Drops – Longrow 14 anos

Longrow 14 - O Cão Engarrafado
Você já ouviu falar de Springbank? E Campbeltown? Esta última é uma cidade escocesa, que já foi conhecida como a capital mundial do whisky. O vilarejo já chegou a abrigar trinta distilarias distintas. Entretanto, por conta da recessão da década de 30 e a lei seca norte-americana – um dos maiores mercados consumidores na época – apenas três destilarias sobreviveram. Glen Scotia, Glengyle e, claro, a famosíssima Springbank.
 
A Springbank produz três linhas distintas de whisky. A primeira, homônima – Springbank – é muito levemente turfada. Já a segunda, Hazelburn, não possui qualquer defumação, e é triplamente destilada, dando origem a um whisky adocicado e extremamente leve. Já a terceira – batizada de Longrow – é o oposto da segunda. É um whisky bastante defumado e relativamente oleoso.
 
A Springbank é uma das únicas da Escócia que ainda faz sua própria malteação – em malting floors na própria destilaria – e engarrafa seus próprios whiskies. Aliás, cem por cento do processo é feito completamente “in-house”. Da malteação ao engarrafamento, tudo ocorre sob o teto da lendária Springbank.
 
Os primeiros Longrow foram destilados na Springbank em 1973, como uma experiência do então presidente da destilaria, que queria provar que single malts turfados (clássico estilo de Islay, como Laphroaig e Ardbeg) poderiam muito bem ser destilados na parte “continental” da Escócia.
 
As duas garrafas da foto – dez e quatorze anos – já foram descontinuadas. Atualmente, a Longrow possui três expressões, sendo que duas delas não possuem idade declarada no rótulo: Peated, Red e 18 anos. Ainda que o processo de maturação das expressões varie, todas elas guardam o DNA turfado dos primeiros Longrow produzidos.
 
Springbanks não podem ser encontrados no Brasil. Entretanto, com sorte, podem ser adquiridos em países próximos, como Chile e Argentina, bem como em Duty Frees europeus.

LONGROW SINGLE MALT PEATED 14 ANOS

Tipo: Single Malt com idade definida – 14 anos

Destilaria: Glen Scotia

Região: Campbeltown

ABV: 46%

Notas de prova:

Aroma: medicinal, carvão, levemente cítrico.

Sabor: floral, bastante iodado, medicinal. Final defumado, apimentado e amargo. O álcool fica em evidência, mas não desequilibra o whisky.

Disponibilidade: apenas lojas internacionais.

Do Zênite – Johnnie Walker Blue Label

 

O Cão Engarrafado - Johnnie Walker Blue Label

O desejo é uma coisa interessante. Porque, na maioria das vezes, a satisfação é nada além de efêmera. Para mim, isso vale para quase tudo na vida. Um livro concluído, um prato experimentado, uma música descoberta. Mas quando pensamos em bens materiais, a coisa fica ainda mais estranha.

Porque, curiosamente, as maiorias das coisas que desejo absurdamente são, na verdade, versões diferentes daquelas que já tenho. Por exemplo, eu tenho uma coqueteleira. Mas adoraria um Cardington Shaker do Cocktail Kingdom Reseve. Tenho também uma televisão. Mas uma SmartTV 4K não seria nada mau. Eu tenho um carro, mas ficaria bem mais feliz com um Maserati Quattroporte ou um Aston Martin Vanquish.

E ainda que a razão me diga que qualquer destas coisas não faria a menor diferença – porque eu continuaria chacoalhando meus coquetéis do mesmo jeito, assistindo a mesma Galinha Pintadinha com a Cãzinha, e preso no mesmo engarrafamento – esta força schopenhauriana que sempre me faz desejar mais é implacável.

Isso, fatalmente, se reflete nos whiskies. E na aurora de meu interesse, o Johnnie Walker Blue Label ocupava espaço de destaque. Aquele, imaginava, era o blended whisky mais caro da mais famosa linha de blended whiskies do mundo. Ele era a atmosfera rarefeita após galgar todos os degraus coloridos da escada da marca do andarilho. Um objeto de desejo absoluto e – provavelmente – o único perene. Porque, afinal, o que haveria depois da Cardington, da SmartTV ou da Maserati?

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Antes de prosseguir com minhas impressões, vou fazer uma pausa dramática para algumas informações técnicas. Como vocês já devem saber, o Johnnie Walker Blue Label é um whisky sem idade definida, composto tanto por single malts quanto whisky de grão. Seu principal componente é o single malt Royal Lochnagar, curiosamente, também o coração do Vat 69.

De acordo com a Johnnie Walker, o Blue Label foi elaborado para recriar o sabor e a experiência dos primeiros blended whiskies da marca, do início do século dezenove. As garrafas, de uma cor azul pálida, são numeradas, e apresentadas em um belo estojo de veludo. Talvez o mesmo veludo usado nos painéis das Maseratis. Eu não saberia dizer. Há veludo nos painéis das Maseratis?

