Como identificar um whisky falso (de verdade) – O Cão Engarrafado

Comprei um fone de ouvido. Outro, porque aquele meu fantástico encontrou seu destino ao despencar no chão. Durou menos de dois anos e custou mais caro que prosecco no réveillon. Revoltado, resolvi que compraria algo bem mais em conta, ainda que quisesse também um visual bonito. Um website internacional de réplicas resolveu meu problema. Um belíssimo fone preto, estilo aviador. A marca, não fosse uma vogal de diferença, seria uma das melhores para equipamentos eletrônicos da espécie – Buse.

Aquele Buse era quase idêntico ao original. Sério, era quase impossível desmascará-lo. Exceto no que importava. O som. Os baixos eram altos demais, e os altos, muito baixos. O volume máximo era o correspondente àquele atingido por minha filha sussurrando. Mas o pior de tudo era um barulho de chocalho quando eu mexia a cabeça. Provavelmente por conta de algum parafuso lá dentro, que havia caído durante sua viagem intercontinental até chegar à minha mão.

Era uma pena. No final das contas o fone quase-original não era original no que mais interessava, apesar da estética quase impecável. E como tudo na minha vida acaba desembocando em whisky, rapidamente um pensamento me ocorreu. Era como whisky falsificado.

Assim, embalado por minha (nem tão) querida nova aquisição, e por uma recente polêmica nas redes sociais, resolvi que produziria um texto explicando sobre whisky falsificado, e como identificá-lo. Assim, caros leitores, preparem-se para mais este texto de utilidade pública – e etílica – deste Cão Engarrafado. Mas preparem-se também para ficar profundamente desiludidos. Sem spoilers, mas precisarei extirpá-los de qualquer esperança sobre um método infalível e simples. Como escreveu Dante, Lasciate ogne speranza, voi ch’intrate*. Encontrar um whisky falso é como emagrecer. Não tem mágica.

Deixe-me ser mais incisivo. Não adianta balançar o whisky pra ver se faz espuma. Não adianta bater com a caneta no whisky – a não ser que você faça parte de uma banda hipster de percussão – e nem passar o líquido no pão. E a razão disso é bem simples. Existem dezenas de tipos diferentes de falsificações. E nenhum teste funciona universalmente.

Bom, vou explicar de onde vieram cada um destes mitos. A começar por balançar a garrafa, que além de não funcionar, a longo prazo, estraga a bebida, porque estimula a oxidação (leia mais sobre isto aqui). Teoricamente, líquidos mais viscosos produzem mais bolhas persistentes. E o whisky, cujo corte está entre os  62 a 67 de ABV, possui pouca viscosidade. Assim, um whisky original produziria menos bolhas do que um whisky falso, que por relaxo do falsificador ou por alguma razão que me escapa a lógica, seria mais viscoso.

Bróder, não é Nescau pra agitar antes de beber.

O problema é que cada whisky possui uma oleosidade diferente. Aliás, eu nem preciso dizer isso. Vocês já sabem, porque acompanham o Cão Engarrafado. Assim, um The Macallan é muito mais oleoso que um Glenmorangie, por exemplo. E em adição a tudo isso, há a maturação. Os óleos da madeira costumam elevar a viscosidade do whisky. Aí, realmente não é muito fácil julgar se aquelas bolhinhas são normais ou não. A história da caneta passa também por uma lógica semelhante.

O mesmo vale para o teste do pãozinho. Falsificações grosseiras podem utilizar iodo para simular a coloração do whisky verdadeiro. Porém, este método é muito raro hoje em dia, e por motivos óbvios. É ridiculamente fácil de ser desmascarado. Mas, além disso, é anti-econômico e bem mais difícil de ser executado do que outros métodos melhores e mais populares. O princípio é simples. Há uma reação química que ocorre entre o pão e o iodo, que o deixa azulado. Mas, por conta disto mesmo que essa espécie de falsificação tem se tornado cada vez mais rara.

Aliás, a utilização do iodo não apenas é rara, como é obsoleta. Acontece que a maioria dos blended whiskies disponíveis no mercado utiliza corante, só que não iodo. É o conhecidíssimo e polêmico corante caramelo, ou E150. E a ideia não é disfarçar um whisky falso. Mas é padronizar a cor dos produtos originais, para que não causem estranheza para o consumidor sempre acostumado a beber a mesma coisa da mesma cor. E o E150 não aparece no teste do pãozinho. Ainda bem, senão muitos whiskies verdadeiros seriam considerados falsos.

