The Rapscallion – Das Trocas

Há umas semanas, fui numa hamburgueria nova que abriu aqui perto de casa. Olhei o menu. Hambúrguer de shimeji, linhaça, soja. Acenei pro garçom, que se dirigiu até minha mesa com um sorriso condescendente, talvez antecipando minha indagação. “Só tem hamburger vegano, não tem de carne, carne mesmo?” perguntei.

Não tem, essa é nossa proposta. Prova o vegano, você vai achar super gostoso nem vai notar a diferença. O de shimeji é nosso carro chefe, parece até hambúrguer de picanha” . Ponderei por alguns instantes, mas decidi deixar o preconceito de lado e provar aquele (nem tão) convidativo disco de fungos moídos. A primeira mordida me deixou intrigado. Na segunda, levantei o braço. O garçom prontamente se aproximou inclinando a cabeça para frente, como se curioso sobre o que viria – “Gostou?” – perguntou. “Cara não é ruim, mas tá longe de um hambúrguer de picanha. Aquela melancia grelhada da Bela Gil tá mais perto de churrasco do que isso tá de um hambúrguer de picanha“.

O garçom, então, fechou a cara e me entregou a conta, como se eu não fosse digno daquele espaço. Fiquei incomodado. Até porque tinha gostado do sanduíche. Só não parecia hambúrguer de picanha. Aquele era o problema. A comparação criara expectativa. Bastava me dizer que era bom, e pronto. “não parece com nada, mas é super gostoso. Aliás, peço antecipadas desculpas à supra mencionada Bela Gil, na remota possibilidade dela ler este post. Mas melancia grelhada não dá. E nem dá pra dizer que aquele emaranhado de pupunha é igual a spaghetti. É ótimo, mas é uma coisa completamente distinta.

Igualzinho macarrão né – Deixa eu pensar, não.

Lembrei desse meu episódio ao provar um coquetel que amei. O The Rapscallion – um drink que poderia até ser considerado uma variação de Rob Roy, não fosse completamente diferente. Mas igualmente delicioso. O The Rapscallion leva scotch whisky – preferencialmente Talisker, mas com uma história curiosa de substituições que não envolvem linhaça – vinho jerez PX e Pastis. Que você pode substituir por absinto, por exemplo.

O The Rapscallion ganhou fama em 2007, ao aparecer na carta do recém-inaugurado Ruby Bar, em Copenhague, que hoje figura na lista dos 50Best Bars. Adeline Shepherd, fundadora do Ruby, teria desenvolvido o drink alguns anos antes, junto com o colega Craig Harper, quando trabalhava em Edimburgo. De acordo com Craig “Em 2003 eu e a Adeline abrimos um bar chamado The Hallion em Edimburgo, e colocamos o drink na carta, feito com Johnnie Walker Black Label (…). Depois do The Hallion, me esqueci do coquetel, até que a Adeline o aprimorou em seu bar Ruby. Talisker funciona muito melhor

De acordo com seus criadores, Rapscallion é uma gíria escocesa, que define uma espécie de malandro. Uma pessoa sem reputação ou dignidade – o que até parece um paradoxo, considerando que o coquetel alcançou fama internacional de uma forma incrivelmente rápida.

A primeira aparição do The Rapscallion na literatura especializada foi no The PDT Cocktail Book, de Jim Meehan, em 2011. A receita lá reproduzida recomendava o uso de absinto ao invés de pastis – principalmente porque a oferta de pastis nos Estados Unidos, na época, era bem escassa – ou quase inexistente. Por conta da receita publicada por Meehan, no entanto, a maioria daqueles que conhecem o The Rapscallion creem que o coquetel leve absinto

Na singela opinião deste Cão, o uso de pastis ou absinto no coquetel é uma questão de gosto. O absinto ressaltará o aroma de alcaçuz, enquanto o pastis, de anis. Eu, com toda incoerência que é própria de nossa raça humana, adoro a primeira essência, mas tenho minhas reservas com a segunda. Assim, com toda vênia pela receita original, prefiro a versão de Meehan, que leva absinto.

Apesar da tenra idade, o The Rapscallion já coleciona uma série de variações. Alias, um fenômeno bastante incomum, próprio de drinks clássicos, ou daqueles que receberam o corolário muito rapidamente, como é o caso do Penicillin. Mas estou a divagar.

Uma dessas versões, servida no incrível Death & Co. de Nova Iorque leva o single malt Aberlour A’Bunadh e um toque de licor de maraschino. É uma versão mais difícil de ser feita – afinal, o perfil do A’Bunadh não é facilmente substituível. Mas o resultado é tão bom, mas tão bom, que este Cão resolveu incluir como uma opção (se você é contra o uso de single malts em coquetéis, clique aqui, ou leia a nota no final da receita).

A versão do Death & Co: Aberlour ao invés de Talisker.

Se você gosta de coquetéis que colocam o whisky em evidência, prepare e prove o The Rapscallion. É um drink memorável, que merce muito mais do que o meteórico reconhecimento atual. E não, você não pode substiutir ele por um Manhattan, por exemplo.

1 – THE RAPSCALLION

Original, mas com absinto

INGREDIENTES

  • 2 doses de Talisker 10 anos (você pode arriscar com Johnnie Walker Double Black, apenas reduza um pouco a proporção de jerez PX, para não acentuar demais o dulçor do drink)
  • 1 dose de jerez PX (este Cão usou Maestro Sierra PX)
  • Absinto (ou pastis)
  • taça coupé ou copo baixo
  • parafernália para misturar

PREPARO

  1. Bordeie (ou unte) a taça ou copo com o absinto (ou o pastis).
  2. Adicione os demais ingredientes em um mixing glass com gelo, e misture.
  3. Desça, coando, a mistura no copo untado.

2 – THE RAPSCALLION

Sherry bomb, com licor de maraschino

INGREDIENTES

  • 2 doses de Aberlour A’Bunadh (tá bom, peguem qualquer whisky que seja bastante vínico. Não será a mesma coisa, mas o coquetel continuará ótimo, como, por exemplo Whyte & Mackay 13 ou Chivas Extra)
  • 1/4 dose de vinho jerez PX
  • 1 colher de sobremesa de licor de maraschino (Luxardo)
  • Absinto
  • Single malt defumado (como, talvez, o Laphroaig 10 anos), ou blend bastante defumado, para bordear.
  • Taça coupé ou copo baixo
  • parafernália para misturar

PREPARO

  1. Bordeie (ou unte) a taça ou copo com o whisky defumado. Nem vou falar pra descartar o excesso. Beba as gotinhas que sobraram.
  2. Adicione os demais ingredientes em um mixing glass com gelo, e misture.
  3. Desça, coando, a mistura no copo untado de whisky.

NOTA: Tanto a receita original quanto a variação do Rapscallion pedem single malts, ainda que de perfis distintos. Na opinião deste Cão, se houver algum outro whisky, preferencialmente um blended scotch, com perfil sensorial semelhante, a substituição pode ser feita tranquilamente. No entanto, a prática mostrou que o uso de um blend pode afetar bastante o sabor do drink, e desequilibrá-lo (por exemplo, o Double Black é um blend defumado, mas seu perfil sensorial é muito diferente daquele do Talisker, que é mais marítimo). De qualquer modo, sinta-se livre para usar o whisky que desejar, ainda que, neste caso, este Cão recomende fortemente o uso dos maltes.

