Irmão do Meio – Glenlivet 15 anos

Sou filho único. O que, para falar a verdade, não quer dizer muita coisa. Crescer sem irmãos não significa que tenha conseguido tudo que quero. Nem que seja mimado ou estragado, e tampouco egoísta. Quer dizer, exceto com comida. Comida é algo realmente difícil de dividir. Ser filho único, porém, significa que tive que responder mais de um sem fim de vezes a clássica indagação. Se eu não sinto falta de ter irmãos. E minha resposta, desde a mais tenra idade, sempre foi a mesma. É claro que não, afinal, não poderia sentir falta de algo que nunca tive. Minha mãe, no entanto, possui irmãos. E ela está na pior posição possível. Ela é a irmã do meio. O que, para […]

Drops – Nikka Taketsuru 21 anos

O drops desta semana fala de um whisky japonês. O Nikka Taketsuru 21 anos. Para introduzi-lo, eu poderia cair na tentação de falar sobre a disciplina japonesa. Sobre o conceito de Yin-Yang, emprestado do taoísmo chinês, que influenciou grande parte do Japão, e como este conceito está presente mesmo em coisas tão mundanas quanto um whisky. Poderia apontar que Yin é o símbolo da terra, escuridão e passividade, enquanto o Yang é seu direto oposto. E desembocaria, finalmente, no Dô – o caminho, entre as duas forças opostas. Sempre, claro, fazendo um paralelo com uma belíssima dose deste blended malt. Eu poderia, mas não vou, porque isso seria bem brega. Mesmo. Então, introduzirei este texto simplesmente dizendo que o Nikka […]

Drink do Cão – Rusty Nail

“A simplicidade é o tom de toda verdadeira elegância” A frase acima, atribuída a Coco Chanel – sim, a da grife de moda – provavelmente tinha como objeto algum artigo de alta costura. Um belo vestido, um chapéu ou uma bela bolsa. Se este Cão não soubesse melhor, porém, poderia afirmar que a frase fora dita pela estilista ao preparar e provar um Rusty Nail. Composto por apenas dois ingredientes – Drambuie e whisky – o coquetel é a liquefação da citação de Chanel. Um drink simples, facílimo de ser preparado, mas um clássico atemporal. Tanto é que atualmente, o Rusty Nail figura entre os “inesquecíveis” da International Bartender’s Association (a Associação Internacional de Bartenders) e está entre os cem […]

Drops – Aultmore 18 anos

A Escócia possui muitas destilarias. Algumas delas são amplamente conhecidas, como Ardbeg, Laphroaig, Macallan, Glenfiddich e Glenlivet. Estas brilham com single malts já bastante renomados e conhecidos até mesmo do público que não é assim, tão fascinado por whiskies. Outras, porém, não são tão conhecidas. E sair da obscuridade para cair nas graças do público não é exatamente uma tarefa simples, ainda que, certas vezes, aconteça. É o caso da Mortlach, que adquiriu fama com seu Flora & Fauna 16 anos, a ponto de ser reposicionada pela Diageo – sua detentora – como um malte super premium, precificado ombro a ombro com The Macallan. Às vezes é preciso um pouco mais do que um bom malte. Um empurrãozinho do pessoal […]

Homenagens – Cutty Sark

O que une poema, um navio e um whisky? Uma improvável série de homenagens. A história começa com Robert Burns, provavelmente o mais importante poeta escocês da história. Bobby era um cara simples, que amava beber, comer salsichão de bode e se comovia com pequenos desastres mundanos. Como certo episódio em que, distraído durante uma caminhada, esmagou uma margarida da montanha. A obra de Robert é extensa, mas um de seus mais famosos poemas é Tam O’ Shanter. Que, aliás, é também um dos maiores. Tam O’ Shanter foi escrito em 1791, e conta a história de Tam, um fazendeiro que gosta de embriagar-se com seus amigos e fugir de sua esposa controladora. Em umas dessas noites de esbórnia, Tam […]

