Presbyterian – Nome de batismo

Coca-cola, Apple, Virgin. Há um monte de marcas com nomes curiosos. O refrigerante, por exemplo, tem uma explicação bem concreta. A receita original da Coca-Cola, inventada em 1885 pelo farmacêutico John Pemberton, de Atlanta, levava, literalmente, cocaína. Obviamente não o pó, mas um extrato da folha de coca, semelhante ao chá usado para o mal de altitude no Peru. A “cola” vinha da noz de kola, que contém cafeína. A Apple, por outro lado, é um caso mais misterioso. Há infinitas teorias que tentam explicar a obsessão de Steve Jobs por maçãs. Uma delas é quase a síntese da navalha de Ockham – ele simplesmente curtia o gosto. Outras são mais sofisticadas. O nome Apple vem antes de Atari na […]

Whiskies para comprar no Duty-Free – 2021 / 2022

Tenho que confessar uma coisa óbvia. Estou com saudades de viajar. É tanta que eu tô com saudades até da parte ruim. De ficar com o nariz ressecado no avião, sentir aquela encostadinha constrangedora do passageiro do lado enquanto ele tenta se acomodar na cadeira justamente para não dar aquela encostadinha constrangedora. E do barulho, de dormir meio na vertical e de ficar horas sem fazer nada. Aliás, esses dias sentei na cadeira mais apertada aqui de casa, liguei o ar-condicionado no máximo e o secador de cabelo do lado, só pra tentar simular aquele desconforto aéreo-sonoro-ortopédico. Talvez, em 2022, essa minha ressaca passe, e eu finalmente possa alçar voo novamente. Entretanto, apesar de meu hiato aeronáutico, minha obrigação de […]

Sobre milho – Especial Bourbon Month

Quando eu era criança, uma vez, coloquei uma espiga de milho dentro do forno do fogão ligado, sem ninguém ver. Eu queria comer pipoca e fora ignorado por meus pais, apesar de meus protestos. Não sei quanto tempo esperei – deve ter sido bem mais do que uma hora – porque o resultado da experiência foi a carbonização da espiga e consequente imolação do forno. Depois que as chamas foram controladas, fiquei proibido de comer pipoca por tempo indeterminado, e descobri que milho de pipoca é diferente do milho da espiga, que a gente come. Quando cresci e comecei a me interessar por whisky, aprendi também que o milho da espiga que comemos também é diferente do milho do bourbon. […]

Jack Daniel’s Bottled in Bond – Drops

Se você é um apaixonado por whiskey americano, talvez você saiba que sua época embrionária não foi nada gloriosa. De fato, apenas uma pequena fração do que era destilado no século dezenove na América poderia hoje ser considerado um american whiskey, de acordo com nossos padrões atuais. O publico também não ajudava muito – os cowboys estavam longe de serem grandes degustadores sofisticados. O que importava era, bem, ficar bêbado.  Então qualquer coisa que envolvesse muito álcool era bem recebida nos saloons. Muitas vezes, o que se bebia nem era whisky. Mas sim álcool neutro misturado com algo que lhe desse cor ou algum sabor, para emular a bebida real. Essas fusões podiam incluir uma pletora de coisas, desde melaço até […]

Jack Daniel’s Tennessee Rye – Drops

Poucas marcas de whiskey possuem tantos apaixonados como a Jack Daniel’s. A Jack Daniel’s é praticamente a Harley-Davidson etílica. Ou a Johnnie Walker dos Estados Unidos. Ele  está para o whiskey assim como o Bacon está para os alimentos ricos em colesterol. Ele é, bem, você entendeu o conceito. Assim, quando uma nova expressão da marca é lançada, é natural que haja uma certa comoção no meio dos entusiastas por whiskey. Principalmente se este lançamento contar com uma receita de mosto diferente daquela tradicionalmente usada. E é justamente isso que acontece com o Jack Daniel’s Tennessee Rye. O Jack Daniel’s Tennessee Rye é o primeiro lançamento da Jack Daniel’s com uma mashbill – a composição do mosto – diferente desde […]