Entrevista com Sandy Hyslop – master blender da Royal Salute

Sábado passado fui pegar minha filha numa festinha infantil. Quando ela entrou no carro, notei que estava radiante. Mais do que de costume. Indaguei da razão de todo aquele entusiasmo. É que a festa era de Star Wars, e eu conheci a Leia. Quando crescer, quero ser igual a Leia – respondeu.

Não entendi bem se ela queria ser princesa, controlar a Força, se apaixonar por um malandro ou ser sequestrada por um slime gigante com um tesão meio doentio por fêmeas de outras espécies. Mas, no fundo, compreendi a razão do arrebatamento. A Leia era um ídolo absoluto de minha pequena.

Seria como se, um dia, um entusiasta automobilístico conhecesse Sir Stirling Moss. Ou um aficionado por filmes visse Jean-Luc “Cinemá” Godard. Ou certo admirador das artes plásticas conversasse com Jackson Pollock. Ou, finalmente, um entusiasta de whiskies como este Cão tivesse a oportunidade de entrevistar um grande master blender. Como, diremos, Sandy Hyslop – o diretor de blending da Chivas e responsável pela criação dos Royal Salute.

E foi justamente isso que aconteceu, graças a um incrível convite da Royal Salute. Durante sua viagem para a Coréia do Sul, este Cão teve a oportunidade de entrevistar Sandy, que foi extremamente simpático, e nos contou sobre a reestruturação do portfólio permanente da marca, sua trajetória como master blender e alguns de seus interesses fora do mundo dos whiskies. E é essa conversa que você confere a seguir.

1) Seu trabalho é provavelmente o mais cobiçado por todos os entusiastas do uísque. O que é preciso para se tornar um Master Blender? E como é isto?

É absolutamente fabuloso ser um master blender para a Royal Salute. É uma grande honra para mim ser responsável por um uísque tão prestigiado com uma história e linhagem tão fabulosa.

Para se tornar um master blender, você precisa ter um bom olfato. Você precisa ser um apaixonado por whisky. Você precisa entender que um blender trabalha com todo o espectro do processo de fabricação de whisky. Muita gente acha que um blender está sempre produzindo novos whiskies, trabalhando com whiskies maturados por mais de 21 anos. Mas estou trabalhando desde o dia em que o whisky é destilado. Quando um novo whisky é destilado, ainda que tenhamos gerentes em nossas destilarias, sou eu o responsável pela qualidade do que eles produzem.

Sandy trabalhando

E eu divido minha semana, eu trabalho dois dias em Speyside e três dias em Glasgow. Então, eu cuido do gerenciamento do processo de fabricação de whisky em ambas as extremidades. Eu sou responsável pela qualidade (do new-make), mas também pelos barris que compramos. Portanto, há uma qualidade sobrejacente a ser satisfeita durante todo o processo.

2) Conte-me um pouco sobre as novas expressões, e o que os consumidores devem esperar de cada uma delas. Você revelaria os single malts base de cada uma dessas criações excepcionais?

Absolutamente. É pessoalmente muito emocionante para mim poder introduzir duas novas expressões da Royal Salute sob o meu mandato como um master blender. Porque não é frequente que existam novos lançamentos permanentes adicionados à família de whiskies da Royal Salute.

Obviamente, pretendemos continuar com o clássico Royal Salute (que agora se chama The Signature Edition), que tem sabores ricos, aveludados e frutados. E que é incrível, é super cremoso e suave.

A nova cara do clássico

Nós vamos adicionar a isso (a linha) o Malts Blend, que é realmente emocionante para mim, porque eu acho que para pessoas que bebem malt whiskies, isso vai ser algo especial, porque é muito complexo. Estamos usando uma gama de diferentes single malts.

Estamos usando mais de 21 single malts diferentes na mistura. É complexo. Cada barril é individualmente analisado, e no final você tem algo que é bastante frutado. É como pêssegos e xarope. É bem doce. Assim como aqueles doces cozidos à moda antiga, em uma jarra. E tem um certo apimentado também. É muito luxuoso. Muito sabor, muito concentrado.

O Lost Blend é interessante também. Eu queria que todas as três expressões fossem muito diferentes. Seja o clássico Royal Salute, seja algo concentrado em ricos e frutados (em referência ao Malts Blend).

Então para o Lost Blend, eu queria ter um pouco de nozes e tempero, mas eu também queria que fosse esfumaçado. Estamos usando algumas destilarias que não existem mais misturadas com outras destilarias. Então, tem alguns uísques muito raros em sua composição. Há whiskies como Imperial, Caperdonich e Dumbarton Green entre muitos outros no Lost Blend.

Por isso é chamado de Lost Blend?

É por isso. Porque tem algumas destilarias que são silenciosas, não existem mais, maltes que são realmente difíceis de encontrar.

Eu também queria que (o Lost Blend) tivesse alguma sensação tradicional. Eu queria que ficasse um pouco de fumaça, mas também usei um pouco mais de madeira tradicional, alguns hogsheads (barricas) e botas (butts, de sherry) em vez dos barris de carvalho americano. Por isso ele também tem aquele maravilhoso tipo de sabor de avelã.

Já o Malts Blend usa mais carvalho americano. Tem Strathisla na mistura, também Longmorn. Alguns maltes verdadeiramente clássicos. Mas, obviamente, sendo um blended malt, ele foi para o lado frutado. Absolutamente fantástico se você quiser misturá-lo. Nós vamos tomar um coquetel (com ele) hoje à noite. É incrível, será sem dúvida o coquetel mais luxuoso que você jamais terá.

Curioso que o Lost Blend é turfado. No portfólio da Pernod, há algum malte turfado?

Atualmente, temos o Allt-a-Bhainne. Nós turfamos Allt-a-Bhainne. Mas também trocamos (maltes) com nossos concorrentes todos os anos. Na Escócia, não gostamos de comprar, não gostamos de gastar dinheiro. Então nós trocamos para obter sabores extras. Para mim, é como comprar ingredientes extras para o portfólio. E nós os trazemos como new-make spirit, nunca os compramos maturados. Nós os compramos novos e os colocamos em nossos próprios barris, e administramos o sabor desde o primeiro dia. Portanto, temos controle total desde o início. Isso torna o resultado final muito mais fácil.

Blends de luxo tendem a receber críticas de whisky geeks, especialmente aqueles que apreciam single malts mais do que blends. Qual a sua opinião sobre tal preconceito?

Eu acho que single malts, bem. Se você gosta de um tipo particular de sabor, você vai adorar single malts, e você será atraído para esse sabor o tempo todo. Mas eu acho que algo como um blended malt da Royal Salute é muito mais complexo do que um single malt. Vai ser muito mais multidimensional, tem muito mais camadas de sabor quando você bebe esse uísque. Não será apenas uma explosão de um sabor particular. Você terá doçura, um pouco de frutas cítricas, e o nível de finalização que você terá – quando o uísque começar a desaparecer no paladar – é muito maior. Um pouco de fumaça lá também.

É sobre equilíbrio, complexidade e suavidade também. Você pode alcançar um ótimo nível de suavidade, juntando todos esses maltes diferentes.

Whiskies sem idade declarada são uma tendência na indústria de whisky. No entanto, a Royal Salute permaneceu fiel à idade mínima de 21 anos. Você prevê isso no futuro?

