Bruichladdich 18 anos Re/Define – Coming of Age

Eu acho que boa parte das decisões mais importantes da vida são feitas muito cedo, e o zênite disto é a profissão. Aos dezoito anos, mal sabemos escolher uma música sem, décadas depois, se envergonhar de ter em algum momento gostado daquilo. Ainda assim, somos demandados a definir aquilo que supostamente faremos pelo resto da vida. E o problema é que gosto e habilidade parecem, nessa idade, provas suficientes. Jornalista gosta de escrever, advogado, de discutir, arquiteto, desenhar. É uma lógica elegante, intuitiva e insuficiente. Porque exercer uma profissão exige ferramentas que quase nunca se revelam antes da prática. Tipo resistência ao tédio, tolerância à burocracia, aptidão para lidar com pessoas, prazos, frustrações e com a mais triste e certeira decomposição de qualquer paixão quando ela se transforma em obrigação remunerada. Escolher uma profissão é um ato de ignorância. E não é, de forma alguma, mais embasado ou menos propenso ao erro do que qualquer outra escolha feita sem experimentar aquilo que se está escolhendo antes. Da primeira vez que eu comprei um Bruichladdich, foi assim. Tamanha ignorância tinha, que imaginava que fosse defumado, somente por exibir “Islay” no rótulo. Era um Bruichladdich Links Valhalla. Alí, singelo, na prateleira de […]

Johnnie Walker 24 YO – Do Hexa

Hoje, vou começar com um assunto inédito aqui no Cão, por absoluta inevitabilidade. E narrar um momento importante da história do esporte, que aconteceu no ano de 2002, em Yokohama. Foi a final da copa do mundo daquele ano. E lá ocorreu um episódio que mostra que, às vezes, não fazer nada é o melhor a se fazer. Kléberson, avança no campo da Alemanha. Pressionado, toca para Rivaldo. Este, pratica um ato de genialidade instantânea. Ele não faz nada. Algo que eu certamente faria – ou melhor, não faria – na posição dele. Mas, no meu caso, por incapacidade plena.  Não fazer nada foi a não jogada mais inteligente da partida. Especialmente quando, atrás de Rivaldo, estava Ronaldo. O Fenômeno domina, ajeita e bate no canto de Oliver Kahn. Dois a zero. Brasil pentacampeão do mundo. Naquele momento, era bastante razoável imaginar que aquilo continuaria acontecendo com alguma frequência. Não a omissão do Rivaldo, mas, vencer Copas do Mundo. Porque uma das impressões mais cruéis e capciosas que a felicidade pode nos trazer é, justamente, a de estabilidade. Desde então, passaram-se eliminações, promessas, técnicos, ciclos, traumas coletivos e gol da Alemanha. Sete a um, na verdade. E é aí que […]