Drops – Johnnie Walker 10 anos Rye Cask Finish

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Esta é a última prova de uma série de três whiskies com finalizações pouco ortodoxas. Os dois primeiros foram o Jameson Caskmates Stout Edition e o Glenfiddich IPA Cask. E enquanto estes dois se baseiam no universo da cerveja artesanal – razão pela qual este Cão resolveu degustá-los no Empório Alto dos Pinheiros – o Johnnie Walker Rye Cask Finish se inspira no mundo da coquetelaria.

O Rye Cask Finish é o primeiro de uma linha de blended whiskies que serão lançados pela Johnnie Walker com finalizações diferentes – a série Select Casks. Caso você não esteja familiarizado com o conceito de finalização – uma ideia absurdamente obvia e genial ao mesmo tempo – o Cão explica. É uma técnica que consiste em pegar um whisky que já tenha sido maturado em certa barrica (de bourbon, por exemplo) e transferi-lo para uma barrica que foi usada para uma bebida diferente (vinho do Porto, por exemplo). O uso da segunda barrica adiciona certos sabores e aromas à bebida, complementando as características emprestadas pela primeira.

O Johnnie Walker Rye Cask Finish é um lançamento corajoso. Ele é, provavelmente, o primeiro Johnnie Walker que utiliza a técnica de finalização. Sua maturação ocorre em barricas de carvalho americano de ex-bourbon de primeiro uso por, no mínimo, dez anos. Depois, ele é finalizado em barris que antes foram utilizados para Rye Whiskey americano – provavelmente Bulleit Rye. Sua base é o single malt Cardhu, e é engarrafado com graduação alcoolica tem 46% – propositalmente acima da maioria das expressões da marca, justamente para que possa ser utilizado para coquetelaria. A graduação alcoólica mais alta faz com que o whisky se destaque, mesmo se houver diluição ou mistura.

Bulleit Rye
Bulleit Rye

Quando provamos, o Johnnie Walker Rye Cask Finish nos surpreendeu muito positivamente. Aliás, mesmo antes de experimentá-lo, já ficamos muito bem impressionados. Afinal, ele é um whisky recentemente lançado, mas possui idade estampada no rótulo – dez anos – algo cada vez mais incomum nos dias de hoje. Além disso, é engarrafado a 46%, algo bastante raro. E mais raro ainda, é uma finalização experimental em um blended scotch whisky.

O aroma predominante do Rye Cask Finish é de coco queimado. Há um certo dulçor com especiarias que lembra os whiskeys americanos de centeio, como o Bulleit Rye e o Wild Turkey 101 Rye, mas muito mais discreto. O sabor é mais amargo do que o aroma, e a finalização é seca e com pimenta do reino e canela. O defumado característico da marca do andarilho está lá, mas apenas no final.

O Johnnie Walker Rye Cask Finish está disponível em certos mercados internacionais, como nos Estados Unidos e no Reino Unido, mas não virá para o Brasil. Ao menos, não neste primeiro momento. Assim, se você é um apaixonado por coquetelaria e encontrar um destes, tente experimentar. E se puder, até arrisque um Manhattan com ele. Sua coragem poderá ser recompensada.

JOHNNIE WALKER RYE CASK FINISH

Tipo: Blended Whisky com idade definida (10 anos)

Marca: Johnnie Walker

Região: N/A

ABV: 46%

Notas de prova:

Aroma: Mel, açúcar mascavo, um leve aroma de canela

Sabor: Mel, coco queimado, açúcar mascavo. Finalização média, progressivamente mais amarga e com especiarias: canela e pimenta do reino.

Disponibilidade: apenas lojas internacionais.

Das Flores – Suntory Hibiki 12 anos

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Se você é um fã de Gordon Gekko, o inescrupuloso investidor fictício de Wall Street, talvez saiba o que foi a Febre das Tulipas. Ou talvez não, porque, enfim, existem coisas melhores para se fazer do que decorar cada trecho de um filme. Então, por via das dúvidas, aí vai uma breve explicação.

A Febre das Tulipas foi um período durante o século dezessete em que a elite holandesa tornou-se absolutamente obcecada por uma simples flor. A história toda começou quando um tal Suleiman, o Magnífico, encontrou tulipas em uma de suas viagens à Ásia. Embasbacado – não sei bem por o que – resolveu que enviaria um exemplar a um botânico, em Leiden.

O resto da história é pura insanidade. Ou talvez haja alguma reação neurológica desconhecida pela ciência entre a mente dos holandeses e flores sem graça. Porque os abastados da Holanda ficaram tão mesmerizados com aquela espécie que, em pouquíssimo tempo, seu preço disparou.

O pico da obsessão ocorreu entre dezembro e fevereiro de 1636. O preço de uma libra de tulipas passou de 125 florins para 1.500 – isso mesmo, mil e quinhentos, não tem um zero a mais aí. Uma inflação de mil e cem por cento. Para você ter uma ideia, isso seria suficiente para comprar um lar flutuante no melhor lugar de Amsterdã.

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Troco por três tulipas

Por fim, em abril daquele ano os preços despencaram. E ninguém sabe bem a razão. Talvez os preços tivessem atingido um patamar tão alto que até mesmo os mais ricos estivessem em dúvida. Ou quiçá porque o mundo tenha acordado de sua histeria botânica, colocado a mão na consciência e reconhecido o óbvio. Que aquilo era apenas uma flor.

Um fenômeno muito parecido – mas em menor grau – ocorreu como o Hibiki 12 anos, aqui mesmo, no Brasil. Em 2015, quando a Tradbras, responsável pela importação do blended whisky japonês deixou de trazê-lo para nosso país, seu preço explodiu. Um whisky que custava em torno de trezentos e cinquenta reais foi quase instantaneamente extinto das lojas, e os poucos exemplares que restaram, passaram a ser vendidos a mais de mil reais.

