das vezes, em um destilador contínuo, e não em alambiques de cobre, como seria com um single malt. Sensorialmente, grain whiskies são menos oleosos, e geralmente – por terem seu new-make mais neutro – deixam o caráter do barril bastante claro. São usados, essencialmente, para conferir drinkability a blends, ainda que haja alguns single grains excepcionais no mercado internacional.

Jura The Road – Drops

Jura é uma ilha curiosa. Curiosamente pouco populosa. A ilha – uma das maiores das Hébridas Internas, com mais de trezentos e sessenta e sete quilômetros quadrados – já contou com uma população superior a mil habitantes. Porém, atualmente, a ilha abriga em torno de duzentos habitantes. O que dá, numa conta bem porca, dá uma pessoa a cada dois quilômetros.

Por conta de sua diminuta população, a ilha possui apenas um hotel e uma única igreja. Além disso, sua malha viária não é exatamente extensa. Há somente uma estada, a A846. Ou melhor, metade de uma. Porque a A846 continua em Islay, ilha vizinha a Jura.

Jura, assim, conta apenas com o essencial. Mas o essencial na Escócia, claro, inclui uma destilaria. A Island of Jura, que recentemente lançou uma nova linha de expressões para o mercado de duty free. Seus rótulos homenageiam pontos geográficos importantes de sua ilha natal. E, naturalmente, a A846 não ficou de fora, com o Jura The Road (A Estrada).

O portfólio de travel retail

De acordo com a destilaria “Em Jura, há apenas uma estrada para se dirigir. Ela emerge da região selvagem ao norte, e acompanha a linha da costa em sua jornada sinuosa ao sul, até chegar à destilaria. É uma rara peça feita pelo homem em nossa paisagem indomada, e é tudo que precisamos. Aqui, mantemos as coisas simples. Preferimos deixar a complexidade para o nosso whisky

A maturação do Jura The Road acontece em barricas de ex-bourbon de carvalho americano, e é finalizado por um prazo não declarado em barris que antes contiveram vinho jerez PX de vinte anos. Sensorialmente, é um whisky de corpo médio, delicado, e com um final vínico discreto. É um whisky equilibrado e muito agradável.

Apesar de não estar à venda no Brasil, para os viajantes, não é difícil conseguir uma garrafa do Jura The Road. O single malt está à venda nos duty-free de aeroportos internacionais brasileiros, e custa US$ 82,00 (oitenta e dois dólares). E vá por mim – ele será a experiência mais próxima da jornada pela única estrada de Jura, e você nem precisa sair do lugar.

JURA THE ROAD

Tipo: Single Malt sem idade declarada

Destilaria: Jura

País/Região: Islands – Hebrides

ABV: 40%

Notas de prova:

Aroma: frutado, com canela e vinho fortificado.

Sabor: frutado, com vinho fortificado e gengibre. O final é progressivamente vínico e lembra passas.

Com água: A água o torna mais adocicado e menos vínico.

Preço: US$ 82,00

FEW Bourbon Whiskey – (um pouco mais do que um) Drops.

Lynchburg, Tennessee. Clermont, Kentucky. Quase qualquer apaixonado por whiskeys relacionará, rapidamente, estes lugares à sua bebida favorita. Afinal, lá estão as destilarias das mundialmente famosas Jack Daniel’s e Jim Beam, respectivamente.

Mas mesmo se você for um entusiasta do destilado norte-americano, é bem provável que nunca tenha ouvido falar em Evanston, Illinois. Bem, mesmo porque não havia nada de extraordinário em Evanston, Illinois, até 2011. Quer dizer, exceto uma curiosa história sobre a lei-seca norte americana.

É que a cidade foi um dos berços do movimento de temperança americano, que, mais tarde, culminou no nobre experimento. A Woman’s Christian Temperance Union – WCTU (algo como a União de Temperança Cristã) teve como sua segunda líder Frances E. Willard, nascida em Evanston. Foi sob sua tutela, a partir de 1879, que o movimento ganhou força, até conseguir, finalmente, que a lei seca fosse adotada nacionalmente. Além disso, depois de sua morte, sua casa se tornou a sede da WCTU.

