O Cãoboy Sofisticado – Jack Daniel’s Sinatra Select

Vou contar uma coisa para vocês. Uma coisa que talvez muitos leitores já tenham concluído. Ter filho é uma delícia. O nascimento da Cãzinha foi, sem nenhuma sombra de dúvida, a melhor coisa que já aconteceu comigo. Uma distante segunda coisa foi o dia que tomei Lagavulin pela primeira vez. Ah, e quando me casei com a Cã. Quando me casei com a Cã, claro. Do tempo que estou com a Cãzinha, noventa por cento é como voar de robe de chambres entre as nuvens, olhando as poéticas luzes da cidade abaixo de mim. Tipo aquela viagem do Grande Lebowski. A sensação é de completude absoluta. Mas existem os outros dez por cento. Dez por cento em que eu preferia estar sendo esfolado por uma esmeriladeira. Nesses dez por cento, estão os momentos em que ela se alivia na banheira, come a pipoca bicada pelo pombo que estava na sarjeta, lambe a mesa imunda da lanchonete ou enfia a chupeta na boca da amiguinha doente, para depois sorvê-la como se degustasse uma iguaria. E quando ela assiste a Galinha Pintadinha. Olha, eu não tenho nada contra a Galinha Pintadinha. Pra falar a verdade, o desenho é mais ou menos bem […]

Drink do Cão – Boulevardier

Você já tomou Negroni? Negroni é um drink feito, essencialmente, de gim, vermute tinto e Campari. Hoje, acho uma das coisas líquidas mais deliciosas que existe fora do universo do whisky. Mas minha relação com aquele coquetel nem sempre foi assim. A primeira vez que tomei um Negroni tinha pouco mais de dezoito anos. E queria morrer. Achei uma das piores coisas que já tive o desprazer de beber. Incluindo uma vez que acidentalmente tomei um pouco de gasolina tentando fazer um sifão para abastecer meu carro. Sério. Teria preferido fazer qualquer coisa a terminar aquele coquetel. Se, naquele momento, alguém me desse a escolha entre ser atravessado por um cutelo gigante em brasa ou bochechar aquele Negroni, teria preferido o cutelo escaldante. Fácil. Eu devo ser muito teimoso ou absolutamente estúpido, porque aquela experiência horrível não me dissuadiu de experimentar o drink mais uma meia dúzia de vezes. E o mais estranho é que, à medida que tomava, passava a gostar cada vez mais daquele negócio amargo. Até que passei a adorá-lo.     Mais recentemente, comentei com Fernando Lisboa, barman por trás do Bar Cuttelo e dos Coquetéis Treze, que era uma pena que o Negroni não tivesse […]

Drinque do Cão III – Old Fashioned

Esses dias descobri que a música mais tocada no dia do meu nascimento, ao redor do mundo, foi Like a Virgin, da Madonna. Já no dia de nascimento da minha filha, a música que encabeçava as listas de sucessos era Black Horse, da Katy Perry, com participação especial de um tal de Juicy J (tive que googlar para ver quem era). Quando contei a um amigo sobre essa descoberta, ele me disse que realmente a música havia piorado muito. Afinal, Like a Virgin é um clássico do pop, uma das músicas mais emblemáticas de uma década, e, bom, Black Horse é só um monte de barulho eletrônico com uma morena – na minha opinião “bem” – bonita cantando. E que tudo era ridículo sobre aquela música, inclusive o nome do convidado especial que, em uma tradução livre, seria “O Jota Suculento”. Tive que discordar. Tudo bem que Jota Suculento é um nome bem tosco, principalmente para um cara gigante, e que Madonna é um pouco melhor. Mas, analisando friamente, os versos “como uma virgem, tocada pela primeiríssima vez, como é gostoso aqui dentro, quando você me abraça” não são nenhum Bob Dylan perto de “o amor dela é como uma […]

O Cãoboy – Woodford Reserve Distiller’s Select

Se você já acompanha o blog há algum tempo, sabe que hambúrguer é um problema para mim. Na verdade, um problema não, pelo contrário. É uma solução. Adoro qualquer tipo de hambúrguer. Gosto especialmente daqueles mal passados, bem altos e suculentos. Mas mesmo um baixinho sola-de-sapato funciona, se devidamente temperado. Aliás, aquela frase “pizza é como sexo, até quando é ruim, é bom”, não devia ser com pizza. Devia ser com hambúrguer. Porque pizza nem sempre é bom. Pizza pode ser de alguma coisa nojenta, como brócolis, berinjela ou sardinha. Enquanto que a única base admissível para um hambúrguer é carne, que é sempre bom. Ou, em alguns raros casos, calabresa e cordeiro. Fora isso, não é hambúrguer. E nem comecem a falar de frango. Hambúrguer, mesmo quando é ruim, é bom. Nesse sentido, ele se aproxima bastante de outro produto originário da terra da liberdade e do frango frito. O whiskey. Não tem como um whiskey ser ruim. Eles são, no mínimo, decentes. Mesmo porque, com algumas exceções, são sempre variações sobre um tema mais ou menos constante. Um tema delicioso. Um tema que envolve baunilha, caramelo e pimenta. E pelo fato de todo whiskey ser no mínimo decente […]