Segunda feira é para os corajosos. E ontem, com o coração cheio de bravura, o Cão Engarrafado participou do Cateto Smokey Mondays, um já tradicional evento mensal, organizado pelo Bar Cateto Pinheiros. A ideia por trás do evento é simples. Trazer, sempre na primeira segunda-feira do mês, um belo charuto, que será degustado e harmonizado com bebidas diferentes. E ontem foi a vez dos bourbon whiskeys e dos charutos cubanos Bolivar Redentor série exclusiva para o Brasil.
O evento ainda contou com uma aula especial, ministrada pelo professor Cesar Adames. Pudemos experimentar – ou melhor, relembrar – três bourbons já revistos neste blog: Bulleit, Woodford Reserve e Maker’s Mark. Além deles, foi servida uma garrafa antiga de Blanton’s Special Reserve, da época que o whiskey ainda era importado para o Brasil.
O mais interessante é que a degustação foi feita às cegas, e apenas ao final os bourbons foram revelados. Assim, todos puderam provar as doses sem preconceitos ou preferências preconcebidas, e eleger seu preferido.
Os whiskeys
Após a a aula, os participantes puderam acender seus charutos, e experimentar novamente os whiskeys, desta vez, harmonizados. O charuto, escolhido pela Barão Tabacalera, casou perfeitamente com as garrafas escolhidas e com o bate papo, com a participação de todos os presentes.
Se quiser saber sobre as próximas edições do evento, curta a página do Cateto Pinheiros no Facebook e fique esperto. As vagas são limitadas. E, sinceramente, não é sempre que temos uma segunda-feira tão memorável como esta.
Sabe, eu sou uma pessoa mais ou menos hiperativa. Para mim, ficar preso em algum lugar sem possibilidade nenhuma de inventar alguma coisa para fazer é quase uma sentença de prisão perpétua. Meu dia ideal é aquele com a agenda limpa e uma miríade de possibilidades. E, para isso, viver em uma cidade grande é excelente.
Afinal – resguardado o limite do bom senso e da moralidade – posso fazer praticamente o que tiver vontade. Há infinitos restaurantes, milhares de bares, centenas de cinemas, dezenas de museus e parques. Talvez tenha acordado com a estranha vontade de praticar pelota basca pela primeira vez. Sem problemas, conheço um clube que possui uma quadra.
Em oposição, um lugar que não oferece tantas possibilidades me assusta. A proverbial ilha deserta, no meu caso, seria um castigo maior do que a morte. Ainda que eu pudesse levar aquele meu livro e a tal única garrafa de whisky. Porque, afinal, o que eu faria com meu dia após terminar a leitura e secar a garrafa?
Bater um papo, talvez?
Bem, se eu fosse Archibald Campbell, e vivesse no século dezenove, eu saberia exatamente o que fazer. Eu fundaria uma destilaria de whisky. Afinal, na lógica de Campbell, nada melhor para isto do que uma ilha praticamente desabitada, infértil e montanhosa. Foi exatamente o que ele fez. Assim nasceu a “Small Isles Distillery”, que, mais tarde, tornou-se a Isle of Jura.
Na verdade, a história teve um pequeno percalço. A destilaria teria sido fundada em 1810, num esconderijo de um contrabandista. No final daquele século, porém, ela foi desativada – com a progressiva retirada de seu equipamento, estoque, e por fim, o teto – e assim permaneceu por mais de sessenta anos. Em 1960, a população da Ilha resolveu reconstruí-la sobre as ruínas da antiga, e sua primeira destilação ocorreu em 1963. O estilo do whisky também mudara. Antes, tradicionalmente turfado – à moda de Islay – o single malt produzido nas novas instalações era apenas levemente defumado.
E foi assim, que em 1960, nasceu a nova destilaria de Jura. A mesma que conhecemos até hoje, apesar de uma – discreta – expansão.
Tavez você esteja se perguntando o que aconteceu com a ilha de Jura, após a reconstrução da destilaria. Teria sua economia prosperado e a população crescido? Bem, então saiba que apesar de ser a oitava maior ilha das hébridas escocesas em extensão, ela é apenas a trigésima primeira em população. São aproximadamente duzentas pessoas. Por outro lado, a ilha é povoada de cervos. Há mais de cinco mil cervos. O que dá mais ou menos vinte e cinco destes saltitantes seres por pessoa.
Atualmente, a Jura produz uma incrível variedade de whiskies. Há single malts bastante defumados e ricos (como o Prophecy e Turas Mara), defumados e secos (como o Superstition), pouco defumados e ricos (como o Duriach’s Own) e infinitas edições limitadas, como Brookyln e Tastival. Mas sua expressão mais clássica é o Jura dez anos. Não por acaso, batizado de Jura Origins.