Aquilo foi um acontecimento curioso. Porque seu preço atingiu patamares insanos apenas no Brasil, e, exceto pelo progressivo rareamento das garrafas nas prateleiras das lojas, não haveria nada que pudesse justificar aquela inflação. Ou, talvez sim.

Acontece que em 2013 seu irmão mais velho, o Hibiki 21 anos, recebeu prêmio de melhor blended whisky do mundo pela World Whisky Awards. E, em 2015, o Suntory Yamazaki Sherry Cask foi eleito por Jim Murray como o melhor whisky do mundo, em sua famosíssima Whisky Bible de 2015. A notícia da escolha de um whisky japonês por Jim Murray reverberou pelo mundo cibernético, e acabou por gerar ruído também aqui, no Brasil.

Já nós, brasileiros, como não tínhamos nem uma nem outra expressão à venda em nossas terras, naturalmente focamos naquelas disponíveis. Os ótimos Yamazaki 12 anos e os Hibiki 17 e 12 anos. Dentre elas, a mais acessível era justamente esta última. E a repentina fama coincidiu, justamente, com a interrupção da importação destas expressões para nossas terras. Coincidência que culminou num tsunami inflacionário de whiskies japoneses.

Independentemente deste cataclismo, o Hibiki 12 anos é um ótimo blend. Ele contém mais de trinta single malts e grain whiskies em sua mistura. Mas seu coração é bem conhecido. Yamazaki, proporcionando aroma doce e frutado, e Hakushu, contribuindo com defumado e cítrico. Há também whisky de grão da destilaria Chita. Todos seus componentes pertencem à Suntory que – não por coincidência – é também proprietária da Hibiki.

A maturação do Hibiki 12 anos ocorre em um conjunto de barricas de diversas características. Barris que antes contiveram Bourbon whisky e vinho Jerez espanhol são combinadas com aqueles de carvalho japonês – conhecido como mizunara – que antes envelheceu Umeshu, um tradicional licor de ameixa japonês. Isso o torna bastante atrativo para aqueles que apreciam os whiskies mais adocicados e florais, como o Ballantine’s 17 anos e Chivas Regal 18 anos.

Umeshu
Umeshu

O Hibiki 12 anos recebeu uma série de prêmios internacionais, entre eles, medalha de outro em 2016 pela International Spirits Challenge, duplo ouro na San Francisco World Spirits Competition rm 2014. Feitos bem impressionantes para um blended whisky produzido fora da Escócia e relativamente jovem.

Ele poderia ser o blended whisky perfeito. Adocicado, equilibrado, visualmente atraente e muito elegante. Um whisky pouco óbvio, mas, ao mesmo tempo, bastante atual. O único problema é encontra-lo por aqui.

Encontrá-lo e, claro, seu preço. Porque, no final do dia, não importa muito quão excepcional, raro ou atual ele seja. Mil reais por um blended whisky que não ultrapassava metade disso quando podia ser facilmente encontrado nas lojas não me parece algo racional. Mas, enfim, existe sempre a febre, a especulação e o inexorável declínio.

E talvez o Hibiki 12 anos seja simplesmente isso. A tulipa dos whiskies. E por mais belo e mais raro que seja um botão, ele sempre poderá ser substituído sem muito sofrimento por uma rosa ou uma orquídea. Afinal, meus caros, são todas apenas flores.

SUNTORY HIBIKI 12 ANOS

Tipo: Blended Whisky com idade definida – 12 anos

Marca: Suntory

Região: N/A

ABV: 43%

Notas de prova:

Aroma: Aroma frutado, adocicado, com certo final floral muito agradável.

Sabor: Mel, frutas em calda, floral, baunilha. Final adocicado, persistente e frutado.

Com água: A agua ressalta o sabor da baunilha e o floral.

Disponibilidade: disponível no Brasil (esgotado)

Drink do Cão – Frontera – Especial Sherry Week

Frontera

Nenhum homem é uma ilha,
Completo em si mesmo
Cada é uma parte do continente
Uma parte do principal

Muito provavelmente você já viu parte do trecho acima em algum texto no Facebook.  Mas o que pode ser que você não saiba é que, virar filosofia de rede social, estre trecho pertencia a uma prosa de John Donne, chamada “Devotions upon Emergent Occasions” (ou Devoção em Momentos de Emergência). Mas talvez você conheça a obra por sua frase final, que diz “jamais perguntes para quem os sinos dobram, eles dobram para ti”.

O legal é que Devotions – escrita em 1624 – inspirou uma infinidade de obras literárias e musicais. Hoje em dia, a mais conhecida delas é, muito provavelmente, a música “For Whom the Bell Tolls”, do Metallica.

Acontece que a música não é diretamente inspirada em Donne. Ela é baseada em outra obra literária. Um livro de Ernst Hemingway, chamado “Para quem os Sinos Dobram” – este sim baseada na prosa. Nele, Hemingway descreve os horrores ocorridos durante a guerra civil espanhola de 1930 pelos olhos de um americano, Robert Jordan.

Ao longo da trama, Jordan se apaixona por Maria, uma jovem espanhola que fora resgatada pelo grupo que ele mais tarde faria parte. E Maria, quase instantaneamente e magicamente sente uma atração meio esquisita e irresistível por aquele homem muito mais velho, sujo e atormentado, de uma forma que somente seria plausível em um livro de Hemingway. Tanto que ela mesma, na primeira noite que conhece o americano lhe diz, de cara “Você e eu somos o mesmo (…) Agora eu sei porque me senti daquele jeito”.