Atualmente, uma garrafa de Blue Label custa em torno de R$ 1.000,00. Se você analisar friamente, é muito dinheiro para um blended whisky sem idade definida, cuja maioria de seus componentes é filtrada a frio, e com 40% de graduação alcoólica. Mas se fosse assim, para que alguém precisaria de um superesportivo italiano, uma coqueteleira de prata de lei ou uma televisão tão precisa que nem os programas são filmados com tanta qualidade?

Palmas. Mas e daí?
Palmas. Mas e daí?

Foi ainda antes de minha estreia no universo dos single malts que tive a oportunidade de experimentar o Blue Label. E, uma década depois, novamente me concedi esta experiência. Ele é um whisky extremamente suave, mas, ao mesmo tempo, com sabor residual persistente. Há uma certa defumação, marca da Johnnie Walker, mas que está lá apenas timidamente. Ainda que – para o gosto deste canídeo – ele seja talvez adocicado demais, não há qualquer aroma ou sabor fora do lugar. O álcool é quase imperceptível, mesmo se tomado puro e sem água.

O Johnnie Walker Blue Label é, ao mesmo tempo, um dos whiskies mais desejados e mais polêmicos do mundo. Grande parte desta polêmica, porém, gira mais em torno de seu preço do que, realmente, de sua complexidade. Há uma falsa crença de que blended whiskies são produtos inferiores a single malts, e, portanto, não devem ser caros. Aqui não estou tentando justificar seu preço que, aliás, é bem alto. Mas apontar que – ultrapassada a barreira de seu valor – ele é um whisky bem bom.

Pelo faro deste Cão, nota-se que alguns whiskies bastante maturados fizeram parte de sua composição. Assim como, claro, alguns mais jovens. Isto, entretanto, não é um demérito. Em certos casos, whiskies jovens funcionam melhor para emprestar certo sabor ao blend. É o que ocorre com o aroma defumado, por exemplo, que é mais presente em single malts com menor maturação. Além disso, blended whiskies devem possuir constância. Ao longo dos anos, não deve haver muita variação de qualidade, de forma que o consumidor saiba que aqueles sabores que já sentiu estarão lá. Estarão lá independentemente de quando comprou sua última garrafa.

O Johnnie Walker Blue Label, como se não bastasse, também é o protagonista de diversas edições limitadas. Em algumas delas, há efetiva mudança do líquido, como é o caso do Blue Label Casks Edition, versão com 55,8% de graduação alcoolica. Em outras, porém, o que muda é a embalagem, como no Blue Label Porsche Design Edition e no – belíssimo – Blue Label Dunhill.

Dito tudo isso, a impressão deste Cão é que o Johnnie Walker Blue Label é, na verdade, uma autoindulgência. Assim como, claro, coqueteleiras de prata, televisores de alta definição e superesportivos ingleses e italianos. Seu preço se justifica em sua exclusividade, e na promessa da experiência especial que irão lhe proporcionar. Porque, para ser sincero, não existe uma boa razão para tê-los, exceto, claro, pelo fato de serem todos maravilhosos.

Por favor, protejam-me daquilo que mais desejo.

JOHNNIE WALKER BLUE LABEL

Tipo: Blended Whisky sem idade definida (NAS)

Marca: Johnnie Walker

Região: N/A

ABV: 40%

Notas de prova:

Aroma: Adocicado, com mel e especiarias, levemente defumado.

Sabor: frutado (frutas em calda), mel, castanhas, nozes, especiarias. Final longo e progressivamente mais seco. Funciona muito bem puro.

Com água: A agua reduz a impressão do defumado e do adocicado, deixando o whisky ainda mais leve.

Preço Médio: R$ 1000,00 (mil reais)

 

Drops – Lagavulin 8 Anos

O Cão Engarrafado - Lagavulin 8 anos
Menino prodígio. Este é o Lagavulin 8 anos, uma edição especial limitada que comemora o ducentésimo aniversário da destilaria Lagavulin, localizada na ilha de Islay, na Escócia. A destilaria, famosa por seus whiskies com aroma turfado, defumado e medicinal, é uma das mais admiradas de toda a Escócia.
 
A Lagavulin foi inaugurada (oficialmente) em 1816 por John Jonston e Archibald Campbell. Atualmente, é detida pela Diageo, a mesma empresa que controla a marca Johnnie Walker. Além de participar no blend de muitos whiskies do andarilho, Lagavulin é também é um dos principais componentes do despretensioso White Horse.
 
O Lagavulin 8 anos presta homenagem a Alfred Barnard, um proeminente historiador – especializado em bebidas – e conhecedor de whisky, que, no começo da década de oitenta, experimentou um Lagavulin 8 anos em uma visita que fez à destilaria. Alfred o descreveu como “excepcionalmente bom”.
 