De acordo com o testemunho da própria destilaria, o Origins “é o whisky que simboliza a reconstrução de nossa comunidade e o renascimento da destilaria Jura. No rótulo há o símbolo celta do nascimento, começo e das forças da natureza. É algo que adicionamos à garrafa porque achamos que simbolizava nossa história particular, e o whisky que está no coração de tudo aquilo que fazemos”.
Ainda que não seja claramente divulgado, este Cão suspeita que a maturação do Jura Origins ocorra somente em barricas de carvalho americano que antes continham Bourbon whiskey. Isso proporciona sabor leve, adocicado, com final de baunilha e mel. A sensação de leveza é potencializada pelo destilado, pouco oleoso, fruto dos alambiques altos – alguns dos mais altos de todas as destilarias escocesas, apenas atrás de Glenmorangie e Bunnahabhain.
Nenhum cervo por aqui.
O Jura Origins recebeu medalhas de prata na International Wine and Spirits Competition de 2014 e 2013 na categoria de single malt das ilhas, e na International Spirits Challenge de 2015 como Single malt abaixo de doze anos. Nada mau para a versão de entrada de uma destilaria.
O Jura Origin é o tipo de single malt que agradará aos paladares mais treinados e surpreenderá os iniciantes. Ele é perfeito para se tomar em qualquer situação. No mais frio inverno do campo ou mesmo no calor infernal de uma praia. No bar ou no conforto do lar. É o tipo de whisky que transformaria o mais absoluto tédio de qualquer ilha deserta no entusiasmo da mais cosmopolita das cidades.
JURA ORIGINS 10 ANOS
Tipo: Single Malt com idade definida – 10 anos
Destilaria: Jura
País/Região: Islands – Hebrides
ABV: 40%
Notas de prova:
Aroma: frutado, adocicado, baunilha.
Sabor: mel, frutas em calda. Final médio, progressivamente mais seco. Levemente (quase imperceptivelmente) defumado. Baunilha.
Com água: A água o torna ainda mais adocicado. Baunilha fica ainda mais clara.
Aí vai mais uma cervejinha fraca para sua quinta-feira. Essa é a Shipyard Gladiator Bestiarius, uma Imperial Porter que foi maturada por dez meses em barricas que antes contiveram o bourbon Jim Beam. Sua graduação alcoolica é de 9,4% (ou melhor, 11,8%). Ah, e ela vem em garrafas de 750ml.
A Bestiarius tem sabor de café, açúcar mascavo e um característico final de baunilha, bem próprio das barricas utilizadas em sua fabricação. Apesar da graduação alcoólica, é uma cerveja bem menos densa do que a maioria das Imperial Porters que vemos por aí. Ou seja, um convite tentador para se tomar uma garrafa inteira.
A Shipyard Brewing Co. é uma cervejaria localizada em Portland, Maine, fundada – espiritualmente – em 1992, tendo sua fábrica sido construída em 1994. Atualmente, são produzidas mais de vinte rótulos diferentes, além de um refrigerante – Capt’n Eli’s Soda. Os rótulos da série Gladiator, no entanto, são reservados às criações mais especiais e exclusivas.
No Brasil, a Gladiator Bestiarius é importada pela Get Trade, e pode ser encontrada online ou em bares especializados em cervejas, como o Empório Alto dos Pinheiros. Seu preço médio é meio monstruoso. R$ 130,00 (cento e trinta reais).
E se você nos perguntar se vale a pena, responderemos somente que, bem, ela é monstruosamente boa.
Caso você já acompanhe este blog há algum tempo, terá certamente percebido que uma das minhas paixões – além de whisky – é cinema. Por isso, muitas vezes, costumo relacionar filmes e whiskies. E nem sempre essa é uma tarefa fácil. Os pontos de tangência podem não ser muito claros, e, para ser absolutamente franco, na maioria das vezes, uma coisa não tem nada a ver com a outra. Mas no caso do Blood and Sand, coquetel que ensinarei vocês a preparar, eu não precisei fazer nenhum esforço. É que o nome do drink é uma homenagem a um filme mudo homônimo, de 1922, dirigido por Fred Niblo. A película, por sua vez, baseia-se num livro – Sangre y Arena – de Vicente Blasco Ibáñez.
A história do filme é curiosa. Ela acompanha Juan, um menino que, contrariando o desejo de sua mãe, torna-se um toureiro. Durante sua ascensão à fama, Juan casa-se com Carmen, sua paixão de infância. Só que mais tarde, ao atingir o status de celebridade nacional, conhece Dona Sol, uma proeminente dama da alta sociedade, e se vê tendo que fazer a difícil escolha entre duas mulheres maravilhosas.
Coitadinho do Juan
O amor por Carmen é sério e acolhedor, enquanto a paixão por Dona é intensa e com traços de sadomasoquismo. E Juan, neste cruzamento vintage entre Cinquenta Tons de Cinza e O Diário de Bridget Jones, acaba por forçar seu afastamento de Dona, que, por sua vez – e no melhor estilo latino de novelas – expõe a traição a Carmen, destruindo seu casamento. A desgraça de Juan se completa quando se fere mortalmente em uma tourada. Entretanto, segundos antes do derradeiro suspiro, o toureiro é perdoado por seu amor verdadeiro, e consegue falecer em paz.
