Chivas Regal Ultis – Drops

Sob o céu noturno desanuviado, do ducentésimo andar de um prédio de ferro e vidro, observava o trânsito. Dezenas de milhares de pares de luzes, formando enormes cordões iluminados. Alguns brancos. Outros, vermelhos, De lá de cima, até o caos do tráfego fica bonito. Deve ter a ver com esse silêncio contemplativo proporcionado pelo espesso vidro antirruído. Ou é isso, ou é a taça em minha mão. Meia dose do Chivas Ultis

Aquela era a primeira vez que provava o whisky. E não poderia haver oportunidade mais perfeita. Estava no escritório da Chivas, em São Paulo, a convite da Difford’s Guide. E ainda que a coquetelaria fosse a estrela da noite, minha atenção se voltou quase que instintivamente àquele Ultis – provavelmente o mais importante recente lançamento da marca escocesa.

O Chivas Regal Ultis é o primeiro blended malt da famosa marca escocesa. Em seu coração estão single malts de apenas cinco destilarias, pertencentes ao grupo Pernod-Ricard. Allt A’Bhaine, Braeval, Longmorn, Tormore e, claro, a magnífica Strathisla, lar espiritual da Chivas Regal. Por ser um blended malt, não há o emprego de whisky de grão. A utilização de apenas cinco maltes em sua composição é uma homenagem aos cinco master blenders que passaram pela Chivas Regal – dentre eles, o criador do Ultis, Colin Sott.

Não, o Javier não é um deles.

Nas palavras da Chivas “desde 1909, apenas cinco homens dominaram o estilo da casa Chivas Regal, e o Ultis presta homenagem a esta força de visão, comprometimento e domínio pelos Master Blenders da marca. O Chivas Regal Ultis é um whisky de luxo, com sabores complexos, coloração dourada e um aroma poderoso e rico, fazendo-o perfeito para celebrar o sucesso compartilhado com amigos.

Dos milhões de barris no estoque dos Chivas Brothers, apenas 1% foi selecionado a mão pelo time de blenders para criar o Chivas regal Ultis. Este método tradicional de avaliar individualmente cada barrica garante a qualidade superior do blend. O processo de destilação ocorre exclusivamente em alambiques de cobre, capturando a essência do caráter generoso e suave, característico da Chivas Regal. “

Se você for um whisky-geek e observar atentamente, há um ponto curioso sobre a fórmula do Ultis. Ocorre que blended malts costumam levar em seu coração whiskies de regiões diferentes da Escócia. A ideia é que estes whiskies, com diversos perfis sensoriais, quando combinados, criem equilibrio e complexidade. Um exemplo clássico é o Johnnie Walker Green Label, que leva os defumados Talisker (da ilha de Skye), e Caol Ila (de Islay) e os frutados Craggranmore e Linkwood (ambos, de Speyside).

Mas o Ultis é uma exceção a essa regra. Todos os maltes de sua receita provém da região de Speyside, e possuem perfil sensorial semelhante.
Pode parecer quase uma escolha equivocada, mas, na verdade, é um enorme acerto. O Ultis, nesse sentido, se distancia de um blend padrão – que procura agradar pela diversidade sensorial – e se aproxima de um single malt. Ao invés de trazer um pouquinho de tudo, o Ultis aposta na complexidade de um único perfil de sabor. Um frutado amadeirado, aliás, bem caraterístico dos Longmorn.

Se você – assim como este Cão – é um admirador dos whiskies da Chivas Regal, ou se procura algo com aquele perfil sensorial, mas um pouco mais intenso, o Ultis é seu whisky. É um blend que torna qualquer oportunidade que se pode prová-lo como perfeita.

CHIVAS REGAL ULTIS

Tipo: Blended Malt sem idade declarada (NAS)

Marca: Chivas Regal

Região: N/A

ABV: 40%

Notas de prova:

Aroma: frutado, com mel, nozes e uma certa baunilha.

Sabor: Mais intenso do que a maioria dos Chivas. Frutas em calda, mel, panetone. Final frutado com baunilha discreta. Malte.

Disponibilidade: Lojas Internacionais



8 thoughts on “Chivas Regal Ultis – Drops

  1. Poxa, só 40%? Me parece pouco pra intensidade de sabor prometida. Claro, não vou reclamar antes de provar, mas ficaria muito feliz com um 43 ou até um 45% quem sabe…. Bom, depende do valor!

    1. Leonardo, olha, até concordo contigo. Concordo meio discordando. Acho que o público alvo do Ultis é a pessoa que busca exclusividade, complexidade sensorial e sofisticação, mas sem “assustar”. É propositalmente um whisky super delicado, ainda que não tão delicado quanto o Chivas 18, por exemplo. Eu adoraria que ele tivesse 43 ou 45%, mas eu sou eu, e entendo a lógica, neste caso, por trás dos 40%.

  2. Olá Cão, primeiramente gostaria de parabenizá-lo pelos seus textos e análises, são fenomenais. Em segundo, queria uma opinião sua. Estou a cinco anos sem beber nenhum tipo de bebida alcoólica. Para cada ano que fiquei sem beber comprei uma garrafa, dentro da minha humilde condição financeira. Comprei um Chivas 18, um Chivas Extra, um Green Label, um Aberfeldy 12 e um Dalmore 12. Todos eles baseados em suas análises. Nunca provei nenhum deles, portanto, quero saber, para quebrar o meu jejum, qual vc consideraria? Obviamente que vou abrir todos de uma vez. Kkkk

    1. Fernando, tudo bem?

      Meu caro, este é um assunto complicado. Por que voltou a beber? Tome cuidado, vá com calma. A bebida deve ser apreciada com moderação e em momentos de alegria.

      Dito isso, faria a ordem: Chivas 18, Chivas Extra, Aberfeldy 12, Green Label, Dalmore 12. Isso baseado exclusivamente em características sensoriais, do mais delicado para o mais intenso.

  3. Caro mestre, gosto bastante do Chivas Regal, embora deva confessar que até agora só tenha provado o 12yo e o Extra.
    Devo a mim mesmo a “árdua” tarefa de conhecer com mais profundidade a linha hahaha.
    O que mais me agradou nesta expressão foi o fato deles escolherem uma vertente e terem seguido por ela. Acho muito válido quando um whisky busca ter sua própria característica marcada. Não sou muito a favor daqueles que buscam agradar a todos. Afinal, alguém vai ter que ficar descontente e vai partir pra outra opção, não é mesmo?
    Eu costumo dizer que gosto de whisky, porque ele é uma bebida marcante (a maioria deles). Repleta de características únicas. Se quisesse um espírito neutro, existem opções.

    Abraço!

  4. Parabens pelo trabalho, sempre que preciso tirar uma dúvida ou saber mais sobre um whisky, venho aqui. Estava pesquisando sobre este em específico e veio a dúvida, considerando preços semelhantes (diferença de 100 reais), levaria este ou o royal salute pra casa? Aproveitando o ensejo, um chivas 25 valem por dois royal salut? Se puder me esclarecer as dúvidas, agradeço. Um abraço.

    1. Victor, muito obrigado!

      Olha, pergunta dificil essa. Eu diria que depende do gosto do cliente, ainda que ambos sejam variações sobre o mesmo tema. Acho que minha ordem – totalmente pessoal, baseada em meu gosto e que não tem qualquer base em qualidade, complexidade etc – seria primeiro Chivas 25, depois Royal, por último Ultis. Mas os três tem um tema semelhante, e, na verdade, são excelentes!

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