E aí está. Como havia explicado, a maioria destes métodos não funciona. Simplesmente porque a forma mais comum de falsificação hoje em dia usa whisky original. Quer dizer, o whisky falso que você comprou, na realidade, é um whisky legítimo. É legítimo, só que não é aquele declarado na garrafa.

Não é exatamente uma Ferrari, mas é um carro!

Essa é a conhecida falsificação por transposição, ou tranplante. Utiliza-se uma garrafa de algum líquido mais caro – diremos, um Black Label, por exemplo – e preenche-se com outro whisky mais barato. Talvez um  Teacher’s ou um Passport. A garrafa vazia pode até mesmo ser original. Então, tem-se um whisky original dentro de uma garrafa original. Mas um Passport ou um Teacher’s original, dentro de uma garrafa original de Black Label. E aí é que está a genialidade – ou melhor, a safadeza – desse método. Ele não é identificável por qualquer destes testes, porque o whisky é verdadeiro.

Recentemente uma história assim aconteceu com a The Macallan. O hotel Waldhaus em St. Moritz possuía uma garrafa da destilaria datada de 1878. Um hóspede – o escritor chinês Zhang Wei – pagou 9.999,00 francos por uma dose. Porém, o mundo digital começou a desconfiar da autenticidade da garrafa. Por fim, especialistas levantaram a possibilidade do whisky ser falso, já que o rótulo descrevia uma empresa que jamais existira.

Não demorou muito para o mistério ser finalmente revelado. O que havia lá dentro era whisky, mas estava longe de ser um The Macallan do século dezenove. Segundo o laboratório Tatlock and Thomson’s, que realizou uma bateria de testes químicos e físicos, o líquido era provavelmente um blended whisky, criado entre 1970 e 1972. Uma falsificação muitíssimo bem feita. Tão bem feita que enganou a própria destilaria – afinal, ela havia comprado e colocado em seus arquivos garrafas da mesma origem daquela.

O problema da falsificação por transplante, porém, nem é quando se utiliza whisky. Mas quando se utiliza algum destilado produzido sem cuidado e cujo consumo é, bem, não é muito aconselhável. Usa-se este álcool – muitas vezes carregado de metanol e outros produtos tóxicos – para diluir o whisky. É tipo quando você coloca creme de leite no carbonara, pra render. Só que, no caso do whisky, além de render, você morre. Quer dizer, não é assim, imediato. E, afinal, todos nós vamos morrer. Mas dá uma acelerada nesse desagradável processo de falecimento.

Outro mito sobre whisky falso tem a ver com resíduos sólidos. Não, não cocô. Mas cristais, ou pó, que podem se desenvolver dentro da garrafa, ainda que fechada. Uma lenda urbana perpetrou que garrafas assim seriam falsas. Porém, ainda que isto tenha um fundo de verdade – claro, um whisky falso pode sim desenvolver uma certa decantação – essa história está longe de ser uma verdade absoluta. E isso pode acontecer por muitos fenômenos.

Sem pânico. Pode acontecer (Fonte: The Cutting Spirit)

Um deles é a filtragem. Alguns whiskies, especialmente single malts cask strength, passam por uma filtragem muito tímida antes de serem engarrafados. E, daí, um pó – semelhante a cinzas – podem surgir em seu interior ao longo do tempo. São pequenos restos da barrica, que não foram separados durante o processo de filtragem. Para você ter uma ideia, a engarrafadora Blackladder tem até mesmo uma linha de whiskies que não passa por nenhum processo de filtragem. O resultado é um whisky original, quase sempre opaco, e cheio de pequenas e fascinantes partículas boiando em seu interior.

Além disso, há um curioso, porém conhecido, fenômeno químico. É floculação, e ela tem dois tipos. A primeira é a floculação reversível. Essa, a maioria dos amantes dos whiskies com alta graduação alcoólica já presenciaram. Ela ocorre quando a temperatura do whisky cai drasticamente em um curto período de tempo, ou quando se adiciona água para diluí-lo. O whisky contém inúmeros acidos graxos (é sério isso) que lhe emprestam o tão querido sabor. Com a queda da temperatura ou a diluição, estes ácidos precipitam, e tornam o whisky opaco.

A segunda é a floculação irreversível, e é bem mais rara. Ela se manifesta na forma de pequenos cristais no fundo do whisky. Estes cristais são de oxalato de cálcio. E como eu não faço a menor ideia do que é Oxalato de Cálcio, vou me limitar a dizer o que sei. Isso pode ser evitado ou ao menos amenizado durante a produção, utilizando água desmineralizada.

