Steak Tartar Turfado – Paixão crua

Foto: Tales Hideki

Minha paixão por whiskies começou nos turfados. Lembro-me, até hoje, com a clareza própria daqueles momentos que definem uma vida. Foi durante uma viagem com a Cã, enquanto almoçávamos em um restaurante frente ao mar. O garçom me entregou uma carta de whiskies, e eu escolhi pelo nome. Lagavulin parece nome de remédio, vou pedir – comentei para minha melhor metade.

De prato, não titubeei em escolher steak tartare. Sempre amei o prato. E, experimentá-lo em diferentes restaurantes é sempre uma experiência interessante. Em alguns lugares, a carne crua é moída, em outros, cortada na ponta da faca. Às vezes, o prato já vem montado, num disquinho de delícia comprimida. Em outros, o garçom mistura tudo na sua frente, com um quê de flair de coquetelaria. O acompanhamento varia entre batatas fritas, batatas chips, salada e – o melhor – torradinhas. O que permite fazer dezenas de mini-canapés.

Ou um torradão delícia

Não vou – como seria costumeiro – me alongar na história do steak tartar, e suas lendas. Apenas mencionar, rapidamente, que a mitologia postula que o prato foi criado pelos tártaros, que esmagavam carne velha sob a cela de seus cavalos. Outra teoria, porém, mais plausível, aponta que o prato surgiu na Alemanha e chegou à França; Lá, com a internacionalização da cozinha, a receita foi se sofisticando – com molho tártaro, por exemplo – até virar a maravilha misturada que conhecemos hoje.

Mas, de volta à minha experiência. Lembro-me de comer o prato e beber whisky e achar a combinação uma delícia. Mas ainda não havia me ocorrido misturar os dois em um único megazord delicioso. Essa ideia surgiu casualmente depois, enquanto tentava reproduzir o prato em casa e bebia um Laphroaig Select. E se eu colocar uma coisa em cima da outra? E foi justamente o que fiz. O resultado é a receita que ora compartilho com vocês, queridos leitores.

Afiem suas facas e tomem nota!

STEAK TARTAR TURFADO

(Turfado, de turfa, e não trufado. Ainda que trufado talvez fique uma delícia!)

INGREDIENTES

  • 400g de coxão mole, patinho ou mignon (depende de quão chique você estiver)
  • 1 ovo cru (se você tiver dúvidas, pode tirar, e substitua por uma colher de sopa de azeite. Não vai ficar a mesma coisa, mas a gente prefere que você não morra. No Caledonia Whisky Co., nosso bar em São Paulo, usamos uma gema curada)
  • 60g de cebola roxa
  • 40g de pepino em conserva
  • 20g de alcaparras
  • 3 colheres de sopa de mostarda dijon (pode colocar duas, se você realmente gostar de mostarda dijon. Eu entendo.)
  • Molho inglês (3 colheres de chá estão ótimas, mas vai do seu gosto)
  • cebolinha, salsinha, sal e pimenta do reino à gosto
  • 30ml de whisky turfado (pegue algo bem turfado e medicinal)

PREPARO

  1. Pique a carne na ponta da faca – dá trabalho, e é um saco, eu sei. Mas isso vai garantir uma textura melhor. Mas, se você preferir, pode comprar carne moída – apenas tenha em mente que o resultado será distinto
  2. Pique o pepino, a cebola roxa e as alcaparras.
  3. Misture tudo em uma tigela, e adicione os demais ingredientes, inclusive o ovo e o whisky. Misture bem, bem mesmo, até ficar homogêneo.
  4. Use uma forminha para moldar o tartar (ou não) e sirva com seu acompanhamento de preferência.

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