Mas antes disso, Evanston já era uma cidade seca. Em 1855 a cidade inaugurou a Northwestern University. Ao recepcionar seus primeiros alunos, a instituição peticionou ao Estado que determinasse um raio de 4 milhas a partir de seu centro, onde seria proibida a venda e consumo de bebidas alcoólicas. “nenhuma bebida espirituosa, vínica ou outros fermentados alcoólicos devem ser vendidos sob licença, ou de outra forma, dentro de 4 milhas do local da referida Universidade (…) sob pena de vinte e cinco dólares por cada ofensa” – dizia a lei.

Por conta de toda essa história, é muito estranho que Evanston tenha sido escolhida para sediar uma das mais importantes destilarias artesanais dos Estados Unidos. Mas foi justamente o que aconteceu. A FEW foi fundada em 2011 por Paul Hletko, um ex advogado especializado em propriedade intelectual. Atualmente, além de bourbon, a destilaria produz um rye whiskey, um single malt e três diferentes gins.

Paul Hletko, pensando o que destilar em seguida.

De acordo com Hletko, em entrevista concedida ao site Popular Mechanics, “fazemos destilados de grãos porque estamos no celeiro do país “, e continua “Somos capazes de obter nosso milho, trigo e centeio regionalmente, em grande parte de cooperativas.”

E que grãos. O FEW Bourbon é composto 70% de milho, 20% de centeio e 10% de cevada maltada de duas fileiras – algo relativamente incomum no mundo do whisky, mas que faz sentido para Hletko. Aquela cevada é produzida localmente. Sensorialmente, e apesar da alta proporção de milho, o FEW é um bourbon relativamente seco e apimentado, graças ao percentual de centeio utilizado em sua mashbill.

A maturação do FEW Bourbon acontece em barris de carvalho americano virgens comprados de uma tanoaria na Minnesota. “Como a estação de cultivo livre de gelo é mais curta lá, os grãos mais firmes da madeira produzem um melhor equilíbrio de pimenta e baunilha e tornam os taninos mais intensos.“, explica Paul.

Infelizmente, o FEW Bourbon não chega ao Brasil. Mas é uma demonstração clara de um movimento crescente na indústria de whisky. A produção de destilados de excelente qualidade, em micro destilarias, com métodos inovadores e atenção especial a todos os detalhes. É uma bebida focada em um grupo de consumidores que busca não apenas um produto sensorialmente agradável – mas que tenha um diferencial, seja em sua produção ou história.

E quanto mais improvável a história – como a da FEW, aliás – melhor.

FEW BOURBON WHISKEY

Tipo – Bourbon Whiskey

ABV – 46,5%

Região: N/A – Evanston, Illinois

País: Estados Unidos

Notas de prova

Aroma: caramelo, malte, especiarias, canela.

Sabor: Caramelo, pimenta do reino. Há um sabor bem interessante de cravo e canela, que complementam o adocicado do whiskey. Final longo e floral.

Com água: A água torna o whiskey menos apimentado e mais seco.

Scofflaw Cocktail – Neologismo

Neologismo. A criatividade humana aplicada à linguagem. O berço de palavras, para suprir necessidades ou lacunas. A prova de que a língua não é pétrea ou falecida, mas fluida e viva – em constante mudança.

Se você acha que escrevi algo abobado, então dê uma googlada. Eles são onipresentes. O drone comprado no camelódromo. A foto photoshopada da blogueira. O computadorês, aliás, é campeão – deletar, resetar, escanear e (um preferido meu) boostar. Com dois “ós”, por favor, e sem me trollar, porque com um só, é outra coisa.

Mas a coquetelaria não fica muito para trás. Coquetel mesmo, a palavra, já foi um neologismo. Ela deriva do inglês cocktail, que, por sua vez, pode ter vindo da corruptela de uma palavra creole – cockley. Ou de uma história bizarra envolvendo gengibre e o derrière (esse nao é um neologismo) de mamíferos de grande porte. Ninguém sabe ao certo.

Outro neologismo na coquetelaria – mas em inglês – foi Scofflaw, que pouco tempo depois virou um drink. A palavra, que significa “zomba-lei” era usado para descrever justamente o público alvo do coquetel. Os homens que desafiavam a lei seca e bebiam. A palavra ganhou um concurso promovido por Delcevare King, para criar o termo que descrevesse este perigoso criminoso e incutir consciência nas pessoas de bem.