É claro que há contrafações mais grosseiras e outras mais sofisticadas. E é obvio que para uma pequena parcela daqueles whiskies porcamente falsificados serão identificados por estes testes simples. Porém, a verdade é que não há receita infalível para se assegurar que aquilo que está na garrafa é o que o rótulo diz. Assim, meus queridos leitores, peço mais uma vez perdão por desiludí-los. Podem deixar a caneta e o pão francês em casa. Dispensem a parada na padaria ou na papelaria antes de ir para o bar. A realidade é muito mais sofisticada do que uma simples reação química ou o tilintar de uma garrafa de um whisky falso. Não existe nenhuma fórmula para identificar um whisky falso, exceto, é claro, o cuidado.

Na hora de comprar whiskies, estejam atentos aos detalhes e não corram riscos desnecessários. Ah, e se me permitem falar sobre algo que não domino – o mesmo vale para fones de ouvido.

(*abandone toda a esperança vós que entrais aqui)

56 thoughts on “Como identificar um whisky falso (de verdade) – O Cão Engarrafado

  1. Pois é…
    Essa questão de falsificação realmente é complicado, mesmo quando falamos em atentar -se ao local onde está comprando, ou preço de oferta.
    Quem garante que o vendedor tem certeza da originalidade?
    Claro,salvo nos casos onde o local seja exclusivo do fabricante.
    Vou mais além, quem sabe seja até mais ‘seguro’ tomar um whisky dito barato e razoável (exemplo do Teacher’s) ao dito caro e refinado, pois são custos, lucros e público diferentes… Compensa falsificar um whisky ‘barato’?
    Só tenho uma certeza,se nem uma pessoa tão entendedora do assunto como o Maurício consegue dar um método eficaz, vou seguir tomando meus whiskys com a certeza / segurança que o prazer proporcionado sem dúvida é verdadeiro,original!
    Um brinde a mais essa excelente matéria e aos seguidores do Cão! Abraço!

    1. Caro Renato, muito obrigado pelo brinde! Cheers.

      Na verdade, até whisky barato é falsificado. Mas é claro que o risco é maior com os produtos mais desejados e de valor agregado maior. Black e Red Labels são alvos comuns. Existe falsificação de produtos de nicho, mas ela é mais rara.

      Um grande abraço,

      Mauricio

  2. Grande Cusco! Recebi aquele vídeo e ia te pedir aqui qual quer era a real.. fosse mais rápido! Valeu brother, abraço!

  3. Comecei a receber o tal vídeo, e olha que nem sou um grande uisqueiro – embora no meio de amigos tomadores de Skol eu seja o grão mestre de qualquer destilado, ainda mais de um que adoro e que defendo constantemente. Primeiro achei legal me mandarem; reconhecimento no que amamamos é legal. Lembrei do teste que se faz pra analisar se o mosto fermentado está pronto pra ser destilado, que, se não me engano, pode ser feito para qualquer mosto a ser destilado que tenha ingredientes com amido – e aí se sabe que o amido foi todo transformado em álcool já. Pensei, ainda curtindo o reconhecimento: “Que legal, dá pra fazer pra verificar uísque falsificado também!”.

    É aí que notamos que estamos embriagados. Me subiu à cabeça. O reconhecimento que eu comecei a sentir só me fez perceber depois de algumas horas que, oras, quem usa tintura a base de iodo pra falsificar uísque?? Lembrei de inúmeros vídeos que vi gente enchendo garrafa de Red Label com Black Stone, das histórias sobre uísque diluído, sobre o próprio corante caramelo que vemos em tantas bebidas como bem explicado aqui. Nossa, que ingênuo… Por causa de um pouco de ego e de uma informação científica correta (o iodo reage com o amido mesmo) eu aceitei um argumento falso: esse teste não serve universalmente (obrigado por esta última palavra, fica muito melhor explicar assim do que “pra todos os uísques” como eu vinha fazendo).

    Tive tantos insights com essa “experiência” que nem vou descrever. Pensei sobre pastores neopentecostais, sobre a eugenia (defendida cientificamente no período nazista), sobre nosso momento político-econômico (economistas de Facebook têm diversos argumentos científicos) e sobre ex-namoradas que tinham amigos muito solícitos (e sobre minha solicitude para algumas amigas, claro). Não dá pra fazer um julgamento preciso disso tudo porque não é A ou B e sim um alfabeto bem diverso de variáveis. Mas a conclusão final sobre uísque e tudo isso que citei é que não existe um teste pra se precaver, e sim uma postura: não seja ingênuo.

