Da Arqueologia e Evolução – Glenmorangie Lasanta

Glenmorangie Lasanta

Essa semana fiz uma descoberta arqueológica em minha dispensa. Encontrei lá, escondido, num cantinho, atrás das caixas de Macallan Ruby e Glenlivet 18 anos, um panetone. Fechado, na caixa. Totalmente intocado. Uma reminiscência do de nosso último natal. Visualmente, estava intacto, ainda que aparentasse levemente ressecado. Não sei o que me levou a fazer isto. Mas, quando menos percebi, já provava um pedaço.

E estava horrível. Não bastasse o leve aroma de gorgonzola que aquela peça arqueológica exalava, havia um exagero de frutas cristalizadas. Não passas. Eu até gosto de uvas passas. Mas uns perdigotos de frutas inominadas. Recobrei minha razão com a primeira mordida. Sério. Quem poderia, em sã consciência, colocar tantas frutas assim num panetone?

O pior é que eu realmente, realmente gosto da massa do panetone. Há aquele sabor adocicado, leve, que às vezes remonta a especiarias e às vezes a baunilha. É quase um whisky em formato sólido. Felizmente, alguma mente fértil e com bom gosto idealizou algo que resolveria este problema. O Chocolate. Assim, nascia a versão aprimorada – ou melhor, corrigida – do panetone. O Chocotone.

Putz.
Putz.

O Chocotone é a salvação para todos aqueles que – assim como eu – gostam muito da massa, mas levam em torno de quarenta minutos para comer uma fatia de panetone. Porque antes, é necessário realizar uma verdadeira biópsia em cada pedaço, enchendo a lateral do prato com aqueles fragmentos asquerosos multicoloridos.

O Chocotone é, na verdade, como o Glenmorangie Lasanta. O novo Glenmorangie Lasanta. Se você não sabia nem que havia um novo e um antigo, eu explico.

É que a versão anterior, após passar dez anos em barricas de caravalho americano que antes continham Jack Daniel’s e Heaven Hill, era finalizada apenas em barricas de carvalho europeu que antes continham Jerez oloroso. A atual, com o rótulo dividido, entretanto, é finalizada em barricas de dois tipos de vinho Jerez. Oloroso e Pedro Ximénez. A mudança no processo de finalização do Lasanta trouxe a complexidade que a versão antiga carecia, e transformou o single malt em um excelente companheiro para charutos.

As mudanças pelo jeito surtiram efeito e foram muito bem recebidas. Nas palavras (porcamente traduzidas) de Dave Broom, um dos maiores especialistas em whisky do mundo “a comparação entre o antigo e o novo Glenmorangie (Lasanta) – há melhor integração, torando-o claramente maior. Não é mais apenas Jerez despejado sobre Glenmorangie”. Além disso, o whisky foi eleito como o melhor single malts das highlands na World Whisky Awards de 2017.

Veja bem, a versão antiga já era bem boa. Mas para mim, ela sempre pareceu menos atrativa se comparada ao Nectar D’Or e o maravilhoso Quinta Ruban, expressões equivalentes da Glenmorangie, finalizadas em barricas que continham vinho de sobremesa sauternes e vinho do porto, respectivamente. No caso destes últimos dois, a finalização trazia um claro ganho de complexidade. No caso do Lasanta, entretanto, havia uma troca – do dulçor pelo seco – e faltava algo.

 

Lasanta: antigo e novo.
Lasanta: novo (esquerda) antigo (direita)

Em 2014, então, a Glenmorangie – sob o comando de Bill Lumsden, seu genialmente desajustado head distiller e whisky creator – resolveu alterar a receita de seu Lasanta. A adição das barricas de Jerez Pedro Ximénez trouxeram o que faltava para aquele whisky. Além disso, a graduação alcoólica foi reduzida em três pontos percentuais, para 43%. Agora, há um certo dulçor, um sabor de – veja lá – panetone, que não havia na versão anterior.

Além disso, o whisky tornou-se mais palatável e não tão seco. É incrível como a simples redução do grau alcoólico e a mudança no tipo de vinho jerez que antes envelhecia nas barricas utilizadas pela Glenmorangie impactaram no sabor final do Lasanta, torando-o mais rico. É quase como tirar as frutas cristalizadas e colocar chocolate. Na verdade, é até melhor do que tirar as frutas cristalizadas e colocar chocolate. Porque é whisky, e não panetone.

