Johnnie Walker A Song of Ice and Fire

Foram oito anos. Oito anos de conspirações, assassinatos, incesto, dragões, garrafinhas de água e café roubando a cena, gente que não sabia de nada, e gente que bebia e sabia das coisas. Setenta e três episódios de expectativa e teorias malucas. Mais de sessenta horas de antecipação para descobrir quem sentaria na cadeira mais desconfortável do universo. Eu nem preciso dizer do que estou falando. Você já deduziu – Game of Thrones.

E – pule este parágrafo se você não quiser um spoiler – quando finalmente descobrimos, veio a decepção. Eu sei que nas temporadas anteriores a Daenarys lentamente flertava com a loucura. Mas ficar mais doida que a Caipora e transformar King’s Landing em um enorme churrasco não é exatamente uma sutil descensão à insanidade. E nem vou falar do fato – completamente ignorado e pouco aproveitado – de seu laço de sangue com Jon. Ou a irrelevante relevância do cavalo branco da Arya.

Mas, apesar do desastroso final, a série, como um todo, foi muito boa. E inspirou uma miríade de objetos. Potes de biscoito, bonecos temáticos, jogos de cartas e muito mais. Mas, provavelmente, a parceria com Game of Thrones mais bem sucedida foi com a Diageo – a empresa por trás da Johnnie Walker. A série inspirou um blended scotch, o White Walker, bem como uma série de single malts baseada nas casas de Game of Thrones. E, mesmo depois de seu final, mais dois whiskies foram lançados – Johnnie Walker Song of Ice e Johnnie Walker Song of Fire – temas desta prova dupla.

Mais genial que o final de GoT.

De acordo com Jeff Peters, VP de licenças da HBO, “Estamos muito orgulhosos de fazer parceria com Johnnie Walker novamente para trazer mais uísques para o reino. O público de Game of Thrones continua a se engajar com a cultura da série e a procurar os itens colecionáveis especiais que a permitem relembrá-la. Depois de ver a empolgação com o White Walker por Johnnie Walker, estamos felizes em comemorar o final de uma história épica, oferecendo mais whiskies de qualidade para os fãs do show e entusiastas de whisky para colecionar e apreciar

Antes de tudo, deixe-me fazer um mea culpa. Decidi fazer a prova dos dois whiskies juntos porque, de certa forma, eles fazem mais sentido em conjunto do que individualmente. Os whiskies Johnnie Walker Song of Ice and Fire foram criados para serem – discutivelmente – perfeitos opostos, sensorialmente falando. Além disso, creio que esta será a forma que a maioria comprará e provará. Experimentar um sem o outro é uma tremenda oportunidade perdida – tipo não explorar a relação familiar entre Jon Snow e Daenerys. Além de ser comparável à cretinice de comer só a parte branca do Iô-iô-mix, se me permite um exemplo externo a Westeros.

“Quem come só a parte branca devia arder em chamas”

O Johnnie Walker Song of Ice é um blended scotch whisky leve e adocicado – que, de certa forma, relembra o Gold Label Reserve. Ele foi desenvolvido para ser apreciado com gelo, mas não no congelador, como seria o caso do lançamento anterior, o White Walker. Assim como o Gold Label e o White Walker, o malte central na composição do Johnnie Walker Song of Ice é Clynelish. Segundo a Johnnie Walker, o Song of Ice é inspirado nos lobos símbolo da casa dos Stark.

O Johnnie Walker Song of Fire, por sua vez, tem como coração Caol Ila, um single malt turfado – enfumaçado e medicinal – produzido na ilha de Islay. Ao contrário do Song of Ice, ele foi criado para ser bebido puro. Se pudesse compará-lo com algo da linha permanente da Johnnie Walker, diria que se assemelha ao Johnnie Walker Double Black. Mas, aqui, a diferença é maior – o Double Black é bem mais enfumaçado, intenso e adocicado, enquanto o Song of Fire é mais seco. A homenagem é à maluca da Daenerys – o que é meio óbvio, visto que o rótulo é estampado com um Drogon enorme.

Sensorialmente, para este Cão, os dois whiskies parecem bastante jovens. O Johnnie Walker Song of Ice é delicado e frutado, com uma sutil nota sulfúrica. O whisky de grão aparece – há um certo sabor de pão fresco – mas não chega a dominar o sabor. O álcool não chega a incomodar, mas é aparente. Já o Johnnie Walker Song of Fire é mais apimentado e seco, com um final enfumaçado. É talvez mais bem resolvido que o Song of Ice, e também mais complexo. Experimentá-los na mesma oportunidade acentua o contraponto entre os rótulos.

Ainda assim, sinto-me obrigado a fazer uma ressalva. Uma rara ressalva de opinião pessoal – aliás, bem mais pessoal do que a opinião sobre o final de uma das mais épicas séries televisivas. É que, individualmente, o Johnnie Walker Song of Fire é um whisky muito mais interessante do que o Song of Ice. Explico. Este é, no mínimo, o terceiro lançamento da Johnnie Walker, em menos de cinco anos, que usa Clynelish de base. Talvez a falta de criatividade dos criadores da série tenha atingido a marca do andarilho. O Song of Fire, por sua vez, apesar de não ser um blend extremamente complexo ou enfumaçado, é mais distinto.

Os Johnnie Walker Song of Ice and Fire custam, no Brasil, aproximadamente R$ 110,00 cada. É um preço razoável, especialmente para a versão enfumaçada. Mas, suspeito que o líquido seja a característica menos importante destes blended scotches. Afinal, foram oito anos, sessenta horas e setenta e três episódios. Tudo isso para um final daqueles. A gente merece um whisky para lembrar – ou esquecer – tudo isso. Ou melhor, um não. Dois.

JOHNNIE WALKER SONG OF ICE E FIRE

JOHNNIE WALKER A SONG OF ICE

Tipo: Blended Whisky sem idade definida (NAS)

Marca: Johnnie Walker

Região: N/A

ABV: 40,2%

Notas de prova:

Aroma: frutado, levemente sulfúrico.

Sabor: Frutas maduras, cereais, discreta baunilha. Final médio, vegetal e picante.

Disponibilidade: disponível no Brasil – R$ 110,00, em média.

JOHNNIE WALKER A SONG OF FIRE

Tipo: Blended Whisky sem idade definida (NAS)

Marca: Johnnie Walker

Região: N/A

ABV: 40,8%

Notas de prova:

Aroma: levemente enfumaçado, frutas vermelhas.

Sabor: Frutas vermelhas, cereais, fumaça. Final discretamente enfumaçado e frutado

Disponibilidade: disponível no Brasil – R$ 110,00, em média.

Entrevista com Malcolm Borwick – Embaixador mundial de Royal Salute

Seis graus de separação. Segundo uma teoria criada pelo escritor Frigyes Karinthy em 1929, qualquer pessoa no planeta poderá se conectar com outra por meio de uma corrente de, no máximo, cinco intermediários. Por exemplo, o maluco do Kim Jong-un . Eu provavelmente tenho um amigo, que conhece uma pessoa, que tem um conhecido, que tem relação com algum doido que é amigo do Kim.

Quando fui apresentado para essa teoria, desconfiei. São apenas cinco pessoas, no máximo, que igualmente me separam de figuras como o Dalai Lama, Ozzy Osbourne e aquele chef arabe maluco do salzinho? E mais surreal ainda, com apenas cinco pessoas, há um contato entre eu – um Cão apaixonado por whiskies – e a realeza britânica, como o Príncipe Harry?