Maturado em barricas de carvalho americano que antes continham bourbon whiskey e engarrafado com graduação alcoolica de 48%, o Lagavulin 8 anos é tudo que se espera de um jovem single malt de Islay. É defumado, oleoso e medicinal. A fumaça está ainda mais presente do que em seu irmão mais velho, o 16 anos. Além disso, é incrivelmente complexo para sua idade.
O Lagavulin 8 anos não está à venda no Brasil. Nas lojas internacionais, porém, ele custa um pouco mais do que 50 (cinquenta) libras. Ainda que não seja uma pechincha, o Lagavulin 8 anos vale a pena. Sua destilaria é uma das mais colecionáveis da Escócia. É raríssimo que lancem edições especiais como esta, e seu portfólio permanente é extremamente pequeno.
 
Muitos dizem que whiskies defumados são um caso de amor ou ódio. Se não amá-los, provavelmente os detestará. O Lagavulin 8 anos não foge a essa regra. Você até pode não gostar. Mas ele certamente irá surpreender.

Um Desvio à Moda Antiga – Brooklyn Brewery Improved Old Fashioned

Esses dias acordei e, como não encontrasse nada na geladeira que me apetecesse, fui com fome ao supermercado. E isso, como vocês devem saber, é péssimo. Ao invés de cuidadosamente separar os itens para um café da manhã saudável, resolvi fazer um voo solo pelas gôndolas que mais me interessavam naquele momento. A dos salgadinhos. Parei lá, contemplando em silêncio as dezenas de opções para aquele desjejum nutritivo.

Dentre inúmeros saquinhos coloridos, um chamou minha atenção. Batatinhas sabor picanha. Sabor. Picanha. E enquanto salivava pensando em um churrasco instantâneo, comecei a pensar o que faria aquilo ter, especificamente, o gosto de picanha. Porque picanha é uma coisa bem específica. O que diferenciaria, por exemplo, um salgadinho sabor picanha de um com gosto de contrafilé?

E aí, quando voltei para casa, resolvi pesquisar este fascinante mundo da comida deliciosamente artificial. A internet, prontamente, me apresentou um mundo de produtos estranhos. Batatinhas de sabores tão improváveis quanto borsh (isso é uma sopa), chocolate ao leite, salada césar – porque, se é para ser trash, melhor algo com sabor de comida saudável – e uma opção que quase me levou ao nirvana psicológico-gastronômico: chips com gosto de vieiras com alho e manteiga.

Meu deus. E que língua é essa?
Meu deus. E que língua é essa?

Acompanhei, na semana passada, com interesse comparável àquele que tive por esta delícia falsamente marítima, o lançamento de uma cerveja. A Brooklyn Improved Old Fashioned, que aconteceu no Bar Cateto, dia 11 de junho. A ideia era a mesma dos salgadinhos. Só que muito melhor. Porque, afinal, era cerveja. Uma cerveja com o mesmo perfil de sabor do clássico coquetel de whiskey. O Old Fashioned.

Antes de descrever como o pessoal da Brooklyn Brewery, localizada em Nova Iorque, conseguiu essa façanha, deixe-me fazer um mea culpa. Este não é um texto sobre whisky, mas sobre uma cerveja. Uma cerveja, entretanto, que guarda uma relação muito íntima com a melhor bebida do mundo. Uma relação, aliás, bem mais próxima do que aquela daquela batatinha com um aroma que remonta, remotamente, um corte bovino. Ela é, na verdade, a recriação em forma fermentada de um dos mais icônicos coquetéis que levam whiskey.

A Brooklyn Improved Old Fashioned faz parte de um projeto da Brooklyn Brewery e Garrett Olivier, seu brewmaster, de criar cervejas com perfil de sabor semelhantes àqueles dos melhores coquetéis do mundo. A primeira edição prestigiou o já prestigiadíssimo Manhattan. A segunda – que me dá ansiedade só de pensar – denominada The Concotion, foi uma releitura cervejeira do Penicillin, e teve o auxílio de seu criador, Sam Ross, para ser desenvolvida.

Para recriar o sabor do coquetel, ao invés de recorrer a alguma essência industrialmente produzida, Garrett usou como ponto de partida uma rye ale – ou seja, uma cerveja produzida com centeio – de forma a enfatizar o sabor picante proporcionado por aquele grão. Depois, deixou que a cerveja descansasse em barricas previamente utilizadas para maturar o Whiskey WhistlePig Rye. Esse estágio trouxe à bebida os sabores de fumaça e madeira. Por fim, foi desenvolvida uma tintura especial que emulasse os bitters e botânicos do Old Fashioned.

WhistlePig Rye
WhistlePig Rye

Nas palavras – traduzidas, claro – de Garrett “Existem coisas que você consegue fazer, e outras não. Por exemplo, não dá para replicar a sensação de calor proporcionado por um destilado. Mas você pode fazer outras coisas, e acho que fizemos bem. A parte mais difícil foi provavelmente balancear os componentes dos elementos do bitter, especialmente o cravo. Um pouquinho só já é muito. A outra parte difícil foi acertar na sensação da casca de laranja. Não usamos quaisquer extratos ou óleos comerciais (…). Acabamos oor usar uma casca de laranja asiática, desidratada a frio, que proporciona um aroma fantástico.”

