Johnnie Walker 24 YO – Do Hexa

Hoje, vou começar com um assunto inédito aqui no Cão, por absoluta inevitabilidade. E narrar um momento importante da história do esporte, que aconteceu no ano de 2002, em Yokohama. Foi a final da copa do mundo daquele ano. E lá ocorreu um episódio que mostra que, às vezes, não fazer nada é o melhor a se fazer.

Kléberson, avança no campo da Alemanha. Pressionado, toca para Rivaldo. Este, pratica um ato de genialidade instantânea. Ele não faz nada. Algo que eu certamente faria – ou melhor, não faria – na posição dele. Mas, no meu caso, por incapacidade plena. 

Não fazer nada foi a não jogada mais inteligente da partida. Especialmente quando, atrás de Rivaldo, estava Ronaldo. O Fenômeno domina, ajeita e bate no canto de Oliver Kahn. Dois a zero. Brasil pentacampeão do mundo.

Eu tinha me esquecido desse cabelo!

Naquele momento, era bastante razoável imaginar que aquilo continuaria acontecendo com alguma frequência. Não a omissão do Rivaldo, mas, vencer Copas do Mundo. Porque uma das impressões mais cruéis e capciosas que a felicidade pode nos trazer é, justamente, a de estabilidade.

Desde então, passaram-se eliminações, promessas, técnicos, ciclos, traumas coletivos e gol da Alemanha. Sete a um, na verdade. E é aí que entra o Johnnie Walker 24 anos. A edição, lançada em clima de Copa do Mundo, usa uma coincidência bonita demais para ser ignorada: entre o gol de Ronaldo em Yokohama e a Copa de 2026, terão se passado 24 anos. O mesmo tempo de maturação do whisky.

Não por coincidência, foram produzidas vinte e quatro garrafas, numeradas individualmente. Todas elas foram enviadas para o Brasil. É uma das raríssimas vezes que a Johnnie Walker produziu uma edição limitada totalmente dedicada a um país e uma efeméride. Nenhuma das garrafas será comercializada. O que torna esta matéria do Cão, talvez, a menos últil em sua dúzida de anos de existência.

Das vinte e quatro, cinco foram arrematadas em um leilão beneficente, para arrecadar fundos para a CUFA, uma ONG brasileira que promove o desenvolvimento socioeconômico e cultural de jovens e famílias de baixa renda através de iniciativas de esporte, educação e qualificação profissional. As demais, provavelmente participarão de ações futuras da Diageo e Johnnie Walker.

O evento

Este Cão teve a oportunidade de provar o whisky em duas oportunidades. Sensorialmente, o Johnnie Walker 24 anos traz notas de fumaça, baunilha, toffee e frutas. O aroma é muito semelhante àquele do Johnnie Walker Green Label, com um pouco mais de fumaça. O paladar, porém, é doce, com bastante baunilha e coco. O final é floral e doce, e quase lembra um creme brulee. É um whisky de corpo baixo, leve, e com álcool nada aparente. É um whisky que mostra, exatamente, por que blends existem Ele é fácil, complexo e equilibrado.

Mas, novamente, ele não poderá ser comprado. O que significa também que não há discussão sobre custo-benefício. Nem qualquer função prática sobre este exercício pseudojornalístico. Mas acho que a ideia da Johnnie Walker é justamente esta. Multiplicar a expectativa que nasceu lá naquela partida de Yokohama. É um whisky do jeito que eu gosto. Um blend majestoso, focado no tempo, no desejo, e na frustração – mas não a de beber.

JOHNNIE WALKER 24 ANOS

Tipo: Blended Whisky

Marca: Johnnie Walker

Região: N/A

ABV: 40%

Notas de prova:

Aroma: Adocicado, frutado e enfumaçado.

Sabor: frutado (frutas em calda), nozes, creme brulee, toffee. Final longo, pouquíssimo apimentado, e floral.

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