Jordan, um americano, foi concebido anos antes, do outro lado do Atlântico, para completar Maria.

E ela ainda é a cara da Ingrid Bergman!
E ela ainda é a cara da Ingrid Bergman!

Mas não é apenas nos livros de Hemingway que americanos e espanhóis se completam de uma forma quase inacreditável. Na coquetelaria, incrivelmente, há uma sinergia entre os países quase tão forte quanto aquela entre Maria e Robert. Prova disso foi o coquetel Frontera, criado pelo mestre Laércio Zulu, durante a Sherry Week. O drink, que leva Bourbon whiskey e vinho Jerez fino Tio Pepe, é o perfeito casamento entre as vocações etílicas das duas nações.

Conforme nos explicou Zulu, cada ingrediente no Frontera tem uma função. O Bourbon empresta seu aroma e sabor amadeirado e de baunilha. O abacaxi, o cítrico tropical. O vinho Jerez traz harmonia e a angostura, aroma. Cada um deles complementa as características do outro. É quase como um grupo de guerrilha em um livro de Hemingway.

De acordo com Zulu, “pra balancear esta mistura eu apostei num estilo muito usado e que dá muito certo – sours. Tendo como referência os “New Orleans Sour”, sub grupo defendido pelo inglês especialista no assunto, Mr. Gery Regan. A partir daqui só veio a parte mais gostosa, equilibrar Jerez e Boubon no mesmo copo, pensar em “o quê” de cada que gostaria de ressaltar sem obstruir ao outro… foi um desafio prazeroso, o cítrico, frutado do Jerez amarrado com amadeirado e notas de frutas secas, baunilha do Bourbon foi o ponto de partida. Pra fazer ligação direta, o “sweet and sour” fecha o ciclo, o tempero final (bitters) veio para experiência ficar perfeita… terroso, e especiarias.”

Assim, cada ingrediente – assim como um grupo de guerrilha em um romance de Hemingway – tem uma função. E o resultado é um coquetel equilibrado, onde – com um pouco de atenção e lucidez – pode-se notar tanto o vinho quanto o whiskey, sendo que nenhum ingrediente se sobrepõe aos demais.

FRONTERA

INGREDIENTES

  • 40ml de Bourbon Whiskey
  • 30ml de jerez fino Tio pepe
  • 3 cubos de abacaxi
  • 15ml de suco de limão
  • De 3 a 5 gotas de Angostura

PREPARO

  1. Em uma coqueteleira, amasse os cubos de abacaxi.
  2. Adicione um pouco de gelo, o bourbon, o Tio Pepe e o suco de limão. Bata por uns bons quatro segundos, e desça o conteúdo em um copo baixo.
  3. Se você tiver feito certo – e sem preguiça na hora de bater – haverá uma discreta espuma na superfície do coquetel. Adicione a angostura com cuidado sobre essa espuma, para que fique semelhante à foto que ilustra este post.

Whiskies para comprar no Duty Free II

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Ah, finalmente nos aproximamos do fim do ano. Uma época recheada de contradições. Árvores de natal, neve artificial e calor infernal. Uma agenda cheia de compromissos sociais, e a vontade negativa de frequentá-los.

E você até poderia argumentar que tudo bem, que o fim de ano é chato mesmo, mas que ao menos temos os feriados. Só que neste ano, neste lindo ano de dois mil e dezesseis, nem isto serve de alento. Porque tanto o natal quanto o réveillon cairão em um fim de semana.

Assim, para nós, restam apenas duas opções.  A primeira é derreter em casa. Lentamente derreter, assistindo pela televisão aos fogos de artifício no Rio de Janeiro, levantar o pé esquerdo e entornar algum espumante, desejando que, em 2017, possamos passar menos calor e descansar ao menos um dia a mais.

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Bem por aí

A segunda é viajar. Talvez para o interior. Ou para outro estado. Ou – idealmente – para outro país. Um país mais frio e com menos gente que conhecemos. Viajar para ver novos lugares, novas culturas e novas bebidas. E, de quebra, comprar alguns whiskies no Freeshop, claro.

Assim, aí vai nossa tradicional lista de (desta vez) cinco whiskies que podem ser facilmente encontrados nos Duty Frees de aeroportos brasileiros, no embarque ou desembarque de voos internacionais. Organizados por preço, do maior para o menor. A lista anterior você pode encontrar clicando aqui.

Aproveite suas férias para beber melhor.

 

THE MACALLAN RARE CASK BLACK

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É um Macallan defumado. Realmente precisa falar mais? Bem, segundo o próprio site da destilaria, o Rare Cask Black é um whisky diferente de qualquer outro Macallan de hoje em dia. Menos de cem barricas foram escolhidas para sua criação.

O Rare Cask black tem coloração semelhante àquela do Macallan Ruby. Seu sabor, aliás, é próximo daquele, mas com um toque a mais de defumado e uma finalização puxada claramente para os taninos do vinho Jerez.

O preço é igualmente picante. US$ 450,00 (quatrocentos e cinquenta dólares) em nosso duty free. Mas veja pelo lado bom, não vai sobrar dinheiro na cota para trazer chocolatinhos para todas aquelas pessoas que você não quer presentear com chocolatinhos.

 

GLENLIVET NADURRA PEATED CASK

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Glenlivet (quase) cask strength. Se não ficou convencido, então saiba que o Peated Cask é – como o nome diz – maturado em barricas que antes contiveram whisky defumado. Isso dá a ele um discreto aroma de fumaça, que se complementa perfeitamente com o dulçor do whisky.

