Tuaq Ice – Realidade Cristalina

Expectativa e realidade. Poucas coisas definem melhor o abismo entre os dois conceitos do que hambúrguer de um certo fast food. Porque na foto, atrás do balcão, ele é aquele negócio suculento, alto, mal passado, com queijo derretido em abundância. Mas, na realidade, ele é um bife pálido e fino, com uma mísera fatia de algum queijo cretino, e uma alface murcha que não cabe bem lá dentro, e faz o pão deslizar. Uma vez perguntei a um amigo fotógrafo como é que ele fazia para aquele hambúrguer todo torto ficar tão bonito na foto. E ele me confidenciou uma coisa. Que aquilo da foto não era um hambúrguer. E nem estou falando do paradoxo gerado pela Traição das Imagens, evidenciado na obra surrealista do cachimbo de Magritte. O que digo é que, nem na realidade daquela foto, aquilo era um hambúrguer. Segundo meu amigo, eles usavam massinha, espuma, ou qualquer coisa que parecesse carne, queijo e pão, só pra foto ficar bonita. Sempre pensei o mesmo sobre gelos cristalinos, naquelas fotos do Instagram. Podia apostar que era uma bola de vidro, ou acrílico. No bar, tudo bem, fazia sentido. Bastava cortar um tijolo gigante de gelo e descartar a […]

Sobrevivência – Chivas Regal 12 anos

Admiro pessoas determinadas a sobreviver. Esses, que atravessam quaisquer revezes, graças à sua inabalável resiliência. E nem estou falando de profissionais, como o Bear Grylls. Porque claro, tudo que você espera do Bear Grylls é mesmo que ele coma uma lesma nojenta, durma dentro de um camelo morto, beba xixi e todas essas coisas asquerosas, afinal essa é a profissão dele. Ninguém assiste o programa dele pra vê-lo tomando um vin de table ao lado da Tour Eiffel, né? Me refiro aos amadores mesmo. Aqueles que de seus débeis e muitas vezes mutilados corpos conseguiram extrair uma força sobre-humana apenas para passar mais alguns anos nesse nosso medíocre mundo. Como, por exemplo, a Juliane Koepcke. A Juliane Koepcke foi a única sobrevivente do vôo 508 da LANSA. O avião dela foi atingido por um raio e se desintegrou no meio do ar. A Juliane, presa em sua cadeira, foi lançada de uma altura de três mil metros sobre a floresta peruana. Incrivelmente, Juliane sobreviveu à queda, mas com uma das clavículas quebradas e gravemente ferida. Praticamente rastejando, e alimentando-se de um saquinho de balinhas – a única comida que tinha – Juliane encontrou um riacho. Seu braço estava infeccionado e […]

Jack Daniel’s Tennessee Calling

Aeroportos são lugares fascinantes. Você pode fazer um monte de atividades em aeroportos. Dá para comer, dormir, fazer compras, beber. Dá até para fazer massagem naquelas cadeiras, que ficam no meio do corredor, enquanto as pessoas te olham esquisito, imaginando que você é alguém totalmente desprovido do senso de ridículo. Aliás, com certo grau de desprendimento e falta de autocrítica, dá para se fazer quase tudo num aeroporto. Porém, uma coisa que eu nunca imaginei que faria num lugar desses é acompanhar um concurso de coquetelaria. Mas foi justamente o que aconteceu na segunda-feira, dia 23 de julho, com o Jack Daniel’s Tennessee Calling. O evento foi realizado na Arena Congonhas, dentro do aeroporto homônimo. O Tennesee Calling é uma disputa realizada pela Jack Daniel’s que reúne bartenders de todo Brasil. Os três primeiros serão levados ao Tennessee – talvez a temática de aeroportos seja conveniente aqui – para conhecer a destilaria da marca. Participaram do do torneio os profissionais: Cassio Batista (Meet Me) e Tiago de Oliveira Santos (Jangal), de Belo Horizonte; Adriano Nunes (Grainne’s), de Campinas; Cris Almorin (Punch) e Lutti Andrighetto (Street 44/Gran Torino), de Curitiba; Rodrigo Coelho (Madalena) e Thelmo di Castro (Iz), de Goiânia; Mauro […]

