Jim Beam Rye Perfect Manhattan – Perfeição

É engraçado como, às vezes, uma pequena fração de algo se torna quase tão célebre quanto seu todo. Um bom exemplo é uma singela frase que Tolstoi, em certo ponto de sua obra prima Anna Karenina, coloca na boca de uma personagem. “Se você procurar por perfeição, nunca estará satisfeito“.

A declaração, promovida a aforismo, é um trecho de um papo entre Lvov e sua esposa, lá pelo meio da obra. Mas hoje, pouca gente sabe de onde veio a simples mas significativa frase. É como se Tolstoi, em pessoa, a tivesse proferido, em algum momento marcante de sua vida. Descontextualizar a declaração da esposa de Lvov não a faz perder o sentido. Pelo contrário – eleva e expande seu significado.

Talvez seja isso que torne Anna Karenina tão clássico. Apesar da barreira da linguagem – afinal, falar russo não é nada simples – e da época em que foi escrito. O livro é o ícone de uma era e de um estilo, e, mesmo assim, continua atual e significativo.

Ao contrário desse filme maluco

Se pudesse traçar um paralelo entre a obra-prima de Tólstoi e um coquetel, escolheria o Manhattan. O Manhattan é um coquetel clássico, um dos maiores ícones de uma época que viu um enorme avanço na coquetelaria. Mas, apesar de sua idade, o Manhattan resistiu ao tempo. À Lei Seca, a duas grandes guerras, à queda e à ascensão da coquetelaria. E hoje, continua uma das misturas mais pedidas do mundo.

Claro que, com o tempo, houveram algumas adaptações. A primeira receita levava whiskey de centeio – rye whiskey – que era o destilado mais comum nos Estados Unidos na época de sua criação. Depois da lei seca, com o desaparecimento dos produtores de Rye em Maryland e Pennsilvania, e com a popularização dos bourbons do Kentucky e Tennessee, o coquetel ganhou uma nova base. O Bourbon. Que, no final das contas, acabou se tornando seu ingrediente mais frequente.

Mas ocorre que nós, aqui no Cão Engarrafado, gostamos de contar histórias. E bebê-las. Por isso, pedimos ao Patrón Perfeccionist (trocadilho intencional) Rodolfo Bob, consultor de nosso bar Caledonia Whisky & Co. e autor do site O Bar Virtual, adaptar uma versão com rye whiskey do clássico. Escolhemos Jim Beam Rye, lançamento no Brasil, como base de nosso coquetel e uma variação clássica do clássico – o Perfect Manhattan.

Jim Beam Rye

A receita tradicional do Perfect Manhattan leva partes iguais de vermute tinto e seco. A base poderia ser tanto bourbon quanto rye. Porém, almejando a perfeição, Bob alterou um pouco a receita, para que pudesse utilizar uma gama maior de vermutes. E claro, como dito, utilizou Jim Beam Rye. Porque ninguém é perfeito, mas isso não quer dizer que não podemos tentar criar um coquetel assim.

O resultado é o Perfect Manhattan da receita abaixo. Com partes desiguais de vermute, e com rye whiskey ao invés de bourbon – numa forma de resgatar a receita clássica, pré-lei-seca do drink. Nós adoramos o resultado. Mas, se você não gostar, não tem problema. Mas lembre-se que se você procurar por perfeição, nunca estará satisfeito.

JIM BEAM RYE PERFECT MANHATTAN

INGREDIENTES

  • 60 ml de Jim Beam Rye
  • 15 ml de vermute tinto
  • 10 ml de vermute seco
  • 2 dashs de angostura
  • coin de laranja (isso é uma tampinha da casca da laranja)
  • Parafernália para misturar (mixing glass, bailarina etc. etc.)

PREPARO

  1. juntar os ingredientes no mixing glass. Acrescentar gelo e mexer .
  2. passar o líquido sem o gelo para uma taça previamente gelada.
  3. aromatizar com um coin de laranja Bahia e servir junto com o coquetel

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