Quatro dos whiskies mais caros a venda no Brasil

Essa semana assisti um filme que há tempos queria ver. Brewster’s Millions. Brewster’s Millions é uma comédia dirigida por Walter Hill, com Richard Pryor e John Candy. De forma bem resumida, ela conta a história de um rapaz – Monty Brewster – que precisa torrar trinta milhões de dólares para herdar trezentos milhões. A tarefa, que parece fácil no começo, torna-se hercúlea. Brewster percebe que gastar tanto dinheiro é bem difícil. No final do filme, ele só consegue atingir seu objetivo ao entrar para a vida política e concorrer a prefeito de Nova Iorque. Faz sentido, realmente,  porque se tem uma coisa que não dá dinheiro, é política. O filme é bem divertido, mas uma coisa que não consigo entender direito […]

Drops – Ardbeg Dark Cove

Ontem li uma reportagem sobre fobias. Há umas que eu nem sabia que existiam. Por exemplo, a mirmecofobia, que é o medo de formigas. Ou uma que muita gente tem e nem sabe, a fronemofobia, ou medo de pensar. Há algumas bem específicas, como a Anatidaefobia, definida como o pavor de ser observado por patos, e a Estruminofobia, que é o medo de morrer defecando. Há, porém, outras bem comuns. Eu por exemplo tenho uma certa fobia social, que é auto explicativa. Duas que eu definitivamente não sofro, no entanto, são a Dipsofobia e a Metifobia – respectivamente, o medo de beber e o de álcool. Uma das mais comuns é a Nictofobia, ou medo do escuro. Ele é muito […]

O Cão Didático – Copos e taças para whisky

O uso de ferramentas. Por muito tempo, acreditava-se que essa era nossa principal diferença com os animais. Nós, seres racionais, teríamos o poder de moldar elementos ao nosso redor para servir de utensílio para certo fim. Atualmente, sabemos que alguns outros bichos fazem isso. Primatas utilizam gravetos de bengala e vara. Essa história é bem ilustrada no filme 2001 – Uma Odisséia no Espaço, de Kubrick. Na primeira cena do filme, um macacão – na verdade, um hominídeo pré-histórico – tem a brilhante ideia de utilizar um osso como porrete. Uma ferramenta rudimentar, que, ao longo do tempo, foi se tornando cada vez mais especializada e específica. Atualmente, há milhares de instrumentos que podemos usar para arrebentar coisas. Tacos de […]

Dádiva Odonata #5 – Nossa própria cerveja maturada em barris de single malt!

Quando comecei a escrever o Cão Engarrafado, não sabia muito o que havia pela frente. Mas imaginava algumas coisas. Previa que – se tudo desse certo – em algum ponto do percurso guiaria alguma degustação de whiskies. Imaginava também que, invariavelmente, conheceria muita gente. O que não é necessariamente bom, porque como uma vez disse Sartre, o inferno são os outros. Sabia, no entanto, que – em certos casos excepcionais – teria contato com gente bacana. Tinha certeza de que descobriria uma centena de maltes apaixonantes, e provaria outros que não seriam muito além de medíocres. Sabia que beberia um pouco demais e gastaria além da conta. Em meus delírios mais sofisticados, antevia que poderia elaborar a carta de whiskies […]

Chivas Extra – Juntos e Extraordinários – Final

Qual seu programa de domingo? Bem, em um domingo qualquer, um domingo ordinário, eu provavelmente acordaria tarde, almoçaria e veria um filme em casa. Talvez prepararia algum texto para este blog. Ou acordaria cedo e sairia com a Cãzinha para algum parque ou museu. E a tarde, quando ela dormisse, me afundaria no sofá ao confortável e constante som da rota de aviões que passa próxima à minha casa. O que, convenhamos, é ótimo. Mas este domingo – dia 09 de julho – foi um dia extraordinário. Não, não é por conta do feriado da revolução constitucionalista. Mas porque este Cão foi convidado para participar, como jurado, do primeiro campeonato de coquetelaria do whisky Chivas Extra. Um convite decerto extraordinário. […]