Que absurdo

Mais tarde – e maravilhosamente, em minha singela opinião – o nome foi usado de uma forma irônica para batizar um drink. Que curiosamente não foi inventado nos Estados Unidos, ainda que tenha sido cunhado em 1924, durante a Lei-Seca. Ele é apenas uma homenagem àqueles valentes – e abastados – bebedores, dispostos a atravessar um oceano para satisfazer sua lascívia etílica. Seu criador foi um certo Jock, do Harry’s Bar New York, localizado em Paris. E não Nova Iorque, apesar do sugestivo nome do estabelecimento.

A receita original do Scofflaw pede 1/3 whiskey de centeio, 1/3 vermute frances, 1/6 suco de limão e 1/6 grenadine. Este Cão, porém, talvez prefira a versão adaptada de Gary Regan, que coloca o Rye Whiskey em evidência, em proporção semelhante à do Manhattan.

Assim, caros leitores, aí vai a receita de mais uma maravilhosa mistura criada durante o Nobre Experimento. Retirem seus tábletes – outro neologismo, ou talvez estrangeirismo que define estes instrumentos tão inúteis quanto fascinantes – do armário e tomem nota. O Scofflaw.

SCOFFLAW COCKTAIL

(receita de Gary Regan)

INGREDIENTES

  • 60ml Bourbon ou Rye Whiskey
  • 30ml Vermute seco
  • 7,5ml suco de limão siciliano
  • 15ml grenadine
  • 2 dashes orange bitters (no Brasil, a opção mais fácil é Angostura Orange)
  • parafernália para bater
  • taça coupé

PREPARO

  1. Adicione todos os ingredientes em uma coqueteleira com gelo. Chacoalhe com força.
  2. Desça o conteúdo em uma taça coupé, coando com um strainer.

Obs – Se você ainda assim achar o coquetel doce, experimente reduzir o grenadine e elevar o limão siciliano. Este Cão recomenda 15ml de limão siciliano para 10ml de grenadine, mantendo-se as mesmas medidas de vermute, whiskey e bitters.

Bacardi Reserva Limitada – Um rum com alma de whisky.

Certa feita, comentei um pouco sobre o simpático canídeo fotografado na página inicial deste infame blog. O Maverick, meu querido cão de estimação. Na oportunidade, contei que o Maverick nasceu cachorro, mas com alma de gato. O que pouca gente sabe, entretanto, é que possuo outro animal, com o problema diametralmente oposto. Um gato que acha que é cão.

Seu nome é Byron – em homenagem ao fidalgo escritor maldito. E, assim como ele, o Byron tem umas obsessões esquisitas. Mas, no caso do felino, a fixação não é sexual. Mas é por fones de ouvido. Só de ver um fone de ouvido, o Byron já fica louco para destroçá-lo em milhares de pedaços – uma atividade que desperta em mim doses iguais de desespero e ódio.

Mas isso não importa. O que importa, é que ele acha que é um cachorro. Ele nos recepciona na porta, quer ficar sempre junto, ama lamber nossas mãos e adora, de idolatria, a ração canina que o Maverick despreza. O Byron, por fora, é um gato. Mas, por dentro, há aquele coração inconsequente brincalhão de todo canídeo. Ele é o gato perfeito para qualquer um que ama cachorros.

Tá, não exagera.

Se fosse um rum, o Byron seria, muito provavelmente, o Bacardi Reserva Limitada. Lançado recentemente pela Bacardi no Brasil, ele é o rum com mais alma de whisky que já tive o prazer de provar.

Mas as semelhanças não são meramente sensoriais. Assim como muitos whiskies, o Bacardi Reserva Limitada é maturado em barricas de carvalho americano que antes contiveram bourbon whiskey. A maturação leva, em média, doze anos. O que pode parecer pouco no universo dos scotch whiskies. No entanto, deve-se lembrar que, ao invés das temperaturas agradavelmente gélidas da Escócia, tem-se o escaldante sol caribenho, que acelera bastante o processo de amadurecimento.

Inicialmente, o Bacardi Reserva Limitada era reservado para a família de Facundo, fundador da Bacardi. Sua produção comercial se iniciou timidamente em 2003. Porém, era necessário ir a Porto Rico para se comprar uma garrafa. Em 2010, no entanto, o rum passou a ser disponibilizado mais amplamente. E agora finalmente chegou ao Brasil oficialmente.

Além do Reserva Limitada, a Bacardi lançou mais duas novas expressões em nosso país. O Añejo 4 anos – desenvolvido especialmente para coquetelaria – e o Añejo 10 anos, posicionado um pouco acima da outrora coroa da marca no Brasil, o Bacardi Ocho. Além destes, há ainda os conhecidos Carta Blanca e Carta Oro.