O filme não apresenta nenhum coquetel. Aliás, nem mostra pessoas bebendo exageradamente. Então, conclui-se que o nome do drink foi inspirado pelo sucesso da película. O primeiro registro de uma receita impressa do Blood and Sand é de 1930, no Savoy Cocktail Book de Harry Craddock. No entanto, Greg Boehm, colecionador de livros antigos de coquetelaria e sócio da loja Cocktail Kingdom, diz que o drink é mencionado em um livro chamado Cocktail Continentale, de 1926, ainda que a receita não esteja lá.
O Blood and Sand tradicional – do Savoy Cocktail Book – leva partes iguais de suco de laranja, licor de cereja, vermute e whisky, servido numa taça coupé ou de Martini. Até aí, não há qualquer tensão. O drama – quase cinematográfico – entretanto, é a escolha do whisky. A escolha do whisky neste coquetel é a parte mais interessante. Porque mexendo um pouco com a proporção de seus ingredientes e simplesmente alterando o whisky utilizado, pode-se criar um Blood and Sand mais pesado ou mais leve. Ou um mais adocicado, ou defumado. O Blood and Sand é um dos coquetéis mais versáteis que já conheci.
Assim, meus caros, pela primeira vez na história deste blog – o que não significa muita coisa – passarei duas receitas do Blood and Sand, testadas à exaustão e quase à embriaguez. Tudo, claro, em nome da boa coquetelaria. Assim, você mesmo poderá eleger seu preferido. Uma delas será um Blood and Sand defumado e oleoso. O outro, no entanto, será adocicado e mais leve. Sintam-se livres para escolher aquela que mais lhes aprouver. E claro, lembrem-se de testar suas próprias receitas nesta tourada etílica em busca do mais apaixonante coquetel.
¾ dose de vermute (este Cão utilizou o Carpano Antica Formula, por ser um vermute mais pesado e adocicado, de forma a contrabalançar o Ardbeg. Utilizando um vermute mais seco, como o Miró Etiqueta Negra, o coquetel ficará mais leve e mais seco).
¾ dose de Cherry Heering (isso é licor de cereja. Apesar de nunca ter testado, descobri posteriormente que poderia ser substituído por um xarope de cereja).
½ dose de suco de laranja, ou suco de toranja (ficará mais azedo)
BLOOD AND SAND (ADOCICADO)
INGREDIENTES
¾ dose de whisky adocicado (neste caso, usei Glenlivet Founder’s Reserve por ser leve e adocicado. Mas sinta-se à vontade para escolher livremente. Pode usar um blended whisky leve, se for de seu agrado. Mas lembre-se que um whisky muito suave ressaltará o sabor do licor de cereja e do vermute).
¾ dose de vermute (para contrabalançar o sabor do Heering e do single malt, optei por um vermute mais seco. O Miró Etiqueta Negra, neste caso. Carpano Classico funcionará também).
¾ dose de Cherry Heering
¾ dose de suco de laranja, ou toranja.
PREPARO
Misture todos os ingredientes em uma coqueteleira, com bastante gelo. Chacoalhe com força, por no mínimo quatro segundos. Desça o coquetel (coando o gelo que restou na coqueteleira) sobre uma taça de coupé ou taça de Martini.
Você gosta do Glenfiddich 15 anos? Então talvez seja a hora de pegar um avião para ter a oportunidade de experimentar o Glenfiddich Reserve Cask, a expressão intermediária da Glenfiddich Cask Collection, exclusiva para lojas de freeshop de terminais de aeroportos internacionais. As duas outras expressões são o Select Cask (maturado em barricas de carvalho europeu e americano, de ex vinho jerez, vinho tinto e bourbon) e o Vintage Cask, levemente defumado.
O Glenfiddich Reserve Cask é inicialmente maturado em barricas de carvalho europeu que antes continham vinho jerez. O conteúdo dessas barricas é então reunido em um enorme tanque de carvalho, conhecido como Solera Vat – processo que ocorre de forma semelhante com o Glenfiddich 15 anos.
De acordo com a própria Glenfiddich “desenvolvido por nosso quinto Malt Master, David Stewart, o processo de solera foi inspirado pelos produtores de jerez espanhóis. Barris individuais são escolhidos a dedo por seu sabor, antes de serem reunidos na Solera Vat, especialmente construída, produzindo um single malt incrivelmente complexo e rico. A Solera Vat é sempre mantida cheia, ao menos, até a metade, durante todo o processo, o que assegura um sabor consistente e balanceado“.
