Whisky – Os melhores custo-benefício em 01/2021

Este post foi originalmente escrito para o Mixology News há aproximadamente dois anos. De lá para cá, algumas coisas mudaram – whiskies saíram, whiskies entraram. Whiskies baratos encareceram. E os caros ficaram ainda mais caros, porque boa notícia é difícil mesmo.  Então, resolvemos criar uma versão 2021 da lista. Para ver o post original, clique aqui.


Minha chaleira elétrica de casa quebrou. Tudo bem. Ela já tinha mais de cinco anos e era utilizada implacavelmente por minha esposa quase todo dia. Após uma rápida ligação à assistência técnica, soube que estava além de reparação. Decidi, então, passar na loja de eletrodomésticos mais próxima para conseguir uma substituta. Ao chegar lá, fiquei completamente perdido.

Chamei a vendedora. Quanto é essa daqui, muito bonita? Ah, essa é novecentos. Ela tem cinco temperaturas, pode ser controlada do smartphone, fala e faz chá quase sozinha. Puxa, legal, mas tá meio fora do orçamento. E aquela ali, bem feia? Ah, essa é cento e cinquenta. Ela esquenta água e pronto. Puxa, mas é feia. E aquela vermelhinha alí? Aquela é igual a esta, só que é bonita. Custa quatrocentos.

Parei. Não tenho maturidade para comprar uma chaleira sozinho. Sério, quatrocentos só porque é bonita? Queria que alguém pegasse em minha proverbial mão e me guiasse pelos melhores custo-benefício de chaleiras de chá. Como algo tão prosaico pode ser tão complicado? Aí tive um momento de epifania. Pensei que alguém pudesse ter a mesma dúvida com whiskies. Prepararia então uma lista.

Como a internet vive de polêmica, é importante aqui fazer duas observações. A primeira é que o whisky não deve necessariamente ser barato para entrar nesta lista. Ele apenas tem que parecer, sensorialmente, bem mais caro. Assim, se um whisky de mil e quinhentos reais tiver sabor de cinco mil, ele está dentro. Mas sinceramente, isso é bem improvável. Dentro desta altitude de atmosfera rarefeita, eu não conseguiria apontar a diferença.

A segunda é que isto não é um ranking. Desculpem. Os números são apenas uma forma de organizar. O número um não é melhor custo-benefício do que o quatro, por exemplo. Eu sei que todo mundo gosta de um ranking. De certa forma, eu mesmo gostaria que isso fosse um ranking. Mas nós, adultos e maduros, sabemos que é impossível comparar coisas cujas naturezas são essencialmente diferentes. Bourbons são diferentes de single malts, que são diferentes de blends. Como as proverbiais maçãs e laranjas. Então isso não é um ranking. Sem mais tergiversações, vamos aos whiskies.

1 – Glenlivet 15 anos

O Glenlivet 15, no último par de anos, se sobressaiu como o single malt com idade superior a doze anos oficialmente à venda no Brasil com melhor preço – normalmente, abaixo dos quinhentos reais. O que pode parecer, e na verdade realmente é, muito dinheiro. Mas estranhamente é também uma pechincha. Single malts de sua classe facilmente ultrapassam o meio milhar de leite-condensados.

Mas nem é só isso. O Glenlivet 15 é bem interessante, também. Ele é finalizado em barricas virgens de carvalho europeu – algo que, por si só, já é bem especial. Isso traz a ele uma característica vibrante, com pimenta do reino e frutas vermelhas. É a expressão mais intensa do portfólio permanente da The Glenlivet. À venda na Caledonia Store.

2 – Singleton of Dufftown

É um single malt por menos de R$ 200,00. Só isso bastaria para incluí-lo na lista. É um whisky democrático e perfeito para os iniciantes do single malt. Como o nome sugere, o Singleton of Dufftown é produzido na destilaria Dufftown, na cidade homônima -uma das maiores em volume de produção do portfólio da Diageo.

