Lagavulin 11 Offerman Edition Guiness Cask Finish – Drops

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Eu viajei pelo mundo e experimentei muitas tentativas de criar néctares agradáveis, mas é apenas esta destilação de Islay; uma pequena e carismática ilha escocesa que conquistou meu paladar. Sim, e meu coração junto.” A frase é de Nick Offerman, o ator que vive – ou melhor, que é – Ron Swanson na vida real. Offerman é um fã incondicional da Lagavulin. Tão apaixonado que criou e produziu uma série de curtas sobre sua paixão – o que, pra falar a verdade, não é tão estranho assim, eu faria o mesmo.

Ocorre que Offerman é uma celebridade. E, como uma celebridade, há a possibilidade de exercer sua paixão de uma forma pouco acessível para pessoas normais. Como, por exemplo, lançar sua própria série de whiskies em parceria com a Lagavulin. E é daí que surgiu o Lagavulin Offerman Edition: Guiness Cask Finish, tema desta prova.

Na verdade, o Lagavulin 11 Offerman Edition: Guiness Cask Finish não é a primeira colaboração entre Offerman e a destilaria de Islay, mas sim, a segunda. A primeira edição – um Lagavulin 11 anos – foi lançado em Outubro de 2019. Daquela vez, sem finalizações especiais. Apenas um single malt de uma das melhores destilarias da Escócia, produzido com todo cuidado, escolhido e curado por Nick.

O storytelling aqui é bem elaborado. Um curta-metragem estrelado por Offerman e seu pai (no mundo real!) ilustram os dois tomando Guiness. Nick recebe uma ligação emergencial da Lagavulin, que lhe explica que acabaram os barris. O entusiasta, então, resolve o problema de uma forma pouco ortodoxa – considerando a paixão do pai pela Guiness, encomenda barricas daquela cervejaria para que envelheçam seu single malt favorito. Recomendo assistir o vídeo – que leva uns dez minutinhos – e é bem melhor que esta descrição com spoilers.

Tá, talvez seja um pouco estranho ter um telefone de disco na mesa do bar.

Como você já deve ter presumido, o Lagavulin 11 Offerman Edition: Guiness Cask Finish é um Lagavulin com 11 anos de maturação, finalizado em barris de cerveja Guiness. Mais especificamente, barris utilizados pela Guiness em sua Open Gate Brewery, localizada em Baltimore, Maryland. De acordo com a Lagavulin, o single malt é uma rica combinação das “notas intensas de turfa e madeira carbonizada” provenientes do whisky, com notas mais doces de café, chocolate escuro e caramelo dos antigos barris Guinness.

Sensorialmente, o Lagavulin Offerman Edition é, curiosamente, quase um whisky didático. Todas as notas que deveriam estar lá, estão. É como se Nick pegasse em sua mão, com sua tradicional delicadeza, e explicasse. Agora, você vai perceber fumaça. Iodo e sal, com um pouco de medicinal. Agora você vai começar a sentir um sabor de chocolate, café, malte. Mais um pouquinho de fumaça, pimenta do reino – agora vá lá e faça uma cadeira de marcenaria. É incrível como a complexidade deste malte está distribuída ao longo da prova.

Infelizmente e como você já deve ter presumido, o Lagavulin 11 Offerman Edition: Guiness Cask Finish não está à venda no Brasil. Nem qualquer Lagavulin, para falar a verdade. Mas, caso você tenha a sorte de pescar um destes peixes raros – outro passatempo de Nick e seu pai – não deixe de prová-lo. É sim, um single malt endossado por uma celebridade. Mas, não daquele jeito que conhecemos. É um whisky incrível, com um storytelling capitaneado por um verdadeiro entusiasta.

LAGAVULIN 11 ANOS OFFERMAN EDITION GUINESS CASK FINISH

Tipo: Single Malt com idade definida – 11 anos

Destilaria: Lagavulin

Região: Islay

ABV: 46%

Notas de prova:

Aroma: carvão, esparadrapo, chocolate, café.

Sabor: bastante defumado e rico. Os sabores se sucedem como em uma fila: fumaça, iodo, esparadrapo, chocolate e café. Final defumado e apimentado.

Whisky gentilmente oferecido e provado em companhia do amigo Nilo. Obrigado!

2 thoughts on “Lagavulin 11 Offerman Edition Guiness Cask Finish – Drops

  1. Caro Maurício,
    Como um fã absoluto do Lagavulin, esse babulho ‘Offerman Edition Guiness Cask’ me pareceu uma iconoclastia.
    Após seu texto e conhecer esse tal de Offerman, mais por você e menos pelo cara, mudei de idéia.
    Finalizar meu Lagavulin em barrica de cerveja é um treco tão doido que só pode ser coisa de doido ou de gênio. Nem tanto, posto que a Jameson já havia feito essa macumba, que foi iniciada, com a intenção oposta, essa sim, coisa de gênio, com a Innis&Gunns.
    O que importa? Que lhe tenho na mais alta conta e que ninguém que é um apaixonado por Lagavulin pode ser desconsiderado.
    Alterei tudo e na primeira oportunidade irei comprar.
    Forte Abraço,
    Sócrates

    1. Haha, caro Sócrates, sinto-me quase um embaixador da Lagavulin, depois dessa.

      Whiskies envelhecidos em barril de cerveja são polêmicos. IPA casks, especialmente. Afinal, onde já se viu IPAs naturalmente envelhecendo em barricas? Me soa um contrasenso – IPAs normalmente são – e devem ser – frescas. Não embarrilhadas. Mas, há exceções. As Innis & Gunn, como bem lembrou. E este Laga é um deles. Fui descrente, mas vale a pena. E o tal do Sr. Nick parece ter responsabilidade sobre o que fala. We never know, though.

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