A Glenfiddich Cask Collection foi desenvolvida pelo Malt Master Brian Kinsman para se destacar um pouco da tradicional linha da Glenfiddich, utilizando métodos focados no sabor do whisky. Todas as três expressões passam algum tempo em Solera Vats dedicadadas, e cada uma apresenta um certo contraponto ao outro – adocicado, frutado e defumado. O Glenfiddich Reserve Cask possui aroma e sabor frutado e adocicado, com um pouco de baunilha e malte. O final é longo e progressivamente picante.
Se você vai viajar para o exterior, não deixe de conferir o Duty Free – mesmo de aeroportos brasileiros – por essa e as demais expressões da Cask Collection. Ou faça como este Cão, e aguarde pacientemente que algum bom – e generoso – amigo volte de viagem com um destes.
Se você não se tornou famoso ainda, não se preocupe. Talvez isso aconteça mesmo só depois de morrer. Foi assim com Van Gogh, Edgar Allan Poe, Kafka, El Greco e Galileo Galilei. A distância – no caso, o tempo – nos permite enxergar com mais clareza a grandeza destas pessoas que, infelizmente, não puderam colher os louros de seus prolíficos trabalhos.
E neste enorme rol de injustiçados pela sociedade e vingados pela história, está Bach. Johann Sebastian Bach, conhecido por alguns como um dos maiores compositores de todos os tempos e por outros como o cara que fez a música do comercial daquela operadora, nunca recebeu o devido reconhecimento em vida. Foi só no século dezenove – ou seja, uns cinquenta anos após sua morte – que sua música foi revivida e alcançou a fama.
Certa vez Bach teria se candidatado ao posto de diretor de canto e música em Leipzig, mas somente foi aceito após outros dois candidatos – claramente preferidos pelo conselho da cidade – terem rejeitado a indicação. No melhor estilo barroco de “é o que tem para hoje”, o conselho o considerou uma alternativa razoável, dadas as circunstâncias.
Bach, na opinião do conselho de Leipzig
E nem o mundo do whisk(e)y está a salvo destas injustiças. É o caso de Nearis Green. Durante cento e cinquenta anos, pouquíssimas pessoas conheciam o nome de Nearis, e menos ainda sua importância na história da mais famosa marca de Tennessee Whiskeys do mundo, a Jack Daniel’s.
Foi só recentemente que a marca, às margens de seu 150º aniversário, divulgou que Jasper (“Jack”) Newton Daniel teria, na verdade, aprendido a produzir whiskey com Nearis, e não com o conhecido reverendo Dan Call. Isso fora alterado nos registros pelo simples fato de Nearis ter sido um escravo negro pertencente a Call.
Assumir que a história foi convenientemente adaptada e assim contada por cento e cinquenta anos não chega a ser, exatamente, justiça. Mas é, talvez, uma forma de reparação moral, ainda que bastante tardia. E eu, também no espírito “antes tarde do que nunca”, resolvi que faria, em homenagem a isso, a prova de uma expressão há muito havia prometido. O Jack Daniel’s Gentleman Jack.
Para explicar a diferença entre o Gentleman Jack e o Jack Daniel’s Old No. 7, será preciso, antes, explicar o que significa Tennessee Whiskey.
De acordo com uma norma – a House Bill 1084 de 13 de maio de 2013* – para que um whiskey possa receber rótulo de Tennessee whiskey, ele deve ser produzido no Tennessee e atender a todos os requisitos legais para ser um Bourbon. Além disso, deve passar por um processo chamado Lincoln County Process, que é, basicamente, a filtragem do destilado recém produzido utilizando um filtro de carvão de bordo. O tal carvão funciona como um filtro natural, que retém as moléculas mais pesadas do destilado, permitindo a passagem apenas dos componentes mais leves. O resultado é um whiskey mais brando, com menos corpo, mas mais palatável.
Filtro de carvão
O processo de produção do Gentleman Jack é semelhante àquela do Old No. 7. A mashbill é a mesma – 80% milho, 8% centeio e 12% cevada maltada – e a fermentação ocorre da mesma forma. Aliás, se você reparar no rótulo do Old No. 7, notará que há a expressão “sour mash whiskey”. Isso significa que parte do mosto úmido de uma fermentação anterior é adicionado ao novo mosto, antes deste ser fermentado. Este mosto residual é conhecido como sour mash. Ainda que não haja menção sobre esse processo no rótulo do Gentleman Jack, ele é comum às duas expressões da marca.
A destilação ocorre em colunas de cobre de aproximadamente quatorze metros de altura, que contam com uma espécie de válvula de refluxo. Este processo mudou ao longo dos anos. Na época de Nearis, os whiskeys eram produzidos em alambiques de cobre tradicionais. Foi somente após a década de trinta, com o fim da Lei Seca Norte Americana, que a Jack Daniel’s começou a empregar destiladores contínuos. Nas palavras – polêmicas – de Jeff Arnett, um dos antigos master distillers da Jack “a tecnologia envolvendo a destilação melhorou, de forma que se pode criar um produto mais consistente, assim, certamente tiramos vantagem disto, e sentimos que o Sr. Jack também o faria”.
