Por que Rye não é Rye no Canadá

“Bye Bye, miss american pie”. O refrão ressoa em minha memória, no momento que me coloco a escrever. Devo ter ouvido essa música um milhão de vezes, quando era mais novo. Bem naquela idade em que tudo se cristaliza no cérebro, como a gordura se cristaliza nas artérias, quando a gente vai envelhecendo. Sou capaz de recitar – não cantar, tenho vergonha – a canção de oito minutos inteira, só puxando a primeira estrofe. Apesar disso, nunca parei pra entendê-la de verdade. “American Pie” é cheia de referências. O ponto de partida é o acidente aéreo que levou Buddy Holly, Ritchie Valens e J.P. Richardson. McLean tinha treze anos quando aconteceu, e entregava jornais. Daí, o verso de abertura da música. Mas ela não trata só de um acidente aéreo. Ela é uma elegia americana. A canção cobre mais ou menos dez anos de transformações políticas e culturais, sob a ótica de um jovem que amadureceu em 1960. E foi uma época conturbada. O assassinato de Kennedy, Luther King, Vietnã e contracultura. A banda que marchava e não cedia podia ser uma referência aos Beatles, mas, também, à guerra. O tal perfume é o gás lacrimogênio. Jack Flash faz um […]