Bem, a última indagação do parágrafo acima foi respondida com uma clareza cristalina nesta quinta-fera, dia 09 de setembro. Por conta do lançamento do Royal Salute 21 Snow Polo Edition no Brasil, fui convidado pela Royal Salute para uma entrevista exclusiva com Malcolm Borwick. Malcolm é um famoso jogador de pólo equestre, embaixador mundial da marca e amigo pessoal do príncipe Harry.

O Polo Edition

Então, aí está – não estou separado por cinco contatos. Mas por apenas um. E que contato. Malcolm é um verdadeiro cavalheiro britânico. Impecavelmente vestido, gentil e muito comunicativo. Durante pouco menos de uma hora, o jogador falou sobre o jogo de polo, suas origens, e, claro, muito Royal Salute. E é essa a entrevista que você confere a seguir. 

Uma pergunta sobre começos, para começar. Como você se tornou um jogador de polo equestre?

Comecei por completo acaso. Cavalguei a vida toda. E eu tinha 10 anos na época. E meu pai recebeu uma ligação de um amigo meu, que também tinha dez anos. Ele perguntou: “Malcolm quer jogar polo amanhã?”. Na época, eu estava tipo “o que é isso?”. Mas então, eu decidi tentar e, no dia seguinte, fui a um clube de polo no norte da Inglaterra. E eles me explicaram assim “aqui está o bastão, aqui está a bola, aí está o seu cavalo, você tem que colocar a bola dentro do gol. Segura a marreta assim”. E eu adorei desde o primeiro dia.

E eu morava em uma comunidade muito pequena no norte da Inglaterra. No meu vilarejo, acho que convenci outras seis crianças a jogar pólo em um ano. Eu disse a eles “você tem que tentar isso”. Então, depois de dois anos, tínhamos 24 pessoas em nossa área jogando polo.

Aí decidimos criar um clube de pólo. E saímos para competir com os outros locais. Este foi o pólo infantil. Eu tinha entre dez e quatorze anos de idade. E aos catorze anos fui escolhido pelo órgão esportivo da Inglaterra e recebi uma bolsa de estudos para ir à Argentina treinar polo, e dali a carreira decolou.

Então, está no sangue, você já era um embaixador de polo aos dez anos!

Eu acho que quando você é realmente apaixonado por algo, é muito fácil encantar as pessoas. Seja Royal Salute ou Polo – se você é realmente apaixonado por isso, acabará compartilhando a paixão com os amigos, no ambiente de trabalho, e assim por diante.

E sobre Royal Salute – acho que você tinha um pouco mais de 10 anos quando se tornou embaixador! Então, como vai a história?

Sim, eu tinha mais de dez! Foi em 2006, quando eu voei da Argentina para Xangai para jogar a primeira partida de polo em mais de 500 anos naquele país. Veja bem, o Polo é um jogo persa em sua origem. E mudou-se dali para outros reinos e finalmente para a Índia, quando o exército britânico o redescobriu.

Voei para um clube chamado Nine Dragons Hill, em Xangai, para jogar em um time escocês de pólo. E aconteceu que a equipe de marketing (da Royal Salute) na China estava patrocinando o evento. Naquela época, eu tinha uma pequena empresa de marketing que fazia algumas pequenas ativações para outras marcas, como companhias aéreas.

Nine Dragons Hill

E lá eu conheci o time da Royal Salute. E eu disse: “pessoal, eu conheço o cenário do pólo ao redor do mundo, deixe-me ajudá-los”. Tudo começou muito calmo. Era algo que estávamos explorando. Acabei ajudando a marca a identificar algumas oportunidades no começo. Para virar embaixador, demorou cerca de dois ou três anos. Acabei trabalhando para eles e montando uma plataforma, me tornando um embaixador da marca para eles – isso já faz dez anos.

Foi uma ótima jornada. Fizemos 18 países diferentes, 4 continentes diferentes, eventos em todo o mundo. Introduzimos muitas pessoas ao mundo do polo, e muitas (pessoas) do polo a Royal Salute.

E isso nos leva a outra pergunta – quais são as semelhanças entre polo e Royal Salute?

Bem, o próprio nome de Royal Salute indica que é uma bebida real. Veja bem, o pólo tem sido associado à família real e às cortes reais desde seu início, há 250 anos. Então, o próprio DNA, a trama de tais coisas se encaixa muito bem.

Freqüentemente, quando você está envolvido em marketing esportivo, descobre que existem empresas que tentam, basicamente, pegar carona no esporte. Botar um pino quadrado num buraco redondo – ele simplesmente não se encaixa.

Com Royal Salute e Polo, o encaixe é perfeito. Ainda temos uma grande influência da realeza no pólo. Ainda jogo com o duque de Cambridge e o duque de Sussex. E Royal Salute é o principal doador anual do príncipe Harry. Essas coisas são apenas laços naturais entre a marca e o esporte.

Sobre isso, eu li que o Principe Harry tem um programa beneficente que envolve Royal Salute, é isso?

Prince Harry, aos 18 anos, foi para Lesoto, uma pequena província da África. Na verdade, um país independente dentro da África do Sul. E houve uma enorme epidemia de Aids lá. Então, ele montou uma instituição de caridade com o príncipe do Lesoto, que estava em uma situação semelhante.

E ele usou polo para arrecadar dinheiro para essa caridade. E a Royal Salute decidiu que queria ajudar, além de que criava uma associação super boa com a marca, por causa do príncipe. Poderíamos fazer o bem, ajudar o príncipe Harry a atingir seus objetivos e manter laços com a família real.

Ao centro: Borwick e o Príncipe Harry

Arrecadamos cerca de 3,5 milhões de dólares nesse período. Portanto, tem sido um relacionamento muito bem-sucedido entre a marca e a entidade. E isso criou muito bons laços com o príncipe Harry e o duque de Sussex.

Vamos falar de Royal Salute então. Especialmente dessa garrafa maravilhosa. Me conta um pouco sobre o Royal Salute Snow Polo Edition.

Este é o terceiro frasco da linha de Polo da Royal Salute. O que queríamos fazer (com a linha de polo) era criar uísques que refletissem a sociedade do pólo e que pudessem apelar para o conhecedor de Royal Salute, e para o entusiasta do whisky.

Royal Salute já é um blend para entusiastas. É um whisky sofisticado, com maturação minima de 21 anos, composto por mais de 30 whiskies diferentes. O Signature Blend (o clássico Royal Salute) é a única garrafa com 21 anos de idade produzida ininterruptamente desde 1953.

O fato de ser um uísque complexo já o define, e quem o bebe. Agora, o que queríamos fazer com a edição polo é que queríamos apresentar um monte de gente ao whisky. O primeiro foi o polo de grama, ou Polo Edition. Era um uísque leve e acessível, para ser consumido no início da tarde.

Queríamos quebrar o conceitos equivocados de certos bebedores de whisky. Portanto, é um blend que funciona bem em coquetéis, e que, se diluído, combina muito com o verão. Vá em frente e dilua.

