6 novidades no Brasil para compensar a Copa

Não foi dessa vez de novo. Perdemos um pênalti, marcamos outro, num momento absolutamente insuficiente para trazer qualquer mínima alegria. Um exercício de futilidade, quase como a barata que se revolta e tenta pular em você, depois do Baygon. Sobre o resto da partida, vou me abster de dar minha opinião. Mesmo porque meu conhecimento de futebol se equipara àquele de um uma zamioculca, e tenho consciência de como o futebol desperta o efeito Dunning-Kruger nas pessoas.
Ainda que nossa performance em campo tenha sido insuficiente para garantir a derrota do cara que se assusta ao ver o próprio reflexo no espelho, vencemos em outro campo. O do whisky. Desde o começo deste ano, diversas marcas novas desembarcaram por aqui. E algumas, antigas, que há muito não víamos, retornaram. Pela primeira vez em seis anos de bar, pude preencher um espaço de três prateleiras, de mais ou menos um metro cada, somente com whiskies americanos. Sem repetir garrafa, e com menos espaço entre eles do que a marcação do Marquinhos no Haaland.
Preparei uma lista com alguns deles – inclusive um que já esteve por aqui, sumiu, e agora retornará com mais força. Como a gente espera do Brasil, daqui mais quatro anos.
Michter’s (6 diferentes rótulos)
Finalmente a Michter’s desembarcou no Brasil. Mérito da Inspirits, divisão de destilados do grupo La Pastina. Vieram, ao todo, seis expressões: Unblended American Whisky, Kentucky Straight Bourbon, Original Sour Mash Whiskey, Kentucky Straight Rye – que é também um single barrel, Kentucky Straight Bourbon Single Barrel 10 anos, e o maravilhoso Single Barrel Rye 10 anos. Estes dois últimos, raros e cobiçados mesmo em sua terra natal.
O preço varia entre R$ 900 e R$ 3.400, dependendo da expressão. Está à venda no Caledonia, e em breve, em outros varejistas selecionados.
The Dalmore Cigar Malt Reserve
Este não vinha para o Brasil há algum tempo. O Dalmore Cigar Malt Reserve é, na verdade, uma reinvenção do Dalmore Cigar Malt, descontinuado em 2009. A versão anterior, entretanto, era muito mais simples, e preenchia o espaço entre as expressões de doze e quinze anos da destilaria. A atual orgulhosamente se posiciona acima destas e abaixo do cobiçado Dalmore King Alexander III.
O Dalmore Cigar Malt Reserve foi desenvolvido por Richard Paterson, master blender da Dalmore, para harmonizar com charutos. O puro utilizado por Paterson como referência para desenvolver o single malt foi o Partagas Serie D nº 4. Ele usa barricas de vinho Cabernet-Sauvignon, bem como de jerez Matusalém – algo bem incomum, visto a raridade destes barris.
Custa em torno de R$ 1.600.
Suntory Toki
Finalmente, um blended whisky de combate da Suntory. O Toki começou a ser vendido no Brasil no ano passado, meio que em test-drive, especialmente no centro-oeste. Mas, agora, provavelmente terá uma expansão significativa.
O Toki é um blend leve e aromático, que tem uma característica interessantíssima para os whisky geeks. Ele inverte a lógica dos blends tradicionais. A base é dada por uma porção de Hakushu Single Malt, extremamente leve e herbal, com um leve toque de Yamazaki maturado em barris de carvalho europeu. Mas a parte que realmente define a personalidade do Toki é um single grain – The Chita. Isso é possível graças à versatilidade da destilaria, que consegue produzir single grains com diferentes oleosidades. O usado no Toki é o mais oleoso.
Custará em torno de R$ 210
Bruichladdich 18 anos Re/Define
Provavelmente a segunda destilaria preferida de todo whisky geek, a Bruichladdich expande seu portfólio no Brasil com o – muitíssimo desejado – Bruichladdich 18 anos. Ele é maturado integralmente em Islay, majoritariamente em barris ex-bourbon, com uma pequena participação de barris de vinho. Entre eles, Sauternes e Porto. O ABV é de 50%, e não há corante caramelo nem filtragem a frio.
O resultado é um whisky com barril muito bem dosado, e uma nota característica da destilaria, que quase remonta a queijo – resultado da fermentação. É indiscutivelmente complexo, e ainda que equilibrado, tem uma personalidade bem marcante. O final é médio, com mel e bolacha de manteiga, além de um certo apimentado seco muito interessante.
À venda no Caledonia, por aproximadamente R$ 1.600
Nelson Brothers
Importados pela Qualimais – que tem tradição em vinhos – a Nelson Brothers é um bourbon do Tennessee, mas não um Tennessee Whiskey. A classificação se dá pela ausência do conhecido Lincoln County Process, ou Charcoal Mellowing. Aquela famosa filtragem em carvão de bordo.
A marca trouxe quatro whiskies para o Brasil. Três high-rye bourbons e um rye whiskey. Um dos bourbons bate na trave do limite regulamentar da graduação alcoólica: 53,5%. O outro, é finalizado em barricas de cognac. E o rye traz um excelente equilíbrio entre seco, herbal e adocicado. É uma linha consistente e interessante para qualquer entusiasta de whiskey americano.
Jack Daniel’s tennesse Blackberry
Assim como não sou muito do futebol, assumo que não me interesso muito por licores de whisky. E como um bom millenial, o paralelo com o celular com as teclinhas – outrora objeto de desejo absoluto de qualquer advogado – é inevitável. Mas, deixemos tudo isso de lado. O Jack Daniel’s Tennessee Blackberry chega ao Brasil para se juntar à linha de licores da Jack, que, efetivamente, usam Jack Daniel’s Old No. 7 como base.
O movimento faz todo sentido. O Brasil é o país que mais vende, mundialmente, o Jack Daniel’s Tennessee Apple. Soma-se a isso a franca expansão do Old No. 7, que no ano passado, ultrapassou um milhão de caixas no país.


