Sua graduação alcoólica é de 48%. O Glenlivet Nadurra Peated Cask é quase tudo que um amante de whiskies poderia querer. Alta octanagem, defumação e riqueza. Além disso, graças à sua graduação alcoólica e maturação, ele é um excelente companheiro para charutos. No Duty Free, o Nadurra Peated custa US$ 95,00 (noventa e cinco dólares).

CHIVAS 1801 REVOLVE

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Algumas versões deste blended whisky foram lançadas ao longo dos anos, algumas com idade definida – dezessete anos – outras com graduação alcoólica de cinquenta por cento, e outras sem idade e com álcool mais brando.

Seja como for, o Revolve é um ótimo blend. Ele remonta a seu irmão, o Chivas 18, mas com um certo frutado, provavelmente por conta do uso do single malt Longmorn em sua composição. Mas a parte mais legal do Chivas 1801 é a sua garrafa. Ela possui uma espécie de pino no meio, que permite que você a gire como se fosse um peão. O Chivas Revolve é quase um drinking game pronto.

O Chivas Revolve custa no Duty Free US$ 85,00 (oitenta e cinco dólares). Se quiser saber mais sobre ele, clique aqui.

CRAIGELLACHIE 13 ANOS

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A Craigellachie faz parte dos Last Great Malts, um conjunto de destilarias pertencentes à John Dewar & Sons, que conta também com Royal Brackla, Aberfeldy, Autmore e The Deveron. É um dos whiskies base na composição dos blended whiskies da linha Dewar’s, e responsável por lhe proporcionar peso e especiarias.

O Craigellachie é ao mesmo tempo adocicado e picante. Há um final quase imperceptivelmente esfumaçado. É um whisky versátil e com excelente custo-benefício. Além de ter um dos rótulos mais legais que já vimos. Seu preço no Duty Free é de US$ 75,00 (setenta e cinco dólares).

MONKEY SHOULDER

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O Monkey Shoulder é um blended malt, composto de apenas três whiskies. Glenfiddich, Balvenie e Kininvie. Segundo a William Grant & Sons, empresa por trás do whisky, todas as barricas empregadas são de primeiro uso e que antes maturaram bourbon whiskey. Aliás, a referência a “Batch 27” em seu rótulo não diz respeito ao lote atual, mas sim àquele experimental, de vinte e sete barricas.

O Monkey Shoulder é um whisky saboroso e com excelente drinkability. Funciona bem puro ou em conquetéis. Assim, se você estiver procurando algo pouco custoso, versátil e de qualidade, ele é provavelmente uma das suas melhores escolhas nas prateleiras do Freeshop. Seu preço é de US$ 39,00 (trinta e nove dólares).

 

Sobre Óribtas – Jupiter Talismã Sebastiana

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Esses dias andei revendo algumas das últimas provas do Cão. Sei lá, uma vontade de recordar o que já tinha bebido, misturada com o mais profundo e cristalino tédio de domingo à tarde. E eu notei que, apesar do Cão ser um blog sobre whisky, quase metade dos posts fazem referência a outras bebidas. Ou, ainda mais, são sobre elas. Há uma dezena de provas de cervejas (todas elas, maturadas em barricas), uma de sidra e até mesmo uma de gim. Isso sem contar as receitas de coquetéis e pratos.

E acho que a ideia por aqui é mais ou menos essa. Ou tornou-se essa, ao longo deste par de anos. Orbitar o mundo do whisky, mas não sem sofrer certa influência gravitacional daqueles contíguos, como o da cachaça, cerveja e coquetelaria. Afinal, o whisky faz parte de um sistema muito maior, dele recebe e nele exerce influência.

Com esse espírito, provei na semana passada a Jupiter Talismã Sebastiana, uma Imperial IPA maturada em barricas de carvalho que antes contiveram a cachaça Sebastiana, do Alambique Santa Rufina. E fiquei muito surpreso. Minha impressão é que seria uma cerveja relativamente azeda, com muito dulçor e pouco equilíbrio. Mas ao prová-la, notei que era bem o contrário. A Talismã Sebastiana é uma cerveja muito equilibrada, onde o sabor emprestado da barrica não se sobrepõe ao amargor do lúpulo, e que não possui qualquer traço de acidez.

Na verdade, a história da cerveja e da barrica é um pouco mais detalhada que essa que acabei de contar. Ela começa com um barril de carvalho, que maturou Sebastiana por um ano e meio. Depois, foi esvaziado e preenchido com a Dez Lúpulos, outra belíssima cerveja da Jupiter. E essa Dez Lúpulos foi misturada com um lote de uma Jupiter Imperial IPA, uma edição limitada da cervejaria.

Jupiter Dez Lúpulos
Jupiter Dez Lúpulos

Tanto David Michelsohn, criador da Jupiter, quanto Beto Mattos, master blender e proprietário da Cachaça Sebastiana deixam claro que notam essa força gravitacional entre as bebidas. De acordo com Beto: “unir esses mundos que caminham em paralelo (mas com extrema similaridade), é o mais interessante. Temos atualmente uma explosão dos mercados de cervejas artesanais e de cachaça de alambique no Brasil e no mundo. Essa explosão mostra que o consumidor, principalmente o brasileiro, aceitou que nós podemos sim, ter produtos de extrema qualidade, “Made in Brazil

David completa “Para a Júpiter é uma oportunidade incrível de desenvolver uma cerveja maturada em barril com quem realmente sabe do assunto. Ele [Beto] entende muito bem o trabalho da madeira na bebida e o resultado fica muito claro no sabor e aroma da cerveja.”