Parte do novo portfólio da Bacardi

Sensorialmente, o Bacardi Reserva Limitada apresenta notas de coco, caramelo, açúcar mascavo e laranja. O final é longo e traz um delicioso sabor de frutas. O álcool – a 40% de graduação – é contido e bem discreto. Os aromas e sabores são delicados e equilibrados. Nada nele é excessivo ou tenta roubar a cena. É um rum que prima pela delicadeza e pelo equilíbrio. De certa forma, o tema aqui me lembrou o Dewar’s 25 anos – um blended scotch super-premium, que também preza pela complexidade sem exageros.

Se você é apaixonado por whiskies, o Bacardi Reserva Limitada é o seu rum. Ele atenderá as expectativas até dos mais sofisticados apaixonados pela bebida tipicamente escocesa. Não importa se você é um apaixonado por cães ou uma cat-person.

BACARDI RESERVA LIMITADA

Tipo: Rum

Marca: Bacardi

País: N/A

ABV: 40%

Notas de prova:

Aroma: adocicado e frutado, com couro.

Sabor: leve e extremamente delicado. Muito equilibrado, com coco, caramelo, açúcar mascavo e laranja. Final longo e frutado, com um pouco de couro.

Preço: R$ 750,00 (setecentos e cinquenta reais)

*a degustação do rum tema desta prova foi fornecida por terceiros envolvidos em sua produção. Este Cão, porém, manteve total liberdade editorial sobre o conteúdo do post.

Bacardi Legacy – Final Nacional

O almoço de segunda-feira é, talvez, a refeição mais detestável da semana. Há a vã tentativa de compensar os excessos do fim de semana com alguma saladinha safada e um suco natural, aliada ao prognóstico de uma longa semana de trabalho. Enfim, uma atividade que não incita muita emoção, nem no campo gastronômico, nem no psicológico.

Devo dizer que nunca me empolguei com a previsão de um almoço de segunda-feira. Isto é, até ontem. Porque, à convite da Bacardi, este Cão Engarrafado participou de um almoço bem especial. E bem pouco ortodoxo para o primeiro dia útil da semana: um churrasco na famosa Corrientes 348, em São Paulo, com Jose Sanchez Gavito, Maestro de Ron dos runs da Bacardi.

Light

O almoço, acompanhado de uma degustação do incrível novo portfólio da marca no Brasil, marcou o dia da final da etapa nacional do Bacardi Legacy. Um campeonato de coquetelaria internacional, que desafia os bartenders de todo o mundo a criarem o coquetel que tenha o maior potencial de se estabelecer como um clássico e deixando seu legado na coquetelaria, ao lado de drinks como o Daiquiri, Mojito, Cuba Libre e inúmeros outros clássico originalmente criado com rum Bacardi.

Na oportunidade – além do já conhecido Bacardi Ocho – provamos três lançamentos da marca por aqui. O Añejo 4 anos – desenvolvido especialmente para coquetelaria – o Añejo 10 anos, posicionado um pouco acima do Ocho e o incrível Bacardi Reserva Limitada, um rum super-premium capaz de fazer frente a blended scotch whiskies sofisticados (e que, mais tarde, terá seu foco neste infame blog)

Parte do portfólio

Gavito contou uma série de curiosidades sobre a produção dos runs da Bacardi. Uma das mais interessantes – na opinião deste geek que vos escreve – é sobre a posição das barricas no armazém. Ao invés de serem mantidas deitadas, como seria em uma warehouse de whisky, os barris com rum são armazenados em pé. Isso, de acordo com o Maestro, facilita o transporte e economiza espaço.

Depois de nosso almoço, seguimos para o Benzina Bar, para acompanhar o trabalho dos jurados da Bacardi para escolher o finalista nacional, que disputará a final mundial. Foram três competidores: Ariel Todeschini da Motta com seu Lazo, Michelly Rossi com o Dandara Cocktail e Tom Oliveira com seu Ocho Maneras.

Ocho Maneras

E após três excelentes apresentações, o vencedor foi escolhido. Tom Oliveira. Sua criação, o Ocho Maneras, leva Martini Extra Dry, St. Germain, orange bitters, solução salina e, claro, Bacardi Ocho, que lhe serve de base.
Ele possui elementos que remontam clássicos de whiskey, como Manhattan e Old Fashioned, mas é feito com o rum.