The Macallan Edition No. 3 – Aroma Exclusivo

Dama-da-noite tem cheiro de dente quebrado. Não para todo mundo, mas para mim. Sempre que sinto o aroma da flor, passo discretamente a língua sobre minha arcada, enquanto sinto um descompasso de alívio no coração. Ufa, é só a flor, nada caiu dessa vez. É que aos oito anos de idade, quebrei um dente. Corria no jardim da minha avó, ao entardecer, ao lado de alguns vasos de dama da noite. Lembro-me vividamente da luz crepuscular, do aroma de jasmim, e do desequilíbrio sucedido pelo apagão e o gosto de ferrugem na boca. Até hoje, se sinto o aroma de dama-da-noite, sou remetido, involuntária e automaticamente àquela lembrança. A memória olfativa é algo poderoso. Essa clareza de reminiscência tem um nome. Fenômeno Proustiano. É uma homenagem ao escritor francês Marcel Proust, que descreveu em seu “Em Busca do Tempo Perdido” como o aroma de biscoitos molhados no chá remontava a casa de sua tia. A ciência, inclusive, já se debruçou sobre este fenômeno. De acordo com pesquisadores ingleses, a vividez de lembranças trazidas por odores ocorre por conta de nossa conformação cerebral. A região do cérebro que processa odores está situada no interior do sistema límbico, ligado às emoções. E […]

Drops – AnCnoc Blas

Guardamos relação sentimental com uma porção de coisas. Aquele carro que nos acompanhou numa viagem incrível, aquele filme que assistimos com certa companhia especial e aquela música que pautou algum grande desafio. Não é necessariamente algo bom ou ruim. Mas é uma sensação de que aquilo é especial somente para você, por mais prosaico que possa aparentar para todas as outras pessoas. São aquelas coisas que participaram de momentos de epifania, ou que marcaram alguma passagem em nossas vidas. Um dos whiskies que guarda espaço especial em minha memória etílica é o AnCnoc. O AnCnoc foi meu predileto na degustação mais importante que participei em minha primeira viagem à Escócia.  Fiquei tão impressionado que a última coisa que fiz, vinte minutos antes de embarcar de volta para o Brasil, foi correr em uma loja do Duty Free para levar uma garrafa para casa – um AnCnoc 16 anos. Naturalmente, imaginei que com o tempo e depois de provar outros maltes, a sensação se dissiparia. Mas, na verdade, ela se manteve. Depois daquele 18 anos, tive mais umas quatro garrafas diferentes. E gostei de todas elas. Todas guardavam a mesma característica de suavidade, de uma oleosidade quase de manteiga derretida, que me […]

Seis whiskies que fazem muita falta no Brasil

Hiraeth. Não poderia começar este post de outra forma, senão por hiraeth. O correspondente galês de nossa intraduzível saudade. Mas com um significado extra. Hiraeth também se refere àquele vazio existencial causado pelo desejo de algo que você jamais teve. As saudades que um filho único sente de seu irmão que jamais nascera. Ou que eu tenho de possuir um Bowmore 1957 de 54 anos. Ah, que me falta faz esse Bowmore. De certa forma, hiraeth é um sentimento um pouco paradoxal. É a nostalgia de tudo aquilo que não vemos e não podemos ter. Mas pior que ela, é mesmo aquela saudade de algo que já tivemos, mas que acabou. Um amor, uma época da vida. E claro, uma garrafa de whisky. Aquela, que trouxe de uma viagem, e que bebi sofrendo a cada gotinha que escorria no copo à medida que a garrafa esvaziava. Como um brasileiro apaixonado por whiskies, devo dizer que exerço bastante esse sentimento. Vontade de provar de novo um rótulo que já tive. Ou de poder abrir um que jamais provei, mas que não posso, porque ele simplesmente in existe em nossas terras. Neste post, selecionei seis especiais. São aqueles que já tivemos mas […]

Estrelas da Música que amam whisky

Pensem em um advogado. Se você não for um, provavelmente recorrerá a um ficcional. Como, sei lá, o John Milton (Al Pacino), Martin Vail (Richard Gere), Harvey Specter e aquela doida do Jessica Jones que só quer ver o mundo pegar fogo. Todos tem o mesmo estereótipo. Egoístas, obstinados, oportunistas. Geralmente alcoólatras ou meio drogados. Não existem muitas variações para o advogado ficcional. Vêm tudo num pacote. É, eu sei que há uns tantos outros que são o oposto, como o Atticus Finch e o Fred Gailey, mas ninguém pensa neles. Na cultura popular, nós – é, eu sou advogado – somos os operadores do apocalipse. Tipo os leprechauns irlandeses, mas ao invés de gorrinho e camisa verde, a gente usa terno e gravata. E ao invés de esconder a faca do bolo ou quebrar aquele copo, somos responsáveis por arruinar vidas. Outra profissão com um estereótipo bem forte é a de músico. Músico normalmente é um advogado, mas menos egoísta e com mais talento musical. Em comum, temos o estereotipado hábito de enxugar qualquer garrafa que contenha álcool. Porém, ao contrário do que acontece com advogados (ressalvado o Harvey Specter aqui), as pessoas realmente querem saber o que seus […]