O segundo foi o Beach Polo. É um circuito de polo que jogamos em todo o mundo que é muito vistoso, divertido, jovem e vibrante. Queríamos um uísque que se destacasse. Então, esse uísque em particular, foi nosso primeiro Royal Salute com um toque de fumaça. Mais uma vez, um blend de 21 anos, com whiskies realmente complexos. No começo, maltes de highland e uísques realmente esfumaçados e turfados no final.

Royal Salute Polo & Beach Polo Edition

Chegamos à terceira edição. Jogamos polo de neve em dois ou três lugares do mundo. Em St. Moritz, Aspen. Na Patagônia, Argentina, há um circuito pequeno, mas bastante influente, jogado na neve. Mas St. Moritz é provavelmente a cidade de luxo mais icônica da Europa. Se você tivesse que escolher um, para se destacar, qual seria o lugar mais luxuoso da Suíça, seria St. Moritz. E lá eles jogam polo há mais de trinta anos. Participamos nos últimos cinco anos e dissemos “por que não fazemos algo que reflita nosso investimento nesse evento e que seja diferente”. E então, criamos um blended grain. Um blended grain de 21 anos de maturação mínima.

Existem alguns pontos interessantes (sobre o Royal Salute Snow Polo Editon). É 46,5% ABV. É um pouco mais alto (do que o Royal Salutes tradicionais). Essa é a latitude onde fica Moritz. Existem alguns pequenos detalhes, sinais. Fizemos este lindo frasco branco para refletir a neve branca que você vê nas montanhas. Esperamos que os entusiastas do uísque gostem.

E de onde veio a inspiração para o Royal Salute Snow Polo Edition?

O polo na neve provavelmente é o epítome de um esporte de luxo. Você está montando cavalos em uma montanha, jogando polo em um lago congelado, a 2500 metros de altitude. É algo extremamente ambicioso. E Royal Salute é um verdadeiro produto de luxo. É feito para o gosto dos entusiastas, para os bebedores de uísque experientes, que entendem a diferença.. Ele reflete St. Moritz no sabor e também na garrafa.

Muito bom. Agora vamos para duas perguntas um pouco mais pessoais. A primeira – eu entrevistei o Sandy Hyslop, e ele disse que ama relógios e Nissan Cubes….

….duas coisas bem diferentes!

… bem diferentes, foi o que eu pensei! Mas, enfim, quais seus interesses, além de obviamente polo e whisky?

Campos de golfe na Escócia. Eu adoro golfe. Eu também tenho um pouco de paixão por relógios. Provavelmente não tão íntima quanto a de Sandy, mas desenvolvi uma coleção muito boa de relógios ao jogar polo em todo o mundo, especialmente uma coleção de Piagets que eu adoraria dar aos meus filhos e netos.

(nota do Cão: Malcolm é tão apaixonado por Piagets que até gravou um vídeo para a marca, em 2016, para uma edição especial da grife de relógios baseada em polo)

Malcolm e um de seus Piagets, no vídeo de 2016

Eu não gosto de Nissan Cubes – eu dirijo uma Maserati, que é incrivelmente divertida. Não sou acumulador, mas há algumas coisas adoráveis que gostaria de dar aos meus filhos nos próximos anos.

Fantástico. E, para terminar, se me permite – você já bebeu Royal Salute durante uma partida de polo?

Incrivelmente, sim! Me deram um copo quando joguei com o príncipe Harry em Cingapura. Estávamos perdendo, e um dos convidados me chamou e disse: “venha aqui, toma isso!”. E ele me deu um copo de Royal Salute na frente de todos. E então eu pensei “eu tenho que beber agora”.

E melhorou o desempenho?

Até melhorou! Mas, para constar, eu não recomendaria jogar polo sob a influência de álcool!


Chivas Regal Mizunara – Tentáculos

O Japão. Uma nação tão bizarramente fascinante quanto fascinantemente bizarra. Por muitos séculos, especialmente por se tratar de um país insular, o Japão desenvolveu sua cultura com pouquíssima influência exterior. E daí surgiram uma porção de coisas mesmerizantes, como palácios, culinária, samurais e trens que chegam a trezentos quilômetros por hora.

E apareceram também algumas coisas bem esquisitas. O Japão, aliás, tem uma tolerância incrível ao esquisito. Por exemplo, melancias quadradas. Lojas de abraço. Privadas que tocam música. Gente usando orelhas de gato – aliás, uma obsessão incompreensível por felinos, que talvez só seja superada em sua inexplicabilidade pela adorada pornografia com tentáculos. Se vocês duvidam de mim, basta googlar. Ou melhor, não façam isso não. Dados nunca morrem. Daqui duzentos anos, seu legado digital ainda estará manchado por pornografia com tentáculos (não clique aqui, por exemplo).

Meu carro tem menos botões.

E tem o whisky. Os japoneses também são obcecados por whisky. Tanto é que no começo do século vinte, dois malucos – Masataka Taketsuru e Shinjiro Torii – resolveram que produziriam whisky tão bom como o escocês por lá. E conseguiram. Atualmente, o whisky japonês é uma febre tão grande que a própria Escócia voltou seus olhos – e língua – para o país, para inspirar algumas de suas criações. E é daí que surgiu o tema desta prova. O Chivas Regal Mizunara.

De acordo com a Chivas Regal, a concepção do Chivas Regal Mizunara partiu de Colin Scott, ex-master blender da marca, durante uma viagem ao Japão. Colin teria se baseado no Chivas Regal 12 anos e criado um whisky para agradar ao paladar japonês. E, para isso, decidira utilizar barricas de carvalho japonês para maturar alguns maltes que compuseram o blend.

Aqui, deixe-me fazer uma pausa para uma explicação talvez sonífera. O carvalho japonês, também conhecido como Mizunara. Mizunara na verdade define duas espécies diferentes de carvalho, cujos nomes científicos são quercus mongolica e quercus crispula. Ambos crescem no leste asiático e Japão. A madeira de Mizunara é clara – próxima àquela do carvalho americano – bastante porosa e um tanto quebradiça. Para se produzir um barril de mizunara, as árvores de quercus mongolica devem ter aproximadamente trezentos anos. Já as de quercus crispula, duzentos anos de idade. Uma madeira muito jovem é ainda mais frágil e maleável.

Por conta disso, o preenchimento e armazenamento de barricas de mizunara demanda um cuidado especial. A madeira é bastante propensa a rachaduras e vazamentos. Assim, mesmo no Japão, tradicionalmente se usa mizunara mais para finalizar whiskies, aportando complexidade sensorial, do que maturar totalmente a bebida. Soma-se a isso o fato de que, por conta da porosidade, a madeira do quercus mongolica é bastante potente, e pode desequilibrar a bebida, se maturada excessivamente.

E para piorar ainda mais, apenas uma pequena fração de Mizunara pode ser usada para produzir barricas. O tronco dessas espécies é cheio de nós e porosidades. A taxa de aproveitamento da madeira de mizunara tangencia os 10% – contra mais de 20% do carvalho americano, por exemplo. Isso tudo faz com que as barricas sejam extremamente caras. Para cada barril de mizunara, dá pra comprar mais de vinte de carvalho americano.

Falei que elas existiam!

Sensorialmente, o carvalho japonês traz um sabor que se aproxima mais do carvalho americano (quercus alba) do que do carvalho europeu (quercus robur). Porém, bem mais intenso e carregado em vanilina, que traz o característico aroma de baunilha, bem como especiarias, como pimenta do reino. O que, não por coincidencia, é o aroma predominante do Chivas Regal Mizunara.