A Jupiter Talismã Sebastiana estará disponível como chope tanto no EAP – Empório Alto dos Pinheiros quanto na Choperia São Paulo, da qual David Michelsohn é sócio. Foram produzidos poucos barris da cerveja, então, caso você se interesse, é melhor correr. Além deles, chegarão ao mercado apenas duas mil garrafas.

Se você é apaixonado por whisky, mas não por isso deixa de admirar uma bela cerveja ou uma excelente cachaça, não deixe de provar a Jupiter Talismã Sebastiana. Com o perdão da piadinha cretina – é algo de outro mundo.

JUPITER TALISMÃ SEBASTIANA

Cervejaria: Jupiter

País: Brasil

Estilo: Imperial IPA

ABV: 9%

Notas de Prova:

Aroma: herbal, adocicado, com um pouco de açucar refinado e banuilha.

Sabor: Encorpada, carbonatação média. Herbal, amargor seco. Final progressivamente mais adocicado, com bastante baunilha. A influência da cachaça fica clara, mas não se sobrepõe ao aroma emprestado pelos lúpulos.

Harmonia – Buchanan’s 12 anos Deluxe

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Essa semana acordei reflexivo. Após divagar por algumas horas sobre o que me fazia feliz – passando por minha família, meus amigos, cultura, whisky e um belo carbonara com pancetta – desemboquei em um pensamento de Ghandi. Ghandi uma vez disse que felicidade é quando há harmonia entre o que você pensa, fala e faz. 

O que me faz concluir que Ghandi vivia em uma época cujos meios de comunicação eram pouquíssimo eficientes, ou que ele tinha poucos amigos. Porque, para mim – um cara mais ou menos mal-humorado e artificialmente sociável –  muitas vezes tudo que quero é harmonizar a total ausência de pensamentos, com o silêncio absoluto e a mais cândida agenda.

Só que isso é simplesmente impossível, porque há o grande problema de harmonizar as harmonias. Como quando algum amigo me liga, perguntando se quero ir a algum bar, quando a querida Cã me convida para jantar fora, ou quando a Cãzinha pede para jogar bola comigo.

E aí, por pura má vontade, invento uma desculpa. Algo pensado e dito de forma a harmonizar com minha inércia egoísta. Não posso, tenho que levar o cachorro para passear, hoje precisarei trabalhar, ou papai está com dor nas costas (aliás, pega ali o controle remoto pro papai). O problema é que é fácil inventar pretextos, e – com a prática e insistência – acabamos desviando do essencial. Essas pessoas.

Quase não teve texto porque o cachorro comeu meu computador.
Quase não teve texto porque o cachorro comeu meu computador.

E toda essa filosofia de boteco (afinal, este é um blog sobre whisky) acabou me levando ao Buchanan’s 12 anos Deluxe. É que desde que criei o Cão Engarrafado – ou melhor, desde que alguém passou a ler o Cão Engarrafado – recebo quase semanalmente pedidos para falar deste Buchanan’s. E sempre invento um pretexto, porque, enfim, não quero, e o blog é meu, deixe-me com minha harmonia. Mas hoje não. Hoje não inventarei mais desculpas e prometo que não escreverei mais um parágrafo de introdução tentando em vão procrastinar antes de chegar ao tema.

O Buchanan’s 12 anos Deluxe é um blended whisky, produzido pela Buchanan’s, hoje parte da gigante Diageo, também detentora de marcas como Johnnie Walker, Old Parr e de destilarias importantíssimas, como Lagavulin, Mortlach, Dalwhinnie, Cardhu, Talisker e Caol Ila.

Sua fórmula original foi criada em 1884 pelo fundador da marca, o canadense James Buchanan, com a ajuda financeira de W.P. Lowrie, de Glasgow. James, um homem que quase exclusivamente pensava, falava e fazia whisky, também foi responsável pela criação do Black & White, e pela fundação da destilaria Glentauchers. Graças a seu empreendedorismo e talento, conseguiu também tornar-se fornecedor da bebida para o parlamento inglês.

É muito provável que, com o tempo, a composição do Buchanan’s 12 anos tenha sido alterada. Sucessivas mudanças de controle da marca e de destilarias que o compunham contribuíram para isto. Atualmente, diz-se que ele contém uma proporção generosa de single malts. Em torno de cinquenta por cento. Em seu coração está o “classic malt” Dalwhinnie, também pertencente à Diageo – ainda que este canídeo tenha alguma dificuldade em perceber as notas deste single malt naquele blend.

Aliás, aqui está uma curiosidade sobre a Buchanan’s. Ela é uma das únicas marcas de blended whisky que emprega dois master blenders diferentes. Keith Law e Maureen Robinson, formada em química farmacêutica, e uma das únicas mulheres no ramo. Ambos, com mais de trinta anos de experiência na indústria do whisky.

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Maureen, buscando felicidade.

O Buchanan’s 12 anos Deluxe recebeu importantíssimas premiações em competições internacionais. Dentre elas, três medalhas de ouro e uma de prata, em anos consecutivos (de 2010 a 2013) pela San Francisco World Spirits Competition.

No Brasil, uma garrafa de um litro do Deluxe custa algo em torno de R$ 160,00 (cento e sessenta reais). Proporcionalmente, o Buchanan’s 12 é um pouco mais barato que outros blended whiskies muito apreciados por aqui, como o Chivas 12 anos e o Johnnie Walker Black Label. Escolher entre um ou outro é apenas uma questão de gosto pessoal.