Absolutamente. É a referência da Royal Salute. Se fôssemos fazer algo que não tivesse 21 anos – o que não temos hoje – teria que ser algo bem especial. Seria algo de um barril muito exótico.

Eu acho que nossos consumidores entendem a qualidade. Há 21 anos, estabelecemos o estoque e nos comprometemos a fazê-lo. É o único uísque no mundo que está continuamente disponível com 21 anos de maturação desde 1953. Nenhum outro whisky conseguiu isso.

E há alguns whiskies no mercado que têm uma imensa reputação, mas em nenhum deles há a garantia de que cada gota dentro da garrafa possua 21 anos. E isso é o mínimo. Este ano estou usando whiskies de 21 a 25 no blend. Então, há uma mistura de idades nesse blend, mas cada gota tem mais de 21 anos de idade.

Por último, uma questão mais pessoal. Eu vi o seu Instagram. Então, Nissan Cubes e relógios. Quaisquer outras paixões / hobbies?

Oh, eu realmente amo o formato deles ( dos Nissan Cubes), eu acho que eles são realmente estilosos. No Japão eu vi muitos deles, e senti que tinha que ter um. Então aquele veio de Tóquio. E ele tem rodas azuis. Minha esposa não gosta tanto das rodas azuis. Ela diz para mim “o carro é okey, mas ele tem que ter rodas azuis?”

Meu pai tinha seu próprio negócio de antiguidades, então, colecionar antiguidades e coisas antigas está realmente no sangue. Eu tenho muitas coleções de coisas. Eu tenho canetas, sou um acumulador. E enlouqueço minha esposa trazendo coisas que comprei em minhas viagens. Às vezes eu deixo (a coisa) na garagem primeiro, e depois de alguns dias eu vagarosamente introduzo na casa.

Essa é uma boa estratégia!

É, funciona!

Arran Port Cask Finish – Obsessão

Pode parecer óbvio o que vou dizer a seguir, vindo de um blog monotemático como este. Mas eu tenho umas pequenas obsessões. E não é o whisky, mesmo porque o whisky é uma obsessão bem grande tanto é que a Cã uma vez encontrou uma garrafa de whisky no armário do banheiro, do lado do antisséptico bucal, porque não tinha mais lugar pra colocar aqui em casa.

Não. São obsessões pequenas, quase imperceptíveis, mas que me dominam completamente quando despertam. Uma delas é o número de cuecas que eu coloco na mala pra viajar. Tem que ser umas três por dia, no mínimo. Sei lá, eu sei que uma ou duas basta, mas alguma coisa dentro de mim sempre diz “olha, coloca mais umas. Dez cuecas para dois dias dias tá pouco“.

Outra é mostarda. Eu adoro mostarda. Não consigo ir no supermercado sem comprar ao menos um vidrinho de mostarda, mesmo sem precisar. Se um dia, num supermercado angelical houvesse na gôndola a melhor mostarda do mundo ao lado da mais jubilosa vida eterna, e tivesse que escolher apenas uma delas, eu pegaria a primeira. Fácil. Morreria agarrado nela.

Uma das muitas versões do Céu.

E há uma situação ainda mais grave, quando há uma interseção entre os conjuntos formados por uma obsessão grande e uma pequena. Whiskies. Vinho do porto. Whiskies envelhecidos em barris de vinho do porto. Sou incapaz de ver um e resistir. E sempre os adoro. Laphroaig Brodir, Kilchoman Port Cask, Glenmorangie Quinta Ruban, Bowmore Vintner’s Trilogy 27 anos. E o recém-chegado ao Brasil, e tema desta prova, Arran Port Cask Finish.

O Arran Port Cask Finish é justamente o que seu nome indica. Um single malt maturado por aproximadamente oito anos em barris de carvalho americano de ex-bourbon, e finalizado em barris de carvalho europeu que antes contiveram vinho do porto. A Arran não divulga exatamente o tempo de maturação e nem de finalização, e tampouco o tipo de vinho do porto utilizado.

O Arran Port Cask Finish, assim como todos os Arran, não passa por filtragem a frio, e sua cor – aliás, uma impressionante e belíssima cor rubi – é natural. Não há adição de qualquer corante. E para melhorar, a graduação alcoólica é um tanto generosa. 50%. Há um certo sabor apimentado subjacente, mas é um malte pouquíssimo agressivo.

Aliás, vale aqui uma observação. Enquanto pesquisava sobre o whisky tema da prova, notei que muitas fontes sugeriam consumir o Arran Port Cask Finish adicionando um pouco de água. De acordo com tais fontes, a graduação alcoólica elevada escondia seus sabores mais discretos. Ainda que concorde com a prática, a opinião deste Cão é que o Arran Port Cask Finish oferece uma experiência sensorial bastante complexa mesmo em sua graduação alcoólica natural. Adicionar água reduzirá seu apimentado, mas, não o torna mais complexo.

A Arran é uma destilaria bastante jovem. Ela foi fundada em 1995, e seu primeiro single malt foi lançado em 1998. De lá para cá, o portfólio se expandiu de forma inacreditável. Atualmente, são mais de dez expressões. Há whiskies com idade determinada – 10, 14, 18 anos. E também alguns sem idade definida, como Lochranza. Há também uma linha defumada – os Machrie Moor – e uma com finalizações especiais, da qual o Port Cask Finish, lançado em 2010, faz parte.

A Arran.

Se você – assim como eu – não consegue resistir a um whisky finalizado em barris de vinho do porto, ou se procura um single malt adocicado, frutado mas com uma personalidade bastante marcante, recomendo que prove o Arran Port Cask Finish. Ou melhor, não. Pensando bem, não prove o Arran Port Cask Finish não. Melhor não arriscar – vai que você cria uma nova obsessão.

ARRAN PORT CASK FINISH

Tipo: Single Malt sem idade declarada (NAS)

Destilaria: Arran

Região: Higlands (Islands)

ABV: 50%

Notas de prova:

Aroma: Bastante frutado. Frutas vermelhas. Figo, baunilha.

Sabor: Frutado e bastante intenso. Frutas vermelhas, calda de açúcar. Bastante apimentado, especialmente no final. Final longo e intenso.

Com água: a água torna o whisky menos apimentado, e intensifica o final frutado.

Preço: R$ 355,50 no boleto, na importadora oficial, a Single Malt Brasil.

Johnnie Walker Toolbox – Drops Paternos

Me perguntaram, recentemente, o que significa ser pai. Fiquei em dúvida em como responder politicamente a pergunta. Afinal, quem indaga isso espera um testemunho do deleite da paternidade. Respondi que é como ser esmigalhado pela mais encantadora indiferença. E notei um certo desconforto no olhar do interlocutor.

É que ser pai é ir no show e passar mais da metade do tempo na fila comprando batatinha e pão de queijo. Pra, depois, ser ignorado ao brigar com seus filhos porque comeram o salgadinho que caiu no chão. Aquele chão molhado, imundo do caldo de toda aquela gente pulando, suando, babando e derrubando coisas.

Ser pai é repetir a mesma coisa pela décima vez, porque nas nove anteriores, a Elsa e o Woody estavam com fome. Ser pai é usar sua própria experiência e exemplo para aconselhar seu filho ou filha, só pra descobrir que ele fez exatamente aquilo que você disse para não fazer. E, por fim, é reconhecer que fiz tudo aquilo igualzinho com meu pai – por experiência própria, porque quando ele me disse o que aconteceria, eu ignorei.