    1. Caramba, meu caro Neloy, isso poderia ser uma introdução de um post incrível do Cão Engarrafado!!

      Pois é. O problema, amigo, é que as pessoas gostam de ser ingênuas. É mais fácil buscar uma solução única para tudo. É mais fácil viver em um mundo polarizado, em que tudo é preto ou branco, do que enxergar os nuances. É infinitamente menos complicado julgar por reflexo do que refletir (nossa, essa construção até que ficou interessante….). E por fim, é mais fácil acreditar naquilo que se quer acreditar, do que naquilo que não. É por isso que o vídeo fez tanto sucesso. Quem não quer uma pílula mágica para emagrecer comendo pizza e bebendo cerveja? Ou um trabalho que você recebe cinquenta mil reais sem sair de casa? É a espécie de promessa vaga e mentirosa que muitos de nós escolhemos acreditar por comodismo ou covardia. Pingar o whisky que alguém comprou por um terço do preço do original e ver que ele não fica azul no pão é uma forma de se enganar. Tudo acontece com os outros, nada conosco.

      Nossa. Estou amargo. Vou tomar lá um Boulevardier para ver se dá uma adoçada. Me empolguei. haha!

  4. Opa… o Oxalato de cálcio posso falar um pouco (já li sobre isso, pois faço cerveja em casa). O excesso oxalato de cálcio ocorre por FALTA de cálcio na água utilizada na produção do whisly (sim, é irônico, mas é verdade…rs). Se há cálcio suficiente na água utilizada, o oxalato vai se formando e precipitando um pouco em cada processo e vai sendo deixado pra trás, então, quando chega na garrafa, praticamente não há mais o que se formar. Se não tem cálcio suficiente, ele não se forma nos processos anteriores e acabam se formando cristais dele na garrafa.

    1. Então pera, pra eu entender: se você usa água desmineralizada na hora de cortar o whisky (diluir), isso ajuda ou atrapalha?

      1. Na cerveja, é “necessário” ter pelo menos 50 ppm de cálcio na PRODUÇÃO pra ocorrer a formação do oxalato nas etapas iniciais da produção. Levando isso pra prática, acredito q de nada adiantaria adicionar água na hora de servir, pois os cristais já estariam formados (cortar o whisky seria na hora de servir, certo? Naum manjo nada de whisky ainda…rsrs)

        1. Entendi!

          Não, não. Você corta quando tira do barril e engarrafa. Porque cada barril tem uma taxa de evaporação diferente, e o ABV é diferente. Então, para padronizar, você “blenda” tudo e depois adiciona agua desmineralizada até chegar no ABV desejado. Isso acontece para a maioria dos whiskies, mas é claro que há exceções: os cask strength e cask strength single barrel não passam por este processo.

  5. E aí Maurício.

    Um dos melhores textos que eu li sobre o assunto.

    No caso da garrafa que é reutilizada para se inserir um whisky mais barato. Seria possível identificar a falsificação através do selo da receita federal (se não for whisky comprado no exterior)?

    Pelo jeito você não aconselha comprar whisky no Mercado Livre, afinal?

    Abraços,
    Daniel

    1. Fala Daniel!

      Aí depende. O selo do IPI pode ser facilmente forjado também. Você pode inclusive tirar de uma garrafa e colocar em outra, se ele for mal colado. Quem cola é a produtora na origem. Então isso muda de marca pra marca. Alguns são mais generosos na cola do que outros.

      Não é que eu não aconselho. Mas recomendo cautela redobrada. O Mercado Livre possui uma variedade de rótulos que não estão disponíveis no nosso país, e isso é um grande atrativo. Esses whiskies costumam vir de mercados de fronteira, e lá há muita falsificação. Então o ideal é desconfiar de preços muito baixos e ter confiança no vendedor.

      Já para rotulos que estão disponíveis em nosso país, mas cujo preço é mais baixo no ML, não recomendo mesmo. O risco não paga o benefício. Se o preço está muito mais baixo a ponto de ser tão atrativo assim, é porque há algo errado. Além disso, comprando legalmente, em lojas oficiais/legalizadas, estimula-se a importação de novos rótulos. Se uma marca exporta whisky para cá, mas ele empata, enquanto o do mercado de fronteira voa, é bem provável que essa marca não vá mais ter interesse em nosso mercado. Além de que é mais seguro.

      Não posso refutar totalemnte o Mercado Livre. Há vendedores idôneos lá. E há bastante picaretagem, infelizmente. Já comprei muito por lá e já me ferrei algumas vezes. Outras me dei bem.