Como já exaustivamente explicado neste blog, a destilaria Glenmorangie é conhecida por possuir os alambiques mais altos de toda a Escócia. A altura dos alambiques, aliada a seu formato, fazem com que apenas os vapores mais leves do processo de destilação cheguem ao seu topo, o que produz um whisky leve e elegante. Além disso, nenhuma barrica é utilizada mais do que duas vezes.

Se você é fã dos whiskies finalizados em barricas de ex-jerez, se já apreciava o antigo Lasanta ou se está em busca de um whisky para harmonizar com seu charuto preferido, não pode deixar de experimentar a versão reformulada deste single malt. Ele não deve mais nada a seus irmãos, tampouco a outros grandes whiskies com maturação semelhante. Será como experimentar um grande chocotone líquido. E dessa vez, garanto que não será preciso arrancar nenhuma uva passa.

GLENMORANGIE LASANTA

Tipo: Single Malt Whisky com idade definida – 12 anos

Destilaria: Glenmorangie

Região: Highlands

ABV: 43%

Notas de prova:

Aroma: frutado, com  especiarias e açúcar mascavo.

Sabor: frutas em calda, jerez, baunilha, açúcar mascavo. Finalização longa, com frutas e baunilha.

Com água: A água deixa o whisky menos adocicado e evidencia as especiarias e jerez.

Preço médio: R$ 350,00 (trezentos reais)

Drops – Glenmorangie Pride 1981

glenmorangie Pride

 

Aí vai um whisky despretensioso para sua tarde de quarta-feira. Este é o Glenmorangie Pride 1981, maturado por 28 anos, uma das mais exclusivas e cobiçadas expressões da destilaria de Tain.

A maturação do Glenmorangie Pride ocorreu em duas etapas. Em 1981, seu precioso líquido foi destilado e colocado em barricas de carvalho americano que antes contiveram bourbon whiskey. Segundo Bill Lumsden, master distiller da Glenmorangie, a ideia teria sido produzir uma edição especial, maturada por 18 anos.

Entretanto, em 1999, a Glenmorangie adquiriu uma pequena quantidade de barricas de carvalho que antes teriam sido usadas para envelhecer um dos mais famosos e caros vinhos sauternes do mundo, o Chateau D’Yquem. Ou seja, joias em forma de barril.

Na posse dessas maravilhas, Lumsden então decidiu que produziria um whisky ainda mais especial. Transferiu o conteúdo das barricas de bourbon – que lá já descansavam por 18 anos – para aquelas de Chateau D’Yquem, e lá deixou por mais dez anos. Na época, o maior tempo de finalização (ou maturação extra) já praticada pela Glenmorangie.

Segundo Bill “Percebi que se deixasse o whisky nas barricas por mais tempo, sabores resinosos, picantes e de taninos do carvalho francês poderiam começar a se sobrepor à delicadeza do Whisky (…) por isso que o Pride 1981 não é um whisky 30 anos. Sua idade exata é de 28 anos, 9 meses, 17 dias e oito horas. Este é o risco que se corre ao maturar whiskes como este – você deve agir quando entender que é o momento perfeito“.

A experiência de Lumsden rendeu apenas mil garrafas de 1L no mundo inteiro. Aliás, garrafas não. Decanters de cristal, desenhados pelo designer francês Laurence Brabant, e apresentados em uma caixa de madeira produzida pelo artesão holandês Wouter Scheublin.

O preço deste orgulho líquido? Bem, se você tiver a incrível sorte de encontrar, prepare-se para desembolsar algo em torno de GPB 3.000,00 (três mil libras), ou, em uma conta porca, R$ 15.000,00.

O Cão Engarrafado já fez a prova completa de alguns whiskies da Glenmorangie, diremos assim, mais acessíveis, como o Glenmorangie Quinta Ruban, Nectar D’Or e o incrível Signet.

Sem Medo – Finalistas do Jameson Bartenders Ball

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O cinema está cheio de improvisação. Algumas das cenas mais antológicas nasceram de atores, que, numa impressionante demonstração de técnica e audácia, fizeram o improvável.

Uma das histórias que mais gosto é a de Laranja Mecânica. A sequência em que Malcolm MacDowell ataca um escritor e sua esposa não estava totalmente planejada. Kubrick teria passado quatro dias filmando e refilmando a mesma cena, mas, como é natural àquele cineasta, ele não estava satisfeito. Exausto e irritado, ele então disse a Malcolm “sinceramente, faça o que você quiser”.