Ser pai é, em resumo, ser um trabalhador invisível e inaudível. Exceto, claro, quando requisitado. Aí, ser pai é ser lembrado. Lembrado pra dar opinião (opinião, não ordem!) quando solicitado. Pra pegar a cria na festa, ajudar no dever de casa e arrumar tudo aquilo que quebrou em casa, e é arriscado, asqueroso ou insalubre demais para qualquer outra pessoa arrumar.

E ainda que a gente mereça tudo, não cobramos nada. Porque a recompensa vem quase automaticamente. Um sorriso, um abraço, um beijo. É arrebatadoramente mais do que tudo que poderíamos desejar. Mas, mesmo assim, se porventura desejasse algo físico, este algo, neste dia dos Pais, seria certamente a nova Johnnie Walker Toolbox. Ainda mais para um pai entusiasta dos whiskies, como este Cão.

Não sabe consertar? Não tem problema, faz um Black Sour.

A Toolbox faz parte de uma campanha da CP+B Brasil, denominada “Explore as Possibilidades de ser Pai” para a Johnnie Walker. De acordo com Marcelo Rizério, diretor de criação da agência “Essa campanha desconstrói a imagem tradicional dos pais; e a forma que encontramos de materializar essa mensagem foi também desconstruindo o presente tradicional de Dia dos Pais, transformando a antiga caixa de ferramentas convencional em uma nova experiência“.

UMA CAIXA DE FERRAMENTAS REINVENTADA

Na Johnnie Walker Toolbox não há martelos, chaves de fenda, alicates ou quaisquer ferramentas para consertos desagradáveis. Mas sim acessórios para a preparação de coquetéis idealizados pela Johnnie Walker, como o Black Sour – a caixa preta – e o Red Highball, de caixa vermelha. As toolboxes são comercializadas exclusivamente no e-commerce da Diageo, o TheBar.com.br . Em lojas físicas e demais lojas virtuais, haverá também um pack especial de dias dos pais, que traz uma garrafa de Red Label acompanhada de um copo baixo e outro alto, para preparação de coquetéis que levam os whiskies da marca.

Além dos presentes, a Johnnie Walker – com o auxílio da agência de comunicação [Em Branco] entrevistou e produziu vídeos com um time bastante diverso de pais, como Elam Lima (Cuca de Pai, Cachola de Mãe) Hélio Gomes (Afropai), Alexandre D’Agostino (Apothek Cocktails & Co), Eduardo Sena (Hora do Gole) e Michel Berndt (Mix-o-logic), entre outros, para entender o conceito de paternidade que possuíam.

Este Cão, como um pai, entende que o conceito de paternidade é tão diverso como o mundo do whisky. E que para ser um bom pai, não são necessários quaisquer instrumentos especiais. Apenas dedicação e amor desinteressado. Mas uma certa Toolbox, de vez em quando, nos ajuda a lembrar que não somos imateriais.

Royal Salute 21 The Lost Blend – Das distinções

Em julho deste ano viajei, a convite da Royal Salute, para a Coréia do Sul, para provar o novo portfólio permanente da marca. E me surpreendi. Tanto com os whiskies quanto o país. É que a Coréia do Sul, para falar a verdade, é bem parecida com a gente. Lá tem tudo que tem aqui, mas as coisas são um pouquinho diferentes. Por exemplo, no prato, tem frango, carne, peixe. Mas o tempero é outro. E não tem muito feijão. Mas quase virtualmente em toda refeição tem alguma coisa de kimchi.

Na nossa superstição, o número treze dá azar. Lá, é o quatro. As ruas não tem muitas palmeiras por lá, mas são cheias de cerejeiras. Na Coréia do Sul, quase todo mundo usa maquiagem, e tudo bem. Os semáforos falam e fazem um barulhinho engraçado quando você atravessa a rua, sei lá por que. E as pessoas usam máscaras contra poluição.

E a língua, bom, a língua é totalmente e desesperadoramente diferente, a ponto de eu não saber nem como falar sim e não ou pedir pro taxista me levar pro hotel, porque, quando eu pedi, ele entendeu outra coisa e me deixou em um bar. O que até foi uma surpresa boa, porque eu achei providencial beber algumas doses para aliviar a jet lag. Depois, claro, de ter que explicar, por mímica, o que queria beber para o bartender.

Pelamordedeus!

E – para fazer um paralelo com o objetivo de minha viagem – a Coreia está para o Brasil assim como o Royal Salute 21 The Lost Blend está para o Signature Edition – aquele Royal Salute, que já conhecemos. Porque eles dividem o mesmo DNA. São whiskies sofisticados, delicados e extremamente agradáveis. Possuem belíssimas garrafas de porcelana e exalam sofisticação. Mas, sensorialmente, são distintos. Enquanto o Signature é floral e perfumado, o Lost Blend traz um tempero e uma fumaça maravilhosos.

Nas palavras de Sandy Hyslop, master blender e criador do Royal Salute 21 Lost Blend, durante seu lançamento oficial “Eu queria um whisky com sabor bem tradicional em sabor. Mas cujo aroma tivese um pouco de fumaça picante e de fogueira (…). Se você tomar um pequeno gole do Lost Blend, você verá que um certo sabor de laranja vem em abundância. Mas junto com ele, há uma fumaça, um aroma de fogueira, incrível. E também um sabor de avelã, proveniente dos barris de carvalho tradicionais (carvalho americano) usados no blend. O Royal Salute Lost Blend tem uma finalização incrivelmente longa, e leva bastante tempo para desaparecer na língua, e é aí que você percebe seu sabor defumado

Sensorialmente, para este Cão, o Lost Blend se aproxima bastante da descrição dada por Sandy. É um blended whisky delicado, extremamente refinado e nada agressivo. Seu aroma é pouco defumado – no nariz, o que se sobressai, é um frutado cítrico, bem característico, aliás, do tradicional Royal Salute. Porém, no sabor, pode-se facilmente notar um enfumaçado seco, mais presente em sua finalização. É um whisky extremamente complexo que parece ao mesmo tempo tão familiar quanto novo.

O Royal Salute 21 The Lost Blend leva, em sua composição, alguns maltes bastante raros, de destilarias silenciosas – o nome dado àquelas que foram desativadas ou demolidas. Dentre seus mais preciosos ingredientes, estão maltes da Imperial e Caperdonich, bem como whisky de grão da Dumbarton Green. Aliás – numa suposição educada deste Cão – o componente deliciosamente defumado do Royal Salute 21 Lost Blend é, provavelmente, o desejado Caperdonich. É por conta do uso destes raros elementos que o whisky leva seu nome de “Lost Blend” – O Blend Perdido.

A Caperdonich

O Royal Salute 21 The Lost Blend faz parte do portfólio permanente da luxuosa marca de blended scotch. Porém, é a única expressão da tríade cuja venda é exclusiva de duty-free shops. Elas não estarão disponíveis, a princípio, em nenhum mercado doméstico do mundo. Ou seja, para conseguir uma garrafa, será necessário viajar – mas não para a Coréia. O Lost Blend provavelmente estará disponível em breve em nossos freeshops de aeroportos internacionais.