A maturação do Gentleman Jack também não é muito diferente da empregada no Old No. 7. Ele passa em torno de quatro anos em barricas tostadas de carvalho americano. Os armazéns da Jack Daniel’s, são enormes, e as barricas ficam empilhadas em racks de até oito andares.
Por enquanto, a única coisa que separaria o Gentleman Jack de seu irmão seria a garrafa bonita. Mas há uma diferença essencial. Lembra-se quando expliquei do Lincoln County Process, lá em cima? Bem, acontece que o Gentleman Jack, além da primeira filtragem, comum a todos os Tennessee Whiskeys da marca, volta para o carvão de bordo após sua maturação. Essa é, essencialmente, a maior particularidade desta expressão. Isso só acontece com ele, e é isso que o diferencia do Old No. 7 – e dos demais whiskeys da marca.
Por aqui, uma garrafa do Gentleman Jack custa em torno de R$ 170,00 (cento e setenta reais). É um preço semelhante ao do Bulleit Bourbon e do Woodford Reserve, já revistos neste blog. Escolher entre um ou outro é uma questão de gosto. Dentre eles, o Gentleman Jack é o mais suave, e, provavelmente, o que mais agradará àqueles que não tem intimidade com whiskeys. É também apenas trinta reais mais caro do que o Jack Daniel’s Old No. 7.
Se você gosta do tradicional Jack Daniel’s Old No. 7, ou se é simplesmente apaixonado pela marca, não deixe de experimentar o Gentleman Jack. Porque até pode ser que você só vá receber o devido reconhecimento na posteridade, mas beber whiskey só é possível quando se está vivo. E aproveite para fazer um brinde a uma pessoa que foi injustiçada por uma das faces mais feias da humanidade, mas acabou recebendo redenção.
JACK DANIEL’S GENTLEMAN JACK
Tipo – Tennessee Whiskey
ABV – 40%
Região: N/A
País: Estados Unidos
Notas de prova
Aroma: adocicado, com bastante baunilha e mel.
Sabor: doce, com frutas em calda, baunilha e açúcar mascavo
Com água: a água torna o final mais acocicado e curto, e ressalta a baunilha no whiskey.
*Alguns detalhes da lei foram alterados posteriormente, para flexibilizá-la, mas como este não é um texto sobre a legislação norte americana, vou me abster a aprofundar o tema.
Aí vai um pouco de pornografia etílica para sua terça-feira. Uma cerveja escura, com mais de dez por cento de graduação alcoólica, e maturada em barricas de carvalho americano que antes contiveram bourbon whiskey. Esta é a Goliat Bourbon Aged Imperial Stout, uma denominação bem grande para um produto de uma cervejaria com um nome bem pequeno. To Øl. Caso você esteja se perguntando como pronunciar este O cortado, a gente te conta: é Tu Ul.
A To Øl é uma cervejaria dinamarquesa, fundada em 2010 por dois amigos, Tobias Emil Jensen, Tore Gynther, com um pequeno empurrãozinho de seu professor, Mikkel Borg Bjergsø (sim, se você gosta de cerveja, já deve ter reconhecido o nome do fundador da Mikkeller aqui). Durante estes seis anos, a marca ganhou reconhecimento e fama internacional, e hoje é considerada uma das melhores cervejarias do mundo. O engraçado sobre a To Øl é que ela é, na verdade, algo conhecido como cervejaria cigana. Isso significa que ela não possui fábrica própria, mas aluga o equipamento e as dependências de outras cervejarias durante pausas em suas produções.
Antes de falar mais sobre a Goliat, deixe-me traduzir os dizeres nela impressos: O Grande guerreito de Gath. O mítico campeão dos Filisteus. Incorporado no folclore ancestral e na religião. Proveniente das anciãs eras. Seu tamanho e estatura não são humanas. Ele é maior. A armadura de Golias é negra. Cordões cremosos pretos de estatura imponente. Ele pode resgatar elementos tanto do céu quanto da terra. Terroso e queimado, notas terrenas. Quente, pungente, notas adocicadas do firmamento. Seu coração bate vagarosamente, quase infinitamente. Este homem é conhecido por ser invencível. O próprio rótulo da cerveja já denota que se trata de algo extraordinário. Ou isso, ou que ela sofre de um grave problema de excesso de auto-estima.
Exagero ou não, a Goliat é uma cerveja excelente. Há predominância de notas de café e caramelo, mas há um dulçor característico das barricas de bourbon – cuja marca, aliás, é segredo. Algo como baunilha, e uma finalização progressivamente azeda, por conta de seu tempo de vida no barril. Se você aprecia cervejas fortes, café, ou mesmo um bom bourbon whiskey, a To Øl Goliat Bourbon Aged Imperial Stout é para você. Ela pode ser encontrada no Brasil em algumas lojas online e físicas, e seu preço médio é de R$ 60,00 (sessenta reais).
