Saratoga Cocktail – Diversidade

Meu pai costuma dizer que o tempero da vida é a diversidade. Tenho que concordar com meu progenitor. Ainda mais em uma época do ano quanto o carnaval. Os bloquinhos são um exemplo. Fico fascinado com o ânimo das pessoas para ir nos bloquinhos, mas, tenho que assumir, não me vejo participando de um nem por dinheiro. Nem por dinheiro não, nem por whisky.

Sou totalmente a favor de qualquer manifestação de alegria, ainda mais uma tão espontaneamente agregadora quanto o carnaval. Em especial os bloquinhos de rua. Não ligo nem um pouco para o trânsito causado, e – como dono de um bar recém aberto – nada me revolta a falta de movimento trazida pelas festividades. Mas os bloquinhos reúnem três coisas absolutamente equivocadas: cerveja ruim quente, suor e muita gente.

Aliás, gente já seria um motivo mais do que justificável para me demover dos planos carnavalescos. Com calor, ainda pior. Odeio passar calor. Nem piscina quente, eu gosto. Aliás, nunca entendi essa tara das pessoas por piscinas quentes. Que coisa mais sem graça. Para qualquer atividade em uma piscina ficar minimamente interessante, é necessário adicionar ao menos um de dois elementos – álcool ou jogo.

Credo

Talvez tenha sido com essa mentalidade, justamente, que um tal de John Morrissey, um irlandês nascido nos Estados Unidos, resolveu abrir um casino em Saratoga Springs em 1864. É que o lugar era tipo Jurerê Internacional dos americanos no começo do século dezenove. Os pornograficamente ricos aproveitavam as águas naturalmente cálidas para relaxar. O lugar era tão famoso que o empresário Gideon Putnam decidiu abrir lá um spa – aproveitando as maravilhosas e entediantes caldas minerais de Saratoga. Nada mais do que natural que, da união do tédio e do dinheiro, surgisse então um casino.

Durante a curta vida do casino de John – que foi fechado no começo do século vinte por conta do recrudescimento das leis que combatiam álcool e apostas – surgiram algumas receitas bastante curiosas de coquetéis. Mas apenas um sobreviveu ao oblívio do tempo. O Saratoga Cocktail, que leva rye whiskey, vermute, bitters e brandy. Ou conhaque, se você tiver uma casa em Jurerê.

A sobrevivência do Saratoga Cocktail se deu, em boa parte, por sua menção no icônico livro de Jerry Thomas, “The Bar-tenders Guide”, de 1887, bem como por sua facilidade de preparação. Porém, não se engane – o sucesso de seu Saratoga dependerá, essencialmente, dos ingredientes utilizados em sua composição.

Durante uma semana, realizei o sacrifício de testar algumas combinações diferentes. Descobri que o Saratoga se beneficia de um vermute mais apimentado – como, por exemplo, o Carpano ou Cinzano 1757 – ao invés de algo mais delicado. O brandy deve trazer mais madeira – o Fernando de Castilla funcionou bem. Quanto ao Rye Whiskey, não há muita escolha. O único disponível em nosso país é o Wild Turkey Rye, que, apesar da baixa graduação alcoólica, funciona bem.

Assim, meus caros leitores, coloquem suas cartas na mesa e tomem nota de um coquetel tão fácil quanto se afogar bêbado numa piscina quente, e bem mais agradável do que passar calor no bloquinho. O belíssimo…

SARATOGA COCKTAIL

INREDIENTES

  • 1 dose (30ml) de vermute tinto
  • 1 dose (30ml) de rye whiskey
  • 1 dose (30ml) de brandy
  • 2 dashes de Angostura Aromatic Bitters

PREPARO

  1. Adicione todos os ingredientes em um mixing glass com bastante gelo.
  2. Mexa por aproximadamente 4 segundos
  3. desça em uma taça coupé ou copo baixo, sem gelo.

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