Da Longevidade – Grand Old Parr 12 anos

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Algumas pessoas são simplesmente extraordinárias. Einstein, Da Vinci, Bach e a Monica Bellucci são bons exemplos disso. Outras, entretanto, não são nada além de ordinárias. Um excelente exemplo de uma pessoa que se enquadra nesta segunda categoria foi o Sr. Thomas Parr.

Tomas Parr foi um inglês que teria nascido em meados do século quinze e levado sua vida de uma forma absolutamente normal, dividindo seus dias entre tomar leite talhado e comer queijo estragado. E ninguém aqui estaria falando sobre Thomas Parr hoje se não fosse um simples detalhe. Um detalhe que torna sua vida ordinária absolutamente extraordinária. Extraordinariamente longa. O homem viveu por cento e cinquenta e dois anos e nove meses.

Cento e cinquenta e dois anos e nove meses. Para você ter uma ideia, Thomas Parr teve um caso extraconjugal aos cem anos de idade, e quando sua esposa morreu, casou-se com sua amante, aos cento e vinte e dois. E permaneceu casado por mais trinta anos. É uma vida muito longa. Mesmo para os padrões de Ozzy Osbourne e Keith Richards.

A improvável morte deste Gandalf da vida real aos cento e cinquenta e dois despertou a curiosidade de médicos importantes da época, como William Harvey. Afinal, depois de todo esse tempo, por que parar agora? Realizada a autópsia, descobriu-se que seus órgãos aparentavam muito menos idade, e que, provavelmente, Thomas teria usado a certidão de nascimento de seu avô como sua própria.

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Thou shalt not pass – disse Thomas Parr ao Balrog.

A verdade é que, até hoje, ninguém sabe ao certo se Thomas realmente viveu mais de um século e meio. Mas a lenda do homem foi suficiente para alça-lo à fama. Tanto é que ele foi imortalizado (como se ele precisasse) em pinturas de Van Dyk e Rubens, bem como recebido improváveis homenagens. Uma delas foi emprestar seu nome ao blended whisky Grand Old Parr 12.

O Grand Old Parr foi lançado em 1871 pelos irmãos James e Samuel Greenlees, conhecidos comerciantes de bebida do século dezoito. Nas cabeças deles, batizar seu mais importante blended whisky de Old Parr ressaltaria o tempo de maturação do produto, algo que, na época, era considerado sinônimo de qualidade.

Após uma série de fusões e aquisições, o Grand Old Parr passou a fazer parte do portfólio da Diageo, a gigante por trás também da Johnnie Walker. Atualmente, seus single malts base são Glendullan e Cragganmore. Todos os whiskies – sejam eles de grão ou single malts – que compõe o Grand Old Parr 12 são maturados por, no mínimo, doze anos.

Atualmente, o principal mercado consumidor do Grand Old Parr é a América Latina. E, por aqui, é uma opção bem decente para um blended whisky premium, como alternativa aos famosíssimos Chivas Regal e Johnnie Walker. Ele é um whisky bem mais oleoso do que a média dos blended 12 anos, e é incrivelmente complexo para sua idade.

Aí vai uma curiosidade. A imagem de Thomas Parr utilizada na parte superior do rótulo sofreu pouquíssimas alterações durante o tempo de vida do whisky – que está quase chegando à de Thomas – e é uma reprodução do retrato pintado por Rubens, proeminente pintor barroco, citado acima.

E também detentor de um proeminente bigode.
E também detentor de um proeminente bigode.

 

Por aqui, uma garrafa do Old Parr sai, em média, por R$ 170,00. É um preço comparável àquele dos blended whiskies premium, como o Black Label e Chivas Regal Extra. Escolher entre eles é, na verdade, uma questão de gosto. O Old Parr é um whisky excelente para que se propõe.

O Grand Old Parr é um caso de sucesso silencioso. Independentemente de qualquer campanha de marketing, o blend tornou-se conhecido e respeitado entre os Brasileiros. E não é para menos. Ele é suficientemente complexo para ser degustado puro. Mas sua verdadeira vocação é o serviço com gelo ou agua. Neste caso, o whisky faz frente a concorrentes muito mais caros.

Independentemente de sua idade – seja você jovem ou tenha cento e cinquenta anos – o Old Parr 12 é um whisky que vale a pena ser experimentado. Vida longa ao velho Parr.

GRAND OLD PARR 12 ANOS

Tipo: Blended Whisky com idade definida (12 anos)

Marca: Old Parr

Região: N/A

ABV: 40%

Notas de prova:

Aroma: caramelo, frutado e levemente (bem levemente) cítrico.

Sabor: melaço (melaço mesmo, ou mel de engenho!), frutado, cítrico. Finalização longa, com um pouco de café.

Com água: A água torna o whisky mais adocicado, e o cítrico fica menos evidente. Este Cão recomenda que seja consumido com água (ou gelo).

