Globalização – Buchanan’s 18 anos

Se você quiser mudar o tango, melhor aprender a lutar boxe, ou alguma arte marcial“. A frase é de Astor Piazzolla, um dos criadores do Tango Nuevo – uma espécie de coquetel de tango com elementos de outros gêneros, como jazz e música clássica.  No começo, o Tango Nuevo – que inclusive desconstruía também a forma de dançar tango – sofreu enorme rejeição pelos argentinos, mas foi muito bem recebido no resto do mundo.

Costumo não escolher lados por aqui. Mas dessa vez, tenho que assumir meu partidarismo por Piazzolla. Com a fusão de elementos internacionais ao tango, ele não apenas revolucionou o gênero, como o elevou à fama internacional. O que fez com que mesmo compositores mais tradicionais, como Gardel e Varela, também fossem reconhecidos fora da pátria de nossos hermanos. Poderia dizer, sem muito exagero, que Astor Piazzolla transformou o tango em um gênero musical globalizado.

Mas às vezes, globalizado até demais. Como, por exemplo, Años de Soledad. Ou Years of Solitude, como preferir. A música foi gravada em 1974 e contou com a participação do saxofonista americano Gerry Mulligan. Mas não me refiro a essa versão original, mas à rebatizada de Années de Solitude. Que é cantada. Em francês. Pela Milva, que é italiana. Ou seja, é um tango argentino, composto em conjunto com um americano, cantado em francês por uma italiana. Mais globalizado que isso, só mesmo banda japonesa de forró.

Sim, existe.

Temo que nem mesmo o universo do whisky possua um exemplo à altura de Années de Solitude, no quesito globalização. Mas tem um que chega perto. O Buchanan’s 18 anos. Uma marca de whisky escocês, fundada por um canadense, e muito popular no México e (adivinhe) na América Latina, incluindo a Argentina. Sua versão de entrada, o Buchanan’s 12 anos, já foi revisto nessas páginas caninas. Hoje voltaremos os olhos a uma composição mais sofisticada. O Buchanan’s 18.

Mas antes, um breve parágrafo de história. A Buchanan’s foi fundada pelo canadense James Buchanan em 1884, já como uma blending company. O objetivo de James era criar um whisky adocicado, leve e suave, que agradasse o paladar dos ingleses. E nisso, ele foi muito bem sucedido. Em 1885 – apenas um ano depois da fundação da Buchanan’s – James assinou um contrato de fornecimento exclusivo com a House of Commons, do parlamento inglês. Depois disso, seu blend rapidamente se tornou quase onipresente.

O visconde de sabu… digo, James Buchanan.

A base do Buchanan’s 18 anos é o single malt Dalwhinnie, pertencente à Diageo, que também detém a marca Buchanan’s. Os demais maltes são um mistério, apenas conhecido por poucos. Poucos como seus dois master blenders, Keith Law e Maureen Robinson, ambos com mais de três décadas de experiência na prática.

Desde seu lançamento, o Buchanan’s 18 anos recebeu uma série de prêmios internacionais. Dentre eles, duplo ouro na San Fransico World Spirits Competition de 2009 – onde foi nomeado melhor blended scotch whisky – outro duplo ouro em 2013 pelo Beverage Testing Institute, e a nomeação como Melhor Blended Scotch Whisky na Ultimate Spirits Challenge de 2012.

O Buchanan’s 18 anos continua fiel à proposta de James. Ele é um whisky leve, floral, pouquíssimo agressivo e sensivelmente adocicado. Esperar pungência ou personalidade é não entender seu propósito. O Buchanan’s 18 anos foi desenhado para ser um whisky totalmente inofensivo, que pode ser bebido e apreciado por qualquer pessoa sem o menor esforço. E nisso, ele é perfeito.. O Buchanan’s 18 anos é quase a globalização do gosto de whisky.

BUCHANAN’S 18 ANOS

Tipo: Blended Whisky com idade definida (18 anos)

Marca: Buchanan’s

Região: N/A

ABV: 40%

Notas de prova:

Aroma: suavemente defumado, açúcar mascavo, caramelo, especiarias.

Sabor: Adocicado, açúcar mascavo, frutas cristalizadas. Final progressivamente seco e esfumaçado.

Com água: A agua ressalta o sabor frutado e a fumaça.