Bruichladdich Black Arts – Drops

A maioria das coisas que compramos, passam, em algum momento, por uma decisão racional. Claro que a primeira coisa que avaliamos é o preço. Mas entre produtos equivalentes, procuramos sempre qualidades que nos interessam para tomar uma decisão. Um celular por exemplo. Preferimos certa marca a outra porque a câmera é melhor, ou porque a definição de tela é mais acurada.

Vamos pensar em um mercado cujo consumidor é bastante desenvolvido, e que a maioria das decisões é feita com base em fatos. O de automóveis. Imagine um mundo em que você pode comprar uma McLaren. Pensando bem, não imagine, porque talvez você possa. Imagine um mundo em que eu posso comprar uma McLaren. Aí, certo dia, a marca inglesa resolve vender um carro sem passar quase qualquer informação ao consumidor.

Ou melhor, tudo que ela diz é “de forma a explorar a relação exotérica entre a gasolina e os pistões, a McLaren lançou um de seus melhores automóveis até agora“. Nada de zero a cem. Nada de torque, informações sobre a transmissão ou emissões. E aí ainda desenha o carro como se ele fosse o cruzamento entre um F-117 e um gramofone.

Nossa, que coisa feia.

Eu provavelmente pensaria que a marca enlouquecera. E aí, capaz que compraria outro carro equivalente. Ou pensando bem, não. Enterraria o dinheiro em whisky e cerveja e seria quase eternamente feliz. Afinal, todos nós temos prioridades na vida. O ponto é que vender algo sem passar qualquer informação pode ser estranho no mundo dos carros. Mas é super normal na indústria do whisky. O exemplo perfeito é o Bruichladdich Black Arts.

O Bruichladdich Black Arts é um mistério. Apenas Jim McEwan, ex master distiller da Bruichladdich, conhece sua composição – e ele provavelmente jamais a revelará. A ideia é que o whisky seja intrigante para o consumidor. A única informação é obtida no website da destilaria, que diz “trabalhando com os melhores carvalhos americanos e franceses para explorar ao máximo a relação esotérica entre destilado e madeira, o Black Art é uma viagem pessoal de Jim McEwan ao coração da Bruichladdich.” soma-se a isso uma discreta idade estampada na garrafa. 23 anos.

Temos que admitir que a destilaria tem um senso de humor refinado. Assim como pessoas, não há qualquer relação esotérica entre destilado e madeira. E a Bruichladdich sabe disso – tanto é que Jim já admitiu que o Black Arts é quase uma paródia com as histórias muitas vezes hiperbólicas contadas nos rótulos de whiskies de outras destilarias. Além disso, cobrar mais de U$ 300,00 (trezentos dólares) por um whisky que pouco se sabe sobre – apesar da idade – é quase uma pegadinha.

Aliás, seria uma pegadinha, se o Black Arts não fosse divino, independente de seu signo do zodíaco. É um whisky carregado no vinho jerez, com especiarias, baunilha e canela. Aliás, essa é a especialidade da Bruichladdich, cujo armazém é povoado de barricas previamente utilizadas para maturar vinhos como Mouton Rotschild, Château d’Yquem e Château Margaux.

O Bruichladdich Black Arts é uma espécie de voto de confiança na Bruichladdich. Mas mais importante que isso, é um voto de confiança que foi honrado pela destilaria. Prova disso é que a expressão já está em sua quinta edição, e não há qualquer sinal de enfraquecimento. Ah, o mercado de automóveis realmente tem muito a aprender com o de whiskies.

BRUICHLADDICH BLACK ARTS (EDITION 04.1)

Tipo – Single Malt com idade declarada (23 anos)

ABV – 50%

Região: Islay

País: Escócia

NOTAS DE PROVA

Aroma: frutas vermelhas, baunilha, madeira.

Sabor: frutas vermelhas, vinho fortificado. Picante. Canela. Uma certa baunilha discreta compõe o final longo com mais frutas vermelhas.

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