Enquanto o Chivas Regal é adocicado e floral, o Johnnie Walker Black Label é inegavelmente defumado. E o Buchanan’s, como um meio termo, é suave e muito democrático. Por isso, é uma excelente opção para beber com os amigos, em situações informais, de completa harmonia. Porque, para falar a verdade, como disse Christopher McCandless, a felicidade (é mesmo) somente verdadeira quando compartilhada

BUCHANAN’S 12 ANOS DELUXE

Tipo: Blended Whisky com idade definida (12 anos)

Marca: Buchanan’s

Região: N/A

ABV: 40%

Notas de prova:

Aroma: suavemente defumado, cítrico, caramelo, baunilha.

Sabor: Adocicado, açúcar demerara, baunilha, frutas, calda de caramelo, final progressivamente seco e esfumaçado.

Com água: A agua ressalta o sabor frutado e a fumaça.

BSOP Millions – Jack Daniel’s Gentleman Jack

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Essa semana falei em um outro texto sobre coisas que combinam perfeitamente. Mas há uma questão crucial, que deixei de abordar. Afinal, o que combina com whisky? Bom, se você respondeu quase tudo, provavelmente pensa como eu.

Mas é que tem coisas que combinam mais, e outras menos. E, provavelmente, em uma das primeiras posições – juntamente com boa literatura, um charuto ou um bom papo – está o poker. O poker é, sem a menor sombra de dúvidas, o jogo de cartas que mais combina com a melhor bebida do mundo.

Sabendo disso, a Jack Daniel’s Brasil levou sua expressão Gentleman Jack para o BSOP Millions. Para quem não sabe, o BSOP – ou, por extenso, Brazilian Series of Poker – é um dos mais importantes torneios de poker do mundo, e o maior da América Latina. A ideia é aliar o esporte de cartas – que tem crescido bastante em popularidade – com uma imagem mais madura da Jack Daniel’s. Por isso, o escolhido foi, justamente, o Gentleman Jack.

O campeonato
O campeonato

O Gentleman Jack é uma das mais conhecidas expressões da Jack Daniel’s, juntamente com seu clássico Old No. 7. Sua diferença fica por conta da dupla passagem por um filtro de carvão de bordo. A maior parte das demais expressões da Jack passa apenas uma vez pelo filtro, que retém as moléculas mais pesadas do destilado, permitindo a passagem apenas dos componentes mais leves. O resultado é um whiskey mais leve, suave e mais palatável. O companheiro ideal para uma noite do mais popular esporte de carteado do mundo. Se quiser saber mais sobre o Gentleman, clique aqui.

De acordo com Fernanda Palone, gerente de marketing por trás da expressão: “Acreditamos que esse esporte traduz perfeitamente o lifestyle do Gentleman moderno, os comportamentos e os valores essenciais da nossa marca”. “E o poker, esporte de muita atitude e inteligência, nos entrega essa mensagem”.

O Cão Engarrafado, a convite da Jack Daniel’s, conferiu o espaço dedicado ao Tennessee Whiskey e ainda participou de um torneio para imprensa – O Torneio Gentleman Jack. E apesar de não ter vencido, teve uma noite incrível e ficou muito impressionado com a qualidade e o tamanho do campeonato. Além disso, o espaço da Jack Daniel’s está incrível, com um bar que conta com todas as expressões da marca à venda no Brasil, além de kits especiais – como um belo kit com uma garrafa de Gentleman Jack e um baralho exclusivo.

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#playjack

O BSOP Millions começou ontem, 22 de novembro, no Sheraton World Trade Center, em São Paulo e durará dez dias. A expectativa é que o evento reúna milhares de jogadores de poker. São 144 mesas e 180 dealers. Além do Main Event, foram organizados torneios entre atletas olímpicos e paralímpicos e o tradicional Desafio das Estrelas – um torneio de celebridades, que teve a participação de Henrique Fogaça, Denílson, Vanerlei Luxemburgo e a medalhista Maurren Maggi.

Se você quiser conferir de perto o BSOP Millions, aí vai uma boa notícia. A entrada é gratuita, e você poderá assistir tudo bem de perto, na arquibancada montada ao lado da mesa principal. Tudo isso acompanhado de uma boa dose de Gentleman Jack, que pode ser comprada no espaço dedicado da marca. Mas se preferir ver tudo no conforto do seu lar, não tem problema. O SuperPoker a a PokerStars.tv transmitirão todos os detalhes.

Vamos de all in. E claro, com um companheiro excelente. O Jack Daniel’s Gentleman Jack.

 

(mais que um) Drops – Jameson Caskmates

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Goiabada e queijo, hot dog e mostarda, limão e cachaça. Batata palha e estrogonofe, vermute e campari, linguiça e feijão. TPM e chocolate, Microsoft Windows e Ctrl + Alt + Del. Chuva e Netflix, hambúrguer e batata frita e bacon com absolutamente tudo. Há coisas que foram criadas para combinarem, involuntariamente, com outras. Coisas cujo resultado é maior do que a soma das partes. O melhor exemplo no mundo do whisky é o Jameson Caskmates e a cerveja Franciscan Well.

O desenvolvimento do Jameson Caskmates foi muito semelhante àquele do Glenfiddich IPA Experiment. Ele teria surgido de uma conversa entre dois amigos de longa data, Shane Long, mestre cervejeiro da Franciscan Well Brewery, e Dave Quinn, o mestre de ciência de whisky da Jameson. Shane queria produzir uma cerveja escura que fosse maturada em barricas de whiskey. Assim, teria pedido a seu amigo, Dave, que lhe emprestasse alguns barris para a experiência.

Quinn concordou e cedeu a Shane algumas barricas de carvalho americano de primeiro uso, que teriam sido usadas para maturar Jameson. O mestre cervejeiro, então, após produzir sua cerveja e maturá-la nas barricas cedidas, as devolveu para a Jameson. Ao recebê-las, Quinn não sabia bem o que fazer. Porque apesar de serem barricas relativamente novas, a utilização pela cervejaria poderia tê-las inutilizado. Resolveu, no entanto, que arriscaria preencher algumas com Jameson – a expressão de entrada da linha – para ver o que poderia acontecer.

