Quatro novidades no mercado de whisky brasileiro

Comprei uma geladeira nova. O compressor da minha antiga – que sobreviveu bons quinze anos – finalmente cedeu, e deu sua última vibradinha na semana passada. Assim, súbita e friamente, como somente se poderia esperar de um eletrodoméstico que gela coisas. Sem nenhum prenúncio e no meio da maior pandemia do século. Não havia muito a fazer. A assistência custaria quase o preço de um aparelho novo. Resolvi, então, procurar na internet uma substituta. Fiquei estupefato. É incrível como a tecnologia evoluiu rápido com refrigeradores. Ainda mais pensando que a geladeira doméstica, mais ou menos como a conhecemos, foi inventada somente em 1913. E sem freezer. Este aí, levou mais bons trinta e sete anos até que fosse adaptado para o uso doméstico. Há menos de um século, a possibilidade de congelar seus víveres era uma tarefa um tanto complicada. Mas hoje, há modelos que falam com você. Que avisam pelo celular quando a porta está aberta, e quando o compartimento de cerveja está vazio e é preciso comprar mais. O que, pra mim, é absolutamente inútil, porque é sempre hora de comprar mais cerveja. A quantidade de modelos distintos também é desconcertante. Freezer em cima, freezer embaixo, french door, […]

Mamie Taylor – Antepassados

Ao assistir Jurassic Park, você deve ter grudado de tensão na cadeira durante a cena em que o tiranossauro persegue o jipe. Imagine, um animal desse tamanho e tamanha voracidade hoje em dia. O que você não sabe, provavelmente, é que o T-Rex, aquele enorme e ameaçador predador, é o ancestral mais próximo de um bicho bem pouco intimidador. A galinha. É isso aí. Ocorre que em 2003, dois cientistas – Jack Horner e Mary Scweitzer – analisaram a composição molecular do colágeno contido em um fêmur não fossilizado de T-Rex. E descobriram semelhanças incríveis com aquele contido nos ossos de galinhas e outras aves domésticas. Isso apontaria que há uma ligação de parentesco entre o dinossauro e o galináceo, perdida ao longo dos anos. O que me faz pensar que eu também iria detestar comer tiranossauro assado. Enfim, certos antepassados não são nada óbvios. Outros, porém, parecem ter diretamente inspirado seus predecessores. É o caso, por exemplo, de um coquetel incrivelmente popular hoje em dia, o Moscow Mule, e seu antecessor um tanto obscuro, produzido com whisky turfado, o Mamie Taylor. O Mamie Taylor leva scotch whisky, limão siciliano e ginger ale ou ginger beer. Exceto pela canequinha de […]

Union Malt Extra-Turfado – Fitzcarraldo

Fitzcarraldo, dirigido por Werner Herzog, é um dos mais incríveis e insensatos filmes de todos os tempos. Lançado em 1982, a película conta a história baseada em fatos reais de Brian Sweeney Fitzgerald – apelidado de Fitzcarraldo – um barão da borracha do começo do século vinte. Fitzgerald é admirador de música erudita e do tenor Enrico Caruso. Seu sonho maluco é construir uma enorme casa de espetáculos em Iquitos, no alto da selva amazônica, para ouvir seu ídolo cantar. Para tanto, Fitzcarraldo está obstinado a arrastar um navio a vapor completamente montado sobre uma grande montanha – subindo de um lado, descendo do outro. Seu plano é utilizar a embarcação para explorar as riquezas de certa bacia hidrográfica com a ajuda de indios, se capitalizar e construir o luxuoso teatro. Se o sonho de Fitz parece estupidamente ambicioso, o de Herzog foi além. É que o diretor, recusando-se a utilizar miniaturas e efeitos especiais, arrastou um barco a vapor de verdade, pesando mais de trezentas toneladas em seu set de filmagem. E ainda que o resultado na tela seja magistral, a sua execução foi trágica. Membros da equipe de Herzog morreram e índios sabotaram as filmagens. Mais tarde, o […]