Por conta de tudo isso que contei, o uso de Mizunara é bem raro fora do japão. E, mesmo no japão, é incomum. A madeira somente começou a ser utilizada em 1930, quando o país teve dificuldade de importar barricas de carvalho para suas bebidas. Isso torna o Chivas Regal Mizunara um whisky bastante único. Mais ainda, considerando que talvez o segundo rótulo escocês mais conhecido que usa a madeira é o Bowmore Mizunara Cask Finish, que custa a pechincha de oito mil reais – isso se você tiver sorte de encontrar um.

O Chivas Regal Mizunara, sensorialmente, se aproxima do Chivas Regal 12 anos – como seria de se esperar – mas apresenta uma influência clara do carvalho oriental. Há notas de caramelo e baunilha bem aparentes. O whisky chega até a ser levemente desequilibrado para o lado da madeira, o que, aqui, não é nenhum demérito. É um propósito.

No Brasil, uma garrafa custa em torno de R$ 400,00, e por enquanto, está à venda exclusivamente no website próprio da Pernod Ricard, o Drinks & Clubs. Não é exatamente uma pechincha em termos relativos – por R$ 50,00 a mais, leva-se o clássico Chivas 18 anos. Porém, trata-se de uma edição especial, bastante desejada. Assim, se você procura um whisky fácil de ser bebido, mas com personalidade única e uma bela história de fundo, o Chivas Mizunara é perfeito. E incomparavelmente melhor que qualquer coisa gráfica que envolva tentáculos.

CHIVAS REGAL MIZUNARA – 12 ANOS

Tipo: Blended Whisky com idade definida – 12 anos

Marca: Chivas Regal

Região: N/A

ABV: 40%

Notas de prova:

Aroma: floral e adocicado, com caramelo, alcaçuz e baunilha.

Sabor: suave, mas mais intenso que o Chivas 12 tradicional. Madeira, caramelo, baunilha, pimenta do reino, cravo. Final longo e progressivamente mais adocicado.

Com água: A agua torna o whisky menos adocicado.

Preço: Aproximadamente R$ 400,00.

Royal Salute Olfactory Studio – Barnabé Fillion

Você encontraria relação entre um drink feito com a rosa real, um meteorito e três incríveis whiskies da Royal Salute, todos com no mínimo 21 anos? Bem, esta foi a experiência deste Cão Engarrafado da última quinta-feira em São Paulo, no Estúdio Olfativo (olfactory Studio) de Barnabé Fillion. Barnabé é conselheiro criativo da Royal Salute e perfumista por trás de algumas das mais famosas fragrâncias da Paul Smith, Aesop e Hermès.

A ideia do Estúdio Olfativo parece até desconcertante, mas é executada de uma forma belíssima. “a jornada explora uma paleta de sensações – pelo toque de objetos lendários, a visão de cores que expressam as mais sinceras sensações, o aroma de essências de flores raras destinadas à elite do mundo e a prova de whiskies que impulsionam a arte do blending” – diz Fillion.

Barnabé Fillion, durante o evento em SP

Em outras palavras, e de uma forma mais simples, a ideia é que o participante, por meio de analogias que ultrapassam o olfato e o paladar, possa identificar características nos whiskies da Royal Salute, bem como entender que há relações entre outras áreas do conhecimento e a criação de whiskies. Como, por exemplo: o toque em um tronco de árvore fossilizado cria um paralelo com o sensorial de certo whisky, e com o processo de transformação da matéria prima até o whisky.

De acordo com Fillion, há muitas relações entre a criação de perfumes e whiskies “Na verdade o trabalho de Sandy (Hyslop, master blender da Royal Salute) é muito parecido com o meu como perfumista. Ele está provando 5 ou 10 whiskies por semana, mas avaliando por aroma mais de 5 mil por semana. Ele está avaliando todos os barris que estão mudando a cada mês. Cada single malt que é proposto a ele. A técnica é a mesma, a diferença é que eu trabalho com produtos que devem ser frescos, recentemente destilados. E no caso do whisky, o tempo é importante

MAIS DO QUE UM ALMOÇO

A experiência não poderia ter acontecido em um local mais apropriado. O restaurante japonês Míu, em São Paulo – um espaço cuja decoração combina elementos contemporâneos com visual clássico japonês. Mais uma analogia com a Royal Salute, uma marca enraizada na tradição, mas que têm buscado cada vez mais inovação – prova disso é seu novo portfólio, apresentado durante o evento.

Durante o evento – um almoço exclusivo e elegante – cada uma das expressões de 21 anos da Royal Salute foi harmonizada com alguns aromas, um objeto relacionado a experiência e um prato. Para o Royal Salute Signature Blend, nosso conhecido, foi escolhido um coquetel produzido com a Rosa Real – uma das mais caras flores do mundo, e muito usada no mundo dos perfumes – e um delicioso tartar de atum.

Lineup

Já para o Royal Salute 21 The Malts Blend, um blended malt mais intenso, adocicado e frutado, a escolha foi carpacio de salmão e carapau trufado – que, na opinião deste Cão, foi o melhor prato da experiência. “é a primeira vez que a Royal Salute se propõe a criar um blended malt. É preciso entender a complexidade dele, já que não há whisky de grão. (…). Ele me lembra um pouco a transição do inverno para a primavera. E um pouco de uma flor (…), a mimosa. Mas há também algo mais importante, que são as especiarias, que vêm da mistura dos whiskies de diferentes regiões da Escócia.

Barnabé também esclareceu a importância do blending, mesmo para maltes “Primeiro, muitos single malts são blends, porque são blends de whiskies vindos de uma mesma destilaria. Mas há uma arte de blend. Para nós, blendar é a infinidade de criação e sabor. Podemos explorar a geografia e os diferentes sabores dos whiskies escoceses“. Para fechar a segunda parte, Barnabé apresentou um pequeno meteorito de mais de 4 mil anos de idade, e traçou uma relação com a exploração, seja geográfica, seja sensorial.

Do espaço

Com o Royal Salute 21 Lost Blend, uma versão enfumaçada do clássico, vendida somente em Duty Frees, a combinação foi com uma robata de copa lombo. Aqui, Barnabé contou sobre a experiência dos astronautas que foram à Lua, e sobre um estranho impacto olfativo que tiveram, ao voltar para o módulo lunar – impacto este que até mesmo refletiu em seus sonhos. O inusitado objeto apresentado foi um tronco de árvore fossilizado. “a relação é sobre a transformação. Ele é meio grafite, mineral, e meio árvore, vegetal“.

Além dos objetos apresentados durante cada uma das harmonizações, o perfumista compartilhou pequenas tiras com aromas que compõe seus perfumes, bem como cerâmicas criadas por uma impressora 3-D, com aromas – já combinados – baseados nas três expressões de Royal Salute.

O Estúdio Olfativo de Barnabé trouxe a este Cão duas impressões. A primeira, de que produtos exclusivos devem ser apreciados com calma e esmero. E a outra, uma impressão residual – talvez semelhante àquela dos astronautas – de que a criação de qualquer produto sofisticado, sejam eles blended scotch whiskies ou perfumes, exigem uma dedicação enorme e um conhecimento extremamente aprofundado daquela arte.