O resultado, provado por este Cão, é realmente incrível. Aliás, incrível como a maioria das cervejas produzidas pela Brooklyn. Há um claro aroma cítrico, que é curiosamente complementado por uma sensação picante e, ao mesmo tempo, herbal. É uma sensação agradavelmente confusa. Tipo sentir vieiras em batatinhas pré-fritas. Mas vieiras de verdade.

Para experimentar a Brooklyn Improved Old Fashioned, não será necessário visitar algum país esquisito e comer salgadinhos de sabores improváveis – não que isso seja ruim. A BeerManiacs, mesma abençoada importadora que nos traz a deliciosa Ola Dubh, trouxe um número limitado de garrafas da cerveja para cá. O preço sugerido é de R$ 300,00. Elas serão vendidas em lojas especializadas, como, por exemplo, o Empório Alto dos Pinheiros e, claro, o Bar Cateto.

Para os ecléticos ébrios, a Improved Old Fashioned é uma cerveja obrigatória. E para os não tão ecléticos também. Porque você nem precisa gostar de cerveja. Basta admirar um bom whisky. E se você não gostar de um bom whisky – o que me faz perguntar por que você teria chegado até aqui no texto – basta ser fã de coquetelaria.

Este Cão garante. É uma experiência bem melhor do que qualquer batatinha.

BROOKLYN BREWERY IMPROVED OLD FASHIONED

Tipo: Rye Ale maturada em barricas de whiskey

Cervejaria: Brooklyn Brewery

País: Estados Unidos

ABV: 12.8%

Notas de prova:

Aroma: cravo, canela, especiarias, pão, pimenta do reino.

Sabor: picante e cítrica, com finalização longa, com cravo, canela e especiarias.

Preço sugerido: R$ 300,00

 

 

Sobre o Frio – Irish Coffee

O Cão Engarrafado - Irish Coffee

Não sei se vocês estão sentindo. Mas aqui está bem frio. E ainda que eu claramente prefira essa congelante brisa invernal – apesar de não estarmos ainda no inverno – ao calor senegalês do verão, há uma série de coisas que eu realmente prefiro fazer quando está mais quente. Como, por exemplo, ir ao banheiro. Eu odeio ir ao banheiro de casaco.

Aliás, vou contar uma coisa mais ou menos porca para vocês. Nada relacionado a higiene pessoal é legal no frio. Escovar os dentes exige que se bocheche e, consequentemente, suas mãos sejam congeladas. Acordar de manhã e percorrer a distância até o chuveiro – e aguardar o chuveiro esquentar – só para passar frio novamente ao sair é torturante.

No entanto, há uma infinidade de atividades que ficam bem melhores no frio. Cole Porter já descreveu uma delas, ao dizer que “de acordo com os Estudos de Kinsey, todo homem médio que se conhece, prefere praticar seu esporte favorito, quando a temperatura está baixa”. As outras são, por exemplo, dormir, assistir filmes no conforto do lar e, claro, beber whisky. Aliás, o frio é um ótimo pretexto para se consumir a melhor bebida do mundo.

Cole, pensando em seu esporte favorito.
Cole, pensando em seu esporte favorito.

Acontece que, às vezes, você precisa de algo realmente quente. Uma bebida cuja temperatura natural já seja capaz de reanimar suas congeladas células. E, neste quesito, nada no mundo supera o Irish Coffee.

O Irish Coffee é, na verdade, a combinação de duas das melhores coisas já inventadas em estado líquido. Whiskey e café. Reza a lenda que ele foi criado na década de quarenta por Joe Sheridan, um chef de cozinha responsável por um restaurante e café localizado no terminal aeroportuário de Foynes, na Irlanda. O restaurante de Joe era conhecido naquela época como um dos melhores do país.

O coquetel teria sido concebido quando um grupo de passageiros americanos desembarcou de um hidroavião, em uma manhã de inverno, em 1940, naquele condado. Sheridan, prestativo e criativo, adicionou whiskey irlandês ao café, para aquecer ainda mais aqueles pobres viajantes. Quando indagado se aquilo era café brasileiro – uma iguaria na época – Sheridan simplesmente respondeu “é Café Irlandês”.

O Irish Coffee alçou voo internacional quando Jack Koeppler, proprietário do Buena Vista Café de São Francisco o incluiu em seu cardápio. O restaurante alega ter aperfeiçoado a receita de Sheridan após muita pesquisa e até mesmo uma visita à terra natal do coquetel.

