Da excelência e notoriedade – Manhattan

Manhattan

Há poucas coisas e pessoas no mundo que são tão distintas que realmente dispensam apresentações. São aqueles ícones, quase divindades em seus respectivos altares. O tempo, catalisador do oblívio, não os apagou. Pelo contrário, os alçou à categoria de lendas. Algumas delas são Bach, Ferrari, Dostoievski, Coca-Cola, Orson Welles, Cohiba e bacon – sim, caso você não tenha notado a letra minúscula, refiro-me a bacon. Isso. As costas do porco.

No mundo da coquetelaria, talvez o coquetel mais emblemático do mundo seja o Manhattan. O Manhattan é a música clássica do mundo dos coquetéis. Atemporal, elegante e profundo. Três adjetivos que lhe garantiram a entrada no rol das mais distintas coisas do mundo, trazendo-lhe à imortalidade.

Apesar de sua fama incontestável, não se sabe a origem do Manhattan. A história mais famosa é que ele tenha sido elaborado no Manhattan Club, em Nova Iorque, no ano de 1874, para a comemoração do aniversário de uma – também bastante distinta – senhora. Madame Jennie Jerome, mais conhecida por ser a mãe de Winston Churchill.

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Talvez por isso seu filho fosse tão próximo aos copos?

Acontece que, como ensina David Wondrich, em seu – também icônico – livro Inbibe!, Madame Churchill não poderia estar em Nova Iorque naquele ano. Simplesmente porque estava grávida, na expectativa de conceber um dos – mais uma vez – mais icônicos e absolutos líderes de todos os tempos. O primeiro ministro da Inglaterra e amante das boas coisas do mundo, Winston Churchill.

Uma das teorias mais prováveis é que o Manhattan tenha sido inventado na década de 1860, por um homem chamado Black, em Nova Iorque. Essa é a história contada por William Mulhal, outro bartender que trabalhou na conhecida Hoffman House por mais de trinta anos, também no final do século dezenove.

Talvez você já saiba disso. Talvez não. Mas a receita original do Manhattan leva Rye Whiskey (whiskey de centeio). Este Cão, por sorte, possuía uma garrafa do recém-chegado ao Brasil, Wild Turkey 101 Rye e, por isso, resolveu utiliza-lo na preparação do coquetel. Entretanto, não há nenhum demérito em utilizar Bourbon whiskey. Isso é completamente – e absolutamente – aceitável. Mesmo porque era assim que a maioria dos bartenders de nosso pais faziam antes do desembarque do referido peru de centeio.

MANHATTAN

INGREDIENTES

  • 2 doses de rye whiskey (conforme falado acima, este Cão utilizou o Wild Turkey 101 Rye. Entretanto, se você não possuir um Rye – o que é bem provável – utilize um bourbon. Recomendo, neste caso, o Woodford Reserve).
  • 1 dose de vermute tinto (desta vez, este Cão utilizou o Carpano Classico. Mas sinta-se livre para experimentar seu vermute preferido).
  • 3 dashes (isso são sacudidelas) de Angostura
  • 1 cereja Maraschino (este Cão pede desculpas antecipadas por não ilustrar, na foto, a cereja. Faltou).
  • Mixing Glass (ou qualquer lugar para misturar seu coquetel)
  • Colher bailarina (ou qualquer colher pra mexer seu coquetel)
  • Strainer (ou qualquer peneira para coar o gelo)
  • Taça Coupé (a taça da foto acima) ou taça de martini.

 

PREPARO

  1. Adicione no mixing glass as duas doses de whiskey, a Angostura, e a dose de vermute tinto. Adicione gelo e misture levemente, utilizando a colher bailarina, por alguns poucos segundos.
  2. Com o auxilio do strainer – para coar o gelo – desça o conteúdo do mixing glass na taça.
  3. Decore com a cereja maraschino
  4. Pronto. Contemple a excelência líquida.

14 thoughts on “Da excelência e notoriedade – Manhattan

      1. É a história que toda aeromoça diz que aconteceu com ela

        Na época que viajar de avião era luxuoso, serviam whiskies, coquetéis, etc, um passageiro pediu à aeromoça um Manhattan.
        A aeromoça começou a preparar a bebida. Na hora de finalizar viu que não tinha mais cerejas, e resolveu improvisar e colocar uma azeitona.
        Quando o passageiro recebeu a bebida estranhou e perguntou:
        -Que bebida é essa?
        -É um Manhattan!
        -E o que é essa coisa verde no meio do meu Manhattan?
        -Só pode ser o Central Park!

        1. Hahahahahahahahaha! Prometo que vou contar essa história pra todo mundo que eu preparar um Manhattan daqui pra frente!

    1. Não não, quer dizer, sim sim. Não escrevi na receita, mas estava nos ingredientes. Anyway, corrigido! Thanks!

  1. Veja que feliz coincidência: meu primeiro Wild Turkey 81 chegou há pouco tempo (e foi devidamente aprovado).
    Por que não incorporar o espírito bartender, não é mesmo? Clássico é clássico!

    Abraço!

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