Esses dias me vi com a agenda limpa. Não fazia a mais rasa ideia do que fazer. Assim, naturalmente – após abrir a geladeira algumas vezes para pensar – resolvi que faria uma maratona cinematográfica. O Netflix prontamente me apresentou infinitas opções. Absolutamente tudo, menos qualquer coisa que tinha vontade de assistir.
Assim, resolvi que veria algo que não demandasse qualquer esforço. Escolhi um filme do Jason Statham. Linha de Frente. Depois outro, Parker. E o derradeiro foi – apropriadamente batizado – Redenção. E após assistir os três filmes, saí com a desagradável sensação que eram todos iguais. Um agente secreto ou ex-fuzileiro, que tinha que matar todo mundo para resgatar alguém. Uma menina desconhecida, ou sua filha, ou sua própria dignidade.
E aí fiquei pensando, esses filmes são assim iguais de propósito. Recheados de ação, mas sem muita surpresa. Isso os torna previsíveis, semelhantes e, consequentemente, meio monótonos. Há uma fórmula que eles seguem. E até é divertido ver o Jason Statham destruindo tudo, mas, depois de um tempo, você percebe que se tiver assistido um filme, terá seguramente já visto todos eles.
E ele quase sempre começa cabeludo e raspa a cabeça.
Grande parte da indústria do whisky não escapa muito à regra. Com o crescente consumo mundial, as destilarias e empresas tiveram que se adaptar. E práticas antigas – outrora valorizadas como tradicionais – foram deixadas de lado em nome de uma fórmula para o sucesso. Uma fórmula para reduzir custos e aumentar a eficiência. Mas nem tudo é assim. Há exceções. E uma delas é a destilaria Bruichladdich, localizada em Islay, que produz o Port Charlotte Scottish Barley e o The Laddie Classic – que, para nossa sorte, acabam de desembarcar no Brasil pelas mãos da Interfood, e já está à venda em lojas virtuais como a Single Malt Brasil.
Quando soube dos dois lançamentos, me vi na difícil tarefa de escolher um deles para fazer uma prova. Quer dizer, nem tão difícil assim. Como sou apaixonado por tudo que é defumado, o Port Charlotte foi uma escolha óbvia.
Como o nome indica, o Port Charlotte Scottish Barley utiliza cem por cento de cevada cultivada na Escócia. Algo relativamente incomum nos dias de hoje, em que as regras ditadas pelo menor custo e maior eficiência levam muitas delas a comprar seu malte pronto, muitas vezes, importando-o. Uma decisão corajosa da Bruichladdich, que sempre prezou por suas raízes escocesas – e herdou também um pouquinho da teimosia daquela terra.
Essa preocupação com a proveniência de sua cevada é clara. A destilaria, ao explicar um de seus lançamentos – uma linha de whiskies com cevada proveneinte somente da ilha de Islay – declarou: ” ‘acreditamos que o terroir importa’ é muito mais do que um slogan. Terroir denota uma certa noção de lugar. É um conceito que engloba a influencia e interação do solo, subsolo, exposição, orientação, clima e microclima no crescimento de uma planta. Ele ilumina tudo que fazemos. (…) Na Bruichladdich usamos cem por cento de cevada Escocesa. Praticamente um quarto de nossa cevada provém de Islay, onde os fazendeiros a tem cultivado desde 2004 para nós. Parte destes grãos foram destilados a partir de fornecedores diversos da ilha, ou grupos de fazendas, alguns de uma única fazenda ou até mesmo campos individuais“.
“Cultivando para a Bruichladdich” Se um dia eu tiver uma fazenda, queria muito uma plaquinha dessas
O Port Charlotte não tem idade definida – uma licença tomada pela Bruichladdich em sinal dos novos tempos. Ainda que não haja qualquer indicação, este canídeo suspeita que sua maturação ocorre exclusivamente em barricas de carvalho americano que antes contiveram Bourbon whiskey. Como seria de se esperar da destilaria, toda maturação acontece in loco, em armazéns construídos nas proximidades do vilarejo que lhe empresta o nome. Este é outro cuidado especial tomado pela Bruichladdich. Atualmente, muitas destilarias transportam suas barricas para a parte continental da Escócia, para que lá maturem.
Como já apontado anteriormente, a Bruichladdich é uma das mais destemidas destilarias da Escócia. Talvez por isso se auto intitulem “Progressive Hebridean Distillers” –algo como “Destiladores Progressistas das Hébridas”. Isso fica claro ao observarmos seu enorme portfólio. São três linhas de whisky. Uma – da qual o Port Charlotte faz parte é razoavelmente defumada; outra – do The Classic Laddie – sem nenhuma defumação e uma terceira absurdamente defumada – Octomore. Esta última é tão defumada que hoje conta com o whisky mais defumado da Escócia, com 258 partes por milhão de fenóis (acredite, isso beira a insanidade).
