Drink Drops – Boilermaker

Quando comecei a beber, meu pai me deu um conselho de ouro sobre como não ficar bêbado. Alternar um gole da bebida com um gole de água. É uma estratégia simples, mas que realmente dá resultado. O álcool desidrata o corpo, e a água é a melhor aliada na briga para reidratá-lo. Com essa dica, poderia passar horas bebendo moderadamente sem sofrer as sórdidas consequências da ressaca.

Uma vez, lendo uma crônica do Luiz Fernando Verísismo – de verdade, não o Luiz Fernando Veríssimo que as pessoas compartilham no Whatsapp – vi que ele tinha a mesma estratégia que eu. E o mesmo desafio. “Tomar um copo de água entre cada copo de bebida – O difícil era manter a regularidade. A certa altura, você começava a misturar a água com a bebida, e em proporções cada vez menores. Depois, passava a pedir um copo de outra bebida entre cada copo de bebida“. Nesse estágio, não sei qual era a pedida do Veríssimo.  Mas minha sempre foi whisky e cerveja. Às vezes ao mesmo tempo.

e depois fazer yoga

Naquela época eu nem sabia, mas esse hábito – de beber um copo de whisky junto com um de cerveja – é bem comum. E tem até um nome. Boilermaker. Apesar do título deste post, acho que o Boilermaker nem poderia ser considerado um drink. Ou um coquetel. Porque ele é simplesmente isso: combinar um golinho de whisky com um de cerveja. O boilermaker é como a felicidade para os livros de autoajuda: não tem receita.

No Reino Unido, o Boilermaker é a combinação de alguma cerveja em pint, normalmente vendida na temperatura ambiente em algum pub, com uma dose de algum whisky bem leve. Nos Estados Unidos, é a união entre uma cerveja suave com algum bourbon ou rye whiskey. Mas para falar bem a verdade, não há muitas regras. O boilermaker é um hábito, não uma regra.

Mas há aqui uma oportunidade de ouro, que, na visão deste Cão, normalmente é desperdiçada. Uma oportunidade que a gourmetização do mundo começou agora a abraçar. A da harmonização. Harmonizar – de forma proposital e não apenas por pura preguiça – whiskies e cervejas. Por suas características sensoriais mesmo.

Este Cão fez uma série de testes. Porters leves com single malts puxados para jerez são algo de outro mundo. Assim como barleywines e whiskies defumados. Mas talvez por conta das temperaturas cada vez mais escaldantes desta inconveniente época do ano, a mais agradável e fácil foi, também, a menos pretensiosa. Uma summer ale – mais especificamente a recém-lançada Maniacs Summer – com Jameson. Jameson Caskmates, para não facilitar muito também.

A Maniacs – com sabor levemente puxado para o amargo, pouco corpo e boa carbonatação funcionou muito bem com o irish whiskey – cujo final também é curto e amargo. Mas o legal aqui é testar. Algo tão prosaico como um boilermaker, no fundo, pode conter um milhar de possibilidades. Experimente. Mas lembre-se sempre da regra áurea. Um copo de água, um de cerveja, um de água, um de whisky, um de cerveja, um de whisky, dois de cerveja…

…ou algo assim.

 

 

 

6 thoughts on “Drink Drops – Boilermaker

  1. Em filmes e seriados sempre aparece alguém bebendo cerveja, com um copo de shot de algum bourbon. Isso tem nome, então… rs.

  2. Recebi o mesmo conselho, mestre, mas foi do meu avô (in memoriam), o qual gostava muito de whisky.
    Vou arriscar o boilermaker qualquer dia.

    Abraço!

  3. Grande Cusco! Poderia me ajudar? Que tipo de cerveja harmonizaria com um Chivas 12 anos? E com um Singleton of Glen Ord? Valeu! Abraço!

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