Tom Oliveira trabalhou em bares como The Edge, Lions, Alberta #3 e Home SP. Atualmente, está à frente da Casa Quatro Oito, em Florianópolis.

Quer saber mais detalhes sobre o Ocho Maneras e obter a receita? Então acesse o Mixology News – responsável pela cobertura oficial do evento!

Singleton of Dufftown – Curva de Aprendizado

Quando tinha uns quatorze, quinze anos, resolvi que aprenderia a falar russo. Sei lá porque decidi aprender russo. Talvez porque eu não fosse esquisito o suficiente já, trinta quilos acima do peso, jogando RPG e desenhando no intervalo das aulas do que outrora era conhecido como colegial.

Meus pais, sempre dispostos a estimular meus interesses mais excêntricos, logo encontraram uma excelente professora. Fazia duas aulas por semana. Falar já era bem difícil, mas o pior de tudo mesmo era ler. E o alfabeto cirílico não ajudava nem um pouco.

Depois de um ano, minha professora me deu um livro pra ler sozinho. Três Porquinhos. Indaguei se não havia uma leitura mais interessante. Meu querido, todo mundo precisa começar do básico. Você não vai entender, se eu te der um Pushkin, Maiaskovski ou Dostô. Acenei com a cabeça. No final, não entendia direito nem mesmo a história do trio de suínos. Mas conhecia a versão em português, e assim consegui preencher as lacunas de minha inabilidade linguística.

три свиньи

Essa semana, me vi recordando do conto infantil na língua eslava ao provar um single malt recém chegado ao Brasil. O Singleton of Dufftown – mais um da tríade (não posso deixar de notar a coincidência com o número de porcos) de Singletons que desembarcou em nosso país.

Os Singletons são um grupo de expressões de diferentes destilarias pertencentes à Diageo, cujos rótulos são destinados a iniciantes neste inebriante mundo dos single malts. Além de Dufftown, fazem parte do conjunto Glen Ord e Glendullan.

Como o nome sugere, o Singleton of Dufftown é produzido na destilaria Dufftown, na cidade homônima. Tipo aquele filme do Adam Driver, em que tudo tem o mesmo nome, só que com menos poesia, e mais álcool. Naquela cidade, também se localizam destilarias bastante conhecidas, como Glenfiddich, Mortlach, Balvenie, Glendullan e Kininvie.

A destilaria Dufftown é uma das maiores em volume de produção do portfólio da Diageo – perdendo apenas para a Caol Ila e a gigante Roseisle. Apesar disso, menos de 5% de sua produção é engarrafada como single malt. O restante é destinado a blends, especialmente o conhecido Bell’s.

Sensorialmente, o Singleton of Dufftown é um single malt bem simples, adocicado e que aparenta pouco maturado. Ele não chega a ser agressivo – aliás, longe disso. Mas também, não há muita profundidade. Seu perfil de sabor foi feito para agradar, não surpreender – assim como o conhecido conto infantil. Ou por acaso foi um plot twist pra você, o lobo não conseguir derrubar a casa de tijolos?

Aliás, combina super bem com os protagonistas!

A maturação do Singleton of Dufftown acontece em barricas de carvalho americano de ex-bourbon whiskey, “com uma alta proporção de barricas de carvalho europeu“. Essa última frase é da própria destilaria – tão empolgante quanto vaga. Afinal, qual a proporção? E o que havia dentro dessas barricas antes de receber o new-make ou whisky?

De qualquer forma, se você está começando no mundo dos single malts, e procura uma aposta segura e pouco custosa, o Singleton of Dufftown é seu whisky. Só não procure muita novidade – é um malte que oferece uma experiência bem semelhante a um blended scotch whisky premium padrão. Mas talvez isso nem seja ruim. Melhor partir de terra firme. Tchekhov e sua gaivota que nos aguarde

SINGLETON OF DUFFTOWN 12 ANOS

Tipo: Single Malt Whisky com idade definida (12 anos)

Destilaria: Dufftown

Região: Speyside

ABV: 40%

Notas de prova:

Aroma: adocicado, com mel, açúcar, baunilha.

Sabor: mel, amêndoas, malte, grãos. Final médio e adocicado

Com água: A água ressalta a base de grãos

Disponibilidade: disponível no Brasil – R$ 220,00, em média – à venda aqui.