Como se isso não bastasse, a Bruichladdich produz também um Gim, chamado Botanist, que utiliza nove botânicos clássicos e mais de vinte ervas e flores locais. Ele é destilado em um alambique especial e adaptado, chamado Lomond, que foi recuperado pela Bruichladdich da antiga destilaria Inverleven. Por não ser uma das peças de maquinário mais belas do mundo, o alambique recebeu o nome de Ugly Betty (Betty, a Feia).
Bete.
O Port Charlotte Scottish Barley é um sonho para qualquer amante de bons maltes. Não há adição de corante caramelo e seu destilado não passa por qualquer processo de filtragem a frio. Por conta disso, ao adicionar gelo ou um pouco de água, o whisky se torna levemente turvo. É um processo normal, pelo qual as moléculas mais pesadas se agregam com a redução do teor alcoólico do whisky. E falando em graduação alcoólica, ela é relativamente incomum no Scottish Barley. Cinquenta por cento. Apesar disso, o álcool é pouquíssimo perceptível.
Jim McEwan, Master Distiller – atualmente aposentado – da Bruichladdich explica a incomum graduação: “A decisão de aumentar a força de nossos single malts é resultado de um estudo de seis anos analisando os sabores e aromas da cevada cultivada em Islay, a 46% e a 50%. Para este estudo, escolhi a cevada de Islay exatamente porque sei de quais fazendas elas são provenientes, de ano em ano; estes terroir locais são identificáveis – conhecemos os fazendeiros, as condições, estado da terra, e assim podemos monitorar as características do destilado com a maior consistência possível. (…) Engarrafando a cinquenta por cento, retemos mais dos compostos mais essenciais na garrafa. Nós queremos que proveniência de nossa cevada, a matéria prima mais essencial, brilhe”
Visualmente, o single malt apresenta uma coloração quase de palha, devido à ausência de corante caramelo. Seu aroma é predominantemente defumado e frutado, e o sabor adocicado e medicinal, com maresia e fumaça. Apesar da graduação alcoólica, o álcool é quase imperceptível.
Se você, assim como este Cão, é fã de single malts defumados, e está procurando algo incomum para fugir da monotonia, o Port Charlotte Scottish Barley será sua alma gêmea. Você até poderá tomá-lo assistindo algum filme do Jason Statham. Este Cão garante que será uma experiência diferente. Pelo menos a parte do whisky.
BRUICHLADDICH PORT CHARLOTTE SCOTTISH BARLEY
Tipo – Single Malt sem idade definida (NAS)
ABV – 50%
Região: Islay
País: Escócia
Notas de prova
Aroma: principalmente maresia, com bastante impressão de sal. Levemente frutado, mas predominantemente esfumaçado.
Sabor: Salgado, algas marinhas, fumaça. Medicinal. Cítrico e levemente doce apenas, com final longo, com especiarias, bastante picante e defumado.
Com água: A água reduz a impressão de pimenta e das especiarias, e torna o whisky mais adocicado.
Às vezes temos que nos aventurar em novos territórios. Sair da zona de conforto e conhecer algo novo. Isso nos torna mais experientes e destemidos. E, principalmente, mais versáteis. E foi com este espírito que, a convite da BeerManiacs – os mesmos iluminados responsáveis pela importação das cervejas Harviestoun e Brooklyn Brewery – compareci ao lançamento da primeira linha de sidras (é, pô, com S mesmo) artesanais brasileiras, produzidas pela Morada Cia. Etílica, de Curitiba. O evento aconteceu na quarta-feira, dia 10, no Instituto da Cerveja Brasil – ICB.
Caso você não saiba, ou caso você ainda ache que sidra é aquela bebida meio rejeitada, que fica lá na prateleira debaixo dos vinhos no supermercado, o Cão explica. Sidras são bebidas fermentadas de maçã. Mais especificamente, no caso das sidras da Morada, maçãs Fuji e Gala, cultivadas na serra gaúcha e de Santa Catarina. Fora do Brasil, são bem famosas e muito frequentes nos pubs ingleses, ao lado das lagers e ales britânicas.
Batizadas simpaticamente de Épo – uma brincadeira com o nome da fruta que lhe dá origem em inglês, apple – são três rótulos. Um deles leva abacaxi e hibisco em sua receita; a outra lúpulo, à moda das cervejas; e, a última, é maturada utilizando ripas de amburana e carvalho europeu. Todas são ótimas, mas a preferência deste canídeo foi, seguramente, a que passa por madeira. Todas as três poderão ser facilmente encontradas em bares especializados em cervejas.