E então o ator refez a cena. Uma cena de espancamento. Sem medo, dançando e cantando. Aliás, cantando a única música que conseguia lembrar. A de “dançando na chuva”. E assim, uma das mais memoráveis cenas de um dos mais memoráveis filmes surgiu.

Porque sem a dancinha já não era estranho o suficiente
Porque sem a dancinha já não era estranho o suficiente

Uma vez, o ator Christopher Walken disse “Improvisar é maravilhoso. Mas o problema é que você não consegue improvisar, a não ser que você saiba exatamente o que está fazendo. Esse é o tipo de coisa paradoxal sobre improvisar”.

E apesar da frase de Walken, aparentemente, não fazer muito sentido, ela, paradoxalmente faz. A improvisação, ou melhor, a boa improvisação, exige conhecimento, experiência e técnica. E, além de tudo isso, exige destemor. Para se improvisar, não se pode ter medo.

Lembrei deste falso paradoxo ao comparecer, na última quarta-feira, a convite de Jameson Irish Whiskey, à final do campeonato Jameson’s Bartenders Ball, no Estúdio Dama, em São Paulo. A competição reuniu dez bartenders finalistas, que deveriam, na hora, improvisar um coquetel.

As regras eram para destemidos. Haviam papéis com o nome de diversos ingredientes. Cada bartender deveria sortear seis deles, divididos nas seguintes categorias: cítricos, frutas, amaros e vermutes, especiarias e botânicos, espumantes e cervejas. Destes seis, deveria, então, selecionar três ingredientes que fariam parte de seu coquetel. Além de Jameson, claro. Para elaborar os ingredientes, teriam apenas quarenta minutos. E pouco mais de sete para preparar o drink na frente dos jurados, junto com sua apresentação.

Os responsáveis por escolher os melhores coquetéis da noite eram o professor Cesar Adames, do Bares, Drinks & Destilados, Carolina Ronconi, do blog Meninas no Boteco, e James Guimarães, mixologista da Jameson Irish Whiskey. Além do experiente bartender Fernando Lisboa, que – veja só – é também consultor de coquetéis deste (nem tão) distinto blog.

Após experimentar os dez drinks, o vencedor foi escolhido. Matheus Cunha, bartender com mais de quinze anos atrás do balcão, hoje, responsável pelos drinks da Casa 92, de São Paulo, com seu coquetel batizado de Sem Medo. O segundo e terceiro lugares ficaram, respectivamente, com Ed Carneiro, do The Lord’s Pub, de Campinas e Fabio Magueta, do Johnnie Wash, de São Paulo.

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Sem Medo. O coquetel vencedor

Matheus sorteou os seguintes ingredientes: água com gás, manjericão, caju, cerveja stout, abacaxi e vermute tinto. Destes, escolheu os últimos três para seu drink. Os dois primeiros ingredientes fizeram parte de sua apresentação.

Segundo ele “Eu me inspirei em Sine Metu, um dos lemas de John Jameson. Como eu não sabia o que ia vir dos ingredientes e qual seria meu desafio, eu vim sem medo. Mesmo não recebendo nada cítrico para equilibrar, consegui criar uma complexidade para o meu cocktail e tive um ótimo resultado. O mais importante foi não esconder o whiskey Jameson e sim potencializar o que ele tem de melhor. Eu quis provar que o medo não existe, que é uma coisa que você cria. Essa é a mensagem que eu quis passar

A apresentação de Matheus foi um show de improvisação. O bartender serviu aos jurados, antes de preparar seu coquetel, agua aromatizada com manjericão, para complementar o drink. Junto, de forma enigmática, deu a cada um cartão, com a palavra “medo” escrita, e pediu que os guardasse. Após provarem sua criação, pediu que passassem o cartão sobre uma vela. A palavra escrita, então, desapareceu. Ao que Matheus, de uma forma quase profética, disse “o medo se apagou. Por não existir

Matheus. Sem medo de cair
Matheus. Sem medo de cair

O coquetel que Matheus criou é amargo e, ao mesmo tempo, levemente cítrico. Há um equilíbrio curioso entre o vermute e a cerveja com abacaxi, que – apesar dos sabores fortes – não esconderam o Jameson Irish Whiskey. É um drink que demonstra técnica e total domínio sobre os elementos sorteados.

Eu poderia aqui simplesmente finalizar o texto, parabenizando o destemido Matheus pela vitória, e desejando-lhe boa viagem para a Irlanda, onde disputará a final internacional do campeonato. Mas, se fizesse isso, não daria a você, querido leitor, qualquer razão para chegar com seus olhos até aqui.