Tipperary – Passaportes

O Jean Reno não é francês. Quer dizer, ele é francês, mas é o ator mais essencialmente francês menos francês que eu conheço. Seu nome verdadeiro é Juan Moreno y Herrera-Jimenez. Seus pais eram espanhóis. Quando o pequeno Jean nasceu, o casal vivia em Casablanca, no Marrocos – na época que o país ainda era um protetorado da França. O que o torna francês, tecnicamente falando.

E apesar da descendência espanhola, é difícil imaginar um ator que represente melhor alguém nascido na terra do queijo e vinho. Talvez Gérard Depardieu, Alain Delon ou Vincent Cassel. Pensando bem, não. Pra ser mais francês do que o Jean Reno, tem que ser o Gérard Depardieu vestido de Obélix, segurando aquele terrier que representou o Dogmatix no filme do Astérix de 2002. Cliché assim. Aliás, a palavra “cliché” também me parece menos francesa que o Jean Reno.

Muito menos francês que o Jean Reno

Um fenômeno parecido acontece com um coquetel chamado Tipperary. O Tipperary é o coquetel com irish whiskey menos irlandês que eu conheço.

O Tipperary é aquele tipo de clássico pouco conhecido, mas bem documentado. Ele fez aparições no Recipes for Mixed Drinks de 1916, de um obscuro Hugo R. Ensslin, que não era irlandês, e que trabalhou no hotel Wallick, de Nova Iorque; bem como no ABC of Mixing Drinks de um – bem mais conhecido – Harry McElhone em 1922; e finalmente no Savoy Cocktail Book de Harry Craddock, em 1930. Este último, tão famoso quanto o Jean Reno, para a maioria dos apaixonados por coquetelaria.

A receita mais antiga, de Ensslin, pede partes iguais de irish whiskey, vermute doce e Chartreuse verde (Green Chartreuse), um licor francês – mas não tão francês quanto o Jean Reno – herbal, produzidos por monges desde 1737 e todo aquele papo que você já conhece sobre licores centenários produzidos por homens de Deus.

Este Cão, porém, prefere uma receita levemente modificada, que coloca o whiskey em evidência, e reduz o dulçor do coquetel. Veja bem, na época que o Tipperary foi criado, o paladar médio era bem mais doce do que hoje em dia. Além disso, Chartreuse é um licor intenso e complexo – o oposto do que um whiskey delicado, como o irlandês, precisa. Então, para evitar que o Irish Whiskey suma de vez do drink, reduzi o Chartreuse e elevei a proporção daquele.

Durante as pesquisas para elaborar esta matéria, me deparei com dois fatos curiosos. Curiosos não, dotados de pouquíssimo sentido.

O primeiro, é que as pessoas recomendam que se consuma Tipperary durante as festividades de St. Patrick’s, talvez por conta da cor do Chartreuse. Acontece que o coquetel não fica nem esverdeado. Ele fica vermelho mesmo, por causa do vermute. Então, se você porventura resolver degustar um Tipperary durante o St. Patrick’s Day, você será só mais um doido com um drink vermelho num monte de gente tomando cerveja verde. E nem me venha dizer que é pelo Irish Whiskey. Porque, se fosse aplicar essa lógica, você deveria tomar cerveja irlandesa também, e não aquela qualquer coisa que você encontrou na rua com corante verde.

O segundo é que a maioria das receitas que colocam o whiskey em evidência recomenda o uso de Redbreast, um Single Pot Still Irish Whiskey, mas bastante intenso pela maturação em barricas de ex-jerez, e que pouquíssimo tem a ver com o perfil sensorial tradicional dos Irish Whiskeys. Me parece um contra-senso: para se equilibrar um coquetel produzido com irish whiskey, é preciso um irish whiskey que não se parece com irish whiskey.

Redbreast

Para remediar a questão do whiskey, propus o uso do Jameson Caskmates IPA. É um irish vendido no Brasil – ao contrário do Redbreast, que não desembarca por aqui – e que representa com muito mais precisão o estilo de seu país de origem. Além disso, traz uma nota vegetal amarga bem delicada, que funciona bem com o Chartreuse.

E, finalmente, para evitar qualquer relação com o dia de São Patrício, resolvi lançar esta matéria agora. Assim, no meio de outubro mesmo, bem longe da segunda quinzena de março – só porque tenho real apreço por você, querido leitor, e não quero ver você fazendo papel de bobo. Então, tomem nota do coquetel com Irish Whiskey menos irlandês da história. O delicioso Tipperary.

TIPPERARY

INGREDIENTES

  • 60ml (2 doses) de Irish Whiskey (este Cão usou Jameson Caskmates IPA, pelos motivos supra expostos)
  • 30ml (1 dose) de vermute tinto (este Cão usou o Martini Rosso)
  • 15ml (1/2 dose) Chartreuse verde (Green Chartreuse).
  • parafernália para misturar
  • Taça coupé
  • Gelo

PREPARO

  1. Adicione todos os ingredientes líquidos em um Mixing glass, com bastante gelo e mexa com uma colher bailarina por aproximadamente 4 segundos
  2. Utilizando um strainer (a.k.a. peneira) desça o conteúdo em uma taça coupé, separando o gelo do líquido.
  3. Slainté, quero dizer, a la santé, digo, saúde.

Royal Salute Snow Polo Edition – Sofisticação galopante

Corrida de pombos. Se você me perguntasse qual um dos esportes preferidos da família real inglesa, eu jamais diria corrida de pombos. Mas de acordo com a revista Vogue, a atividade é apreciada pela realeza desde 1886, quando o rei Leopoldo II da Bélgica os presenteou com algumas dessas (nem tão) galantes e velozes aves. O que me intriga é que tal trufe seja considerada um esporte. Afinal, o único que se esforça é o pombo.

Mas a família real inglesa também pratica outros esportes, diremos assim, menos sedentários. Como, por exemplo, o Rugby, jogado pelos príncipes William e Harry; e o esqui na neve, favorito de Charles. Porém, talvez, o jogo mais essencialmente real – que mais encapsule a sofisticação dos fidalgos mais queridos do mundo – é o polo equestre. De novo, conforme a Vogue, Philip, Charles, William e Harry praticaram ou praticam o esporte. O Polo Equestre é tão querido que até o pequeno George já possui uma daquelas marretinhas engraçadas.

Assim, é natural que uma marca de whiskies inspirada na realeza britânica como a Royal Salute, e que com ela compartilhe valores como sofisticação e elegância, preste homenagem a tão querido passatempo real. Daí que surgiu a Polo Collection – uma série de edições limitadas comemorativas da marca, inspiradas no polo equestre. Da qual faz parte o Royal Salute Snow Polo Edition, que acaba de chegar ao Brasil.

O Royal Salute Beach Polo e Polo Edition, expressões da coleção de Polo da Royal Salute

O Royal Salute Snow Polo Edition faz parte de uma categoria de whiskies inédita em nosso mercado – e bem rara mesmo na Escócia. Ele é um blended grain scotch whisky, produzido somente com whiskies de grãos, em destiladores contínuos. Mas whiskies de grão bastante especiais. Seguindo a tradição da Royal Salute, o Polo Edition possui 21 anos de maturação mínima. Ele foi criado por Sandy Hyslop, diretor de blending da Chivas Regal – que, aliás, já foi entrevistado por este Cão Engarrafado.

