Especial Escócia – Visita à Oban

Este é o primeiro post de uma série sobre a visita em 2017 deste canídeo à terra sagrada do whisky. A Escócia – em especial, a terra da fumaça. Islay.

No primeiro dia, a caminho de Islay, visitamos a destilaria Oban, localizada na cidade de mesmo nome. Literalmente dentro de Oban. A destilaria está no meio da cidade, em um prédio histórico, e muito próxima ao oceano.

A destilaria é dividida em uma série de prédios, e há uma rua – uma rua ativa da cidade – que a cruza. O que deixa este Cão levemente apreensivo de que alguma barrica possa, porventura, ser atropelada ao olhar para o lado errado da rua ao atravessar. Nosso guia, porém, sempre solícito, me assegurou que isto jamais acontecera.

Um dos maiores diferenciais alardeados pela própria Oban é a fermentação de seu mosto. Ele leva em torno de cento e vinte horas, o que é quase o dobro do que seria um absurdo para outra destilaria. Segundo eles, isso traz a seu destilado uma leveza e oleosidade bastante características.

Os washbacks – os tanques de fermentação – da Oban são feitos de madeira de pinho. Algo também bastente incomum atualmente. A maioria das destilarias possui washbacks de aço inoxidável, mais fáceis de manter e mais durável. Há uma discussão no mundo do whisky se o material destes equipamentos impactaria no sabor da bebida.

A Oban, porém, é supersticiosa. Segundo ela, não se sabe se a troca dos washbacks resultaria em alguma mudança efetiva. Assim, preferem manter a tradição a arriscar um resultado que – apesar de esperado – seria diferente do atual.

A Oban é relativamente pequena. Há apenas um par de alambiques. Um de primeira destilação e outro de segunda. Para lhe dar uma noção de escala, mesmo destilarias como a Glenmorangie, possuem três pares destas belas peças.

Mesmo assim, a destilaria ainda possui capacidade produtiva ociosa. A maturação ocorre principalmente em barricas de carvalho americano, ainda que algumas expressões sejam finalizadas em barricas de carvalho europeu.

Direto do barril

Ao ser questionado sobre o uso de corante caramelo, nosso guia não titubeou. Segundo ele, alguns lotes de Oban usam corante para correção de cor. No entanto, outros – se engarrafados com a cor esperada – saem sem adição do produto.

Durante a visita, tivemos a incrível oportunidade de provar um Oban 8 anos, extraído diretamente da barrica, e de adquirir uma garrafa exclusiva da destilaria. Um Oban sem idade declarada, com graduação alcoolica de 48%. É a garrafa que ilustra este post.

A expressão mais emblemática da Oban é seu 14 anos. É ele o representante dentro do seleto rol dos Classic Malts da Diageo, que contam com outras expressões de peso, como Lagavulin 16 anos. Porém, em benefício do tempo, este whisky será matéria de uma prova futura, exclusiva dele. Aguardem!

4 thoughts on “Especial Escócia – Visita à Oban

  1. Que maravilha.
    Me diz uma coisa Maurício: para trazer essas garrafas do exterior, como você faz? Traz na mala?
    Sempre tenho receio de colocar na mala. Acabo comprando no free shop mas como sabemos não tem muita variedade.

    1. Marcio, isso aí, meu caro. Na mala. Você pode também ser cara de pau e ter um amigo(a) que viaje constantemente e te traga. Voce pode comprar online, mandar para seu endereço de hotel, também, e pegar quando estiver lá. É um método mais arriscado, mas nunca tive problemas.

  2. Como vai, mestre?
    O mínimo que posso dizer é que estou muito feliz com sua viagem hahaha.
    Mal posso esperar para sua chegada à Islay.

    Grande abraço!

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