  6. Olá cão engarrafado.
    Leio a maioria dos seus textos e análises, pois entrei a pouco no mundo da degustação de whiskies. Tanto que experimentei meu dois primeiros single malts final de ano – um glenffidich 15 e um glenlivet, e simplesmente senti uma diferença gigantesca logo de cara. Hoje prefiro muito mais um single malt do que um blend. Mas então, estive observando o blend Bell’s li sobre sua história e vi que seu preço é muito acessível. Porém, com esse preço acessível veio minha dúvida. Esse bell’s com o rótulo da Bandeira do Reino Unido que tem seu valor entre 30 reais é realmente o bell’s? Confiável comprar esse whisky? Pois minha curiosidade em provar esse scotch é grande principalmente por sua história. E claro, se puder fazer uma análise sobre o whisky preferido dos ingleses agradeço.
    Muito obrigado.

    1. Fala Lorram, tudo bem? Legal que acompanha o Cão!

      Sim, esse Bells é o Bells Bells…rs. Mas até onde sabemos, passa por processo semelhante àquele do Teacher’s. É trazido em tanque estanque, cortado e engarrafado no Brasil. Vale conferir, though.

  7. Como vai, mestre?
    Enquanto houver bons produtos, haverá falsificações. Por isso, o senhor já conhece o meu receio ao escolher meu fornecedor.
    Estive em uma loja de brinquedos com meu filho e ao lado dos LEGOS que ele tanto adora, havia pelo menos 06 imitações diferentes hahaha.
    Aproveitando a oportunidade, gostaria de fazer um comentário: vi algumas pessoas virando garrafas de whisky que possuem rolha, visando umedece-la, assim evitando que a rolha se partisse e deixasse resíduos no fundo da garrafa. O que me pareceu correto.
    Vi esta recomendação também para whisky defumado, para “diminuir o impacto da fumaça” que iria aumentando, conforme a garrafa fosse esvaziando. O que me pareceu um tanto sem lógica.
    Também vi algumas pessoas tombando garrafas de whisky com tampa de rosca para que (segundo eles) o álcool que se concentraria no fundo da garrafa levemente se misturasse ao restante.
    Existe alguma realidade nisso?

    Abraços”

    1. Fala mestre! Minha filha também é apaixonada por Lego! Bom, e eu também…rs

      Umedecer a rolha faz e não faz sentido. Se ela estiver muito seca, pode ajudar. Mas se for umedecer para depois deixar em pé fechado por muito tempo, não é uma boa. O álcool evapora e resseca a rolha, e a torna AINDA mais quebradiça. Por isso, inclusive, que se guarda whisky em pé, e não deitado, como vinhos.

      Umedecer para reduzir a impressão de fumaça me parece meio loucura. Talvez a ideia parta do principio que você recupera os fenóis evaporados dentro da garrafa? Duvido, sinceramente.

      Tombar whisky com rosca é besteira. Aumenta a oxidação, primeiro porque você está, obviamente, mexendo o whisky, e o ar se mistura com o líquido durante esse movimento. Além disso, a area de contato com o ar da garrafa deitada é maior do que dela em pé, o que também contribui para oxidação. Não vejo lógica, e, aliás, me parece um contra-senso. Mas posso estar equivocado!!

  8. A maneira mais eficaz para identificar uma falsificação é prestar atenção aos detalhes da tampa. A garrafa pode ser original, mas a tampa geralmente é reutilizada ou similar. É possível perceber diferenças sutis, mesmo nas tampas similares.

  9. No meu casamento, o sogrão mão de vaca serviu só wisky falso e ninguém percebeu!deviam estar plhando as baratas que apareceram na festa.

  10. Como sempre , suas postagens são excelentes.
    Minha família está no mundo dos Whiskys a mais de 40 Anos no Paraguay. Representamos
    Com exclusividade grandes marcas e isso nos ajuda a desmistificar esses mitos.
    Forte abraço
    Firás
    lapetisquera.com

  11. Incrível esse post, até pq, ontem (09/01/18) após uma partida de futebol com os amigos, eles comentaram sobre os testes para descobrir o Whiskey falso, fiquei encurvado, mais sabe como é, se está no whats e no Google e vdd (sqn), e hj me deparo com a vdd… obrigado Cão…

    Obs. Já mandei o link pra eles.