Para evitar qualquer discussão acalorada, a receita apresentada nestas páginas caninas será a mesma da International Bartender’s Association. Porém, este Cão encoraja que você, leitor, teste até atingir sua receita preferida. Mexa um pouco nas proporções e mude os ingredientes. Se você quer algo mais amargo, adicione mais café ou reduza o açúcar. Se quer mais cremoso, aumente a proporção do creme. Teste com mais de um tipo de café. Seja corajoso. Quase tão corajoso quanto alguém que saiu da cama para tomar banho hoje.

IRISH COFFEE

INGREDIENTES

  • 1 Dose de Whiskey Irlandês (este Cão utilizou Jameson Irish Whiskey)
  • 2 Doses de Café Quente
  • ¾ dose de chantilly (ou espuma de leite) – Tá bom, eu assumo que coloquei um pouco mais do que isso para a foto.
  • 1 colher de chá de açúcar mascavo

PREPARO

  • Em um copo especial para bebidas quentes – pode ser uma caneca de vidro ou mesmo de porcelana – adicione o café, o whiskey e o açúcar mascavo. Mexa um pouco. Adicione o chantilly sobre a mistura.

Drops – St. Austell Smuggler’s Grand Cru

O Cão Engarrafado - Smugglers Grand Cru

Tá com frio? Que tal uma cerveja com graduação alcoolica de 11,5% e maturada em barricas de whisky para aquecer? Essa é a St. Austell Smuggler’s Grand Cru.

A St. Austell Brewery, localizada em Cornwall, é uma conhecidíssima cervejaria inglesa, famosa por cervejas como as curiosamente batizadas Proper Job e Big Job que significam, numa tradução tosca, Trabalho de Verdade e Trabalho Importante. Assim, se alguém te mandar arrumar um “Trabalho de Verdade”, não se ofenda mais. Vá para o bar.

A Smuggler’s Grand Cru é uma edição especial da St. Austell. É uma Belgian Strong Ale, maturada por até nove meses em barricas que antes continham o single malt da destilaria Tomintoul, de Perthshire. Após a maturação, a cerveja é engarrafada pelo método champagnoise – em que há segunda fermentação dentro da garrafa – na vinícola Camel Valley, também em Cornwall.

O resultado é uma cerveja bastante complexa, que remonta açúcar mascavo, vinho, fumaça, baunilha e caramelo. Ela é levemente azeda por conta de seu processo de maturação, que a faz lembrar uma Lambic. Entretanto, este sabor é equilibrado pelas notas de baunilha e caramelo.

A Smuggler’s Grand Cru pode ser encontrada em algumas lojas especializadas, como o Empório Alto dos Pinheiros. Seu preço é quase de single malt. R$ 250,00, em média.

O Cão Didático – Cereais usados no Whisky

Grãos

Conhecimento é sempre bom. Mesmo sobre assuntos enfadonhos, como botânica. Esta foi minha conclusão após uma viagem com alguns amigos para o sítio de um deles, lá pelos meus dezoito anos de idade.

Como quase todo adolescente recém-chegado à maioridade legal, nosso foco principal era beber. Beber qualquer coisa. Não tínhamos muitos critérios. Só podia ser natural. Afinal, não havíamos tido tempo de criar quaisquer critérios.  Nosso manifesto de viagem contava com umas quatro garrafas da vodka – da mais barata encontrada no supermercado local – bem como uma dúzia de engradados de uma cerveja que poderia ser definida, de forma muito benevolente, como a pior coisa que já bebi depois de gasolina (leia mais sobre isso aqui).

Com o problema líquido solucionado, nosso próximo passo seria decidir o que comer. E ainda que a ideia de adquirir um estoque de salgadinhos fosse tentadora, em um lampejo de consciência, resolvemos que teríamos tempo de sobra para cozinhar. Assim, resolvemos preparar uma massa. Uma pequena caixa de spaghetti e alguns tomates dariam uma refeição decente e descomplicada.

No primeiro dia, demos cabo de boa parte da cerveja e duas garrafas daquela maravilha cristalina destilada e – bastante animados – começamos a preparar a primeira refeição do dia. Nosso jantar. Chovia bastante e fazia bastante frio. Nosso colega encarregado de preparar a refeição então pediu para que um dos outros fosse à horta e trouxesse manjericão. Porque ele havia ouvido que manjericão combinaria com o molho de tomate.

E ele – ensopado e tremendo – trouxe capim. Capim mesmo, desse que as vacas comem. Um punhado de capim, bem verdinho. Havia até uns três brotos, cuidadosamente arrancados na base de seus frágeis talos. Mas como estávamos um pouco ao sul da linha da sobriedade, ninguém percebeu que aquilo era capim.

 

Nham...
Nham…

Ninguém percebeu até começar a comer. Porque mesmo que não estivéssemos lá muito sóbrios, ao saborear nossa criação, logo notamos que havia algo errado. Era um gosto meio vegetal, diferente naquela massa. Primeiro pensamos que os tomates pudessem estar estragados, mas uma inspeção mais cuidadosa mostrou a natureza das gramíneas no prato. E, no segundo lampejo de consciência do dia, votamos que seria melhor passar fome mesmo.

