Paris-Manhattan – Desconexão

Todos nós temos problemas. E falar sobre eles quase sempre traz alívio. A maioria de nós escolhe o companheiro, um amigo próximo ou um parente. Estes são nossos confidentes. Na literatura também. E lá, o papel do confidente é duplo. Além de muitas vezes auxiliar o herói, o confidente é uma forma de revelar os pensamentos e aflições do protagonista, sem criar artificialidade.

Existem infinitos exemplos, da mais clássica à mais prosaica literatura. Horácio é o confidente de Hamlet, na conhecida obra de Shakespeare. Razumikhin é o de  Raskolnikov, em Crime e Castigo. Dumbledore é mentor e confidente de Harry Potter, assim como Galdalf para Frodo. E não, o mestre dos magos não é confidente de ninguém, porque ele é o Vingador e uma muleta de roteiro bem safada.

Até objetos inanimados podem ser confidentes. E não estou falando do pessoal que fica contando segredos no Faceboook pra polemizar. Me refiro ao Wilson, do Náufrago, por exemplo. Ou a Alice. Não a do país das maravilhas. Mas a protagonista de uma comédia romântica chamada Paris-Manhattan. No filme ela tem uma estranha obsessão por Woody Allen, e conta seus segredos para um poster do diretor em seu quarto.

Aliás, o filme é uma homenagem ao diretor, e conta até mesmo com sua participação, em um momento especial. Porém, ao contrário (da maioria) das películas de Woody Allen, Paris-Manhattan fica entre o medíocre e o engraçadinho. Então, bem, ele é uma não-homenagem.

Minha cara depois de ver o filme.

Aliás, talvez você tenha notado que o título deste post é justamente o nome do filme. Mas – ainda bem – ele não é um tributo à película. E é bem melhor que ela., ainda que isso diga mais sobre o filme do que sobre o tema. Então, bem, peço desculpas por ter lido estes quatro parágrafos de introdução, porque não há qualquer relação entre o filme e o tema aqui abordado, exceto pela coincidência de nomes.

É que Paris-Manhattan é também o nome de um coquetel, uma variação do clássico drink de rye whiskey e vermute, e que leva licor da flor de sabugueiro – ou elderflower – em sua receita. Assim como seu predecessor, o Paris-Manhattan é um coquetel pungente. Porém, neste caso, há um encantador aroma floral e levemente azedo, proveniente do licor.

A origem desta variação é incerta. Porém, a maioria das fontes aponta para Simon Difford, fundador do Difford’s Guide, que criou o coquetel em 2006. A receita lá divulgada pede por 1 dose de licor de elderflower – St. Germain – e 2 doses de (nominalmente) Woodford Reserve Bourbon.

Este Cão, pela primeira vez, terá a petulância de alterar a receita original por conta própria. Não para aprimorá-la, mas para adaptá-la a seu gosto pessoal. A alteração – a redução do elderflower e troca do whiskey de base – tornará o coquetel mais seco e menos cítrico, mas ainda bastante floral. Se não concordar, vá com a receita original.

E se gostar, pode me contar. Ninguém é melhor confidente do que um Cão.

PARIS MANHATTAN

INGREDIENTES

  • 3/4 dose de licor de elderflower (St. Germain)
  • 2 doses de bourbon (Bulleit Bourbon)
  • 1/4 dose de vermute seco (este Cão utilizou o Martini Riserva Speciale Ambrato)
  • 2 dashes de Angostura Bitters
  • Parafernália de sempre para mexer.
  • taça coupé

PREPARO

  1. Unte a taça coupé com o absinto. Descarte o restante (eu sei que você vai descartar na sua boca, tudo bem.).
  2. Adicione, em um mixing glass, bastante gelo e todos os ingredientes líquidos. Mexa por aproximadamente cinco segundos.
  3. Com o auxílio de um strainer, coe a mistura e desça em uma taça coupé

 

2 thoughts on “Paris-Manhattan – Desconexão

  1. Meu companheiro era meu barbeiro, mas ele infelizmente não está mais entre nós.
    Gostei da sua versão do coquetel, mestre. Inclusive o BB me interessa bastante. Fica bacana com.o Bulleit Rye também?
    Abraço!

    1. Veja só, esse é um confidente bem inusual, mas muito bacana. Meus sentimentos, mestre.

      Deve ficar excelente! Ele precisa de um whiskey mais seco para equilibrar o dulçor mesmo.

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