A maturação do Singleton of Dufftown acontece em barricas de carvalho americano de ex-bourbon whiskey, “com uma alta proporção de barricas de carvalho europeu“. À venda aqui.

3 – Union Extra-Turfado (E Lamas Nimbus)

Single malts turfados são um problema. Normalmente, isso significa um preço de três dígitos, com um quatro ou um três na primeira casa. A opção de escocês mais em conta que temos é o Talisker, seguido de perto pelo Laphroaig Select.

Porém, uma alternativa muito interessante são os single malts defumados nacionais. Dentre eles, está o Union Extra-Turfado (à venda aqui). Um single malt produzido pela destilaria Union, localizada no Sul do Brasil, turfado à moda dos escoceses.

E se você estiver se sentindo mais aventureiro, há também o Lamas Caledonia e Nimbus, opções defumadas com madeira de reflorestamento, produzidos pela Lamas Destilaria, de Minas Gerais.

4 – Johnnie Walker Black Label

Não dá para fazer uma lista de custo-benefício sem citar este clássico. Ficou de fora de nossa lista inicial talvez por sua obviedade. Mas, para ser absolutamente sincero, o Johnnie Walker Black Label não é o mito onipresente que é, não tivesse seus méritos – ele é bem bom, e incrivelmente complexo, ainda mais considerando o volume de sua produção e a qualidade inabalável da padronização.

Johnnie Walker Black Label é composto por mais de quarenta single malts e grain whiskies. Todos eles – sejam eles single malts ou de grãos – devem ser maturados por um mínimo de doze anos. Os single malts mais importantes em sua composição advém das destilarias Cardhu e Talisker, com Caol Ila e outras maravilhas do portfólio da Diageo.

A venda em praticamente todos os lugares.

5 – Jim Beam Rye

Rye whiskeys são uma deficiência antiga no Brasil. Até pouco tempo, o único rótulo a desembarcar nas nossas terras era o Wild Turkey Rye – um whiskey que, apesar de bem bom, não tinha lá um preço muito acessível. Ainda mais para seu uso mais frequente – a coquetelaria em bares, para executar clássicos como o Sazerac e Vieux Carre. Essa necessidade foi suprida com a chegada do Jim Beam Rye, com um preço bem amigável – pelos R$ 150.

De acordo com a própria Jim Beam, numa tradução adaptada “o Jim Beam Rye é um rye de estilo semelhante àquele anterior à Lei Seca, que presta tributo a uma das receitas mais antigas de nossa família, e é destilado de acordo com os mesmos padrões que nortearam a Jim Beam por mais de duzentos anos. Hoje, ele se tornou essencial para bartender procurando por um whiskey de perfil mais arrojado como os antigos, e uma finalização suave de tempos modernos“

A venda em nossa loja oficial, a Caledonia Store, aqui. 

6- Tamnavulin Double Cask

Single malts maturados em barris de jerez também não são uma pechincha. Basta ver por aí os preços dos maravilhosos – mas exclusivos – The Macallan e The Dalmore.

Mas, para os amantes de um bom vinho fortificado e daquele inconfundível sabor de frutas secas, passas, ameixas e especiarias no whisky, o Tamnavulin Double Cask é um achado. O Tamnavulin Double Cask é um single malt sem idade declarada, produzido pela destilaria Tamnavulin, em Speyside. Sua maturação ocorre principalmente em barricas de carvalho americano de ex-bourbon, antes de ser finalizado por um período não declarado em carvalho europeu de ex-jerez.

Um single malt com predominância de carvalho europeu de ex-jerez, com preço bem tentador. Próximo dos R$ 290,00, à venda em nossa querida Caledonia Store também, claro!