Nessa altura do sétimo parágrafo, você deve estar se perguntando o que essa história toda tem a ver com o seu whisky. Bem, ela não tem. Mas serve para ilustrar que, às vezes, é importante saber o que está no seu prato. Ou melhor, no seu copo. E aí é que o whisky entra na história. Porque whisky – dependendo do país – pode ser feito pela destilação de quase qualquer coisa. Então, vou explicar, nesse post, um pouco sobre as variações mais comuns.

Vamos começar com o whisky escocês single malt. Single malts escoceses devem ter, obrigatoriamente, como matéria prima, apenas cevada maltada. O mosto fermentado dessa cevada maltada deve ser destilado somente em alambiques de cobre em uma única destilaria. No mundo dos single malts escoceses, o único cereal aceitável é a cevada. Sem dramas aqui.

Mas a conversa começa a ficar diferente quando falamos de bourbon. Ou melhor, de whiskey americano, de uma forma mais genérica. Whiskies americanos normalmente são destilados em destiladores contínuos, ou em uma mistura entre destiladores contínuos e alambiques. Para eles, há um monte de cereais utilizáveis. Centeio, trigo, milho e cevada maltada (que ajuda catalizar enzimas que quebrarão amido em açúcar dos outros grãos) são os mais comuns. A maioria dos whiskeys americanos é produzido com uma combinação destes cereais.

A variação mais comum de whiskey americano é o Bourbon. Bourbons devem empregar 51% ou mais de milho na composição de seu mosto. Entretanto, caso este percentual chegue a 79, ele passa a ser considerado um Corn Whiskey. O milho confere sabor adocicado à bebida. A maioria dos whiskeys americanos vendidos em nosso país têm predominância de milho em seu mosto, como é o caso do Woodford Reserve e Maker’s Mark.

Por outro lado, quando um whiskey americano possui mais do que 51% de centeio em seu mosto, ele passa a ser conhecido como um rye whiskey. O centeio confere ao destilado sabor de especiarias (pimenta do reino, páprica etc.), menta e canela. Mesmo quando não predomina, o centeio deixa sua marca. É o caso, por exemplo, do bourbon Woodford Reserve, que utiliza boa quantidade do cereal em sua composição, ainda que a predominância seja de milho. Recentemente o Brasil recebeu um lote do Wild Turkey 101 Rye. Este é o único Rye Whiskey a venda em nosso país.

Por sua vez, 51% de trigo em no mosto confere o titulo de wheat whiskey. Wheat whiskeys são bastante incomuns. Entretanto, bourbons com boa proporção de trigo – ainda que inferior a 51% – são mais frequentes. O mais comum é o Maker’s Mark, que utiliza uma combinação entre milho – seu principal ingrediente – trigo e cevada maltada.

Por fim, a regra do tennessee whiskey é similar a do bourbon, exigindo no mínimo 51% de milho no mosto. É o caso dos Jack Daniel’s, como o Old No. 7, Sinatra Select, Gentlemen Jack e Single Barrel.

Ou seja, de uma forma bem superficial e genérica, pode-se dizer que o centeio empresta sabor de especiarias, enquanto que o milho sabores mais adocicados. O trigo, por sua vez, torna a bebida mais suave e palatável. Obviamente, estes fatores tornam-se mais ou menos evidentes dependendo da forma de maturação do whisk(e)y.

 

Praticamente a versão liquefeita de uma barra de cereal.
Praticamente a versão liquefeita de uma barra de cereal.

Mais curioso ainda é quando voltamos para a Escócia para falar de grain whisky, que é o whisky produzido em destiladores contínuos em uma única destilaria a partir do mosto fermentado de quaisquer grãos. Ao contrário do conhecimento popular, estes whiskies levam obrigatoriamente cevada maltada. Na Escócia, é ilegal que se produza qualquer whisky com uma única espécie de cereal (exceto se esse cereal for a própria cevada maltada).

Assim, single grains são whiskies produzidos com a combinação, em uma única destilaria, de mais de um tipo de cereal, sendo que um deles deve, obrigatoriamente, ser a cevada maltada. Como dito anteriormente, a cevada maltada fornece as enzimas necessárias para transformar o amido em açúcar dos demais grãos utilizados. Isto porque, na Escócia, é proibida a adição de enzimas no whisky.

Até a década de oitenta, um dos cereais mais comuns na produção de grain whiskies era o milho. Atualmente, é o trigo. Grain whiskies são geralmente destilados em destiladores de coluna, e não alambiques, por razões econômicas de eficiência e escala de produção.