Drink do Cão – Blackthorne

Às vezes as coisas precisam apenas ser resgatadas para alcançarem o sucesso. Foi o que pensei, após assistir o filme The Disaster Artist, dirigido pelo ator James Franco. The Disaster Artist conta a história de outro filme, por muitos considerado o pior do mundo. The Room, escrito e dirigido por um curioso indivíduo chamado Tommy Wiseau. O filme de Franco – que é bem legal – me deixou genuinamente curioso para assistir àquele de Wiseau. E eu não fui o único. A internet está povoada de relatos de pessoas que viram este depois daquele. E olha, eu não poderia afirmar que The Room é o pior filme do mundo, porque eu não vi todos os filmes do mundo. Mas vou te garantir que ele é bem ruim. A pior parte é o roteiro. O roteiro não faz o menor sentido. Sabe, a próxima informação que vou passar vai parecer meio aleatória. Mas enfim. Aqui em casa a gente tem um gato, e às vezes eu noto que ele me olha meio angustiado quando estou fazendo algo que ele não entende a razão, como tomando banho ou escovando os dentes. Acho que se o gato em algum momento ficasse mais inteligente e […]

The Botanist Gin – Spinoff

Quando eu era adolescente, eu via bastante televisão. Aliás, talvez a única coisa que eu fazia mais do que ver TV fosse comer. Mesmo porque dava para comer vendo TV. Assumo que o hábito de passar horas na frente da tela com um pacote de bolacha recheada e um balde de coca-cola normal do meu lado não era nada saudável. E provavelmente não ajudou muito na construção de relações interpessoais durante meus anos áureos. Mas, por outro lado, fomentou meu interesse por cinema e, indiretamente, literatura. Uma das séries que mais gostava de assistir era Friends. Friends certamente não era um expoente da alta cultura, mas foi uma febre durante minha adolescência. A série durou dez temporadas – uma expectativa de vida quase impensável para qualquer show televisivo de hoje em dia – e terminou bem onde deveria. Na transição da pós-adolescência para a vida adulta, onde a comédia, a esperança e o sonho perdem território para, bem, deixa pra lá. Mas Friends possui uma mancha em sua alva reputação. Um spin-off, lançado pouco tempo depois, e entitulado singelamente de Joey. O que foge à minha lógica é como alguém poderia achar aquela uma boa ideia. Acompanhar Joey Tribbiani em […]

Degustação de Bruichladdich – Cateto Pinheiros & O Cão Engarrafado

Prezados, interrompemos a programação normal deste blog para um anúncio. Mas um anúncio relacionado a whisky. Aliás, um belo whisky. Na próxima segunda-feira, dia 07/05, este Cão promoverá uma degustação de Bruichladdich, harmonizada com um incrível charuto cubano Sancho Panza no Cateto Pinheiros, tradicional bar de São Paulo. Serão provados os dois whiskies da destilaria disponíveis em nosso país, e importados pela Interfood Importação : Laddie Classic e Port Charlotte Scottish Barley. Haverá também um coquetel especial, criado para o dia, que levará Bruichladdich, pelas mãos da bartender Neila Pamplona. Se você não fuma, não se preocupe. Há duas opções de pacotes, com e sem charuto: FULL TICKET (20 vagas apenas): 1 dose do single malt Bruichladdich Laddie 1 dose do single malt Bruichladdich Port Charlotte + cocktail a base de laddie + Charuto Sancho Panza belicosos VALOR R$: 175,00 ONLY DRINK TICKET: 1 dose do single malt Bruichladdich Laddie 1 dose do single malt Bruichladdich Port Charlotte + cocktail a base de laddie VALOR R$: 115,00 O valor pode ser pago no ato, em cartão de crédito.  Para reservar, basta enviar um e-mail para eduardo.cateto.bar@gmail.com e informar o pacote que deseja. Mais detalhes aqui.