Whiskies para Esquecer 2017

2017 foi um ano como qualquer outro. A humanidade, apesar de todos os votos de paz e prosperidade em 2016, pouco evoluiu. Como sempre, presenciamos todo tipo de desgraça. Guerras, fome, êxodo do oriente médio e do norte da África e o recrudescimento de posições anacrônicas, reacionárias e – correndo o risco de ser maquiavélico – simplesmente malignas. A criatividade e a renitência humanas são de se admirar. Ou chorar. É incrível como somos criativos em cometer os mesmos erros do passado de uma forma diferente.

Aliás, vou mais além. Diria que a humanidade involuiu. Começou com a eleição do louco do Trump, no final de 2016. Passou pelo Brexit – que para um amante de whiskies até parece vantajoso, já que a moeda britânica se desvalorizou, mas que a longo prazo é desastroso. E desembocou na quase liderança da música Havana, de uma tal de – olha esse nome – Camila Cabello na Billboard. Uma música que poderia ter sido facilmente composta por minha filha. Com sono. Num daqueles pianinhos de três teclas. Só para você ter uma ideia de como pioramos, em 2014 a musica eleita foi All of Me, do John Legend. Que também não é lá essas coisas, mas pelo menos usa mais do que três notas e duas palavras na composição.

Por conta disso, este Cão resolveu elaborar uma lista para ser lembrada. Ou melhor, antagonicamente, uma lista de whiskies para ajudar a esquecer este ano do capiroto. São quatro whiskies que, se não servirem de panaceia para a amnésia, ao menos melhorarão seu humor para mais um ano daqueles. Ou você acha que 2018 será diferente?

BRUICHLADDICH THE CLASSIC LADDIE

Não se engane pela simpática garrafinha azul-“Tiffany”. O Bruichladdich The Classic Laddie é o single malt com a graduação alcoólica mais alta à venda no Brasil. Cinquenta por cento, para dissolver qualquer memória ruim do ano que acaba. O sabor é de caramelo e baunilha, com final médio e adocicado. E para aqueles que são apaixonados pela fumaça, seu irmão Port Charlotte é tudo que Islay tem de bom: pouca maturação, alto ABV e muita turfa. Perfeito.

DEWAR’S 18 ANOS

Bom, cometer sempre os mesmos erros do passado não significa que você deve sempre beber o mesmo whisky. Então, por favor, diversifique. O Dewar’s 18 anos – assim como praticamente toda a linha da Dewar’s – acabou de chegar ao Brasil, e tem tudo para se dar bem. O sabor é frutado e de especiarias, com final longo e adocicado. Sabe aquele papo de que um namoro novo sempre ajuda a esquecer um antigo? Bom, com whiskies é mais ou menos assim também.

ARDBEG TEN

Que tal fazer o ano de 2017 sumir em uma nuvem de fumaça? Bem, então nada melhor do que o Ardbeg Ten. Um clássico de Islay que transborda aromas enfumaçados e cítricos. Além disso, Ardbeg 10 recebeu prêmio de whisky do ano pela Jim Murray Whisky Bible de 2008 – outro ano que, como todos os outros, esquecemos – uma das mais importantes publicações do ramo.

ROYAL SALUTE 38 ANOS STONE OF DESTINY

Um whisky com trinta e oito anos de idade, para você perceber que, apesar de 2017 ter sido um ano digno do oblívio, as coisas melhoraram bem em três decadas e oito anos. Se você não acredita, reflita comigo. Há trinta e oito anos nascia em Porto Rico uma banda que mudou o conceito de pop latino. Os Menudos. E ao mesmo tempo que a Apple lançava o mais moderno computador compacto do mundo, o Apple II, a indústria automobilística nacional inaugurava o saudoso Ford Corcel II, com o slogan “a nova geração do automóvel”.

É, a gente continua cometendo os mesmos erros. Mas agora com computadores muito mais rápidos e automóveis bem mais tecnológicos. E bom, pensando bem, talvez a música não tenha piorado tanto mesmo.

 

10 thoughts on “Whiskies para Esquecer 2017

  1. Caro Maurício, desejo um ótimo 2018 para você e sua família. Que neste próximo ano seus blogs sejam tão interessantes quanto os de 2017. Que tenhamos mais oportunidades de beber um bom Whisky juntos e dialogar sobre esta bebida e sobre a vida. Grande abraço.

  2. Uma otima seleção
    Apesar de eu desconhecer todos kkk
    Mas enfim se fossem acessiveis nao seriam tão bons
    Ps. A musica piorou e muito. Vc esqueceu do pablo vitar kkkk

    1. Putz, é verdade, Bruno. Mas olha só, a música mais tocada no mês de meu nascimento foi Like a Virgin da Madonna. Que hoje é um clássico. Mas convenhamos – não é porque uma coisa ruim envelheceu bem que ela se tornou automaticamente boa. Ela é uma coisa ruim velha. Então, acho que a música está mais ou menos aí nesse mesmo patamar… péssimo. rs

  3. Muito interessante, mestre!
    Realmente, 2017 é um ano que deve ser esquecido para o bem de todos.
    Gostaria de compartilhar com vc meu próximo provável alvo: Port Charlotte (Islay ficará com a parte pesada do meu investimento alcoólico hahaha). Além dele, achei interessante o Dewar’s 15y e o Aberfeldy 12. Sei que este é um single malt mais simples, mas achei um preço razoável e meu bar contaria com um representante das Highlands. Tenho visto o pessoal avaliando ele bem, comparado com os concorrentes em sua faixa de preço.

    Abraço e bom ano para o senhor!

    1. Fala mestre! Como sempre, excelentes escolhas.

      O Port Charlotte é muito legal. Como já disse algumas vezes – melhor que Islay tem para oferecer: pouca maturação, muita defumação, alto ABV. Bem legal mesmo!

      Permita-me uma correção. Dewar’s 18 e Aberfeldy 12. O Dewar’s 18 está anos-luz do 15!

  4. Quick question: melhor custo x beneficio abaixo dos R$150 pra impressionar o chefe num happy hour aleatório?

    1. Vish, not a quick answer, though. De que? Bourbon? Blend? Onde?

      Dewar’s 12 (é um tequinho acima dos 150)
      Famous Grouse
      Black Label (clássico)
      Chivas 12
      Evan Williams Black

      1. O local seria um bar na orla do bairro de Candeias, no Jaboatão dos Guararapes. Há um bar estilo rústico, com bancos e mesas de madeira, iluminação propositalmente precária. Seria uma forma de demonstrar meu apreço por todo o ensinamento passado e as oportunidades que me foram confiadas. Se o Cão tiver uma sugestão exemplar (tendo sempre a piedade para com o bolso de um assessor de imprensa) além dessas citadas, ainda que ultrapasse o valor ora mencionado, se for uma daquelas que fazem por valer a dor do desapego pelo dinheiro, pode indicar que eu compro.

        1. Carlos, acho que – ultrapassando um pouquinho mas sem quebrar a banca – iria de Singleton of Glen Ord. É um single malt de entrada, bem equilibrado e levemente enfumaçado. Custa R$ 160-200 no máximo. Tá a venda online na http://www.lojadewhisky.com.br e no thebar.com.br . Dê uma olhada lá. Mas também, talvez para impressionar seria uma boa algo mais conhecido. Que tal um Chivas Extra?

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