Entretanto, não é apenas de cereais que se vive a indústria do whisky. Existem ótimos whiskies em improváveis países. Tão improváveis quanto a India. Um exemplo disso é o (quase) famoso Amrut. Na Índia, não é incomum que se produza whiskies pela destilação do mosto fermentado do melaço da cana de açúcar. É isso mesmo. Como é o caso do rum e parecido também com a nossa cachaça (destilado do mosto fermentado do caldo da cana de açúcar).

E se você me perguntar qual é melhor, vou te dizer que não sei. Não sei porque não existe um estilo melhor. O melhor whisky é sempre o seu próximo. Ou é aquele que é tomado em uma roda de amigos, enquanto se conversa sobre alguma amenidade. Alguma amenidade como, por exemplo, o cereal usado no whisky que você está tomando.

Está vendo? Como eu havia dito – e parafraseando Fernando Pessoa – todo conhecimento vale a pena, quando a alma não é pequena.

 

Drops – Glenfiddich 125 Anniversary Edition

Glenfiddich 125

Quer saber como era o sabor dos whiskies há mais de 125 anos, na época em que grande parte das destilarias da Escócia foram fundadas? Então conheça o Glenfiddich 125 Anniversary Edition.

Lançado como uma edição limitada para comemorar os cento e vinte e cinco anos de fundação da destilaria, o Glenfiddich 125 foi elaborado por Brian Kinsman – seu malt master – utilzando os mesmos métodos utilizados no século de sua inauguração.

Como já explicado por aqui, no século dezoito, era muito comum que a cevada maltada fosse secada em uma fogueira de turfa (peat). Isso dava ao whisky um aroma turfado, de bacon, bastante característico. Este processo é até hoje reproduzido por muitas destilarias, principalmente aquelas localizadas em Islay, mesmo que poucas delas ainda produzam seu próprio malte.

O Glenfiddich 125 é, na verdade, uma combinação de barricas de dievrsas idades, de Glenfiddichs defumados e não defumados, proporcionando complexidade e profundidade.

A garrafa vem em um estojo de metal, com uma rolha especial de cobre e um certificado de autenticidade. Há também um pequeno livreto, que você pode usar para se distrair enquanto toma uma dose desta maravilha.

O Glenfiddich 125 Anniversary Edition podia ser encontrado, até ano passado, nos aeroportos internacionais brasileiros e internacionais. Atualmente, entretanto, não é fácil esbarrar em uma garrafa.

O Cão Engarrafado já fez a prova de outras expressões da Glenfiddich, todas disponíveis em nosso país. Confira aqui.

Da excelência e notoriedade – Manhattan

Manhattan

Há poucas coisas e pessoas no mundo que são tão distintas que realmente dispensam apresentações. São aqueles ícones, quase divindades em seus respectivos altares. O tempo, catalisador do oblívio, não os apagou. Pelo contrário, os alçou à categoria de lendas. Algumas delas são Bach, Ferrari, Dostoievski, Coca-Cola, Orson Welles, Cohiba e bacon – sim, caso você não tenha notado a letra minúscula, refiro-me a bacon. Isso. As costas do porco.

No mundo da coquetelaria, talvez o coquetel mais emblemático do mundo seja o Manhattan. O Manhattan é a música clássica do mundo dos coquetéis. Atemporal, elegante e profundo. Três adjetivos que lhe garantiram a entrada no rol das mais distintas coisas do mundo, trazendo-lhe à imortalidade.

Apesar de sua fama incontestável, não se sabe a origem do Manhattan. A história mais famosa é que ele tenha sido elaborado no Manhattan Club, em Nova Iorque, no ano de 1874, para a comemoração do aniversário de uma – também bastante distinta – senhora. Madame Jennie Jerome, mais conhecida por ser a mãe de Winston Churchill.

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Talvez por isso seu filho fosse tão próximo aos copos?

Acontece que, como ensina David Wondrich, em seu – também icônico – livro Inbibe!, Madame Churchill não poderia estar em Nova Iorque naquele ano. Simplesmente porque estava grávida, na expectativa de conceber um dos – mais uma vez – mais icônicos e absolutos líderes de todos os tempos. O primeiro ministro da Inglaterra e amante das boas coisas do mundo, Winston Churchill.

Uma das teorias mais prováveis é que o Manhattan tenha sido inventado na década de 1860, por um homem chamado Black, em Nova Iorque. Essa é a história contada por William Mulhal, outro bartender que trabalhou na conhecida Hoffman House por mais de trinta anos, também no final do século dezenove.

Talvez você já saiba disso. Talvez não. Mas a receita original do Manhattan leva Rye Whiskey (whiskey de centeio). Este Cão, por sorte, possuía uma garrafa do recém-chegado ao Brasil, Wild Turkey 101 Rye e, por isso, resolveu utiliza-lo na preparação do coquetel. Entretanto, não há nenhum demérito em utilizar Bourbon whiskey. Isso é completamente – e absolutamente – aceitável. Mesmo porque era assim que a maioria dos bartenders de nosso pais faziam antes do desembarque do referido peru de centeio.