A cerveja produzida pela Franciscan Well
A stout

Ao retirar o whiskey das barricas, Dave gostou tanto do resultado que resolveu criar uma edição especial. Nascia, assim, o primeiro lote de Jameson Caskmates. Aliás, tanto o whiskey quanto a cerveja fizeram tanto sucesso que, até hoje, há um tráfego constante de barris entre a destilaria irlandesa e a cervejaria.

Este Cão teve a oportunidade de provar o Jameson Caskmates em um lugar bastante apropriado, tratando-se de um whisky com vocação cervejeira. O Empório Alto de Pinheiros, bar recentemente eleito pela revista Veja Comer & Beber como o aquele com a melhor carta de cervejas de São Paulo. Com a participação de Cesar Adames e Paulo Almeida, foram provados também o Johnnie Walker Rye Cask e o Glenfiddich IPA Experiment.

Se comparado à expressão tradicional da Jameson – à venda no Brasil – o Caskmates é mais profundo e cremoso. Ainda é um whisky bem leve, mas ao invés da finalização levemente frutada e seca bem conhecida, há um certo sabor de caramelo e um fundo de café que é bem incomum. E ótimo.

Assim como os demais whiskies provados naquele dia, o Caskmates não virá para o Brasil. Mas ele pode ser facilmente encontrado em FreeShops de aeroportos internacionais, bem como lojas especializadas no exterior. O preço médio é bem convidativo, também. £26,00 (vinte e seis libras).

Se você é apaixonado por cervejas escuras, assim como por whisky, o Caskmates lhe surpreenderá positivamente. É um whisky com apelo tanto para os apaixonados por cervejas artesanais quanto whiskey irlandês. E, se você, como este Cão, adora os dois quase com a mesma força, então, meu caro, o Caskmates será sua alma gêmea.

JAMESON CASKMATES STOUT EDITION

Tipo: Irish Whiskey

Marca: Jameson

Região: N/A

ABV: 40%

Notas de prova:

Aroma: Frutado, adocicado, há um certo aroma doce, de açúcar queimado.

Sabor: Frutado, adocicado. Final com café, um pouco de esmalte, malte torrado.

Com água: A água ressalta o sabor de café

 

Drink do Cão – Godfather

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Se você mora no planeta Terra, é bem possível que já tenha assistido O Poderoso Chefão (The Godfather), de Coppolla. O filme é um absoluto clássico. Há um equilíbrio difícil de atingir. Camadas, costuradas entre si pelo fino fio invisível da trama, que alterna entre momentos cotidianos da famiglia Corleone e a aspereza cruel do crime organizado da década de vinte. Por trás de personagens de aparência sofisticada e elegante há a singeleza de homens cujos fins sempre justificam os meios. E por mais que aqueles sejam criminosos de sangue frio, é impossível não sentirmos empatia por eles.

Talvez o sucesso do filme resida aí, na identificação. Porque, como definiu Vincent Camby em sua crítica de 1972, ele trata de um assunto incomum (a Máfia), envolvendo uma porção isolada de um grupo étnico bem particular (os italianos americanos de primeira e segunda geração). Mas trata também de assuntos fáceis de nos relacionarmos. Honra, valores familiares, vingança e a exaustiva sensação de que, por mais que obstinadamente nademos, a corrente de nossa natureza – ou dos acontecimentos – nos jogará novamente nas pedras de onde partimos.

O Poderoso Chefão não apenas definiu um gênero cinematográfico. A influência do filme pode ser vista em restaurantes, vinhos e obras plásticas. Aliás, a barbearia de um grande amigo deste Cão leva, justamente, o nome do personagem central da trama – a Corleone. E, claro, a coquetelaria, com o drink The Godfather.

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Um coquetel como poucos

Gostaria de dizer que o Godafther é um coquetel complexo, que exige muita perícia para ser executado. Que há segredos e sofisticação – assim como no filme – para sua preparação. Mas a verdade, mas uma vez, é bem mais crua. O Godfather é um dos coquetéis mais simples do mundo. Ele leva apenas dois ingredientes. Amaretto e whiskey. A proporção clássica, divulgada pela International Bartender’s Association é de um para um.

A história do Godfather – o coquetel, não o filme – é incerta. Mas a mais aceita é que ele teria sido criado na década de setenta. Seu nome seria uma singela homenagem a Marlon Brando, que era apaixonado pelo amaretto Disaronno e que, como vocês já devem (ou deveriam) saber, encarnou Don Vito Corleone, o personagem central da trama de O Poderoso Chefão.

A receita clássica do Godfather leva whiskey americano. Entretanto, Dale DeGroff – um Poderoso Chefão do universo dos bartenders – nos fornece uma versão diferente em seu livro “The Craft of Cocktail”. Segundo este Don Vito Corleone do álcool, pode-se usar whisky escocês. E aí, meus sobrinhos, o roteiro começa a ficar interessante.

Porque, assim como acontece com o Blood and Sand – outro coquetel inspirado pela sétima arte – dependendo do whisky utilizado, o perfil de sabores do drink muda completamente. E, claro, as proporções devem ser adaptadas para manter o equilíbrio.

Por isso, talvez pela primeira vez na história deste blog, não ensinarei a receita clássica. Mesmo porque já a mencionei alguns parágrafos acima, e não há mistério algum em adicionar partes iguais de amaretto e whiskey. Não, hoje lhes passarei a variação preferida deste Canídeo, sempre testada à exaustão e quase à embriaguez. Adivinhou quem pressupôs que ela levaria whisky turfado.