O Snow Polo edition da Royal Salute é a terceira expressão da Polo Collection, uma linha de whiskies de edição limitada – lançados em um único lote, uma única vez – que celebram o sofisticado jogo equestre. O primeiro foi o (singelamente batizado de) Polo Edition, um blended scotch frutado e adocicado – e o segundo, o Beach Polo, defumado e marítimo.

Tratando-se do Brasil, o lançamento do Royal Salute 21 Snow Polo Edition não poderia ter ocorrido em lugar melhor. Em uma partida de polo equestre organizada na Fazenda Boa Bista, no Interior de São Paulo, com a participação do embaixador mundial da marca e jogador de polo, Malcolm Borwick. Durante o evento, o whisky foi servido em doses, puro e com gelo, e em coquetéis.

Nas palavras de Borwick “Quando começamos a desenvolver a terceira edição, olhamos para o polo na neve. Há dois ou três lugares que se joga polo na neve no mundo inteiro. (…). Mas se fossemos escolher apenas um, teria que ser St. Moritz – eles jogam polo lá por mais de trinta anos. Nós (Royal Salute) participamos nos últimos cinco anos. Então, pensamos ‘por que não fazer algo que reflita nossa participação no evento e criar algo diferente?’. Foi aí que tivemos a ideia de criar um blended grain whisky com 21 anos de maturação mínima.”

Malcolm brindando com Barnabé Fillion, perfumista e embaixador da Royal Salute, durante o evento.

O polo na neve é provavelmente o epitomo de um esporte de luxo. Nós levamos os cavalos para a montanha, para jogar polo sobre um lago congelado a dois mil e quinhentos metros de altitude. É algo extremamente ambicioso de se fazer. E Royal Salute é um produto de luxo. Ele é criado para entusiastas que prezam pela diferença. Ele reflete (a sofisticação) de St. Moritz tanto em sabor quanto garrafa” – continua o embaixador. Aliás, a graduação alcoolica de 46,5% é uma referência à latitude de St. Moritz.

Sensorialmente, o Royal Salute 21 Snow Polo Edition é um whisky delicado e floral, que traz notas de coco, baunilha, caramelo e frutas cítricas. Com um pouco de água, ele se torna mais floral, e a nota de coco se intensifica. Ainda que seu coração não tenha sido revelado, o palpite educado deste Cão é que seja Strathclyde – uma destilaria de grain whisky pertencente à Pernod Ricard. Ou, talvez, a preciosa e silenciosa Dumbarton.

Há diversos motivos para comprar e provar o Royal Salute Snow Polo Edition. Você pode ter curiosidade sobre o sabor de um excelente blended grain, tão raro no mundo do whisky. Ou, talvez, procure um blend delicado, floral e adocicado, mas, ainda assim, muito complexo. Ou, quiçá, seja um apaixonado pelo polo equestre. Ou, por fim, talvez você simplesmente goste da família real e procure uma garrafa que celebre seus esportes favoritos. Neste caso, o Snow Polo Edition será sua melhor escolha, afinal, a corrida de pombos não tem o mesmo apelo.

Ah, e se beber, não cavalgue. Mas se não for cavalgar, experimente!

ROYAL SALUTE 21 SNOW POLO EDITION

Tipo: Blended grain whisky com idade definida – 21 anos

Marca: Royal Salute

Região: N/A

ABV: 46,5%

Notas de prova:

Aroma: adocicado, com mel e baunilha.

Sabor: Adocicado, mel, coco, baunilha. Delicado, com final médio que traz baunilha, frutas maduras e coco.

 Disponibilidade: Lojas brasileiras (Preço a ser definido)

Arran Machrie Moor – O Cão Defumado

Tendo nascido numa época que predatava o uso indiscriminado da internet, vi minha infância afligida por muitas dúvidas de grande relevância. Uma delas – que me atormentava toda vez que tomava café da manhã – era: quem, afinal, estava representado na caixa da farinha Quaker? E outra indagação ainda mais angustiante, mas da mesma natureza: quem era o simpático velhinho do luminoso do KFC?

Se pudesse pesquisar essas coisas online, seria fácil. Saberia que o distinto senhor do frango frito é o Coronel Sanders, importante personagem da história norte-americana. E que o – tampouco jovem – homem da farinha de aveia Quaker é, na realidade, ninguém. Ele fora desenhado de acordo com a fé dos Quaker, para representar os valores de honestidade, integridade, pureza e força. Todo esse conhecimento estaria na ponta de meus dedos, bastasse uma rápida pesquisa pela Internet. Mas não. Tive que esperar a democratização da tecnologia para aplacar minha aflição indagatória.

E se ele é Mercurio, cadê o capacete com asinhas?

Recentemente me vi mais uma vez curioso sobre a embalagem de algo. Desta vez, um whisky. O Machrie Moor, expressão defumada da destilaria Arran, localizada na ilha homônima. É que o whisky possui um simpático cão ilustrado em seu rótulo. Uma imagem bonita, mas que me parecia um pouco desconexa. Afinal, qual seria a relação entre um cachorro e um whisky defumado? Porém, desta vez, graças ao avanço tecnológico, minha curiosidade foi rapidamente saciada.

Antes de avançar e responder à pergunta, porém, deixe-me falar um pouco sobre o whisky. O Arran Machrie Moor é um single malt sem idade definida, engarrafado a 46% de ABV. Seu aroma é claramente defumado, marítimo e um pouco medicinal. O sabor é defumado e cítrico, com final longo e enfumaçado. É um whisky perigosamente agradável. Se não estivesse preso à coleira da moderação, poderia facilmente beber meia garrafa em uma noite.

Os Machrie Moor são edições especiais anuais. A garrafa provada para este post é a do lote (batch) no. 8, de 2017. Ela é uma de 18.300 garrafas produzidas naquele ano. Isso é importante. Ainda que o nível de defumação tenha permanecido igual, houve certas mudanças na composição dos lotes mais novos, que foram mais bem recebidos pelo mercado do que os primeiros.

A Arran é uma destilaria bastante jovem. Ela foi fundada em 1995 por Harold Currie, um ex-diretor da Chivas Regal. Porém, apesar da juventude, é uma destilarias com portfólio mais extenso da Escócia. Há, por exemplo, single malts com idade declarada, como o 10, 14 e 18 anos. E também alguns sem idade definida, como Lochranza e Quarter Cask. Existe também uma linha com finalizações especiais, em barricas de vinho jerez, vinho do porto e sauternes. E existem, claro, os defumados – dos quais o Machrie Moor faz parte.

Harold (fonte: scotchwhisky.com)

Aliás, vamos falar do nome. O Machrie Moor foi batizado em homenagem a um depósito de turfa – um peat bog – localizado na costa oeste da ilha de Arran. Lá estão alguns círculos de pedras celtas, datadas da era do bronze (as famosas standing stones). Um destes círculos é chamado Fingal’s Cauldron Seat, onde uma das pedras apesenta um orifício. De acordo com o folclore de Arran, foi nesta pedra perfurada que o gigante Fingal prendeu seu mitológico cão Bran, enquanto aproveitava uma nutritiva refeição no centro do círculo.