  12. Então o negócio é beber whisky nacional , ou produzir o proprio pois dificilmente vão qrer falsificar pelo preço e qualidade

  13. Coloco ele no congelador se ele engrossar porque é verdadeiro se ele afinar é falso isso acontece com todos whisky a marca que for.fazem o teste

    1. Renato, não adianta sempre. Se você colocar Teacher’s dentro de uma garrafa de Blue Label e botar na geladeira, ele não vai engrossar. Mas não vai virar blue label também, entende? É uma espécie de falsificação, essa. Além disso, todos os destilados aumentam a viscosidade no frio. Se você coloca a vodka num freezer bem forte, ela fica as vezes até pastosa. Essa técnica funciona apenas para alguns tipos de falsificação, assim como aquela do pãozinho, infelizmente. Mas foi uma boa lembrar!

  14. Um texto espetacular, preciso e técnico. O melhor que já li sobre esse assunto. Parabéns, Dr. Maurício Lumsden!

  15. Grande Cão!

    Se me permite acrescentar, esse assunto é sempre polêmico pois toca em algo que nenhum apreciador de whisky gosta de admitir, é razoavelmente difícil de identificar a originalidade ou não de um rótulo na sua degustação…

    Talvez exista, para um indivíduo, um whisky do qual ele seja tão íntimo que fique evidente as diferenças no paladar entre o produto legítimo e a réplica, mas isso requer uma perícia, e conhecimento particular dessa bebida, certamente não comum a todos… Situação essa que só pode, e só irá, se agravar num rótulo nunca experimentado…

    É claro que tudo isso vai também depender de quão grosseira, ou precisa, for a falsificação…

    Portanto, sempre que me perguntam sobre falsificações, mesmo dos whiskies que sou mais íntimo possível, faço das suas as minhas palavras, a cautela na compra é muito mais preferível do que descobrir no paladar, ou na ressaca…

  16. Mais um excelente texto, a qual faço questão de registrar minha admiração. Só para complementar os mitos e verdades de como se verificar se um whisky é falso ou não, aqui no nordeste do Brasil, criou-se uma “teoria”. A técnica que já vi alguns “especialistas” utilizarem é derramar um pouco do whisky na palma da mão e esfregá-las por poucos segundos. Após essa ação cheirar a mão. Caso permaneça ainda um forte cheiro de álcool, ou não fique praticamente cheiro nenhum na mão o whisky é falso. Se o cheiro de álcool praticamente sumir e ficar um cheiro perfumado e saboroso o whisky é original. kkkkkkkk Bem, com certeza esse teste é bastante subjetivo e duvidoso. kkkkk De todo modo, se já ouviu falar comenta aí! Forte abraço amigo!

    1. Fala Francisco! Pois é, já ouvimos essa também. Mas isso depende muito do whisky e da bebida que foi usada como base. Há blends suaves que essa técnica se torna bem duvidosa. É o comparável ao “fundo de copo” – quando deixamos um pouco no copo e ele seca, ganha um aroma característico!

  17. Mais um excelente texto, e muito oportuno. Na última quarta, tomando whisky com amigos, a conversa foi parar em métodos para descobrir os falsificados. Claro que o pão, a caneta e as bolhas foram alguns dos métodos citados, rss. Já compartilhei a matéria com eles, rss. Parabéns, sou um seguidor fiel do Cão.

  18. Quebrem sempre as garrafas após consumir, isso vale tb para bares, restaurantes e condomínios.
    Empresas de reciclagem de vidro fornecem lixeiras próprias para isso e se encarregam da coleta, simples assim.
    Qto as tampas, joguem no lixo comum, e não coloque novamente na garrafa.
    Tive uma grande choperia e meu lixo era sempre revirado.
    Sempre tinha alguém oferecendo bebidas com preços mágicos e até dosadores menores.

  19. Ai ai.. poderia ter dito a mesma coisa em 3 linhas, aff. só clickbait esse arquivo.

    Da próxima vez, tente ser mais objetivo.

    1. Opa, desculpa aí, João!

      Realmente, meu poder de síntese não é dos melhores. Mas acho que você pode me ajudar. Escreve pra mim em três linhas tudo que o texto disse, por favor? Mas como fui prolixo, não vale deixar qualquer pedacinho de informação para fora ou simplificar os conceitos, tá bom?

      Abraço!