Cê jura?
Cê jura?

Por fim, para evitar quaisquer polêmicas, resolvi mudar um pouco o nome do drink. Abram uma página em branco em seus cadernos mentais para esta (medíocre) invenção, coroada por um trocadilho cretino, inspirado pelo nome deste blog. Conheçam o

THE DOGFATHER (Isso é um Godfather de whisky defumado)

INGREDIENTES

  • ¾ dose de Amaretto (Disaronno)
  • 1 e ¼ doses de whisky defumado (Este Cão utilizou Johnnie Walker Double Black. Mas note que dependendo do whisky usado, o perfil do coquetel mudará. Leia a nota após a receita)
  • Gelo
  • Mixing Glass (ou algum recipiente para mexer o coquetel)
  • Strainer (ou peneira)
  • Colher bailarina (ou qualquer colher para misturar)

PREPARO

Adicione as duas doses no mixing glass, com bastante gelo.

  1. Mexa por alguns poucos segundos
  2. Desça a mistura em um copo baixo, com um gelo grande ou alguns menores.
  3. Basta se acomodar em uma poltrona de couro e, com olhar distante, contemplar seu coquetel como um Don.

Nota: A proporção aqui dependerá de seu gosto. Aumente a dose de Disaronno se você preferir um coquetel mais doce, apenas com um final defumado. Brinque com as proporções e o whisky até chegar à sua receita. Vale até misturar whiskies diferentes (que tal algo que leve Black Grouse e Ardbeg ao mesmo tempo?). Mas note que, neste caso, o equilíbrio do coquetel é alcançado quando nenhum dos ingredientes eclipsa o outro.

Convergência – Dogma EAP Russian Imperial Stout

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Se você unisse varias manias suas, onde estaria? Apaixonados por automóveis, provavelmente dirigindo um Porsche na Autobahn em direção a Stuttgart. Seu negócio é cinema? Então talvez estivesse em uma maratona de nouvelle vague na cinemateca francesa, ao lado de Jean-Luc Godard. É apaixonado pelo cosmos? Então que tal uma visita ao cabo Canaveral, ou uma viagem em alguma nave da Space X ao lado de Elon Musk? Culinária? Uma degustação guiada por todos os pratos do finado El Bulli. Puxa, então sua paixão real é o direito? Bem, neste caso, só posso lhe oferecer meus pêsames.

Mas para alguém como este Cão, um apaixonado por whiskies e amante de cervejas, talvez o programa ideal fosse degustar uma russian imperial stout com maturação em barrica de algum single malt, em um lugar importante. Um lugar importante como, sei lá, o Empório Alto dos Pinheiros. E se você compartilha comigo deste sonho, bem, saiba que ele pode ser realizado facilmente, a partir desta semana. É que nesta quinta-feira foi lançada a Dogma EAP, uma RIS muito especial. Continue comigo.

O lançamento não poderia ser melhor. a Dogma EAP, como o nome diz, é uma homenagem da cervejaria Dogma à meca cervejeira do Brasil, o Empório Alto dos Pinheiros. Aquela cervejaria é a responsável pelo melhor rótulo de cerveja do Brasil, segundo o website Ratebeer – A Rizoma. Já este bar foi eleito neste ano como o detentor melhor carta de cervejas de São Paulo. O Estilo, como dito acima, é o Russian Imperial Stout, um dos mais admirados pelos amantes de cervejas artesanais. Ela leva em sua composição aveia e café. Café envelhecido em barrica que antes continha – silêncio dramático – o single malt The Balvenie.

Bom, também poderia tomar um single malt por aqui.
Bom, também poderia tomar um single malt por aqui.

A Dogma EAP é a materialização do sonho de qualquer apaixonado por cervejas e whiskies. Não apenas na concepção, como também na execução. Há um claro aroma de café e chocolate amargo, complementado por uma sutil nota de baunilha proveniente da maturação do café.

Nas palavras de Paulo Almeida, sócio do Empório Alto dos Pinheiros “É uma grande alegria participar desse projeto e lançar essa cerveja tão especial. (…) temos imenso prazer em assistir o sucesso que a Dogma tem alcançado com produtos baseados em uma extrema busca por qualidade, trazendo ao mercado receitas incríveis. Sentimos orgulho em participar da história dessa cervejaria e certeza que a cada dia nos supreenderão mais.”

Já de acordo com a cervejaria Dogma “Quando recebemos o desafio de fazer uma cerveja pro EAP muita coisa passou pela nossa cabeça, afinal o EAP não é só um local importante para a cena cervejeira nacional, ele foi importante na nossa formação como cervejeiros! Por isso nós não aceitaríamos fazer nada menos que uma cerveja espetacular”

A Dogma EAP passa a ser vendida a partir desta semana, por R$ 33,00 (trinta e três reais). Ela vem em uma elegante lata de 473ml. E, se você tiver a sorte de passar pelo Empório Alto dos Pinheiros nestas próximas semanas, muito provavelmente poderá degustar a versão em chope da criação.

Nunca foi tão fácil unir paixões.

DOGMA EAP RUSSIAN IMPERIAL STOUT

Cervejaria: Dogma

País: Brasil

Estilo: Russian Imperial Stout

ABV: 10%

IBU: 50

Notas de Prova:

Aroma: café, chocolate em pó, baunilha.

Sabor: Encorpada e com pouca carbonatação. Sabor predominantemente de café, com um pouco de chocolate amargo,  marshmallow, baunilha. O alcool está lá, mas é pouco perceptível.