Robert Burns Single Malt – de ratos e flores

Se você acompanha o Cão há um tempo, já deve ter ouvido sobre Robert Burns. Ele foi o mais importante poeta escocês de todos os tempos, e um enorme expoente do movimento romântico. A envergadura de suas obras é enorme. Burns tratou de assuntos de enorme distinção. Da iniquidade social do século dezoito a sua paixão por embutidos de caprinos.

Em uma de suas mais conhecidas obras, o poeta discorre por mais de três estrofes sobre o sabor inigualável de uma buchada de bode. Em outras duas, se martiriza por ter esmagado com seus pés uma margarida – a florzinha – e uma toca de ratos. O último inclusive, inspirou o escritor Sidney Sheldon ao batizar seu romance “The Best Laid Plans”. É capaz de ter também servido de inspiração para o James Blunt, mas vamos manter um nível administrável aqui.

“#chatiado”

Mas não foi apenas nas artes que Robert Burns inspirou criações incríveis. Na área das bebidas, o poeta é uma influência importantíssima. Foi em sua homenagem que um dos mais importantes coquetéis de scotch whisky foi nomeado – o Bobby Burns. E também em sua referência que a Arran, destilaria localizada na ilha homônima na Escócia, batizou sua linha de blended whiskies e malt, que acabam de chegar no Brasil.

Os Robert Burns são importados pela Single Malt Brasil em duas versões. Um blended scotch whisky de entrada, que – naturalmente – usa Arran como coração, e um single malt, o tema desta prova. Parece contra-intuitivo que uma destilaria possua duas linhas distintas, sendo que uma delas possui tanto blends quanto single malts. Mas a estratégia é mais focada no mercado de consumo do que, efetivamente, na marca. Robert Burns são mais acessíveis, tanto em perfil sensorial quanto financeiramente.

O Robert Burns Single Malt é um whisky relativamente jovem e simples, mas muito agradável. A maior parte das barricas usadas em sua maturação são de carvalho americano de ex bourbon – que trazem toffee e caramelo. Estas, correspondem a aproximadamente setenta por cento de seu volume. Os trinta restantes são barricas de carvalho europeu de ex-jerez, que trazem um certo apimentado seco, com frutas cristalizadas.

Apesar de ser um single malt de entrada, a Arran tomou alguns cuidados um tanto incomuns. O primeiro é sua graduação alcoólica, de 43%, e não 40%, como boa parte das destilarias faz atualmente. Estes 3% adicionais são bem vindos, e contribuem para o final apimentado e seco do whisky. O segundo é sua cor natural – mesmo em sua linha de entrada, a Arran não utiliza corante caramelo.

A Arran.

Comparativamente a seu irmão de destilaria, o Arran Lochranza, o Robert Burns é um whisky mais apimentado e seco, e bem menos floral. Ainda que o tema – bourbon com um leve toque de jerez – seja semelhante, o perfil sensorial das duas garrafas é bem distinto. Considerando a diferença de preço, escolher entre um e outro recai mais sobre gosto pessoal do que custo-benefício – se é que “custo-benefício” possa ser um termo usado para descrever uma bebida.

Se você procura um single malt acessível, com perfil sensorial mais seco e apimentado e muito agradável, o Robert Burns Single Malt é seu whisky. Ele é perfeito para se beber despretensiosamente, ou, talvez, harmonizar com alimentos apimentados, ou, quiçá, uma bela sessão de poesia sobre roedores, flores ou embutidos.

ARRAN ROBERT BURNS SINGLE MALT

Tipo: Single Malt
Destilaria: Arran
País/Região: Escócia – Highlands
ABV: 43%
Idade: Sem idade declarada (NAS)

Notas de prova:

Aroma: mel, compota de frutas, baunilha
Sabor: mel, baunilha, frutado. Final médio, com cereais, açúcar e pimenta.

One thought on “Robert Burns Single Malt – de ratos e flores

  1. Sabe que estou procurando um Single Malt acessível, mestre? São as intempéries financeiras…
    Esse cuidado de manter 43% de graduação me agrada bastante. Acho essencial o SM buscar diferenciais em relação aos produtos mais tradicionais.
    Abraço.

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