 

46 thoughts on “Da Longevidade – Grand Old Parr 12 anos

  1. Foi muito bom conhecer a história dessa fantástica bebida, tive o prazer de degustar, pena que acabou, era guardado a sete chaves para ser degustado com prazer.

  2. Demorou mas valeu a pena esperar. Dado meu vínculo afetivo com o Old Parr, acredito que seria mais generoso nos encômios, mas foi muito interessante ler sua opinião: “incrivelmente complexo para sua idade”.
    Também acho.
    Já o sabor de “melaço (melaço mesmo, ou mel de engenho!), frutado, cítrico”, infelizmente não tenho mais a capacidade (ou educação) gustativa para perceber. Também por isso leio com tanta avidez seus textos, além de sua graça e leveza.

    Abraço grande

  3. Sempre fui um grande tomador de whisky single malt, tomei muitos anos Black Label, chivas entre outros, mas quando resolvi experimentar o Old Parr nunca mais parei de tomar, abandonei todos os outros Blends e passei a tomar somente Old Parr, esse é um whisky diferente, com qualidade premium, foi desenvolvido e pensado para tomar com Gelo, Fica a Dica!!!

    1. Paulo, ele é um Old Parr filtrado a frio e mais jovem. É mais suave, e perfeito para coquetelaria. Para tomar puro, prefiro o 12 anos, mas para drinks ou gelo, o Silver é perfeito.

    2. Consumo bastante o Old Parr Silver com gelo e na minha humilde opinião é o melhor custo benefício na sua faixa de preço.

  4. Muito bom conhecer a história (ou estória, talvez?!) deste maravilhoso whisky! Blog fantástico, por sinal! Grande abraço!

  5. Muita boa a história que eu não conhecia Vou olhar com mais carinho para alguns Old Parr que tenho colecionado Valeu

  6. História muito interessante, assim como a história do fabricante de vinho “Casillero Del Diablo” (quem gosta de vinho, deve ler). Acho que isso dá até um certo charme à bebida. Gosto muito desse whisky. Não consegui identificar o sabor do melaço, ainda não tenho o paladar tão apurado, mas na próxima oportunidade que eu tomar, vou prestar mais atenção. O que sinto, e acho bem forte, é um retrogosto defumado e um sabor que me lembra tabaco.

    1. Olá Raniere, veja só, talvez tenha um certo sabor de tabaco mesmo. Há um certo amargo lá mesmo que remonta, de longe, charutos. Muito bem observado!

      Há várias histórias legais no mundo da bebida. Algumas são meio difíceis de acreditar (veja a do Bulleit por exemplo), mas outras autênticas. E realmente nos dão vontade de provar aquela bebida!

  7. Boa noite , tenho uma garrafa de Grand Old Parr 12 years De Luxe Scotch Whisky 70 cl que herdei do meu avô tem selo ainda no gargal onde marca o decreto e o valor de 15 escudos. A minha curiosidade ė como posso saber o valor dela só por curiosidade pois é o meu whisky favorito. Obrigada pela atenção

    1. Olá Paula, bom dia!

      Olha, geralmente blended whiskies não valorizam muito com o tempo. No entanto, dependendo da idade – se for realmente BEM antigo – pode ser que tenha ganhado um pouco de valor. Faz o seguinte, manda para ocaoengarrafado@gmail.com umas fotos dele. Pega bem o rótulo e a parte de cima, da tampa, para ver o estado. Tira foto do verso também. Vamos tentar te dar um norte (não muito preciso) do valor.

      Abraços!

  8. MauricioPÉDIA!!! Rapaz, é muito prazeroso ler seus textos, tanto quanto tomar um Buchanan’s Red Seal! Se Thomas Parr realmente viveu abundantemente, não me chamou muito atenção, porém ao fato de ter um caso extraconjugal aos 100 anos me deixou perplexo hahaha. Fico imaginando a virilidade… Vocé é fantástico!
    Com relação ao Grand Old Parr, sempre tomo com frequência, é um excelente custo benefício! Aroma e sabor acentuados! O que me chama atenção com relação a este whisky Maurício é que não vemos muitas propagandas dele, no entanto o sucesso deste blended foi relativamente progressivo no nosso país – igualmente ao Iron Maiden – Dispensa apresentações e comentários. Grande abraço!

    1. A comparação com o Iron foi cirurgica. É isso mesmo. Mas sabe o que é mais curioso? Quando lancei o texto dele, coloquei uma foto no Instagram do blog também. E lá os gringos olham. Uma meia duzia deles me perguntou onde eu tinha encontrado, porque é muito dificil de achar! 🙂

      E viva a segmentação de mercado.

  9. Se me permite uma história curiosa, meu pai tinha um compadre (Vö Jão, pessoa boníssima, daqueles “vozinhos” que dão vontade de pegar no colo e leva para casa!) que foi expedicionário da da FEB na Itália, vivenciou os horrores da guerra e trouxe de lá uma garrafa de Johnnie Walker… Uma garrafa diferente, com rolha, rótulo também diferente… uma verdadeira relíquia, que deu a meu pai, que não conhecia, não sabia apreciar e ofereceu a alguns primos meus, que tomaram com guaraná. Quando eu cheguei e vi, salvei a garrafa… quase morri de tanta dó! Eu sei que não envelhece na garrafa, mas pela história cortou meu coração! Grande abraço Senhor Cão!