E aí está. O cachorro estampado no rótulo do Machrie Moor é Bran. Um cão de caça pertencente à mitologia do povo celta. Segundo seu próprio mito, Bran fora um cachorro gerado do ventre de uma humana, e, por isso, herdara a inteligência (que hoje em dia anda em falta) de nossa espécie. Sua rapidez de raciocínio e habilidade para caça somente se equiparavam a sua lealdade a Fingal.

Assim, se você quer um whisky defumado e cítrico, mas com excelente drinkability, não é necessário se angustiar por anos a fio sem uma resposta definitiva. Tampouco aguardar que uma nova tecnologia – ou uma antiga – lhe dê a resposta. A partir de agora, você já pode ficar offline. O Arran Machrie Moor é seu whisky.

ARRAN MACHRIE MOOR

Tipo: Single Malt sem idade declarada (NAS)

Destilaria: Arran

Região: Higlands (Islands)

ABV: 46%

Notas de prova:

Aroma: fumaça, frutas cítricas.

Sabor: discretamente frutado, com abacaxi. Predominantemente defumado e levemente salgado.

Preço: R$ 351,00 na importadora oficial, a www.lojadewhisky.com.br

Drops – Ardbeg Twenty One

Uma Lamborghini. A imagem que me veio à mente imediatamente ao provar o belíssimo Ardbeg 21 (Twenty One) foi uma Lamborghini. Um automóvel com acabamento luxuoso, com materiais faustosos, todos milimetricamente encaixados, costurados, colados. Algo cuja delicadeza no feitio contrasta diametralmente com sua performance – que poderia ser definida como selvagem.

Há, no Ardbeg Twenty One, uma certa sofisticação selvagem. Uma elegante exorbitância. Algo bem diferente de outros rótulos da destilaria. Ao contrário do queridíssimo Corryvreckan e Uigedail, a selvageria no Ardbeg Twenty One parece incrivelmente contida. Ela está lá, latente, você sabe que ela está lá, mas não transparece tanto. É algo subliminar.

O Ardbeg Twenty One não sofre filtragem a frio. A garrafa não deixa claro se corante caramelo é utilizado. Mas, considerando os demais whiskies do portfólio da destilaria, é bem mais provável que sua belíssima cor seja absolutamente natural. O whisky é engarrafado na graduação alcoólica de 46% – perfeita para um líquido de contida selvageria.

A maturação do Ardbeg Twenty One ocorre exclusivamente em barris de carvalho americano de 200 litros que antes contiveram bourbon whiskey. Apesar disso, sensorialmente, é um single malt extremamente complexo. A turfa (o defumado e medicinal) não é tão forte como nos Ardbeg mais jovens – como é de se esperar. O cítrico característico da destilaria, porém, está bem mais evidente, e é reforçado por um sabor residual de amêndoas e caramelo absolutamente incríveis. Há também um apimentado – a parte selvagem – que harmoniza os demais elementos.

Há uma curiosidade sobre o Ardbeg Twenty One. Seu lançamento aconteceu em 2016. O que significa que sua destilação se deu no ano de 1995 – uma época bastante atribulada para a destilaria. O Website Malt, em um belíssimo artigo, explica a história. Durante a década de 80 a Ardbeg esteve fechada, até ser comprada em 1989 pela Allied Distillers Ltd – que passou a utilizar seu malte especialmente para blended whiskies.

Porém, pouco tempo depois a Allied Distillers comprou também a Laphroaig. Com isso, reduziu a produção de malte na Arbeg, até finalmente fechá-la em 1996. O que significa que o Ardbeg Twenty One foi destilado em seu último ano de funcionamento antes de cair em silêncio e retornar, apenas em 1997, nas mãos da Glenmorangie Company. E uma curiosidade da curiosidade – o alambique que hoje está fincado na entrada da destilaria, saudando os visitantes, foi aquele que destilou o Twenty One, naquele terrível ano de 1995.

Ex-Alambique

Aqui, adoraria recomendar a todos que provassem o Ardbeg Twenty One. É um malte maravilhoso. Porém, é um whisky bastante raro – este Cão somente conseguiu experimentá-lo por sorte, ao encontrar uma solitária garrafa que resplandecia na prateleira de um sofisticado bar, durante uma viagem internacional.

Além disso – e acima de qualquer coisa – recomendá-lo seria de uma presunção inimaginável. Seria como se concluísse este texto aconselhando que, se alguém encontrasse por aí uma Lamborghini, não perdesse a oportunidade de comprá-la e dirigi-la. Mas que fique registrado – O Twenty One é um testemunho da enorme qualidade dos Ardbeg, mesmo contida pelas maiores adversidades. Selvageria seria não reconhecer isso.

ARDBEG TWENTY ONE

Tipo: Single Malt (21 anos)

Destilaria: Ardbeg

Região: Islay

ABV: 46%

Notas de prova:

Aroma: Fumaça, frutas cítricas, baunilha, caramelo.

Sabor: Frutas cítricas e amarelas, amêndoas. O final é salino e defumado, com um incomum dulçor de caramelo e baunilha.

 Disponibilidade: apenas lojas internacionais.

As garrafas de whisky mais bonitas à venda no Brasil

Minha chaleira elétrica de casa quebrou. Tudo bem. Ela já tinha mais de cinco anos e era utilizada implacavelmente por minha esposa quase todo dia. Após uma rápida ligação à assistência técnica, soube que estava além de reparação. Decidi, então, passar na loja de eletrodomésticos mais próxima para conseguir uma substituta. Ao chegar lá, fiquei completamente perdido.

Chamei a vendedora. Quanto é essa daqui, muito bonita? Ah, essa é novecentos. Ela tem cinco temperaturas, pode ser controlada do smartphone, fala e faz chá quase sozinha. Puxa, legal, mas tá meio fora do orçamento. E aquela ali, bem feia? Ah, essa é cento e cinquenta. Ela esquenta água e pronto. Puxa, mas é feia. E aquela vermelhinha alí? Aquela é igual a esta, só que é bonita. Custa quatrocentos. Parei. Não tenho maturidade para comprar uma chaleira sozinho. Quase o triplo só porque é bonita?

Saí da loja, mas fiquei pensando. Não comprei a feia porque era feia, mas e com whisky? Se certo Dalmore, por exemplo, viesse numa garrafinha de cerveja sem graça, acharia ele tão bom assim? Provavelmente sim. Compraria para provar? Capaz que não. A embalagem é o primeiro contato que temos com o produto. Ela cria expectativa, e antecipa seu conteúdo. Uma garrafa bonita é uma promessa de uma bebida fantástica – promessa, essa, que pode ou não se cumprir.

Por conta disso, resolvi produzir uma matéria lúdica. Um post, com as quatro garrafas dos whiskies à venda em nosso país que mais admiro – aquelas que gritam para serem compradas, independente de seu conteúdo, simplesmente por serem visualmente maravilhosas.

Devo, porém, fazer uma ressalva. Beleza é algo bem relativo. Prova disso é que a Cã me acha bonito, minha mãe também – já o resto do mundo discorda. Assim, talvez, você tenha uma opinião diferente da minha neste assunto. O que é ótimo, afinal, a variedade é o tempero da vida. A variedade, o imprevisto e a agonia de uma existência sem propósito em um mundo descartável. Mas isso é outro papo.