MANHATTAN

INGREDIENTES

  • 2 doses de rye whiskey (conforme falado acima, este Cão utilizou o Wild Turkey 101 Rye. Entretanto, se você não possuir um Rye – o que é bem provável – utilize um bourbon. Recomendo, neste caso, o Woodford Reserve).
  • 1 dose de vermute tinto (desta vez, este Cão utilizou o Carpano Classico. Mas sinta-se livre para experimentar seu vermute preferido).
  • 3 dashes (isso são sacudidelas) de Angostura
  • 1 cereja Maraschino (este Cão pede desculpas antecipadas por não ilustrar, na foto, a cereja. Faltou).
  • Mixing Glass (ou qualquer lugar para misturar seu coquetel)
  • Colher bailarina (ou qualquer colher pra mexer seu coquetel)
  • Strainer (ou qualquer peneira para coar o gelo)
  • Taça Coupé (a taça da foto acima) ou taça de martini.

 

PREPARO

  1. Adicione no mixing glass as duas doses de whiskey, a Angostura, e a dose de vermute tinto. Adicione gelo e misture levemente, utilizando a colher bailarina, por alguns poucos segundos.
  2. Com o auxilio do strainer – para coar o gelo – desça o conteúdo do mixing glass na taça.
  3. Decore com a cereja maraschino
  4. Pronto. Contemple a excelência líquida.

Drops – Ledaig 18 Anos

Ledaig 18

Às vezes, apenas o tempo é capaz de nos mostrar a significância de algo. Há experiências que temos certeza que permanecerão por muito tempo em nossa memória. Mas há outras que não parecem grande coisa no momento e que, depois, se revelam importantíssimas. Tive uma dessas com o Ledaig 18 anos.

Comprei o whisky durante minha primeira viagem à Escócia. Assumo que, em boa parte, devido à bela caixa de madeira gravada. Passei um bom tempo sem abri-lo, até que, certo dia, resolvi que o experimentaria. Logo ao abrir a rolha percebi que era algo que me agradaria. Aroma, primeiro gole, segundo. Um whisky excelente. Entretanto, não dei muita importância. Era uma delícia como muitos.

O curioso aconteceu depois. À medida que experimentava outros whiskies com perfil semelhante – Bowmores, Longrows, Juras – minha memória sempre recorria àquele Ledaig 18. Era como se ele fosse a base de comparação. Uma base de comparação bem alta. E o mais estranho é que, muitas vezes, quando alguém me perguntava qual whisky eu era apaixonado, ainda que muitas vezes respondesse de forma política, no fundo do meu pensamento, o Ledaig 18 surgia.

Levou um bom tempo para eu perceber isso, e ainda mais para assumir. Mas aquele era, provavelmente, um dos whiskies que mais me apaixonara na vida. Um estranho notável, que havia causado uma excelente e duradoura impressão. Mas não é para menos. Produzido pela destilaria Tobermory, localizada na ilha de Mull, ele é um whisky claramente defumado, cuja maturação ocorre tanto em barricas de carvalho americano que antes contiveram bourbon whiskey quanto carvalho europeu, que antes possuía vinho jerez espanhol.

A Tobermory é a única destilaria da ilha de Mull, a segunda maior porção de terra das Hébridas Interiores (Inner Hebrides). Apesar de seu tamanho razoável – quase 880 quilômetros quadrados – Mull possui menos de três mil habitantes. O que é bom – a ilha de Mull é um pequeno paraíso. Há muitos destroços de naufrágios ao seu redor, perfeitos para a prática de mergulho. Além disso, há um rali de carros, que acontece anualmente, nas poucas estradas da ilha.

E ele nem bebeu o Ledaig 18.

A Tobermory produz duas linhas diferentes de whisky. A primeira, com o mesmo nome da destilaria, é composta de whiskies pouco turfados, com notas cítricas e de especiarias. A outra, Ledaig, é defumada, com sabor de iodo e turfa. Seu whisky de entrada é o Ledaig 10 anos. Já o Ledaig 18 anos é uma das expressões mais queridas desta linha.

Infelizmente, e para o total desespero deste canídeo, o Ledaig 18 anos não está disponível no Brasil. O whisky importado oficialmente para o Brasil que mais se aproxima desta maravilha é o Jura Prophecy. Porém, se cruzar com este belíssimo estojo de madeira em alguma viagem, saiba que ele é muito mais do que uma bela marchetaria. Dentro dele, há um dos mais incríveis líquidos já produzidos pelas ilhas escocesas.

LEDAIG 18 ANOS

Tipo: Single Malt com idade definida – 18 anos.

Destilaria: Tobermory

Região: Highlands – Ilhas – Mull

ABV: 46,3%

Notas de prova:

Aroma: turfado e defumado, com um fundo de frutas vermelhas e especiarias.

Sabor: Início defumado, com carvão, que progressivamente se torna mais frutado e rico. Frutas vermelhas, pimenta do reino, caramelo.