  10. Caríssimo amigo canídeos. É muito elucidativo ler o conteúdo do site, porém, como atualmente além do Chivas extra, tenho apreciado o espetacular Old Par Superior (em minha modesta opinião) gostaria que se possível, você coloque algo sobre esse nobre destilado. Obrigado.

    1. José, se fosse PARA MIM, Singleton. Porém, todos nós temos gostos e interesses diferentes. Não vai muito pela preferência dos outros. Vá no que você tiver mais curiosidade!!

  11. Nada como uma tarde de domingo tomando meu velho parr e encontrando esse blog sensacional! Interessantíssima história e completíssimo seu blog! Está de parabéns!

  12. Olá, eu nunca tive o hábito de tomar whisky, más quando experimentei o Old parr, nunca mais tomei outra bebida, esse “CÃO” é muito bom.

  13. Boa noite! Primeira vez no site, queria dar um de presente para meu orientador, será que é uma boa? É um whisky aceitável? Se um conhecedor como você pudesse me ajudar eu agradeceria. 🙂

    1. Oi Diego, tudo bem? Você sabe o tipo de whisky que seu orientador gosta? Whiskies possuem uma gama de sabores bem grande. Há florais, frutados, defumados, secos, adocicados etc.

      Se você não sabe, eu compraria algo pela marca (status). Assim o risco de errar é menor. Apostaria em algum Johnnie Walker ou um Chivas Regal (o Chivas Extra é ótimo!).

      Abraços

  14. Na falta do Highland Park o Old Parr supre minhas necessidades com louvor… Mas devo discordar em um pequeno detalhe olfativo/ degustativo:
    São perfeitos puro, sem água ou gelo.

    1. José Hehovah, acho que isso nem classifica como discordância. É quase um acordo com pequenas diferenças de visão. rs. O Velho parr é um whisky bem decente puro também. Mas talvez por alguma reminiscência dos tempos de pós-adolescencia, prefira beber estes blends mais secos com um pouquinho de água (ou gelo).

  15. Interessante como somos sugestionáveis… Outro dia o sujeito falou que sentia gosto de borracha queimada no Old Parr! Ri muito, pois nunca provei o acepipe! Eis que vou degustar o velho Parr e… sinto um cheiro de borracha queimada! Foi por um momento, rapidamente removi a sensação mental e degustei outra dose com gelo grande d água mineral! Salve o Old Parr! P.S: Que história do Bulleit?

    1. Né? Por isso raramente leio as notas de degustação antes de provar um whisky. Senão, lascou. Se leio laranja e alcaçuz, tudo que sinto é isso!

      A história de que o Tom Bulleit recuperou a receita antiga do tatataravô dele para criar o bourbon dele, com proporção elevada de centeio. A história não cola, mesmo porque os primeiros Bulleit foram produzidos pela MGP – uma espécie de destilaria em que você pode comprar barricas e aplicar sua própria marca a elas. Muitas micro fazem isso, como a High West, por exemplo.

  16. Adquri duas garrafas de Old Paar no mercado livre, do vendedor Luciano Haas de Venâncio Aires – RS.
    Estranhei o fato de que a tampa não é a de plástico, cujo lacre se quebra em pedacinhos quando se abre.
    O cão engarrafado poderia me informar se o Old Paar também é envasado com tampa metálica ou, o produto que adquiri é falso. Grato.

    1. Marcos, não temos como afirmar nada. Mas nosso conselho é jamais comprar um whisky que tenha disponibilidade em loja, ainda mais facilmente no Brasil, do Mercado Livre. Por lá, há vendedores honestos. Mas há muita – mas muita mesmo – falsificação, e não vale a pena apenas para economizar dinheiro. É a velha história, o barato sai caro.

      Nosso conselho é sempre comprar de lojas oficiais, que emitam nota fiscal e que trabalhem com produtos importados oficialmente para o Brasil (com selo do IPI e tudo). Até entendo arriscar no ML um whisky indisponível em nossas terras por extremo desejo ou curiosidade. Mas, tenha em mente que, mesmo assim, seu risco é grande.

  17. Um excelente custo-benefício o Gand Old Parr 12 anos. Entrega muito para um wisky desta idade e por ser um blend. Sente se os indícios de Jerez , mel, baunilha, cítrico,floral, levemente turfado. Uma experiência muito gratificante Saúde à todos!

  18. Olá. Acabei de comprar um Old Parr 12 anos p meu namorado e com isso resolvi buscar mais sobre whisky, saber opiniões se realmente é bom. E uau! Estou encantada com a história. Espero que meu namorado goste. Rsrs

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