  20. Muito bom o site, os posts. Aprecio muito um bom scotch, especialmente os single malts, mas devo confessar que sou amador, pouco conhecedor do assunto, porém, interessado em aprender. Bem, ao longo dos últimos trinta e cinco anos (quando comecei a tomar uísque, no auge da juventude, aos 25) já experimentei vários single malts e alguns blends. The Macallan, vários Glenfiddich (12y, 15y, 18y, mas o Caoran, garrafa preta e rótulo prateado, foi o que mais marcou), Balvenie, Bowmore, Dalmore 15y, Jura 16y, Glen Deveron 20y (gostei muito deste, comprado no free shop de um navio no Caribe), The Glenlivet, Glenmorangie (inclusive as variações Lasanta e Quinta Ruban), Cardhu, e outros.
    Há dois ou três anos, um amigo trouxe para mim da Bolívia, por encomenda (de um fornecedor/loja até então confiável) dois litros de Johnnie Walker Green 15y. Abri um deles, provei, suspeitei, depois o outro, provei, continuei com o pé atrás, e guardei ambos. Externamente não vi nenhum sinal de falsificação; quanto ao conteúdo, bem, nota-se partículas em suspensão. Oleosidade presente no copo, aromas de single malt, sabor idem, porém com um final bem “apimentado”. Desconfiei.
    Há uma semana fui a um importador de minha cidade e comprei um Green de 750ml (importação oficial, DIAGEO no rótulo, selo fiscal). De cara, notei diferença na garrafa, sendo esta mais elegante, parecida com a do Gold (e do Blue, exceto por não ter o tom azulado desta). A garrafa dos outros (1L), para mim suspeitos, é diferente, de paredes mais finas, mais comuns (não sei dizer se são assim por serem as de 1 litro). Quanto ao aroma e sabor, o de agora pareceu-me um pouco mais suave, com raras partículas em suspensão (ao contrário dos anteriores), coloração bem parecida, e de final menos “apimentado”. Ainda assim, sigo na dúvida quanto aos de procedência boliviana, por assim dizer. O que você, que conhece a fundo o tema, acha?
    Abraços! E parabéns pelo site!

    1. Opa, fala Rossi!

      Meu caro, pode ser falso, mas não há como ter certeza. A diferença sensorial é muito acentuada? O Green antigo era mais adocicado um pouco, e mais oleoso. O novo é mais “crisp” (uma palavra besta para dizer seco bom).

      As particulas em suspensão podem ser floculação. Algumas lojas e distribuidoras acondicionam mal seus produtos, que sofrem muito com variação térmica e de luminosidade. Isso estraga visualmente o whisky, e altera seu sabor. Pode ser isso também. A bebida está desagradável? E a cor? É semelhante ao atual green? Ele ficou um pouco mias claro.

      A garrafa mudou de visual de alguns anos para cá. Ficou mais lapidada e mais comprida. Então, acho que pela ampola, é difícil determinar a originalidade.

  21. Olá! Conheci o seu blog alguns dias atrás e fiquei encantado com o conteúdo. Estou caminhando para os 20 anos e passei a gostar de Whiskey! Estou querendo fazer uma aquisição de uma garrafa de Jack Daniels que tem no comércio aqui perto. Todos os whiskey que já tomei, foram de amigos, então,agora, quero comprar minha própria garrafa, de preferência, essa de Jack Daniels. Tirei ele da caixa lá no comércio mesmo e verifiquei que possui alguns selos na boca, lacrado normalmente. Mesmo assim, estou meio receoso para comprar, devo atentar para alguns outros detalhes?

    1. Opa, fala Vinícius! Preste atenção em outras coisas. O rótulo está nacionalizado? A importadora da Jack Daniel’s é a propria Brown Forman. O nome está citado no verso? O selo é aquele do IPI? E, acima de tudo, como está o preço? Duvide de ofertas da china!

  22. Eu estou tendo uma dúvida enorme pois sempre fui avesso a whisky. Desde adolescente quando experimentei o Grants e o White Horse que meu pais tinha. Agora já com 30, numa “pré” na casa de um brother, fui desafiado a provar um Double Black Label e achei bom demais! Daí assisti a uns vídeos no Youtube e resolvi comprar uns para deixar em casa e beber de vez ou outra, além de ter uma variedade além da cerveja e vinho que costumo ter. Ocorre que comprei um green label, um glenmorangie the original (tendo esses dois como certos, pelo custo benefício em razão das opiniões favoráveis que li, sendo que o último seria uma espécia de entrada). Também adquiri minigarrafas da coleção glenfiddich para que pudesse ter contato de uma só vez com três produtos da mesma destilaria, e assim aprecio enquanto ao mesmo tempo tenho a experiência de conhecer o desenvolvimento dos três produtos entregues pela marca. Ocorre que fiz as compras pelo site da Americanas (green label e glenmorangie the original – este último ainda não chegou) e Mercado Livre (glenfiddich) e estou indeciso pois achei muito prevalente o álcool no aroma e ao descer, com persistência no gosto também. Cocando um pouco de água, ou gelo, melhorou pouca coisa. E deixando um tempo respirando antes de voltar a tomar também. A cor seria um pouco diferente entre os quatro. Isso seria um sinal de um produto duvidoso? Estou pensando em comprar agora as minigarrafas de site citado em página de especialista só para fazer uma confirmação se é o produto ou na verdade o meu paladar é que não está muito habituado ainda especialmente com single malte (achei que pudesse ser isso já que o black é um blend). Espero tirar uma conclusão diferente ao experimentar o glenmorangie, que dizem ser muito leve. Mas ainda assim gostaria de compartilhar tudo isso a fim de ter uma opinião e orientação de pessoa conhecedora e abalizada. Obrigado.

