Especial de Reveillon – French 95

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Eu não gosto muito do natal e definitivamente não ligo para a páscoa. Também não tenho muito apreço pelo dia dos pais – afinal eu acabo sempre me presenteando mesmo – e assumo que a monotemática da época carnavalesca me irrita um pouco.

Mas tem uma festa que eu gosto. O Ano Novo. A festa de ano novo é a materialização daquela famosa frase de Bogart “a humanidade está duas doses de whisky atrasada”. Todo mundo fica mais otimista, bem-humorado e levemente inconsequente. É como se o peso de existir repentinamente desaparecesse, e o amanhã fosse uma oportunidade genuína de recomeçar do zero.

Os problemas diminuem até tornarem-se meras esperanças. Fazemos promessas que jamais serão cumpridas. E tudo bem, porque, naquele momento, todos estão felizes. Tudo isso, em grande parte, por conta da ação de um ingrediente indispensável nesta data. O prosecco, ou espumante. O prosecco é uma espécie de combustível do contentamento momentâneo. Uma panaceia, que anestesia o desalento e potencializa o júbilo.

E é muita alegria!
E é muita alegria!

O problema, no entanto, é que o espumante, assim como a alegria do réveillon, dura pouco. Depois de aberto, o melhor é liquidar a garrafa em algumas horas. Mas talvez você não consiga, ou talvez não seja muito fã da bebida pura. Ou só queira mesmo evitar o desperdício. Seja qual for o caso, este Cão tem a solução. Um coquetel para um verdadeiro amante de whisky e admirador do perlage. O French 95.

O French 95 é uma variação de um clássico, o French 75 – que leva conhaque ou gim, champanhe e limão – e tem uma das histórias mais legais que este Cão já leu.

O French 75 foi batizado em homenagem à M1897 75mm, uma peça de artilharia que se tornou um dos ícones bélicos da 1ª Guerra Mundial. Isso porque os soldados franceses, após as batalhas, comemoravam as vitórias bebendo champagne com conhaque, e frequentemente adicionavam sumo de limão.

Os primeiros registros escritos do French 75 são de 1922. Quase concomitantemente, o coquetel figurou no Savoy Cocktail Book, de Harry MacElhone e  no livro Cocktails: How to Mix Them, de Robert Vermeire’s. Cinco anos mais tarde, no auge da Lei Seca norte-americana, o drink fez uma aparição no Here’s How, um bem-humorado manual de coquetelaria, escrito por Judge Jr.

Aliás, voltando a Humphrey Bogart, o drink recebeu fama internacional em 1942, ao aparecer em nada mais do que um dos mais clássicos filmes da história. Casablanca – numa cena em que seu personagem vê um antigo caso, Yvonne, entrar no bar acompanhada de um soldado nazista. Além dessa notória aparição, o coquetel teve participação coadjuvante em dois filmes de John Wayne: A Man Betrayed (O Traído) e Jet Pilot (Estradas do Inferno).

Rick, Yvonne e o personagem principal do filme: uma garrafa de birita.
Yvonne, Sascha e o personagem principal do filme: a garrafa de birita.

O French 95 é exatamente seu irmão de menor calibre, com a óbvia substituição do gim (ou o brandy) por whiskey americano. Enquanto na versão clássica o espumante predomina, na reinvenção, a vedete é Bourbon.

Eu poderia explicar aqui a versão clássica do coquetel – que figura na International Bartender’s Association – e simplesmente substituir o gim pelo pelo whiskey. Mas isso seria simplesmente preguiçoso. E quase tão inconsequente quanto o espírito do ano novo. Então, ensinarei a minha versão preferida, a que figura no livro The Craft of Cocktail, do mestre Dale DeGroff.

FRENCH 95

INGREDIENTES

  • ¾ dose de Bourbon ou Tennessee Whiskey
  • ¾ dose de calda de açúcar (aprenda aqui)
  • ½ dose de sumo de limão siciliano
  • 1 dose de sumo de laranja
  • Prosecco (ou champagne)
  • Gelo
  • Copo higball ou taça flute
  • coqueteleira

PREPARO

  1. Em uma coqueteleira com bastante gelo, bata o bourbon whiskey, a calda de açucar, e os sumos de limão e laranja.
  2. Desça o conteúdo da coqueteleira no copo ou taça. Se você tiver escolhido o highball, adicione gelo ao copo. Caso prefira o drink na taça flute, basta gelá-la.
  3. Complete com o espumante.

4 thoughts on “Especial de Reveillon – French 95

  1. Como vai, Maurício?
    Muito oportunas suas observações sobre os feriados. O carnaval é uma época que pra mim, deveria ser banida haha, mas é como vc mencionou: o Ano Novo realmente desperta uma certa simpatia, até em quem não gosta do período festivo.
    Muito interessante o drink e propício, já que não vamos tomar uma garrafa toda de espumante/prosecco sozinhos (certo? haha)

    Grande abraço!

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