Live – XP Investimentos – Royal Salute

Ao longo desta quase (ou mais?) de meia década de Cão Engarrafado, falamos de centenas de marcas e rótulos diferentes de whisky. Mas posso contar nos dedos de uma mão aquelas que nutria uma paixão enorme mesmo antes de começar o website, e cuja admiração apenas cresceu. Uma dessas marcas é a Royal Salute. Sempre gostei da marca – afinal, o que há de se não gostar sobre esta maravilha? – mas, depois de conhecer os detalhes sobre sua história e criação, a paixão se consolidou. Tive o enorme privilégio de viajar até a Coréia para experimentar em primeira mão dois de seus mais importantes lançamentos – entrevistar Sandy Hyslop e Mathieu Deslandes – e acompanhar de perto os últimos anos da marca. E é com grande satisfação que faço um convite a nossos leitores. Uma live muito especial, patrocinada pela XP Investimentos. Conversarei com a incrível Amabile Gugliemo-Brady, senior brand marketing manager (gerente global de marketing) da Royal Salute. Baseada em Londres, Amabile lidera o pipeline de ativações e eventos globais da marca egerencia a ampliação das plataformas de engajamento para o consumidor em mercados como o Brasil, Índia, Cambodia , Malásia e Emirados ÁrabesUnidos. E melhor de tudo […]

World Class Community – Johnnie Walker 200 & Brazil

Uma pequena pausa para um anúncio que nos trouxe muita alegria. Mauricio Porto, nosso autor, foi convidado para participar de um painel no World Class Community Week Brasil, Da Diageo, com a participação dos incríveis Nicola Pietroluongo (@scotchnick ), Tom Jones (@whiskyexplorer ) Ewan Gunn (@ewangunn) e Arturo Savage (@arturosavage)! Falaremos dos 200 anos da Johnnie Walker, sua conexão com o Brasil e da importância da marca na categoria de scotch whisky.. Abordaremos alguns temas bem atuais, como a flexibilização das regras da Scotch Whisky Association em relação ao uso de certas barricas, como as de tequila, por exemplo. Além do painel dedicado à mais famosa marca de blended scotch whisky do mundo, haverá outros papos incríveis. Como um sobre harmonização de pratos e coquetéis, com Oscar Bosch, do Tanit, Lauren Mote, Mark Moriarty e Nicola; e outro sobre coquetéis ready-to-drink, com Alexandre D’Agostino, do Apothek, Fabio La Pietra, do SubAstor, Tai Barbin, do Liz, Nicola e Jenna Ba. Serão três dias de eventos virtuais Quer saber a programação completa e como assistir? Veja abaixo a programação completa. E para saber mais detalhes, acesse o site oficial do evento virtual. Nosso painel acontece na quarta-feira, dia 17, às 18:00. Nos vemos por […]

Suntory Roku Gin – Filosofia oriental

A estética e a cultura japonesa estão intimamente refletidas em sua linguagem. Os japoneses possuem palavras simples que definem conceitos incrivelmente complexos. Por exemplo, wabi-sabi, que define a apreciação das imperfeições de tudo que é natural. Ou omotenashi – que poderia ser traduzido como hospitalidade. É a virtude de antecipar as necessidades dos outros e atendê-las. A tradição de certos restaurantes japoneses de entregar uma toalhinha quente e úmida para o comensal antes da refeição é baseada nesse princípio. Há umas palavras bem específicas, também. Como tsundoku, que define a tendência de certa pessoa comprar e colecionar mais livros do que consegue ler. É quando a sede de conhecimento supera o tempo disponível. Feliz, ou infelizmente, não há nenhuma palavra que se aplique ao irresistível impulso de comprar dezenas de garrafas de whisky sem nem ter fígado ou tempo para bebê-las. E há também Shun – a filosofia de se apreciar certo prato ou bebida em sua estação do ano certa, e somente quando estiver na epítome de seu sabor. E foi com base neste conceito e em omotenashi, a hospitalidade, que a House of Suntory criou o gim Roku, que acaba de chegar ao nosso país. O Roku é […]

Laphroaig Select – Dissonância

Sem nenhuma dúvida, um dos maiores compositores da virada do século 19 foi Igor Stravinsky. Mais do que um excelente músico, o maestro desafiou dogmas seculares da música clássica. Seu trabalho revolucionou a estrutura rítmica da música erudita, e foi largamente responsável pela consagração do dodecafonismo e serialismo como técnicas de composição. Mas fique tranquilo, isso não é um texto sobre música clássica. Além de gênio musical, Stravinsky era também um homem de bom gosto, e muito espirituoso. A prova disso é sua frase “Meu Deus, tanto gosto de beber whisky que as vezes penso que meu nome é Igor Stra-whisky”. Mas nem sempre as coisas foram fáceis para Stra-whisky. Durante sua vida, muitos de seus trabalhos geraram enorme polêmica. A história mais conhecida é da estreia do ballet “A Sagração da Primavera”, que ocorreu em 1913 no Théâtre des Champs-Élysées de Paris, e foi uma das primeiras obras dissonantes do mundo. Já no início do espetáculo, a plateia assoviava e vaiava. Até que, em uma escalada de fazer inveja a qualquer torcida organizada de futebol, os ouvintes começaram a chutar-se mutuamente, aos berros, arrancando poltronas e as arremessando nas cabeças uns dos outros. Enfim, um ballet tranquilo, com gente equilibrada. […]

