Inu Engarrafado – Suntory Kakubin Yellow Label

Kakubin

Existem meses do ano que são mais difíceis que outros. Para mim, o pior, de longe, é junho. Há uma conjunção de eventos em junho que – em detrimento de minha saúde financeira – ocorrem todo ano. Em junho é o aniversário da minha melhor parte, a querida “Cã” Engarrafada. E do pai dela. E da mãe dela. E do meu pai. E como se tudo isso não bastasse, é também o mês do dia dos namorados. E apesar de ser casado já há alguns anos, não arrisco olvidar da data.

Por conta disso, junho é um mês em que o orçamento alcoólico deste Cão fica seriamente prejudicado. Mas isso não é motivo para pânico. Desespero não leva a lugar nenhum. O ser humano – e o canino – deve crescer na presença da adversidade. Adaptar-se. É como dizem por aí, se a vida te dá limões, faça um “whisky sour”.

Então se prepare. Minha insolvência será sua salvação. Este é o primeiro de uma série de três posts de utilidade pública. Falarei sobre três whiskies abaixo de R$ 100,00 (cem reais) que valem a pena.

O primeiro deles não é um whisky óbvio. E está na borderline de nosso limite financeiro. Ele possui uma das garrafas mais feias que eu já tive o desprazer de ver. Mas, apesar de tudo isso, ainda entrega muito por bem pouco. É o Suntory Kakubin Yellow Label, o blended whisky mais consumido no Japão.

Eu ia colocar mais uma foto do Kakubin, mas como a garrafa é muito feia, aí vai uma foto da Amber Heard em um Dodge Charger.
Eu ia colocar mais uma foto do Kakubin, mas como a garrafa é muito feia, aí vai uma foto da Amber Heard em um Dodge Charger.

O Kakubin foi criado em 1937 por Shinjiro Torii, fundador da Suntory e um dos empreendedores mais destemidos de toda história etílica oriental (mais sobre esse japonês maluco aqui). Foi um dos primeiros whiskies produzidos no Japão, e certamente é um dos mais longevos. Todos os single malts que entram em sua composição são de propriedade da Suntory, sendo que grande parte deles é maturada em barricas de carvalho japonês (mizunara).

Kakubin significa, em japonês, “garrafa quadrada”, em óbvia alusão a seu frasco que, além de ser retangular (e não quadrado), imita o casco de uma tartaruga, símbolo de sorte em seu país de origem. Ou seja, além de ter uma garrafa horrorosa, o whisky é batizado em homenagem a ela. Por algo que ela não é. É como se o próximo carro da Alfa Romeo fosse batizado de “um triciclo bonitinho, mas bem ordinário”, em italiano.

Em 2009 a Suntory realizou uma campanha publicitária de forma a associar o Kakubin ao drink highball (produzido com whisky, limão, refrigerante e gelo, ou ginger ale), principalmente em vista de uma sensível redução no consumo de whisky no Japão. Segundo a Suntory, o highball é um drink refrescante, que combina com climas mais quentes. Este Cão, que mora no Brasil, não faz a menor ideia do que a Suntory está falando. Mas a campanha deu certo, e as vendas do Kakubin voltaram a crescer desde então. E isso é bom, porque ele é um whisky bem decente.

Blobfish: também mais bonito do que a garrafa do Kakubin
Blobfish: também mais bonito do que a garrafa do Kakubin

Para ser franco, o Kakubin não é o melhor whisky que já tomei. Mas ele é certamente um dos melhores – senão o melhor – em sua faixa de preço. Uma garrafa custa, em média, R$ 95,00 (noventa e cinco reais). Isso é R$ 30,00 (trinta reais) a menos que um Johnnie Walker Black Label, e uns R$ 10,00 (dez reais) a menos que o Jack nº 7. Sério, isso equivale a quase oito ações da Petrobrás! É uma pechincha. E vamos combinar que não é fácil encontrar algo que custe menos do que oito ações da Petrobrás no mundo dos whiskies.

Além do valor, o Kakubin tem outra vantagem, mas que não é um mérito dele. Ele é levado a sério. Poucos whiskies em sua faixa de preço possuem essa prerrogativa. Em geral, blends mais baratos tendem a sofrer com uma aura de preconceito a seu redor, como é o caso do White Horse ou do Dewar’s, por exemplo. Mas o Kakubin não. O Kakubin é hipster. Ele é a comprovação do seu bom gosto e sofisticação até períodos de adversidade. Mesmo quando você estiver usando calça vermelha e echarpe.

Sinceramente, é difícil não ter simpatia por esse whisky. Ele é discutivelmente melhor do que a maioria de seus concorrentes, e não tenta parecer nada além do que realmente é. Um blend barato e bem honesto. Se você é um espírito aventureiro, mas com orçamento apertado, ignore a garrafa feia e vá em frente. O Kakubin é o seu whisky.

SUNTORY KAKUBIN

Tipo: Blended Whisky sem idade definida

Marca: Suntory

País: Japão

ABV: 40%

Notas de prova:

Aroma: floral e doce, leve aroma de pera. O alcool fica bastante aparente

Sabor: leve, muito floral e doce, com final médio e picante.

Com água: a água ameniza o sabor de alcool, mas reduz também o sabor doce. O whisky fica mais floral, e bem menos picante.

Preço: Em torno de R$ 95,00 (noventa e cinco reais)

 

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