Suntory Roku Gin – Filosofia oriental

A estética e a cultura japonesa estão intimamente refletidas em sua linguagem. Os japoneses possuem palavras simples que definem conceitos incrivelmente complexos. Por exemplo, wabi-sabi, que define a apreciação das imperfeições de tudo que é natural. Ou omotenashi – que poderia ser traduzido como hospitalidade. É a virtude de antecipar as necessidades dos outros e atendê-las. A tradição de certos restaurantes japoneses de entregar uma toalhinha quente e úmida para o comensal antes da refeição é baseada nesse princípio. Há umas palavras bem específicas, também. Como tsundoku, que define a tendência de certa pessoa comprar e colecionar mais livros do que consegue ler. É quando a sede de conhecimento supera o tempo disponível. Feliz, ou infelizmente, não há nenhuma palavra que se aplique ao irresistível impulso de comprar dezenas de garrafas de whisky sem nem ter fígado ou tempo para bebê-las. E há também Shun – a filosofia de se apreciar certo prato ou bebida em sua estação do ano certa, e somente quando estiver na epítome de seu sabor. E foi com base neste conceito e em omotenashi, a hospitalidade, que a House of Suntory criou o gim Roku, que acaba de chegar ao nosso país. O Roku é […]

Loki Dry Gin e Hiddleston Gimlet – Cocktail Drops

Pai, porque é que pé de mesa é pé que nem o pé da gente? perguntou a Cãzinha. É que são homônimos perfeitos, respondi. E tem uns bem complicados, como fio de manga, que pode ser da sua blusa, ou aquele que fica no seu dente, da fruta – disse, referenciando mentalmente Caramuru. Senti que tinha ido um pouco longe demais. Mas ela deu uma risada e retrucou. É, quando você fala pé, eu acho que é o meu pé. Mesa nem tem pé que nem a gente.  Fiquei orgulhoso e tomei coragem pra responder. Tipo coração também, que pode ser o seu – e apontei para o tórax dela – ou o resultado mais nobre do processo de destilação. Sempre que me falam coração, eu penso na destilação”. O que seguiu foi um silêncio condenatório. É, talvez eu seja monomaníaco. Todo mundo pensa no centro do sistema circulatório. Outra palavra – ou melhor, nome – assim é Loki. Loki tem infinitos significados, da gíria à erudição. E é justamente por essa razão que a destilaria Destilab resolveu batizar seu gim premium, que acaba de ser lançado, com este nome. De acordo com Marcos Pipo, sócio da marca, a ideia era que […]

The Botanist Gin – Spinoff

Quando eu era adolescente, eu via bastante televisão. Aliás, talvez a única coisa que eu fazia mais do que ver TV fosse comer. Mesmo porque dava para comer vendo TV. Assumo que o hábito de passar horas na frente da tela com um pacote de bolacha recheada e um balde de coca-cola normal do meu lado não era nada saudável. E provavelmente não ajudou muito na construção de relações interpessoais durante meus anos áureos. Mas, por outro lado, fomentou meu interesse por cinema e, indiretamente, literatura. Uma das séries que mais gostava de assistir era Friends. Friends certamente não era um expoente da alta cultura, mas foi uma febre durante minha adolescência. A série durou dez temporadas – uma expectativa de vida quase impensável para qualquer show televisivo de hoje em dia – e terminou bem onde deveria. Na transição da pós-adolescência para a vida adulta, onde a comédia, a esperança e o sonho perdem território para, bem, deixa pra lá. Mas Friends possui uma mancha em sua alva reputação. Um spin-off, lançado pouco tempo depois, e entitulado singelamente de Joey. O que foge à minha lógica é como alguém poderia achar aquela uma boa ideia. Acompanhar Joey Tribbiani em […]

Drops – Jungle Gin

Recententemente lancei uma prova sobre um whisky italiano. Enquanto escrevia, pensava no que seria um correspondente nacional para isto. Porque a Itália tem tradição em um punhado de coisas. De música erudita a alta costura, passando por literatura clássica, automóveis superesportivos, gravatas fininhas e gondoleiros. Mas whisky, realmente, era um território ainda a ser desbravado pelo povo italiano. Aí pensei em Minas Gerais. Na cultura, nos artistas. Alejadinho, Amílcar de Castro, Farnese de Andrade, Guignard – um carioca com alma mineira – e Lygia Clark. Segui por Milton Nascimento e Skank, e após uma sensível descida, cheguei no Eike Batista e na Isis Valverde. Daí descrevi uma curva e cheguei à comida típica. Doce de leite. Pão de queijo. Aliás, centenas de tipos diferentes de queijos. Dezenas de alambiques de cachaças. Realmente, os mineiros têm uma tradição gastronômica incrível. Porém, mesmo lá, há o improvável. O diferente, que desafia a tradição. Neste caso, o Jungle Gin. O Jungle Gin é um gin seco, produzido na cidade de Camanducaia, no alambique da cachaça Quinta das Castanheiras, em Minas Gerais. Uma selva de alambiques de cachaça, mas uma planície absolutamente intocada para a bebida holando-britânica. Ele foi concebido em 2017 por Augusto […]