Whiskies jovens (ou sem idade declarada) muito bons

“O tempo é a substância da qual sou feito. O tempo é um rio que me arrebata, mas eu sou o rio; é um tigre que me devora, mas sou o tigre; é um fogo que me consome, mas sou o fogo” escreveu Borges em sua Nova Refutação do Tempo. Desgraçadamente – para continuar no tema Borgiano – tenho tido bastante tempo para pensar nele mesmo. Não em Borges. Mas no tempo. Ultimamente, a passagem do tempo tem me trazido ansiedade. Almejo que tudo passe logo, para voltar àquele status quo. Trabalho normal, vida corrida. Aquele em que o tempo passa tão rapidamente que nosso anseio se torna justamente o contrário – que ele demore mais. Normalmente, a passagem do tempo não é muito querida. Exceto quando em quarentena e durante alguma aula chata de matemática. E – de acordo com o senso comum – com whiskies. É que muita gente acha que idade é sinônimo de qualidade em whisky. Mas este pensamento está absolutamente equivocado. Há características sensoriais de whiskies jovens que são praticamente irreplicáveis em whiskies mais maturados. A turfa, por exemplo. Whiskies turfados são, sensorialmente, muito mais turfados quando há pouca maturação. A influência sensorial da turfa […]

San Basile White Dog – Raio X

Quando era criança, bati a cabeça bem forte. O que, num parêntesis, é uma explicação bem verossímil para certos comportamentos que tenho hoje. Eu estava me preparando para dormir, saí correndo e pulei na cama, mas devia estar empolgado demais, porque errei o alvo e fui direto na parede. Quanto aterrizei no travesseiro, não sentia metade da testa, mas percebia um líquido quente e viscoso que descia pelas minha têmpora esquerda, até a orelha. O resto foi drama. Mãe gritando, carro, hospital, raio-x. Raio-X. Quando o médico chegou com a imagem do raio-x na mão, minha mãe ficou aliviada. Nada demais, apenas uma meia dúzia de pontos na testa, que mais tarde se tornariam uma pequena cicatriz. Mas, mais do que isso, eu fiquei maravilhado com aquela foto. Então era assim que eu era por dentro. Uma intrincada combinação de pedaços que mais pareciam um vaso de porcelana quebrado e depois colado. Anos mais tarde – e sem qualquer relação direta com o acidente – vi uma série de outras imagens de raio-x, de coisas e bichos aleatórios. Achei bem legal. Um celular não é muito mais do que uma chapa cheia de furinhos e circuitos. E um pinguim – […]

Gold Rush – Sobre ideias geniais e óbvias

Ultimamente, tenho tido tempo razoável para rever uma série de filmes. Prerrogativa da quarentena. Essa semana, revi Segundas Intenções. Sei lá porque, também. E olha, é bem ruim. Você pode argumentar que não, que isso é um absurdo, porque é um clássico. Afinal, é uma adatação pop do romance Les liaisons dangereuses, de Pierre de Laclos, e integrante da corrente de grandes filmes baseados no romance, como Ligações Perigosas do Stephen Frears e Os Sonhadores de Bertolucci. Você pode argumentar. Mas, se o fizer, você está equivocado. Ligações Perigosas sempre foi bom, e envelheceu bem. Os Sonhadores, ao ser lançado, foi arrebatador, a ponto de se tornar um clássico instantâneo. Mas não Segundas Intenções. Segundas Intenções era ruim, apelativo, afetado e raso. Melhorou um pouco, mas não é porque algo ruim envelheceu bem, que se tornou bom. Em resumo, nem tudo que é antigo é clássico. É necessário ter qualidade. Um diferencial, algo que proteja do oblívio e dialogue com as pessoas – independente da era em que foi criado. Mas há coisas que são tão boas, mas tão boas, que prescindem a passagem do tempo para virarem clássicos. Algumas – poucas – películas são assim (Os Sonhadores, por exemplo). […]