Provar o Royal Salute 21 The Lost Blend é como viajar para a Coréia. É algo novo e entusiasmante. Mas há também uma agradável sensação de familiaridade. De que aquilo não é totalmente desconhecido por nós, e que nos traz um sentimento ao mesmo tempo de alumbramento e conforto. Sentimento, este, que apenas um blended scotch whisky tão tradicional e sofisticado poderia trazer.

ROYAL SALUTE 21 THE LOST BLEND

Tipo: Blended Whisky com idade definida – 21 anos

Marca: Royal Salute

Região: N/A

ABV: 40%

Notas de prova:

Aroma: Floral, com amêndoas e laranja lima.

Sabor: Adocicado, mel, frutas cítricas e frescas. Pimenta do reino, canela, cravo. O final é longo e vai se tornando progressivamente seco, defumado e picante.

Com Água: Adicionar agua reduz um pouco o sabor apimentado e deixa o enfumaçado mais evidente.

 Disponibilidade: Duty Free de aeroportos internacionais (em breve)

Lamas Nimbus – Fumaça de Mudança

Eu sou uma mistura entre Seteve Jobs e Leonardo DaVinci“. A frase, de uma rara prepotência, é de Yoshiro Nakamatsu, o inventor japonês com mais patentes registradas na história. São três mil, trezentas e cinquenta e sete. Mas sei lá, pode ser que ele tenha inventado mais alguma coisa no tempo que me levou para redigir este parágrafo.

Nakamatsu é bastante excêntrico. Diz que suas melhores ideias surgem durante sessões de mergulho. “A falta de oxigênio me traz brilho” declara Yoshiro. E que ideias. Dentre elas, estão uma camisinha com um imã (sei lá pra quê), um acento de privada com filtro e uma peruca que pode ser utilizada como auto defesa. Ah, e talvez sua invenção menos brilhante e mais pé-no-chão, o disquete. O disquete é dele também.

E é bem provável que Yoshiro Nakamatsu seja louco. Mas não apenas isto. Um louco extremamente destemido. É preciso muita coragem para sair da zona de conforto e criar algo que jamais existiu. Seja este algo uma camisinha magnética, ou seja whisky. E é justamente isso que destemidas destilarias brasileiras recentemente se puseram a fazer. Dentre elas, a Backer e a Lamas – que produz o tema desta prova, o Nimbus – um single malt defumado.

Pensnado bem, certeza que ele é doido.

A arte de destilar começou como hobby por volta de 1985 por Olney Lamas, e foi na década de 2000 que com ajuda de Ernest, um irlandês residente no Brasil, se iniciou a fabricação de whisky em pequena escala. Mas foi apenas em 2017 – após infinitos testes, provas e aperfeiçoamentos – que se resolveu mostrar seus produtos ao público. Para isto, os filhos de Olney construíram uma nova destilaria, a Lamas.

Além de seguir os padrões determinados pela legislação para a fabricação de bebidas, a Lamas Destilaria também investiu em sustentabilidade: toda energia elétrica utilizada na destilaria provém d e painéis fotovoltaicos, e a água descartada é reaproveitada em uma indústria vizinha que fabrica sulfato ferroso, e também pertence à família.

Além do Nimbus, tema desta prova, a destilaria produz ainda mais três whiskies: o Plenus, single malt maturado em barricas de carvalho americano; o Verus, que é finalizado em barris de carvalho utilizados previamente para maturar vinhos licorosos; e o Canem, um blended whisky, cujo nome presta homenagem na mesma famosa frase de Vinícius que inspirou o nome deste infame blog canino.

O processo de produção do Nimbus é curioso. Seu aroma de fumaça é resultado de uma defumação utilizando madeira de reflorestamento. Para isso, a destilaria umedece novamente os grãos secos, para, em seguida, os secar num defumador projetado especialmente para esse trabalho. A madeira, quando queimada, libera compostos com aldeídos e fenóis, tornando o malte enfumaçado – um enfumaçado bem diferente daquele da turfa. Mais picante e amadeirado, e menos medicinal.

A destilação do Nimbus – assim como dos demais whiskies da Lamas – ocorre em um par de alambiques de cobre projetados especialmente para destilação de whisky, à moda dos escoceses. E, assim como ocorre na Escócia, o whisky é destilado duas vezes, e depois cortado.

Os alambiques da Lamas

A maturação do Nimbus acontece em barris de carvalho americano que antes contiveram bourbon whiskey. A destilaria não divulga o tempo exato de maturação. Mas, de acordo com Marcio, sua idade está entre cinco e sete anos. Isso, no Brasil, é bastante – a variação de temperatura, com dias quentes e noites frescas, acelera bastante o processo de maturação do destilado “encontramos no nosso whisky mais compostos vindos do envelhecimento do que alguns whiskies escoceses com doze anos de maturação que utilizamos como referência” – diz Marcio, com base em análises realizadas em laboratório especializado.

Se você fareja a fumaça da novidade, ou se simplesmente quer provar um single malt nacional, defumado e com excelente equilíbrio, o Nimbus é seu whisky. E vá por mim, prove tão logo estiver disponível. Você nem precisa ser destemido para isso.

LAMAS NIMBUS

Tipo: Single Malt

Destilaria: Lamas

País: Brasil

ABV: 40%

Notas de prova:

Aroma: baunilha, caramelo, um enfumaçado de lareira, cedro.

Sabor: Seco, com um certo mentolado muito interessante. O final é longo e progressivamente defumado e pouco medicinal.

Preço: Especial de lançamento R$ 125,00 (cento e vinte e cinco reais) – por enquanto, à venda mediante contato com a destilaria no e-mail lamasdc@lamasdc.com.br

*a degustação do whisky tema desta prova foi fornecida por terceiros envolvidos em sua produção. Este Cão, porém, manteve total liberdade editorial sobre o conteúdo do post.

Angel’s Envy Finished Rye – Drops

Não é segredo pra ninguém que sou totalflex. Minha paixão é whisky, mas adoro cerveja, bebo gim com gosto e sou um admirador da coquetelaria. Aliás, neste último tema, adoro whiskey sour e suas variações. Mas assumo que, quando comecei este blog, não conhecia muitos deles. Apenas o básico mesmo, e o incrível Penicillin, que até hoje ostenta o corolário de meu coquetel preferido. Quer dizer, na maioria dos dias, pelo menos.

Mas um que surgiu na minha vida depois da criação do Cão Engarrafado foi o New York Sour. O New York Sour é, basicamente, o whiskey sour normal, mas com um float – isso é uma camada – de vinho tinto em cima. Quando vi – e provei – o coquetel pela primeira vez, fiquei mesmerizado. Como é que eu nunca tinha pensado em colocar vinho em cima do meu whiskey sour? Hoje, parece uma ideia tão obvia quanto queijo no hambúrguer.

No mundo do whiskey americano, talvez uma epifania semelhante tenha acontecido com o Angel’s Envy Finished Rye. Um Rye Whiskey delicioso, mas com uma finalização bem inortodoxa: barris de rum caribenho. Algo que parece óbvio – o dulçor do rum equilibraria o perfil seco do centeio – mas que jamais teria sido feito antes.

