6 Whiskies para dar (e receber) de natal em 2025

Observo a fila de carros parados, que faz curva até a outra esquina, onde fica a entrada do estacionamento do shopping. Você já sabe o que vai dar para a sua mãe? – indaga a cã, ao meu lado. Não sei, mas do jeito que tá indo rápido essa fila, o presente vai ser pro natal do ano que vem, retruco. Ela vira a cara, e ouço uma bufada. Nenhuma resposta. Olho pela janela do carro e vejo um cara fantasiado de papai noel, dentro do shopping, sentado numa poltrona cercada de neve artificial. Tá ruim pra mim, mas pra ele, tá certamente pior, penso. Natal é época de agradecer mesmo.

Acho uma tremenda sacanagem. Tudo remete ao frio. Mas no Brasil, o natal quase sublima tudo. Ele escorre pela nuca suada como se o Papai Noel tivesse desistido do trenó e viesse a pé, soturno, tropeçando nas poças de derretimento humano. Se em algum canto do hemisfério norte crianças montam bonecos de neve, aqui a gente só é cozido lentamente enquanto finge alegria familiar.

E eu sei que beber whisky na temperatura do penúltimo círculo do inferno dantesco não é exatamente uma atividade gostosa. Especialmente cercado da turma que você ignorou o ano inteiro. Mas receber – e presentear – whisky é ótimo.

É quase um voto de esperança de que, em breve, o inverno chega novamente, e a gente para de sentir aquelas gotinhas se precipitando embaixo do braço, mesmo imóveis. E pode trocar os parentes por ficar sozinho no escuro. Pensando nisso, preparei uma lista de seis novidades no Brasil. Divididas por preço, do mais barato pro mais caro, para agradar a todas as carteiras – e presenteados.

Vamos a eles.

Wild Turkey 101

Esse não é bem uma novidade, mas é um retorno. Seu maior diferencial é a pequena diluição entre a saída dos barris e o engarrafamento.  A maioria das destilarias americanas embarrilha a 62,5% (125 proof), – que é o limite legal superior. Na Wild Turkey, porém, isso acontece aos 57,5% (115 proof). O whisky é então cortado até chegar a 51% – é uma diferença pequena. O que significa um sabor mais pungente de madeira.

O Wild Turkey 101 possui sabor adocicado e ao mesmo tempo picante, com caramelo e mel. O final é médio, seco e também picante. Custa uns R$ 180.

Sazerac Rye

Este whiskey é quase sinônimo de Rye Whiskey, nos Estados Unidos. O Sazerac Rye é produzido pela Buffalo Trace Distillery, e traz um adocicado de açúcar mascavo, com cravo, pimenta, canela e hortelã. Não é um rye “old-school”. Ele troca pungência por equilíbrio e versatilidade. Isso o faz perfeito para os coquetéis clássicos, mas, também, excelente para se beber puro.

A mashbill do Sazerac Rye não é divulgada oficialmente – a Buffalo Trace, proprietária da marca, é bem reservada quanto à receita de seus produtos. Mas, estima-se que tenha algo como 51% de centeio, 39% de milho e 10% de cevada maltada. É o estilo mais tradicional “low-rye” dos whiskies de centeio do Kentucky. Custa em torno de R$ 250.

Maker’s Mark 46

O Maker’s Mark tradicional já é um bourbon bem decente. Mas o salto de qualidade sensorial para o Maker’s Mark 46 é grande. Ele segue a mesma receita de mashbill do Maker’s tradicional – um wheated bourbon. Mas a graduação alcoolica é um pouquinho mais alta – 47%. A maturação é mais longa, e há uma finalização em barricas de carvalho americano com ripas tostadas de carvalho francês em seu interior.

Este é um ponto curioso. As ripas, ou estacas, são inseridas dentro dos barris contendo Maker’s Mark totalmente maturado. É praticamente um processo de finalização – mas cuja segunda maturação ainda acontece nos barris originais de Maker’s Mark. Isso aumenta a área de contato da madeira com o líquido, e traz um tempero novo ao whiskey.

Para este Cão, este é um dos melhores bourbons à venda no Brasil atualmente. Custa em torno de R$ 350.

Glenmorangie Tale of Spices

Essa é uma edição limitada bastante criativa. O whisky começa a vida em barris de carvalho americano de ex-bourbon – algo bem comum. Porém, fica mais interessante na finalização. Parte do whisky finaliza em barris de carvalho europeu que antes contiveram vinho tinto do Marrocos – algo inédito para a Glenmorangie. Outras partes são finalizadas em barricas virgens de carvalho, vinho jerez PX e famosos e polêmicos barris de vinho STR. Uma sigla para “shaved, toasted and recharred”

O resultado é um whisky levemente apimentado, com cítrtico e baunilha. Há um pouco de gengibre, noz moscada e alcaçuz no paladar, também. Custa em torno de R$ 750, e, sinceramente, vale cada centavo disso.

The Macallan Vibrant Oak

O The Macallan Vibrant Oak é uma edição limitada, criada em parceria com o Cirque du Soleil A maturação acontece em barris de carvalho americano de primeiro uso de jerez, e refil de ex-jerez. Lembra um pouco o The Macallan Amber, mas um pouco mais apimentado. A The Macallan não diz claramente se carvalho europeu é utilizado no whisky. Porém, pelo perfil de cor – que é natural – e sensorial, a predominância é da madeira americana.

Sensorialmente, o The Macallan Harmony Vibrant Oak traz notas de baunilha, caramelo e frutas secas, com apimentado e gengibre. É mais adocicado e mais intenso do que um Sherry Oak, por exemplo. O final é médio e apimentado, com especiarias e mel. Não é um perfil sensorial muito frequente nos The Macallan, especialmente, não nos últimos anos. Custa em torno de R$ 2.200

Yamazaki 18 anos

Este foi escolhido como melhor whisky do mundo (Supreme Champion Spirit) pela ISC (International Spirits Challenger), em 2026. Tê-lo no Brasil, aliás, é um milagre. Nem países com mercado muito mais consolidado que o nosso conseguem recebê-lo. E no exterior, muitas vezes, ele é comprado com o único propósito de ser revendido – ainda mais caro. Por conta disso, o preço médio d R$ 6.500 até começa a parecer razoável.

O Yamazaki 18 anos é maturado, essencialmente em barricas de carvalho que antes contiveram vinho jerez. Aproximadamente 80% da maturação acontece em tais barris. O restante é desigualmente dividido entre barricas de carvalho americano de ex-bourbon, principalmente de segundo uso, e barricas de carvalho japonês, o famoso Mizunara. Sensorialmente, nota-se um overaging razoável. Mas nada que seja oficialmente informado pela marca.

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