Mortlach 16 anos – Drops

Deixe-me começar o texto de hoje com um pouco de autoajuda. O importante é reconhecer os próprios erros. Mas não apenas isso. Porque, bom, eu reconheço uma infinidade de coisas, como que exagerei no almoço ou que bebi demais certo dia. E apesar disso, apesar de jurar, de barriga estourando e embriagado, que jamais farei isso novamente, sei que isso é uma mentira tão efêmera quanto minha sensação de enfastiamento e vertigem.

O importante não é perceber que errou. O importante é mudar. E ainda que meu empenho não seja dos melhores, o da Mortlach – famosa destilaria localizada em Speyside – é.

É que há alguns anos, um dos rótulos mais disputados da linha Flora & Fauna da Diageo era um certo Mortlach 16 anos – já revisto aqui. Era um whisky pungente, vínico e ao mesmo tempo sulfuroso. Tão bom que elevou a fama da Mortlach e levou sua proprietária e reformular seu portfólio, dando destaque à destilaria.

O problema é que a outrora nova linha não era, nem de perto, tão boa quanto a expressão predecessora. A maturação em ex-bourbon – predominante naquela linha – não agradou. Tampouco o preço, que se elevara a ponto de tornar os Mortlach tão ou mais caros do que as mais custosas destilarias da Escócia.

Levou alguns anos, mas a Diageo notou que havia algo errado. E inspirando-se na fama daquele primeiro Flora & Fauna, lançou um novo portfólio. Com um novo dezesseis anos, que presta tributo direto àquela primeira expressão, tão admirada.

Flora e Fauna

Segundo a Mortlach “Por 70 anos a Mortlach foi o segredo mais bem guardado do mundo do whisky. Durante este tempo, ele fou usado quase exclusivamente como base para scotch whiskies (…). Finalmente, em 1992, decidimos que era hora de libertar ‘o monstro de Dufftown’, e lançar um elegante 16 anos, permitindo que poucos privilegiados (…) pudessem experimentar o caráter complexo de Mortlach

Este Single Malt Scotch Whisky é inspirado pela icônica e gratificante primeira expressão do 16 anos. Ela foi maturada somente em barricas de jerez para trazer notas apimentadas e adocicadas, sobre uma complexidade brutal, sinônimo de Mortlach.”

Assim como seu predecessor, o Mortlach 16 anos é vínico e apimentado, com aroma elegantemente sulfuroso – algo característico da destilaria e de seu incomum processo de destilação. Porém, ainda que seja um whisky excelente, o Flora & Fauna – se comparado lado a lado – é mais complexo e bem acabado.

De qualquer modo, o Mortlach 16 anos – e toda nova linha da destilaria – é uma corajosa assunção de um erro, e uma tentativa louvável de recuperar o respeito que a destilaria ganhara no passado – não pela propaganda, mas pelo sabor. E isso somente já seria motivo suficiente para experimentá-lo.

MORTLACH 16 ANOS

Tipo: Single Malt Whisky com idade definida – 16 anos

Destilaria: Mortlach

Região: Speyside

ABV: 43,4%

Notas de prova:

Aroma: frutado, com influência vínica e frutada. Levemente sulfúrico

Sabor: Oleoso. Frutado e vínico. Vinho fortificado. Final longo e sulfurico

Preço: 80 GBP

Disponibilidade: Lojas internacionais

Bebendo o Oscar III – Filmes & Whiskies

Este é um post sazonal. Para ler as edições passadas, de 2017 e 2018, clique nos mencionados aqui.

Uns bebem para esquecer. Outros bebem para lembrar. A frase, repetida em cancões de Ben Harper e dos Eagles, se aplica perfeitamente ao whisky. Mas poderia, também, muito bem funcionar para o cinema.

Porque muitos assistem filmes para esquecer de seus problemas. Parabolicamente sair do corpo e viver outra vida. Outros, porém, usam as telas para relembrar. De seu passado, ou do pretérito do mundo. Refletir sobre questões importantes ou entender o status quo.

Os indicados ao Oscar de melhor filme de 2019 atendem aos dois públicos. E a todos no meio do caminho. Seja pelo ora visceral, ora romântico retrato da sociedade mexicana da década de setenta em Roma, seja pelo lugar comum bem executado de Nasce uma Estrela.

E para acompanhar estes longas, nada melhor do que, bem, whisky. Mas não qualquer whisky. Um que harmonize por semelhança com a película. Que lhe ressalte as características. Ou que amplie a sensação de conforto, paixão ou intensidade trazida por eles.

