Chivas Regal XV – Sofisticação despojada

Esses dias fui almoçar no shopping, e vi uma bolsa feminina de palha na vitrine de uma loja de grife. Olha, eu não presto muita atenção bolsas, mas aquela era uma bem bonita. Ela tinha um ar elegante, mas sem ser pretensioso. Pensei em comprar para a Cã, de aniversário de casamento. Fazia um bom tempo que não dava um presente para ela. Entrei na loja em passos largos, me sentindo resoluto. A Cã iria amar a surpresa.

Passei uns minutos observando a bolsa, braços pra trás, simulando interesse pela peça e aguardando que alguém me atendesse. Uma vendedora, notando minha encenação, se aproximou. Gostou da bolsa? Sim, queria dar pra minha esposa. A vendedora então tirou a bolsa da vitrine e a apoiou num mostruário. Passando a mão delicadamente por sua lateral – da bolsa – disse. Olha só, a palha é tratada com um produto especial para ser durável. E o design é italiano. É um design despojado, mas elegante, perfeito pra levar pra praia. Seja pra Pipa ou pra Mikonos.

Nossa, realmente, é muito bonita, muito especial – retruquei, tentando chegar logo à parte do preço. A vendedora então puxou, com o cuidado de quem desarmava uma bomba, o fiozinho da etiqueta de preço de dentro. E está em promoção. Três mil reais. Silêncio dramático se seguiu. Pensei em perguntar se a palha tinha sido retirada da estrebaria onde a Virgem Maria teria parido o Menino Jesus, mas me controlei. Agradeci e disse que ia pensar mais um pouco – de uma forma quase tão despojada e elegante quanto a própria bolsa.

Deux me livre.

E aí fiquei pensando. Eu entendo que menos é mais, e que às vezes o preço de justifica pelo desenvolvimento, ou pelo design. Mas aquilo ainda era uma bolsa de palha. Somente palha, despretensiosamente entrelaçada para gerar algo extremamente elegante. Não era como, por exemplo, o recente lançamento de uma das mais famosas marcas de blended whisky do mundo. O Chivas Regal XV.

É que o Chivas XV também possui o mesmo despojamento elegante, mas sem custar o mesmo que a bolsa aparentemente feita da palha do duende do Rumpelstichen. Desafetação esta, aliás, bem alardeada pela Chivas. De acordo com a marca, o Chivas XV é “um blend de 15 anos que desafia as convenções de como e quando beber scotch whisky. Criado para ser aproveitado como parte de um momento de celebração de muita energia, o Chivas XV prova que um whisky sério não precisa de um ambiente sério para ser tomado“.

E quando a Chivas Regal diz que é um whisky sério, bem, ela fala com austeridade. A começar pela sua produção. O blend leva em seu coração maltes como Strathisla, Longmorn e Aberlour, e passa por um incomum processo de finalização em em barricas de carvalho europeu que antes contiveram cognac da região da Grande Champagne. Algo raro para single malts, mas ainda mais inusual para blended whiskies. Isso agrega complexidade sensorial ao whisky, trazendo notas vínicas, de caramelo e frutas vermelhas.

Mas nem tudo é sisudez. A própria Chivas encoraja os consumidores a beberem o Chivas XV da forma que quiserem. Inclusive, utilizando-o como ingrediente em coquetéis. “A combinação proporciona o perfil sensorial perfeito para uma ampla variedade de formas de consumo contemporâneas, encorajando os fãs de whisky de aproveitarem seu destilado favorito de uma forma completamente nova – de shots de Chivas XV a coquetéis criados para enfatizar a qualidade e sabor pungente do whisky durante celebrações (…)“, escreve a marca.

Shot, shot, shot!

Mas vamos falar sério. O Chivas XV é um lançamento importantíssimo para a Chivas Regal. Não apenas por ser uma legítima tentativa de rejuvenescer a marca, ou por estampar orgulhosamente sua idade no rótulo quando a tendência mundial é de lançar whiskies sem idade declarada. Mas também por preencher a lacuna de preço que existia entre o Chivas Extra e o maravilhoso Chivas 18 anos.

Sensorialmente, o Chivas XV é delicado e frutado, com álcool discreto e bem integrado. É um blend mais bem acabado e menos agressivo que o Chivas Extra – que, na opinião deste Cão, já é bem interessante. Em comparação com o 18 anos, o Chivas XV é mais frutado e intenso, enquanto o Chivas 18 é mais delicado e sisudo. Em resumo, é um whisky muito bom, e um meio termo interessante entre a irreverência do Extra e a seriedade do Chivas Regal 18.

No Brasil, o Chivas Regal XV foi lançado em meados de junho. E se me permite um conselho – experimente, e experimente rápido. Talvez ele seja apenas cevada maltada, fermentada, destilada, misturada e maturada em barricas. Barricas muito especiais. Barricas capazes de torná-lo muito mais do que apenas cevada maltada e processada. Tipo uma certa bolsa de palha. Pensando bem, não. Aquilo é só uma bolsa de palha. Este, porém, é um belíssimo whisky.

Esse eu entendo.

CHIVAS REGAL XV

Tipo: Blended Whisky com idade definida – 15 anos

Marca: Chivas Regal

Região: N/A

ABV: 40%

Notas de prova:

Aroma: frutado, com frutas em calda e caramelo

Sabor: Delicado, balinha de caramelo, pêssegos em calda, frutas adocicadas. Final médio e com baunilha.

Com água: A água ressalta o frutado, mas torna ele ainda mais delicado.

Preço: R$ 300,00 (trezentos reais), em média.

7 thoughts on “Chivas Regal XV – Sofisticação despojada

    1. Mas então, e a Cã, acabou ganhando algo mais em conta, rs? Parabéns pelo blog, aprendendo muito aqui, beijos!

      1. HAHA, Excelente pergunta, Cristina!

        Sim, fiz aquela velha tática de perguntar fingindo que não quero nada, e ela fingiu que não entendeu e me deu uma dica – um fone de ouvido daqueles noise-cancelling. Não foi barato, mas não é feito de palha! E dá pra ouvir músicas elegantes e despojadas ao mesmo tempo!

  1. Gostaria muito de provar, mestre.
    A grande dificuldade é que o valor financeiro dele o coloca em rota de colisão com o Laphoraig Quarter Cask, ai a disputa fica injusta hahaha.
    Abraço!

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