Loki Dry Gin e Hiddleston Gimlet – Cocktail Drops

Pai, porque é que pé de mesa é pé que nem o pé da gente? perguntou a Cãzinha. É que são homônimos perfeitos, respondi. E tem uns bem complicados, como fio de manga, que pode ser da sua blusa, ou aquele que fica no seu dente, da fruta – disse, referenciando mentalmente Caramuru. Senti que tinha ido um pouco longe demais. Mas ela deu uma risada e retrucou. É, quando você fala pé, eu acho que é o meu pé. Mesa nem tem pé que nem a gente. 

Fiquei orgulhoso e tomei coragem pra responder. Tipo coração também, que pode ser o seu – e apontei para o tórax dela – ou o resultado mais nobre do processo de destilação. Sempre que me falam coração, eu penso na destilação”. O que seguiu foi um silêncio condenatório. É, talvez eu seja monomaníaco. Todo mundo pensa no centro do sistema circulatório.

Outra palavra – ou melhor, nome – assim é Loki. Loki tem infinitos significados, da gíria à erudição. E é justamente por essa razão que a destilaria Destilab resolveu batizar seu gim premium, que acaba de ser lançado, com este nome. De acordo com Marcos Pipo, sócio da marca, a ideia era que o nome de seu produto fosse curto, mas que soasse forte e carregado de conteúdo.

Quando chegamos no Loki, gostamos porque ele é misterioso e exótico. Cada pessoa interpreta esse nome de um jeito diferente, em geral dentro de 3 significados recorrentes. O primeiro significado é ligado ao álbum solo do Arnaldo Baptista, ex-Mutantes, ex-marido de Rita Lee. É um disco considerado cult, muito importante para a música brasileira, que faz uma mistura de ritmos diferente de tudo o que se fazia na época.”

“O segundo significado faz referência à mitologia nórdica. Loki é um dos filhos de Odin, deus da trapaça e da artimanha. Um personagem irreverente e misterioso, que também assume as formas que quiser e está sempre pregando peças nos outros deuses. É um anti herói, praticamente. “

Aqui, Marcos faz uma ressalva importante para os amantes dos quadrinhos. “Tem um personagem da Marvel no filme do Thor, um blockbuster hollywoodiano, mas não é nossa ideia. Gostamos do Loki original da mitologia nórdica, por seu uma figura meio obscura, misteriosa e fora do lugar comum. Um personagem exótico. E o terceiro significado – e mais simples – é a da gíria dispersa, daqui de São Paulo acreditamos, que se refere a alguém “louco, pirado, fora de si” “–Ei, você tá loki?

Desculpa aí.

Marcos conta que a história da destilaria começou bem antes do gim. Os sócios tinham a intenção de criar uma destilaria urbana, aos moldes das microdestilarias internacionais. Para isso, Marcos foi para Nova Iorque conhecer destilarias do Brooklyn, enquanto seu sócio, Mário, viajou para Louisville, Kentucky (o lar da Jim Beam, caso você não se lembre) para aprender a produzir destilados como bourbon, vodka e, claro, gim.

Ao retornar ao Brasil, compraram um alambique. A ideia inicial era produzir whisky. Porém, por conta de certas limitações em nossa legislação, e pelo longo tempo de espera para ter um produto pronto, migraram para o gim, que dava a liberdade de utilizar álcool neutro pronto, e trabalhar com os botânicos. Mas o cuidado não diminuiu. Foram mais de 20 combinações de botânicos até chegar ao produto final.

O Loki Dry Gin leva – além do obrigatório zimbro – sementes de coentro e cardamomo e infusão de folhas de manga e alfazema azul, entre outros. Todos os botânicos são preparados com, no máximo, 24 horas de antecedência da destilação, para garantir seu frescor. Como mencionado, a base do Loki é um álcool neutro, produzido com cana de açúcar. Mas cana de açúcar orgânica, cultivada sem agrotóxicos ou adubos químicos.

E ficou bom, viu?

Apesar de ter chegado ao mercado apenas recentemente, e em números restritos, o Loki Dry Gin já foi celebrado. Ele recebeu a medalha de prata no San Francisco World Spirits Competition 2018, junto com marcas internacionais de renome, como o gim Opihr. Nada mau para os primeiros passos de uma marca nacional.

Para este Cão, o Loki surpreendeu na finalização. É um gim equilibrado e cítrico, com um final floral longo e interessantíssimo. O álcool está bem integrado e é pouquíssimo agressivo, mesmo se bebido puro e sem diluição – algo que, sinceramente, queridos leitores, não é uma forma muito tradicional de se beber gim.

Para resgatar o tema principal – whisky – e fugir do cliché do gim-tônica, este Cão resolveu arriscar uma receita própria de gimlet, que leva um pouquinho de um ingrediente que deixa tudo incrível. Whisky defumado. Preparem suas taças coupé e tomem nota. Esta é mais uma infame criação deste canídeo. E não se enganem, qualquer semelhança com um Penicillin é mera coincidência.

HIDDLESTON GIMLET

INGREDIENTES

  • 60ml de Loki Dry Gin
  • 15ml  de whisky defumado (este Cão usou Johnnie Walker Double Black. Cuidado se pretende utilizar um single malt mais defumado, como Ardbeg. Talvez seja preciso reduzir a dose para deixar o drink menos monotemático.
  • 20ml de sumo de limão siciliano
  • 10ml de calda de açúcar com gengibre
  • Parafernália para bater
  • Gelo
  • Taça coupé

PREPARO

  1. adicione todos os ingredientes numa coqueteleira com bastante gelo e bata
  2. desça, com o auxílio de um coador, na taça coupé.
  3. pode usar sua criatividade para a guarnição. Só não vá me fazer aquele sol horroroso de limão.
  4. Experimente. Se achar muito azedo, vá progressivamente aumentando o açúcar. Mas lembre-se que a característica do gimlet é predominantemente azeda.

*a degustação do gim tema desta prova foi fornecida por terceiros envolvidos em sua produção. Este Cão, porém, manteve total liberdade editorial sobre o conteúdo do post.

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