Assim, ai vão quatro filmes assistidos por este Cão e devidamente combinados com o melhor destilado do mundo. Tudo, meu caro leitor, para que você tenha a melhor experiencia – etílica e cinematográfica – possível.

GREEN BOOK

Green Book, dirigido por Peter Farelly, conta uma história alegadamente real. Da jornada de um pianista negro – Don Shirley, vivido por Mahershala Ali – pelo sul dos Estados Unidos no ano de 1962. Seu motorista e segurança é Anthony Vallelonga (Viggo Mortensen), um descendente de italianos violento e deseducado, que cria um contraponto com Don, um homem instruído e sofisticado.

A história é uma espécie de bromance entre os personagens, em um mundo hostil e preconceituoso. Aliás, o maior mérito de Green Book talvez seja, porém, seu maior defeito. Que é o de tratar com leveza e graça assuntos que devem ser abordados com severidade. Como a segregação racial nos Estados Unidos na década de sessenta e o papel da educação formal na estratificação social. Para isso, ele às vezes usa subterfúgios um tanto baratos, como, diremos, frango frito.

Seja como for, é um filme que agradará tanto aqueles que assistem para pensar quanto aqueles que o veem apenas para se divertir. Neste sentido, ele é muito parecido com certo Royal Salute 38 Anos – um blended scotch whisky sofisticado e complexo, mas também muito agradável e fácil de ser bebido.

A FAVORITA

O nome do filme – The Favorite, em inglês, que não indica o gênero – é quase uma provocação clarividente de sua indicação ao Oscar. É uma tragicomédia dirigida por Yorgos Lanthimos, que trata de ciúmes e poder na corte da rainha Ana, monarca inglesa do século XVIII. Em seu centro estão a rainha, sua confidente e melhor amiga, Sarah Churchill (Rachel Weisz) e Abigail, uma ex-fidalga que encontra seu rumo ao lado de Sarah e, mais tarde, Ana.

Há aqui dois elementos que tornam A Favorita quase, bem, o favorito. A cinematografia de Robbie Ryan, que evidencia o hermeticismo da vida na corte, e a atuação de Olivia Colman como uma rainha debilitada, mentalmente desequilibrada e carente. Aliás. Não assistam a Favorita pelo roteiro. Nem mesmo pela cinematografia. Assistam pela atuação de Olivia Colman. É boa assim.

A direção de Lanthimos também é boa, ainda que em mais ou menos meia dúzia de cenas, sentisse que a piada pertencia mais a um A Louca Louca História de Robin Hood do que a uma bela película de época.

Se fosse um whisky, A Favorita seria um Dalmore 18 anos. Belo, encorpado e com o vinho jerez quase roubando a cena toda.

A STAR IS BORN

A Star Is Born, filme de estréia de Bradley Cooper como diretor, é uma conhecida fábula de Hollywood. Aliás, conhecida até demais. Essa é a terceira regravação da história. Mas, para meu alento, longe de ser a pior – este troféu pertence àquela da Barbara Streisand.

A película conta a história de Ally, interpretada pela Lady Gaga, uma garçonete com potencial enorme de se tornar uma estrela pop, e Jack, que a apadrinha e ensina os caminhos do show-business, vivido por Bradley Cooper. Jack é um conhecido cantor, mas que já viu dias melhores.

É a clássica história da ascensão e declínio de uma celebridade. A ascensão de Ally e o declínio de Jack. Por cento e trinta e cinco minutos. Sendo que, desses, uns bons cem são usados apresentando músicas inteiras, ou explicando coisas que não deviam ser explicadas para o expectador, exceto se o expectador nao for um homo sapiens sapiens.

De qualquer modo, o filme funciona, e as performances são bem sólidas. Se fosse um whisky, A Star is Born provavelmente seria um Jack Daniel’s 150th Anniversary Edition: mais do mesmo com diferenças conjunturais, mas bem executado.

VICE

Vice é bom por quase um paradoxo. Porque ele parece que não se leva a sério. Mas se leva, com uma linguagem que não se leva a sério. Entendeu?

O filme conta a história da subida ao poder de Dick Cheney, vice-presidente dos Estados Unidos durante a gestão de George W. Bush. Apesar de ser fortemente galgado em fatos reais, a película constantemente quebra a quarta parede, mostrando que, bem, aquilo aconteceu de verdade, mas não daquele jeito, porque mesmo um filme sobre uma história real é uma obra de ficção.