Sem mais delongas existencialistas, vamos à lista:

1 – Macallan Reflexion

Pelo preço de aproximadamente R$ 10.000,00 (dez mil reais), o Macallan Reflexion tem a obrigação de ser bonito. É tipo uma BMW X6, só que no Macallan Reflexion não parece que arrancaram metade da parte de trás da garrafa.

Para falar a verdade, a garrafa do Macallan Reflexion é quase over. Ela se equilibra na tênue linha entre o elegante e o exagerado, mas sem jamais pender para o segundo. Um equilíbrio com sofisticação que apenas uma das mais respeitadas – e caras – destilarias do mundo poderia ter.

2 – Royal Salute 21 Anos

Poucas garrafas de whisky são tão icônicas quanto as de Royal Salute. Mesmo um completo leigo na melhor bebida do mundo, ao ouvir o nome da marca, é remetido à imagem mental dos decanters de porcelana de variadas cores. As garrafas são tão queridas que muitas pessoas compravam uma de cada cor, ainda que o líquido dentro fosse igual – talvez porque não soubessem decidir qual é a mais bonita.

Em 2019, a linha perene da Royal Salute mudou, e novos whiskies foram introduzidos. O Royal Salute clássico – antes apresentado em decanters que poderiam ser vermelhos, verdes ou azuis – passou a vir apenas na cor anil. Juntou-se a ele um blend defumado, o The Lost Blend, com uma garrafa de porcelana preta, e um blended malt, de embalagem esverdeada.

E o visual do estojo mudou também. Os conhecidos saquinhos de veludo saíram de cena, e um belo estojo, maior e mais elegante, sisudo por fora e irreverente por dentro, foi criado.

3 – Dalmore (qualquer um)

Preciso confessar que o visual das garrafas da Dalmore são um gosto adquirido. Antes, achava óbvio. É como se eu comprasse uma tequila com um mariachi ou um sombrero estampado no rótulo, ou uma vodka que ilustrasse um mafioso miliciano careca de terno com ogivas nucleares decadentes.

Quero dizer, todo mundo sabe que Dalmore é um whisky escocês. Colocar um cervo – um dos bichos mais conhecidos da fauna da Escócia – no rótulo não é exatamente um exercício criativo.

Por outro lado, devo assumir que a garrafa, em si, é belíssima – remete a conhaques e brandies, que, suspeito, seja justamente a ideia, considerando o perfil sensorial dos Dalmore. E a imagem do cervídeo no rótulo, prateada, em relevo, chega ao máximo da elegância que uma imagem de um bicho chifrudo num rótulo de bebida poderia chegar.

4 – Bruichladdich

Dalmore é um belíssimo lugar comum. A Bruichladdich é sua maravilhosa antítese. Visualmente, não há nada tradicional nas garrafas da destilaria de Islay.

Garrafas de whisky tendem a ser transparentes ou translúcidas, e apelar para tons terrosos. A Bruichladdich usa garrafas opacas, de cores como preto, amarelo vivo ou um verde bem parecido com o da Tiffany’s. A fonte usada nas garrafas também não tem nada de tradicional. Ela se chama DIN 1451 Mittelschrift, e foi criada pelo Instituto Alemão de Padronização (Deutsches Institut für Normung) em 1931 especialmente para placas de rua.

Não há nada de tradicional na identidade visual da Bruichladdich. Exceto, talvez, o formato da garrafa em si – que, convenhamos, é de uma elegância que nem mesmo a própria Tiffany’s atingiria, se tivesse desenhado a tal ampola.

Faixa Bônus – Compass Box

Olha, eu prometi que ia falar só de whiskies à venda no Brasil. Mas tive que abrir uma exceção. As garrafas e rótulos da Compass Box Whisky Co. – uma boutique de blended scotch whiskies ultra-premium – são de uma beleza quase insuperável.

A Compass Box Whisky Co. foi criada por John Glaser, executivo que antes trabalhou como diretor de marketing na Johnnie Walker. Glaser resolveu abandonar a empresa e fundar sua própria marca, dedicando-se a produzir apenas whiskies de altíssima qualidade – e beleza.

Pesquisar o portfólio da Compass Box é um exercício de mesmerização e desespero. Surpresa pela beleza, desespero pela impossibilidade de comprar as belíssimas garrafas de um jeito simples por aqui.

Angel’s Envy Bourbon – Drops

Uma vez contei por aqui minha obsessão por single malts finalizados em vinho do porto. Talvez seja a ascendência portuguesa, talvez seja apenas bom gosto nato, não sei. Mas acontece que basta ver um whisky que passou por essa barrica, que me sinto irremediavelmente compelido a prová-lo. Imagine então, quando descobri um bourbon que passa pelo mesmo processo – O Angel’s Envy Bourbon.

O maior diferencial do Angel’s Envy Bourbon – assim como seu irmão, o Angel’s Envy Finished Rye, já revisto por aqui – é justamente sua maturação um tanto incomum. O whiskey, depois de passar em torno de cinco anos em barris de carvalho americano virgens e tostados, é finalizado por um período de três a seis meses em barricas de vinho do porto. Isso traz ao whiskey um certo aroma vínico doce e frutado, reminiscente de passas – s´p que bom.

A ideia de finalizar um whisky em um barril previamente utilizado por outra bebida não é novo. Há muito é usado na Escócia – as pioneiras foram Glenmorangie e Glen Moray. Mas, nos Estados Unidos, a técnica é ainda pouco utilizada e somente ganhou corpo quando a Woodford Reserve e seu outrora master distiller, Lincoln Henderson, decidiram experimentá-la em versões especiais limitadas da destilaria. Lincoln Henderson, este, que mais tarde, alguns anos antes de falecer, fundou a Angel’s Envy.

Lincoln Henderson (fonte: Angel’s Envy)

A Mashbill (a receita de seu mosto fermentado) do Angel’s Envy Bourbon é composto de 72% milho, 18% centeio e 10% cevada maltada. É uma receita muito próxima a de outro bourbon whiskey famoso por finalizações inusitadas, o Woodford Reserve. É também uma mashbill com uma quantidade considerável de centeio, que traz equilíbrio ao dulçor proporcionado pelo milho.

O lançamento do Angel’ Envy Bourbon aconteceu em 2011. Porém, até 2015, a Angel’s Envy não possuía uma destilaria própria. Seus whiskies eram produzidos pela Midwest Grain Products of Indiana (MGP) sob encomenda da Angel’s Envy, que fazia a curadoria sobre os barris e desenhava o perfil do produto. A MGP – outrora uma enorme destilaria da Seagram’s – também produz ou produziu whiskey sob encomenda para diversas outras marcas, como George Dickel, High West, Redemtion e Smooth Ambler. Atualmente, porém, os whiskies da Angel’s Envy são produzidos em uma destilaria própria, no Kentucky.

Infelizmente, o Angel’s Envy Bourbon não está disponível no Brasil. Porém, se você gosta de bourbons com maturações inusitadas, ou se – assim como eu – tem uma certa obsessão por whiskies com finalização vínica, tente provar o Angel’s Envy Bourbon.

ANGEL’S ENVY BOURBON

Tipo: Bourbon

Marca: Woodford Reserve

Região: N/A

ABV: 43,3%

Notas de prova:

Aroma: Caramelo. Açúcar mascavo, mel, frutas secas.

Sabor: Caramelo, mel, baunilha, creme brulee. Final longo e progressivamente mais frutado, com passas.

Disponibilidade: lojas internacionais