Há uma série de curiosidades sobre o Angel’s Envy Finished Rye. A primeira, é sua mashbill. Ela é composta de 95% centeio e apenas 5% cevada maltada. É um percentual bem alto de centeio. Rye Whiskeys tradicionalmente utilizam uma parcela de milho em sua receita, para atenuar o apimentado seco do centeio. Mas, por conta da maturação em barris de rum do Angel’s Envy, o dulçor é bem resolvido, e o produto é bem equilibrado. Os 5% de cevada maltada servem somente para catalisar o processo de fermentação do mosto – como uma vez explicado por aqui – quase todos os whiskeys levam uma pequena parcela daquele grão.

A segunda é a procedência dos whiskies. A Angel’s Envy, até 2015, não possuía uma destilaria própria. Seus whiskies eram produzidos pela Midwest Grain Products of Indiana (MGP) sob encomenda da Angel’s Envy, que fazia a curadoria sobre os barris e desenhava o perfil do produto. A MGP – outrora uma enorme destilaria da Seagram’s – também produz ou produziu whiskey sob encomenda para diversas outras marcas, como George Dickel, High West, Redemtion e Smooth Ambler.

A Angel’s Envy foi fundada em 2006 por um cavalheiro chamado Lincoln Henderson e seu filho, Wes Henderson. Que – pausa para uma quase desambiguação aqui – não tem qualquer relação com o Wes Anderson, de Ilha dos Cachorros, Moonrise Kingdom e Grande Hotel Budapeste. Enfim, em 2015 a Angel’s Envy foi comprada de Wes – não o cineasta, o empresário – pela Bacardi, que construiu uma destilaria para a marca no Kentucky. Atualmente, parte dos whiskies são produzidos por lá, ainda que haja bastante estoque daquilo que fora produzido na MGP.

Espetáculo de whiskey

E a terceira – e na opinião geek deste canídeo, a mais interessante – é sua maturação. O Angel’s Envy Finished Rye é maturado primeiro de seis a sete anos em barris virgens de carvalho americano. Depois, ele é transferido para barris de rum Plantation XO que antes foram usados para conhaque. Ou seja, é um rye whiskey finalizado em barris de rum que utilizou barris de conhaque da Maison Ferrand. É um barril quase tão totalflex quanto este Cão. O tempo de finalização varia, mas pode chegar a dezoito meses.

O resultado é um rye whiskey incrivelmente adocicado considerando sua mashbill, com uma clara – de verdade, quase exagerada – influência de rum. Aqui, não se trata de uma finalização discreta, como no caso do Woodford Reserve Sonoma Cutrer Finish. O sabor de rum no Angel’s Envy Finished Rye é incontornável. Sorte que ele é muito bom.

O Angel’s Envy Finished Rye é uma edição limitada anual. A cada ano, dois lotes são produzidos e se esgotam rapidamente. Tanto lotes quanto garrafas são numerados. A garrafa específica desta prova é a de número 1509 do Lote nº 9J.

Se você gosta de rye whiskeys, talvez deva procurar o Angel’s Envy apenas pela curiosidade. Ou, na verdade, porque ele é inesperadamente bom – tanto para se tomar puro como em coquetéis. Aliás, um Whiskey Sour com ele deve ser absolutamente fantástico. Meu deus, como não pensei nisso antes. Me desculpem por terminar este texto abruptamente. Preciso testar imediatamente.

ANGEL’S ENVY FINISHED RYE

Tipo: Rye Whiskey

Marca: Angel’s Envy

Região: N/A

ABV: 50%

Notas de prova:

Aroma: Cravo, canela, pimenta, banana (sério, banana)

Sabor: açúcar mascavo, especiarias, um certo pão de aveia. Final longo, progressivamente adocicado com banana.

Disponibilidade: lojas internacionais

Lançamento da linha Royal Salute na Coréia do Sul

Sempre fui apaixonado por livros. Gosto de ler quase tudo, ainda que tenha lá meus autores favoritos. Prefiro prosa à poesia, e tenho certa tendência pela ficção. Mas também aprecio um poema ou alguma biografia, desde que escritos com esmero. Assistir um filme ruim, de vez em quando, até tudo bem. São apenas duas horas. Mas a vida é curta demais para subliteratura.

Meu interesse pela leitura despertou ainda como Cãozinho, quando ouvia contos de fadas contados pelo Cão pai. Como qualquer criança, me fascinavam as histórias fantásticas, em países distantes, eivados de mágica e populados por reis, rainhas, alquimistas e criaturas mágicas. Castelos e objetos insólitos complementavam a atmosfera cativante.

E ainda que sempre me colocasse no papel de algum personagem da história, imaginava que contos de fadas pertenciam ao mundo do faz-de-conta. Na atrocidade de nossa realidade, eles não passariam de um gênero literário. Mas, aparentemente, estava enganado. Como num átimo de magia, tive um de meus mais improváveis desejos concedidos. Quer dizer, ao menos para um apaixonado por whiskies, como este Cão.

É que fui convidado pela Pernod-Ricard para viajar até a Coréia do Sul – um país bem distante – para provar, antes de todo mundo, duas novas expressões do portfólio permanente de um whisky digno da realeza. Os Royal Salute. E, além disso, conhecer os alquimistas, digo, criadores daquele luxuosos e exclusivos blended scotch whiskies. E acompanhado. Raphael Vidigal, head of prestige brands da Pernod-Ricard Brasil, seria meu guia e parceiro na lendária viagem.

A jornada aérea inicial levou vinte e cinco horas até aquele distante reino, digo, país. E ao chegar lá, ainda que não houvessem carruagens, fomos recepcionados por um cordial motorista em um confortável sedan coreano. Que, aliás, exibia um curioso design reminiscente de uma espécie de quimera entre dois sedans alemães. E assim, sem dizer nada – mesmo porque a comunicação era impossível por barreiras linguísticas – fomos conduzidos até o luxuoso hotel, no coração de Seoul.

Passei um dia me aclimatando ao fuso horário de doze horas. Na manhã do dia seguinte, mal podia conter meu entusiasmo. Entrevistaria o alquimista por trás dos whiskies da Royal Salute – o master blender Sandy Hyslop. Além disso, teria a oportunidade de conversar com o mago responsável por enfeitiçar as pessoas com todo carisma daquelas criações: Mathieu Deslandes, diretor de marketing da Royal Salute. Exceto por meu nervosismo, não havia vilão. Os dois foram extremamente agradáveis e acessíveis.

Mathieu nos revelou alguns detalhes sobre a criação dos blends, seu posicionamento, estratégia e a razão pela qual haviam decidido diversificar o portfólio após tantos anos. Já Sandy foi técnico e descontraído, e nos contou detalhes da elaboração daquelas incríveis criações. Estas entrevistas serão oportunamente reproduzidas aqui, no Cão Engarrafado.

Tietando

E à noite, aconteceu o grande evento. Um jantar de gala, digo de reis e rainhas, no Museu de Arte de Seoul, que outrora fora um palácio. O evento também contou com discursos de Jean Christophe Coutures, CEO da Chivas Brothers e Sandy Hyslop. Como contos de fadas sempre abusam do número três – três porquinhos, três fadas madrinhas – seria apresentado a três whiskies. A tríade que agora compunha a linha permanente da Royal Salute: o Signature Blend, Malts Blend e Lost Blend.

