Whisky Show 2017 – A Disney do Whisky

Todos nós temos fantasias. Para um bibliólatra, talvez seja a Biblioteca Britânica. Já um cinéfilo sonharia participar do Festival de Cannes. Um enófilo, por sua vez, ficaria extasiado – literalmente – em participar de uma grande feira de vinhos, ou talvez de uma série de visitas às suas vinícolas preferidas. Por fim, um microaerófilo, bem, um microaerófilo não gostaria de nada, porque microaerófilo é um tipo de bactéria.

Já para um apaixonado por whiskies, como este Cão, o zênite seria participar do Whisky Show, de Londres. São três dias, mais de uma centena de expositores e seiscentos rótulos disponíveis. Organizado pela The Whisky Exchange de Londres, o Whisky Show é provavelmente o maior evento dedicado à bebida do mundo. Há todo tipo de whisky, das mais incríveis e improváveis regiões do mundo. Há garrafas de milhares de libras – como o Glenmorangie Pride 1978 – e outras bem mais mundanas.

Mundano…

O whisky show é uma espécie de open-bar dos céus, onde quase tudo engarrafado – exceto alguns especiais – pode ser consumidos livremente. Há uma refeição incluída, assim como expositores de produtos relacionados, como embutidos finos e cervejas maturadas em barricas de whisky. Tudo disponível para consumo, apenas pelo preço do ingresso, de cem libras. Cem libras para beber e comer tudo que quiser, durante seis horas consecutivas, em um enorme e elegante saguão – o Old Billingsgate.

Este Cão teve o enorme prazer – e, claro, a responsabilidade – de participar dos três dias do evento, que aconteceu nos dias 30 de setembro e 1 e 2 de outubro. Dois deles, abertos ao público. O último, exclusivo para imprensa. A experiência foi fantástica. Foram mais de cem amostras provadas nos três dias, duas masterclasses frequentadas e dezenas de novos conhecidos.

Um dos pontos altos do show foi a possibilidade de participar de uma despretensiosa aula de highballs – o coquetel – com o lendário Dave Broom. Após desmistificar que o whisky somente pode ser consumido puro, Broom foi corajoso. Misturou Lagavulin – um dos mais respeitados single malts de Islay – com coca cola. Pode ter sido uma manobra para chocar o público. Mas se Broom fez, não há nada de errado em fazermos também, aparentemente.

Harmonizando (foto: Cesar Adames)

Além dele, outros ícones do mundo do whisky estavam presentes. Entre eles, John Glaser (Compass Box), Bill Lumsden (Glenmorangie e Ardbeg) e, claro, Richard Paterson, master blender da Dalmore, que tem em seu nariz um seguro de dois milhões de libras pelo Lloyds Bank.

Dentre as amostras mais interessantes provadas por este Cão estava o Craigellachie 31 anos, recentemente eleito como melhor whisky do mundo. Além dele, mereceram destaque um Brora de 34 anos de idade – da famosa destilaria silenciosa – um Caledonian 1974 e um Glen Grant. Um Glen Grant de cinquenta e dois anos de idade. É isso aí, por extenso, para você não achar que errei na segunda casa decimal.

Das doses mais humildes – mas não muito – estavam dois incríveis lançamentos da Compass Box, Phenomenology e No Name, que estarão à venda a partir de novembro, e que merecem reconhecimento. Além deles, me impressionaram o Glenfiddich 21 Winter Storm, Ardbeg An Oa – que em breve receberá prova solo por aqui – e o Chichibu finalizado em barricas que antes contiveram cerveja IPA. Claro, dentre muitas outras doses memoráveis.

Havia estandes de produtores respeitadíssimos, como The Macallan, Aberlour, Glenfiddich, Dalmore, Laphroaig e Glenlivet, que contracenavam com destemidas marcas novas, como a australiana Starward e as indianas Rampur e Amrut. Havia bourbon também – como um incrível balcão de Pappy Van Winkle – e whiskey irlandês.

Não é sempre que vemos uma mesa dessas.

Ao fim, foram três dias incríveis, que proporcionaram uma experiência que jamais imaginava que teria. Conhecer ao vivo os grandes nomes da indústria, provar alguns whiskies incríveis e – acima de tudo – divertir-se com responsabilidade. O Whisky Show é tão incrível, mas tão incrível, que até mesmo os microaerófilos adorariam.

8 thoughts on “Whisky Show 2017 – A Disney do Whisky

  1. Mais de 100 amostras? Quantos ml tinha aproximadamente em cada amostra? É muito whisky, imagino que deveria ser 25 ml no máximo.

    1. Douglas, por aí. Alguns eram mais generosos, mas a média era uns 25ml! São umas 30-35 amostras por dia, distribuídos em 6 horas de evento. Dá para fazer, o difícil é não sair bebendo tudo!

  2. Sensacional o artigo! Conheci voce do charutando day e tenho seguido o blog! Parabens 🙂 – Paulo CR

  3. Como vai, mestre?
    Sou um grande fã e conto bastante com a ajuda do thewhiskyexchange
    Nunca 100 libras me pareceram tão baratas hahaha.
    É quase como uma viagem ao futuro: além de tudo que pode ser acompanhado, ver in loco as novidades que vão chegar.
    Praticamente um parque de diversões alcoólico!

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