    1. Oi Daniel! Tudo bem, meu caro? Bom, antes de tudo, deixa eu te dar um puxão de orelha. Não compre produtos que você sabe que têm no Brasil via Mercado Livre. A falsificação é maior e o barato sai caro. Entendo ir atrás de algo mais exclusivo – um Tullibardine, Highland Park etc. – por lá. É tentador porque é fácil. Mas comprar lá só pela diferença de preço é um risco enorme, além de estimular o contrabando, o descaminho e afetar negativamente o mercado formal, de importadoras e lojas, que dependem de volume e interesse de clientes para sempre comprar e aumentar a variedade.

      Bom, bronca dada, vamos a um papo mais legal. Eu acho que é o perfil de sabor. O Double Black tem um perfil adocicado/enfumaçado que os demais não tem. E isso esconde o álcool, e pode ter te agradado. É minha preferência também, para ser bem sincero. Procure, assim, o Talisker, Ardbeg e Laphroaig. Vá com calma. Compre um por vez, começando pelo Talisker, e depois me diga se você não prefere este perfil. Pode ser isso.

      Você abriu os outros Glenfiddichs? Se sim, faça isso. O 15 terá perfil mais doce e frutado que o 12. E o 18 será mais sério, e o álcool será bem mais suave. Se assim for sua percepção, provavelmente são produtos originais, e seu paladar ainda não acostumou com eles. Neste caso, pingue um pouco de água e deixe a taça respirar por uns 15 minutos. Mas não confunda a oleosidade com a agressividade. Whiskies pouco oleosos como Glenmorangie podem ser alcoolicamente agressivos. Blends são bem menos oleosos que single malts, mas, muitas vezes, têm alcool mais mal integrado e por isso parecem mais agressivos. Mas pode ir em frente com o Glenmorangie, você vai gostar. Ele não é agressivo e é bem pouco oleoso. Mandou bem 🙂

    1. wwww.lojadewhisky.com.br sem a menor sombra de dúvida. Entregam rápido e muito bem embalado, e só trabalham com produtos originais e importados por meios legais (sem contrabando).

  23. Saudações. A respeito das falsificações de whisky, tenho dúvidas em relação às embalagens, mais especificamente os rótulos e selos IPI. É verídico que um whisky deve conter na parte de trás do rótulo informações em inglês e português, além de também conter o selo IPI? E que se se houverem informações apenas em inglês não deve conter o selo IPI?

    1. Kamar, bom dia!

      Se o whisky está a venda no Brasil, alguma coisa tem que ser nacionalizada. O selo do IPI é obrigatório. Se não tiver, ou é porque a bebida veio de fora por meio de contrabando ou descaminho (e portanto não deveria ser comercializada aqui, ainda que talvez seja original), ou é porque é falsificada. Tá, o selo pode ter caído também, mas isso seria bem raro.

      A parte dos rótulos, depende. Algumas importadoras colam selos simples na lateral da garrafa com informações em português. Outras fazem o trabalho mais bonitinho, e substituem o rótulo traseiro por um com os requisitos legais brasileiros. Vai depender bastante do whisky.

  24. Boa tarde! Comprei um Chivas 18 e ainda não abri. Chegou hj. Tem o selo do IPI e os detalhes devidos na garrafa. Comparei com um 12 q tenho. Só que a caixa foge ao padrão do 18. Ela é azul escura na maior parte com uma faixa azul clara embaixo. Pode ser falso só por isso?

    1. Marcos, difícil que seja. Mas seria impossível determinar sem saber a procedência. Onde você comprou?

      A caixa muda de tempos em tempos, e há uma edição especial do 18, exclusiva de duty free, que tem uma caixa maior e mais quadrada. Pode ser esta?

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