Me acomodei confortavelmente em minha cadeira, numa posição central de uma enorme mesa de banquete. Atentei-me a Jean Christophe, que explicava a razão daquela maravilhosa noite. “Royal Salute se refere a celebração da realeza britânica (…). E como o mundo da realeza evoluiu, a Royal Salute deve também evoluir com ele. Por isso, criamos uma nova embalagem, desenhada por Kristjana Williams. O que tentamos fazer é trazer mais encantamento, mais criatividade e design à marca, mas ainda mantendo sua substância

O novo Royal Salute 21 Lost Blend, defumado e apimentado, de garrafa preta.

E continuou ” A história da embalagem faz referencia à Torre de Londres, que, há muito tempo teria sido usada como zoológico, onde todos os animais dados para os reis e rainhas ficavam. Mas a ilustração não é séria – ela tem um certo ar de criatividade descontraída, porque, na cultura britânica, deve-se mostrar substância mas, ao mesmo tempo, senso de humor”.

Naquele momento, levado pelas palavras de Jean Christophe, começava a perceber a quase excruciante atenção aos detalhes daquele jantar. Tudo naquela atmosfera absolutamente encantadora – luzes, flores, borboletas de verdade (sim, havia borboletas de verdade) pratos, músicas e aromas – haviam sido milimetricamente pensados para elevar aquela experiência. Nada era gratuito ou havia sido deixado ao acaso. Da marcação dos lugares à mesa, passando pelo gelo gravado, à música de fundo.

O novo Royal Salute 21 Malts Blend, frutado e adocicado, de garrafa esverdeada.

Na sequência do discurso de Jean Christophe, foi a vez de Sandy Hyslop explicar um pouco sobre as verdadeiras estrelas da noite – os whiskies da Royal Salute. De acordo com o alquimista, Royal Salute foi o único blended scotch continuamente disponível com vinte e um anos de idade desde sua criação, em 1953. E aquela seria a primeira vez na história que duas expressões eram adicionadas ao portfólio permanente da marca. Aquela, para ele, era uma responsabilidade tão grande quanto uma honra.

E assim começou a parte mais importante daquele imponente evento. A degustação. A primeira garrafa apresentada por Sandy possuía um ar bastante familiar. Era nosso conhecido Royal Salute 21 anos, que fora rebatizado de Royal Salute Signature Blend – um blended scotch delicado, floral, suave e deliciosamente fácil de ser bebido. Aquele, para Sandy, era o ponto de partida. Seguimos para as duas novas expressões da marca.

O Royal Salute Malts Blend seria o resultado da união de vinte e um maltes diferentes, todos com, no mínimo, vinte e um anos de maturação. Seu sabor, adocicado e frutado, seria mais intenso do que o tradicional Royal Salute, mas, ainda assim, extremamente suave e agradável, como todo blended whisky de ultra-luxo deve ser. Conforme Sandy, a base daquele whisky seria Strathisla e Longmorn, duas das mais queridas destilarias do portfólio da Pernod Ricard. Este, segundo Raphael, desembarcará em terras brasileiras em um futuro próximo.

Sandy, explicando sobre a criação dos Royal Salute.

O Royal Salute Lost Blend, por sua vez, traria inovação à linha Royal Salute. Um blended scotch whisky com perfil sensorial defumado, que leva em sua composição muitos maltes das conhecidas “silent stills” – destilarias desativadas ou demolidas. Como, por exemplo, Imperial e a incrível Caperdonich, que produzia single malts turfados. Apesar do sabor enfumaçado e delicadamente medicinal, o Lost Blend ainda manteve a personalidade delicada e luxuosa dos Royal Salute. E foi o preferido deste canídeo.

Após apresentar o novo trio, Sandy contou um pouco sobre a essência de sua função. “A maior parte do meu trabalho é garantir a continuidade dos blends da Royal Salute, tendo certeza que temos o estoque necessário para manter a qualidade, ano após ano (…). Muitas pessoas pensam que um blender somente trabalha no seu sample room, misturando whiskies e criando novas expressões. Isso até é verdade, mas é apenas uma pequena parte do que faço. Toda semana viajo para Speyside, para nossas destilarias, para provar o new make de cada uma delas. E vinte e um anos depois, meu trabalho começa novamente. Neste ponto, eu e meu time conhecemos cada um dos barris de Royal Salute antes de serem combinados para dar origem aos blends.” – explicou.

Discursos e explicações concluídos, os convidados puderam provar também alguns coquetéis criados com as novas expressões – alguns tão luxuosos quanto os próprios whiskies. Como, por exemplo um que levava a famosa rosa da rainha Elizabeth II – a Centifolia – mais cara até mesmo que ouro.

Blending the blends

Olhei para o relógio. Quase meia-noite. Se passasse daquele horário, não viraria abóbora nem nada disso. Mas era um horário prudente para voltar aos meus aposentos reais – o hotel – e descansar um pouco. Aquela fora, para um entusiasta de whiskies como este Cão, seguramente, uma noite memorável, coroada por três whiskies absolutamente incríveis.

Porém, na volta, um pensamento não deixava minha cabeça. Aquilo, na verdade, não era um conto de fadas. Não havia quimeras, nem reis ou rainhas. Não havia alquimistas ou reinos distantes. E, por fim – e acima de tudo – não havia qualquer feitiço.

Aquilo, na verdade, era o resultado do trabalho duro e incansável de pessoas extraordinárias e apaixonadas por aquilo que fazem. Dezenas de pessoas, cada uma com sua especialidade, seu conhecimento, que juntas criaram algo incrível. Pessoas que dedicaram suas vidas e empenharam um esforço épico para um jantar perfeito.

E para, acima de tudo, criar uma das mais reconhecidas marcas de scotch whisky de ultra-luxo do mundo. Os Royal Salute – para que pessoas comuns, como eu, pudessem ter momentos dignos de contos de fadas.


Arran The Bothy – Sobriedade

Tenho uma relação complicada com uma porção de coisas. Comida, automóveis, plástico bolha (afinal, sucumbo à tentação de estourá-los ou uso para proteger garrafas?). E antibióticos. Porque eu entendo a importância dos antibióticos – afinal, eles nos permitiram escolher entre a dor de estômago ou uma morte lenta, definhante e de dor excruciante. Mas eu detesto tomá-los.

E nem é porque dá gastrite, ou pela disciplina do horário. Mas porque tenho que parar de beber. Por. Dez. Dias. Toda vez que tomo antibiótico e me deparo com uma garrafa de whisky, me sinto como meus confrades quadrúpedes observando aquela televisão de cachorro na padaria. Impotentes, sofregamente observando o frango girar, mas incapazes de se desvencilhar daquela visão.

Com a diferença de que frango é ruim (fonte: Tripadvisor)

Foi justamente o que aconteceu com o The Bothy, recém-importado para o Brasil pela Single Malt Brasil. Recebi minha garrafa no segundo dia de antibióticos um tratamento de dez. Passei oito languidos dias olhando de soslaio a garrafa fechada sobre minha estante. Até que, depois de doze horas do último comprimido, numa bela quarta-feira, finalmente estava livre.

Desci o líquido na taça com antecipação. Era a primeira vez que provava o whisky. Seu aroma me atingiu quase instantaneamente. Tomei um minigole. Com graduação alcoólica generosa – 53,2% – pude sentir caramelo, baunilha e pimenta do reino, junto com uma sensação revigorante de que minha saúde finalmente voltara à sua melhor forma.

