As garrafas de whisky mais bonitas à venda no Brasil

Minha chaleira elétrica de casa quebrou. Tudo bem. Ela já tinha mais de cinco anos e era utilizada implacavelmente por minha esposa quase todo dia. Após uma rápida ligação à assistência técnica, soube que estava além de reparação. Decidi, então, passar na loja de eletrodomésticos mais próxima para conseguir uma substituta. Ao chegar lá, fiquei completamente perdido.

Chamei a vendedora. Quanto é essa daqui, muito bonita? Ah, essa é novecentos. Ela tem cinco temperaturas, pode ser controlada do smartphone, fala e faz chá quase sozinha. Puxa, legal, mas tá meio fora do orçamento. E aquela ali, bem feia? Ah, essa é cento e cinquenta. Ela esquenta água e pronto. Puxa, mas é feia. E aquela vermelhinha alí? Aquela é igual a esta, só que é bonita. Custa quatrocentos. Parei. Não tenho maturidade para comprar uma chaleira sozinho. Quase o triplo só porque é bonita?

Saí da loja, mas fiquei pensando. Não comprei a feia porque era feia, mas e com whisky? Se certo Dalmore, por exemplo, viesse numa garrafinha de cerveja sem graça, acharia ele tão bom assim? Provavelmente sim. Compraria para provar? Capaz que não. A embalagem é o primeiro contato que temos com o produto. Ela cria expectativa, e antecipa seu conteúdo. Uma garrafa bonita é uma promessa de uma bebida fantástica – promessa, essa, que pode ou não se cumprir.

Por conta disso, resolvi produzir uma matéria lúdica. Um post, com as quatro garrafas dos whiskies à venda em nosso país que mais admiro – aquelas que gritam para serem compradas, independente de seu conteúdo, simplesmente por serem visualmente maravilhosas.

Devo, porém, fazer uma ressalva. Beleza é algo bem relativo. Prova disso é que a Cã me acha bonito, minha mãe também – já o resto do mundo discorda. Assim, talvez, você tenha uma opinião diferente da minha neste assunto. O que é ótimo, afinal, a variedade é o tempero da vida. A variedade, o imprevisto e a agonia de uma existência sem propósito em um mundo descartável. Mas isso é outro papo.

Sem mais delongas existencialistas, vamos à lista:

1 – Macallan Reflexion

Pelo preço de aproximadamente R$ 10.000,00 (dez mil reais), o Macallan Reflexion tem a obrigação de ser bonito. É tipo uma BMW X6, só que no Macallan Reflexion não parece que arrancaram metade da parte de trás da garrafa.

Para falar a verdade, a garrafa do Macallan Reflexion é quase over. Ela se equilibra na tênue linha entre o elegante e o exagerado, mas sem jamais pender para o segundo. Um equilíbrio com sofisticação que apenas uma das mais respeitadas – e caras – destilarias do mundo poderia ter.

2 – Royal Salute 21 Anos

Poucas garrafas de whisky são tão icônicas quanto as de Royal Salute. Mesmo um completo leigo na melhor bebida do mundo, ao ouvir o nome da marca, é remetido à imagem mental dos decanters de porcelana de variadas cores. As garrafas são tão queridas que muitas pessoas compravam uma de cada cor, ainda que o líquido dentro fosse igual – talvez porque não soubessem decidir qual é a mais bonita.

Em 2019, a linha perene da Royal Salute mudou, e novos whiskies foram introduzidos. O Royal Salute clássico – antes apresentado em decanters que poderiam ser vermelhos, verdes ou azuis – passou a vir apenas na cor anil. Juntou-se a ele um blend defumado, o The Lost Blend, com uma garrafa de porcelana preta, e um blended malt, de embalagem esverdeada.

E o visual do estojo mudou também. Os conhecidos saquinhos de veludo saíram de cena, e um belo estojo, maior e mais elegante, sisudo por fora e irreverente por dentro, foi criado.

3 – Dalmore (qualquer um)

Preciso confessar que o visual das garrafas da Dalmore são um gosto adquirido. Antes, achava óbvio. É como se eu comprasse uma tequila com um mariachi ou um sombrero estampado no rótulo, ou uma vodka que ilustrasse um mafioso miliciano careca de terno com ogivas nucleares decadentes.

Quero dizer, todo mundo sabe que Dalmore é um whisky escocês. Colocar um cervo – um dos bichos mais conhecidos da fauna da Escócia – no rótulo não é exatamente um exercício criativo.

Por outro lado, devo assumir que a garrafa, em si, é belíssima – remete a conhaques e brandies, que, suspeito, seja justamente a ideia, considerando o perfil sensorial dos Dalmore. E a imagem do cervídeo no rótulo, prateada, em relevo, chega ao máximo da elegância que uma imagem de um bicho chifrudo num rótulo de bebida poderia chegar.

4 – Bruichladdich

Dalmore é um belíssimo lugar comum. A Bruichladdich é sua maravilhosa antítese. Visualmente, não há nada tradicional nas garrafas da destilaria de Islay.

Garrafas de whisky tendem a ser transparentes ou translúcidas, e apelar para tons terrosos. A Bruichladdich usa garrafas opacas, de cores como preto, amarelo vivo ou um verde bem parecido com o da Tiffany’s. A fonte usada nas garrafas também não tem nada de tradicional. Ela se chama DIN 1451 Mittelschrift, e foi criada pelo Instituto Alemão de Padronização (Deutsches Institut für Normung) em 1931 especialmente para placas de rua.

Não há nada de tradicional na identidade visual da Bruichladdich. Exceto, talvez, o formato da garrafa em si – que, convenhamos, é de uma elegância que nem mesmo a própria Tiffany’s atingiria, se tivesse desenhado a tal ampola.

Faixa Bônus – Compass Box

Olha, eu prometi que ia falar só de whiskies à venda no Brasil. Mas tive que abrir uma exceção. As garrafas e rótulos da Compass Box Whisky Co. – uma boutique de blended scotch whiskies ultra-premium – são de uma beleza quase insuperável.

A Compass Box Whisky Co. foi criada por John Glaser, executivo que antes trabalhou como diretor de marketing na Johnnie Walker. Glaser resolveu abandonar a empresa e fundar sua própria marca, dedicando-se a produzir apenas whiskies de altíssima qualidade – e beleza.

Pesquisar o portfólio da Compass Box é um exercício de mesmerização e desespero. Surpresa pela beleza, desespero pela impossibilidade de comprar as belíssimas garrafas de um jeito simples por aqui.

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