7 – Famous Grouse Finest

Um dos únicos da lista original que permaneceram inabaláveis. Um bastião de preço para os entusiastas, um porto-seguro para os bebedores, uma lenda entre os amantes de whisky. Enfim, em resumo, um whisky, literalmente, do peru. Seu coração é o single malt Glenturret, com participação de The Macallan na mistura.

Seu sabor é de especiarias, malte e frutas secas. Sua boa complexidade o torna um excelente custo-benefício para blended whiskies de entrada e uma boa base para coquetéis que exigem um scotch whisky com mais intensidade, mas sem fumaça. Se preferir algo enfumaçado, há também o Famous Grouse Smoky Black – outro firme representante da classe.

 8 – Teacher’s Escocês

Bom, se há um sinônimo de custo-benefício no mundo do blended whisky, então este sinônimo é Teacher’s. E não estou brincando. Ao contrário do que a maioria acredita, o Teacher’s agora é 100% importado. Dentro da garrafa, inclusive – nada mais de engarrafamento nacional.  Em sua composição, estão single malts de mais de trinta e cinco destilarias. O principal deles é o Ardmore, produzido pela destilaria homônima, localizada na região de Speyside.

Seu custo-benefício pode ser comprovado na prática. O Teacher’s é o whisky mais consumido no Brasil, por uma boa margem de vantagem.

8 thoughts on “Whisky – Os melhores custo-benefício em 01/2021

  1. Sensacional a lista, bem eclética nos valores e tipos, parabéns. O Black Label e o Teacher’s não tem para bater realmente no custo x benefício. O Teacher’s é muito bom para drinks com energético e afins, ninguém vai perceber a diferença para o Black Label.

    Talvez eu acrescentaria alguns para ajudar colegas que estão iniciando, assim como eu precisei ano passado..

    JW Wine Casks. Na faixa de R$100 (eu paguei R$89) e pra mim, achei MUITO parecido com o Bulleit Bourbon, com a diferença que é mais diluído, mas o sabor muito parecido. Bem diferente dos JW
    Aberfeldy 16. Na faixa de R$250 e pra mim, melhor que o Chivas 18 (acho ruim o CB dele).
    Talisker. Você comentou mas não custa reforçar. Na faixa de R$300 ele é imbatível e ainda tem o Laphroaig 10 na faixa de R$350.
    JW Green Label e Gold Label, na faixa de R$250 e R$190. O Green sem comentários, pro meu gosto é o Whisky perfeito e o Gold foi uma surpresa, ele é muito gostoso, picante e pra mim, melhor que alguns single malts de entrada.

  2. Olá Maurício,

    Estou começando no mundo dos whiskies, até agora provei os de entrada JW e Jack Daniel’s, dentre eles, preferi o último….
    Tenho um Jack e uns dias atrás aproveitei uma promoção e encomendei um Dewar’s 15 anos para provar….
    Quais indicações você poderia me dar de bourbon/whisky em que o álcool estivesse menos pronunciado? Até uns R$300.

    1. Opa, fala Vinicius. Com esse range, voce pega qualquer bourbon em nosso mercado. E se quiser álcool bem integrado, fica na trinca “Woodford – Maker’s Mark – Buffalo Trace”. Não tem como dar errado!

  3. Ótimo blog e ótimas postagens… aguardando os whiskys custo x benefício 2022.

    Grato pela indicação do Singleton, whisky que me surpreendeu pelo valor.
    Uma dúvida que surgiu com um amigo ao longo de uma conversa sobre o tema:
    O the famous grouse finest caiu na qualidade ? Os últimos exemplares parecem bem mais metalizados.

    Grande abraço

    1. Opa, fala mestre. Olha, depois de 2022 acho que jamais vou falar de custo benefício de novo! Haha!

      Muita gente tem me falado do Famous. Eu não notei. Mas é um whisky que eu SEMPRE tenho em casa. Então, talvez, eu tenha deslizado pela mudança sensorial, ao invés de tropeçado nela. Aí, não notei. Mas ainda gosto bastante, e sigo “tendo”.

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