6 novidades no Brasil para compensar a Copa

Não foi dessa vez de novo. Perdemos um pênalti, marcamos outro, num momento absolutamente insuficiente para trazer qualquer mínima alegria. Um exercício de futilidade, quase como a barata que se revolta e tenta pular em você, depois do Baygon. Sobre o resto da partida, vou me abster de dar minha opinião. Mesmo porque meu conhecimento de futebol se equipara àquele de um uma zamioculca, e tenho consciência de como o futebol desperta o efeito Dunning-Kruger nas pessoas. Ainda que nossa performance em campo tenha sido insuficiente para garantir a derrota do cara que se assusta ao ver o próprio reflexo no espelho, vencemos em outro campo. O do whisky. Desde o começo deste ano, diversas marcas novas desembarcaram por aqui. E algumas, antigas, que há muito não víamos, retornaram. Pela primeira vez em seis anos de bar, pude preencher um espaço de três prateleiras, de mais ou menos um metro cada, somente com whiskies americanos. Sem repetir garrafa, e com menos espaço entre eles do que a marcação do Marquinhos no Haaland. Preparei uma lista com alguns deles – inclusive um que já esteve por aqui, sumiu, e agora retornará com mais força. Como a gente espera do Brasil, daqui […]

Michter’s Single Barrel Rye Whiskey

Sou advogado, então, falo com conhecimento de causa. Todos nós sabemos meia dúzida de palavras em latim, que, quando usadas no momento certo, podem fazer uma ideia banal parecer inapelável. “Pacta sunt servanda” soa muito melhor do que “o certo é certo e já foi combinado”. “Data venia” é quase um “lá ele” institucional, a forma culta de dizer “com todo respeito, nunca ouvi tamanha barbaridade”. E “fumus boni iuris” parece um feitiço, mas é quase uma navalha de Occam (ou Ockham) jurídica, que postula que, se alguma coisa tem cheio, textura e cor de algo, provavelmente é aquele algo. O latim sobrevive assim. Não como língua, mas como um mini atalho para um argumento de autoridade. Ele paira sobre petições, brasões, universidades e tribunais, lembrando que a humanidade sempre teve uma relação meio fetichista com palavras que parecem carregar séculos de poeira e poder. E uma expressão ancestral, se pronunciada com gravidade, pode parecer mais sólida do que a própria ideia que tenta sustentar. O mesmo, certamente, ocorre com marcas. A Michter’s foi assim. Começou com uma destilaria na Pensilvânia, na era dourada dos rye whiskies. Não resistiu à lei-seca e ao desinteresse do público dos anos oitenta. Mas […]