Paris-Manhattan – Desconexão

Todos nós temos problemas. E falar sobre eles quase sempre traz alívio. A maioria de nós escolhe o companheiro, um amigo próximo ou um parente. Estes são nossos confidentes. Na literatura também. E lá, o papel do confidente é duplo. Além de muitas vezes auxiliar o herói, o confidente é uma forma de revelar os pensamentos e aflições do protagonista, sem criar artificialidade. Existem infinitos exemplos, da mais clássica à mais prosaica literatura. Horácio é o confidente de Hamlet, na conhecida obra de Shakespeare. Razumikhin é o de  Raskolnikov, em Crime e Castigo. Dumbledore é mentor e confidente de Harry Potter, assim como Galdalf para Frodo. E não, o mestre dos magos não é confidente de ninguém, porque ele é o Vingador […]

Drops – Woodford Reserve Sonoma Cutrer Finish (Pinot Noir)

A prática leva à perfeição. Na verdade, nem sempre. Mas, talvez, na indústria do whiskey, isso seja verdade.  Ancorada em métodos tradicionais de produção, leveduras cuidadosamente armazenadas e cultivadas e barricas virgens de carvalho americano, o bourbon whiskey possui um sabor característico, quase temático. Caramelo, baunilha, mel. Um tema que, sinceramente, não precisa de nada a mais para ser um sucesso. Mas isso não significa que, de vez em quando, alguma inovação ou atipicidade surja. É o caso, por exemplo do Woodford Reserve Sonoma Cutrer Finish, ou – pelo seu nome completo – Woodford Reserve Master’s Collection Sonoma Cutrer Finish Pinot Noir. Como a pomposa e extensa denominação sugere, um bourbon whiskey finalizado em barricas de vinho tinto da uva […]

Wild Turkey Rye Whiskey – Cognição

Hoje vou tratar de um assunto que anda em baixa. Ou, para falar a verdade, que talvez nunca esteve em alta. A Capacidade Cognitiva. A capacidade cognitiva é, de uma forma simplificada, nossa capacidade de receber estímulos do meio ambiente e responder a elas. Ela engloba habilidades cada vez mais subutilizadas por nós, como pensamento, raciocínio, linguagem e memória. Vou recorrer a exemplos, para não extenuar a capacidade cognitiva de ninguém aqui. Quando, por exemplo, temos fome e resolvemos fazer um misto quente, usamos a cognição. E ao substituirmos o presunto por peito de peru porque ficamos com preguiça de usar a cognição pra comprar mais, também. Quando bebemos, alteramos nossa capacidade cognitiva. Por isso que às vezes, quando saio, […]

Jefferson’s Ocean – Drops

Se você for um apreciador de café, talvez já tenha ouvido falar do famoso Kopi Luwak. Ele é conhecido como o café mais caro do mundo. Uma xícara pode custar até cem dólares, e um quilo passa tranquilamente dos mil dólares. A razão deste preço surreal passa por um pequeno mamífero africano. A civeta. Aliás, literalmente passa. É que o fruto do café é comido, digerido e o grão excretado por esses animais. Os fazendeiros então coletam esses grão – sim, de dentro das belas obras das civetas – e vendem para torradores, que o preparam para o consumo humano. É um método pouco ortodoxo. Porém, de acordo com muitos especialistas, este indigesto processo traz um sabor muito característico para o […]

Seelbach Cocktail – Fake News

Às vezes me perguntam como faço para pensar na introdução de cada post do Cão. Respondo, meio jocosamente, que é fácil, porque já acordo pensando na próxima besteira que vou escrever ou falar, e tudo que preciso é um pouco de whisky para catalisar o processo. Mas isso não passa de uma brincadeira. Na realidade, muitas vezes, passo dias pensando na introdução de algum post. Em alguns casos, no entanto, o tema ajuda, e a introdução já vem quase pronta. É o caso do coquetel Seelbach. Um coquetel delicioso e vanguardista. Mas não vanguardista em seu preparo. Mas sim na história de sua concepção. Ou melhor, no falso relato de sua origem. Com detalhes de dar inveja ao Sr. Francisco daquele […]