Resolvi pesquisar sobre o whisky. Li que a maturação do The Bothy acontece em dois estágios. Primeiro, em barricas de carvalho americano que contiveram bourbon whiskey por um prazo não divulgado. Depois, por dezoito meses em barris menores – conhecidos como quarter casks – também de carvalho americano. Segundo a destilaria, a utilização destas diminutas barricas é uma homenagem ao tempo em que, por questões logísticas, barris de menor volume eram usados para transportar e armazenar whisky na ilha de Arran.

Mas rapidamente me lembrei que há uma razão menos poética. A utilização de quarter casks acelera o processo de maturação. Ou melhor, eleva a influência da madeira no destilado muito mais rapidamente do que se fossem usados barris tradicionais. O resultado é um whisky com alta graduação alcoólica e ótimo equilíbrio entre a madeira e a personalidade de seu new-make-spirit.

Barricas na Arran

Observei a cor e oleosidade do whisky em minha taça. Como costumeiro da Arran, a coloração do The Bothy é totalmente natural – não há a utilização de corante caramelo – e não há filtragem a frio. Isso é importante. Caso fosse empregado este processo, os congêneres mais pesados se decantariam e seriam filtrados, reduzindo a oleosidade e personalidade do destilado recém saído dos alambiques. Abstendo-se de filtrar seu whisky a frio, a Arran acentua a influência de seu new-make no produto final.

Mais um minigole. Meu deus, como aquele whisky era bom. Talvez fosse por conta de meus dez dias de sobriedade. Ou, talvez, porque finalmente me sentisse livre. Não, acho que não. O The Bothy é realmente um whisky excelente. Por esse, eu tomaria mais dez dias de antibiótico.

ARRAN THE BOTHY

Tipo: Single Malt sem idade declarada (NAS)

Destilaria: Arran

Região: Higlands (Islands)

ABV: 53,2%

Notas de prova:

Aroma: frutado, torta limão, creme de baunilha.

Sabor: frutado, cítrico. Torta de limão, malte. Final longo, apimentado e maltado.

Com água: a água ressalta as notas frutadas.

Preço: aproximadamente R$ 396,00 (trezentos e noventa e seis reais) para pagamento via boleto na Single Malt Brasil.

Hot Toddy – Panacéia

Crianças ficam doentes. Isso é inexorável. É preciso criar memória imunológica. Colocar o sistema pra funcionar, ganhar resiliência. E elas são bem talentosas nisso. Vejo pelos meus dois cãezinhos – comer a batatinha que caiu no chão e o cachorro de verdade fuçou, lamber a mão depois de ter apoiado no chão imundo da escola e colocar a boca no corrimão do elevador são coisas triviais para eles. O que explica a frequência que ficam doentes. Especialmente resfriados.

Não adianta. Não é porque eles estão mal agasalhados, ou porque pegaram um golpe de ar de alguma janela aberta. Nem porque tomaram pouco suco de laranja. Isso não tem nada a ver com o resfriado. É porque eles são porcos mesmo. Porque eles tem zero apreço pela higiene pessoal.

Na idade deles, eu era assim também. Meus resfriados tinham frequência quase mensal. E para aliviar os sintomas – ou melhor, para me fazer ter saudades dos sintomas – minha mãe recomendava algo tão infalível quanto detestável – água quente, limão e sal. E quando um raio de bondade a atingia, com um pouquinho de mel. Acho que é por isso que gosto tanto de whiskey sour hoje em dia.

Uma panaceia parecida com esta é o Hot Toddy. O Hot Toddy é basicamente um quentão de whisky. O que, talvez, o faça um excelente substituto para a tradicional bebida servida nas festividades juninas. Há uma pletora de diferentes receitas. Porém, a mais tradicional leva água quente, suco de limão, açúcar mascavo (ou calda de açúcar, ou mel), cravo, e, claro, o whisky de sua preferência. Você pode, entretanto, testar com suas especiarias favoritas e adicionar ingredientes – será que um pouquinho de alcaçuz ou canela não ficam bons?

O poder curativo do Hot Toddy é conhecido há muito tempo. Inclusive, de acordo com matéria veiculada no Vinepair, a mistura era até ministrada em crianças no século dezenove. Um jornal daquela época recomendava que “se sua criança começar a fungar, ter olhos vermelhos ou perder um pouquinho da audição, se sua pele ficar seca e quente, e se o halito estiver febril – você agora terá a oportunidade de agir muito mais rapidamente do que antes (…) dê a ela drinques estimulantes e quentes, sendo o hot toddy o melhor deles

Não sei se o pediatra de meus cãezinhos aprovaria este tratamento. Em vista do avanço da ciência e de todo bom-senso adquirido pela humanidade ao longo deste mais de um século e meio, me parece um tratamento quiçá extremo. Extremo, ilegal e tão ao norte da linha do absurdo que talvez seja melhor ter o número do conselho tutelar no speed dial, só por precaução.

E eu detesto ser a voz da moderação – mas, mesmo para nós, adultos, a cura tem que vir de forma homeopática. Afinal, bebidas alcoólicas podem deixar nosso sistema imunológico, já debilitado, ainda mais frágil. Dito tudo isso, no entanto, um – e apenas um – hot toddy talvez não seja uma má ideia. A água quente ajuda a alivar a congestão nasal. E o álcool tem a capacidade de dilatar vasos sanguíneos, o que pode ajudar as membranas mucosas a combater a infecção.

A história do hot toddy – como de costume para coquetéis tão antigos – é incerta. Uma teoria diz que ele nasceu na India, no século quinze, quando os britânicos descobriram o taddy: uma bebida feita de seiva de palmeira fermentada. Com o tempo, o taddy virou toddy, e foi definido como uma bebida quente e alcoólica. A outra teoria postula que ele teria sido criado por um tal Robert Bentley Todd, médico irlandês, que recomendava que seus pacientes ficassem bêbados para curar seus males – algo que, assumo, faço mais frequentemente do que seria prudente.

Me curei de repente!

Assim, caros leitores, se estiverem com a garganta coçando, o nariz apertado e aquela sensação de moleza, sejam prevenidos. Preparem um belo Hot Toddy e, à moda de nossos ancestrais, sintam-se renovados. Quer dizer, ao menos enquanto estiverem bebendo.

HOT TODDY

INGREDIENTES

  • Água (quente, fervendo)
  • cravos (a gosto, mas não exagere. Quatro está bom)
  • Casca de limão siciliano
  • 1 colher de chá de Açúcar (este Cão adorou a versão com açúcar mascavo, mas teste com seu agente de dulçor favorito. Mel parece uma boa ideia). Se ficar azedo, aumente o açúcar. Isso dependerá também do whisky que será usado.
  • 7,5ml (1/4 dose) de Suco de limão siciliano
  • 60ml (2 doses) de Whisky – aqui, sinta-se absolutamente livre para escolher o whisky que mais gostar. Este Cão preparou com Chivas XV. Mas com Rye whiskey também fica excelente
  • Caneca
  • aparato para mexer

PREPARO

  1. Encha uma caneca com água fervente. Adicione o açúcar e mexa, para dissolver.
  2. Adicione a casca de limão siciliano e o cravo. Mexa um pouco, para acelerar a infusão. Alguns gostam de espetar o cravo na casca. Tenho minhas dúvidas sobre a estética da ideia, mas ela funciona para você não engasgar com um cravo
  3. Adicione o suco de limão e o whisky, e mexa novamente.
  4. Pronto, prepare-se para contemplar uma panaceia para o sistema respiratório.