O maior mérito de Vice – além da direção poderosa mas descontraída de Adam McKay – são as atuações. Christian Bale está praticamente irreconhecível como Cheney. E Sam Rockwell, genial como sempre, interpreta um Bush até melhor do que o Bush de verdade.

Se fosse um whisky, Vice seria um Famous Grouse. Um whisky sério, numa embalagem, assim, no mínimo descontraída.

Black & White – Lenda Canina

Lacoste, Puma, Linux, Ferrari, Dodge, Nestlé, Jaguar, Lamborghini, Red Bull, MGM e Bacardi. Poderia continuar esta lista por mais cinquenta nomes sem muito esforço. São as marcas que utilizam animais em seus logos, ou em seus materiais publicitários.

Mesmo no mundo do whisky, isso é bem comum. White Horse, Glenfiddich, Famous Grouse, Wild Turkey e Murray McDavid são exemplos. Mas poucas dessas empresas possuem embaixadores peludos, empenados ou escamados tão famosos quanto uma certa Black & White, e seus dois terriers.

A história por trás do uso dos cãezinhos é interessante. Diz-se que James Buchanan, fundador da Black & White, teria visitado uma exposição de cães e lá tivera a ideia de utilizar um West Highland Terrier e um Scottish Terrier como seus mascotes. As duas raças, obviamente, originárias da Escócia.

Se fosse brasileiro, seria metade tremedeira, metade ódio.

O nome Black & White, porém, nada tem a ver com os cachorros, e pre-data a época em que eram usados na linguagem visual da marca. O Black & White nasceu na verdade como Buchanan’s Blend, um whisky que caiu no gosto da House of Commons do parlamento inglês.

James, então, aproveitando o marketing gratuito, o rebatizou de House of Commons Finest Old Highland whisky, e mudou sua embalagem – agora, uma prestigiosa garrafa escura com rótulo branco. Os comensais então começaram se referir ao whisky como “o whisky branco e preto” – “black and white whisky”, o que, mais tarde, culminou em seu rebatismo, em 1902.

No coração do Black & White está o single malt Dalwhinnie. Sua destilaria, cujo whisky faz parte dos Classic Malts da Diageo, está localizado nas Highlands escocesas, próximo à vila homônima à destilaria. O papel central de Dalwhinnie no Black & White, aliás, não é nenhum segredo – A Dalwhinnie, inclusive, lhe serve como lar espiritual.

Apesar da inspiração canina, os fofos terriers somente passaram a figurar no rótulo do Black & White em 2013, ainda que sua carreira como garotos – digo, cães – propaganda da marca seja bastante anterior. Foi na década de vinte que se tornaram parte do marketing do whisky, aparecendo em posteres e propagandas da época.

Cães desengarrafados
(note que não há a imagem dos terriers no rótulo)

O Black & White é talvez um dos whiskies mais referenciados na cultura popular. Apareceu nas mãos de Jessica Jones, na série da Netflix e em Tender is the Night, livro de F. Scot Fitzgerald. Era o scotch de preferência do lendário Walt Disney, e foi apreciado pelo agente secreto mais famoso do mundo, Bond, no filme Moonraker. Nem metade das celebridades do mundo têm tantas e tão ecléticas aparições.

Atualmente, o Black & White faz parte do portfólio da gigante Diageo, a mesma por trás de marcas como Johnnie Walker, Buchanan’s e Old Parr, e aproximadamente trinta destilarias escocesas. Historicamente desenvolvido para o paladar britânico, curiosamente, o Black & White passou a ter como seus maiores consumidores os mercados estrangeiros, como a América Latina e a Ásia.

Sensorialmente, o Black & White é bastante doce e nada enfumaçado. Não é um blend muito multifacetado, mas, também, o que lhe falta em complexidade é compensado em suavidade. O Black & White é dócil e despretensioso. Tão dócil como dois bons cãezinhos.

BLACK & WHITE BLENDED SCOTCH WHISKY

Tipo: Blended Whisky sem idade definida

Marca: Black & White

Região: N/A

ABV: 40%

Notas de prova:

Aroma: mel, amendoas, baunilha.

Sabor: mel, malte, amêndoas, caramelo. Tudo doce. Final médio, doce e com cereais.

Com água: A água torna o whisky menos doce, mas lhe rouba um pouco o sabor.