As sidras
De acordo com minha intuição etílica, imaginava que fossem bebidas adocicadas, talvez por influência dos rótulos importados à venda em nosso país. No entanto, as sidras da Morada são secas e cítricas, mesmo no caso da que leva hibisco e abacaxi – o sabor destes é mais claro no retrogosto.
A Morada Cia. Etílica é uma empresa versátil. Em suas próprias palavras “Nosso tesão é investigar ingredientes e técnicas para criar bebidas conceitualmente relevantes, artisticamente provocadores e gastronomicamente interessantes, sempre explorando as lacunas, os entre-estilos e os cantos esquecidos do universo etílico já que a monotonia da zona de conforto é o nosso inferno ideológico”
A linha de produtos mais conhecida da Morada são as cervejas, como a Double Vienna, Morada Kolsh, Gasoline Soul e a corajosa Hop Arabica, que, ao invés de lúpulo, usa café para emprestar-lhe amargor. Além deles, ela já se aventurou no ramo dos whiskies – ainda que nunca tenha comercializado estas bebidas. Há algum tempo tive a oportunidade de experimentar duas dessas experiências, que possuíam um certo toque brasileiro. Um deles era maturado em Bálsamo e Cabreúva, e o outro, em Amburana.
Whiskies da Morada
Aliás, falando em whisky, durante a degustação, não conseguia deixar de pensar como algumas dessas sidras funcionariam bem em um coquetel com o destilado. Assim, ao chegar em casa, resolvi que experimentaria – corajosamente também – inventar algo que unisse os dois.
Minha primeira ideia foi uma espécie de gim tônica. Só que sem tônica. E sem gim. Mas talvez por conta de minha total inépcia, ou talvez porque fosse uma ideia esdrúxula desde o começo mesmo, a receita não deu certo. Mas minha segunda tentativa – agora com um pouco de ajuda da internet e de nosso consultor, Fernando Lisboa – alçou voo. Uma espécie de whisky sour. Mas sem clara de ovo. E com sidra. E whisky defumado. Pensando bem, seria necessário muita coragem para chamar isso de sour. Assim, preferi chamar de:
FUMAÇA SÍDRICA
(Um nome sem muita criatividade mas que soa engraçado)
3 doses de Cida Épo maturada em carvalho e amburana;
1 dose de suco de limão siciliano;
copo alto;
gelo
PREPARO
adicione, em um copo alto com gelo, o suco de limão siciliano e o whisky defumado. Mexa um pouco, com cuidado. Adicione as três doses de sidra. Para o gosto deste Cão, não falta dulçor. Mas o importante é você gostar do coquetel. Assim, não irei condenar ninguém se adicionar 1/2 dose de calda de açúcar (leia aqui como fazer essa calda)
Se você está lendo este blog, existe uma chance razoável de ser apaixonado por whisky. Mas e chocolate? Você gosta? E chocolate com whisky, já experimentou?
Esta foi a proposta da degustação promovida pela Chianti Chocommelier e Chivas Regal, organizada pela plataforma de experiências (muitas delas, gastronômicas) Sabiar: harmonizar a melhor bebida do mundo com diferentes chocolates. Algo que parece simples, mas, na verdade é uma tarefa bastante sofisticada.
A degustação foi guiada por Mijung Kim, embaixadora da Chivas Regal, e por Mariana Triveloni, sócia responsável pela criação dos chocolates da Chianti. Mijung explicou alguns detalhes sobre as regiões produtoras de whisky e apresentou as três mais conhecidas expressões da marca de blended whiskies – o Chivas Regal doze anos, Chivas Extra e dezoito anos. Já Mariana ficou responsável por mostrar como chocolates produzidos com qualidade e cuidado podiam ser excelentes companheiros daqueles destilados.
Foram, ao todo, seis chocolates – caramelo e pecã, laranja e mel, café, gengibre, uma trufa de cem por cento cacau e um tablete amargo – concebidos cuidadosamente para ressaltar, por semelhança, os sabores e aromas dos whiskies. As harmonizações preferidas deste Cão foram Chivas Extra com gengibre e o queridíssimo Chivas dezoito anos com a excepcional trufa. A primeira ressaltava as notas de gengibre no Extra; já a segunda, apresentava sabores secundários de amêndoas no gold signature.
Vida difícil
A Chianti Chocommelier, inclusive, é uma marca de chocolates curiosa. Ela é especializada na harmonização de chocolates cem por cento belgas com elementos inusitados, em busca do que definem como o terceiro sabor – algo que é alcançado somente pela combinação de produtos de universos distintos. Para isso, promovem provas com whiskies, vinhos, conhaques, cervejas, cafés e até azeites.
Ao final da degustação, todos puderam provar novamente seus chocolates e whiskies preferidos e conversar sobre suas impressões. Este Cão não perdeu a oportunidade de levar para casa seus chocolates preferidos e experimentar, junto com a querida Cã, tudo novamente. Afinal, uma experiência como esta merecia uma repetição.