Então, aí vai, em primeira mão, a receita completa de Sem Medo. Para que você, audaz leitor, possa, em sua casa, reproduzir com intrepidez o coquetel do valente Matheus.

SEM MEDO

INGREDIENTES:

  • 50ml de Jameson Irish Whiskey
  • 40ml de vermute tinto
  • 20ml de redução de cerveja preta com abacaxi (este Cão recomenda uma cerveja stout seca. Nem pense em uma malzbier qualquer. Não vai dar certo)
  • 5 gotas de Bitter Jameson (não tenha medo de substituir por Angostura Orange Bitters. Funcionará também)
  • Mixing glass
  • Colher bailarina (ou alguma colher para misturar as coisas)
  • Strainer (ou peneira mesmo).
  • Taça vintage (isso é a taça fotografada acima. Se não tiver, tente uma coupé)

PREPARO:

  1. No mixing glass, adicionar todos os ingredientes. Colocar bastante gelo e, com o auxilio da colher bailarina, mexer com cuidado por bons quatro segundos.
  2. Descer o conteúdo do coquetel na taça vintage.

PARA A REDUÇÃO DE CERVEJA PRETA:

INGREDIENTES:

  • 200ml de Cerveja preta seca
  • 175 gramas de açúcar
  • 5 cubos de abacaxi (quadradinhos de, mais ou menos, dois centímetros de lado)

PREPARO:

  1. Adicione, em uma panela, a cerveja preta e o abacaxi. Deixe reduzir por quase quinze minutos, em fogo baixo.
  2. Ainda com a panela no fogo, adicione o açúcar e vá mexendo até que ele todo tenha se dissolvido na água. Tire do fogo e deixe esfriar.

Whiskies Para Tomar Com Os Amigos – World Whisky Day & Feis Ile

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Hoje é um dia duplamente especial para o mundo do whisky. Na verdade, triplamente especial. Primeiro, porque hoje é sábado. E, só por isso, já é um excelente pretexto para chamar os amigos e compartilhar aquela garrafa de whisky e um bom papo.

Mas não é só isso. Hoje é também o World Whisky Day (O Dia Mundial do Whisky). E tudo bem que para este Cão – e talvez, para muitos de vocês – quase todo dia é dia do whisky. Mas é que hoje é oficial. O World Whisky Day foi criado em 2012 por um rapaz de apenas vinte e três anos de idade, chamado Blair Bowman. Sua vontade era criar um dia para que as pessoas pudessem se encontrar, comemorar e descobrir mais sobre a bebida nacional da Escócia. Cinco anos mais tarde, a data já é comemorada em todos os cantos do mundo. No ano passado, por exemplo, houve até um evento na Antártida!

Mas talvez estes não sejam motivos suficientes para você. Porque, sei lá, sábado é um dia bem recorrente. Toda semana tem um. E um dia criado há apenas cinco anos por um ébrio rapaz talvez não tenha o necessário ar de oficialidade que deveria. Se este for o caso, então, saiba que hoje é também o segundo dia da – já tradicional – Feis Ile.

Feis Ile, por sua vez, é o maior festival da ilha de Islay. O que pode ser comparado, mais ou menos, à maior festa do ano do seu condomínio. É que Islay, localizada a oeste da parte “continental” da Escócia, possui pouco mais de três mil e trezentos habitantes. A ilha, no entanto, possui oito destilarias em funcionamento, e seus whiskies são conhecidos por possuírem sabor medicinal e defumado.

A Feis Ile celebra a cultura de Islay. Há aulas de gaélico, peças tradicionais, campeonatos de golfe e boliche e – mais importante que tudo isso – infinitas degustações de whisky. Há também uma miríade de atividades curiosas. Como, por exemplo, observação pública de aves e campeonato de pesca com mosca, além de shows de grupos de folk-rock como o irlandês Goats Don’t Shave – em uma tradução literal, Bodes Não se Depilam.

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Festança

Durante o festival, as destilarias abrem suas portas para visitação, e é bem comum que lancem edições especiais limitadas, que somente podem ser compradas lá.

A Feis Ile ocorre sempre na última semana de maio. Já o World Whisky Day acontece sempre no último sábado do mesmo mês. Isso torna o dia de hoje, provavelmente, aquele com mais pretextos bons para tomar whisky de todo ano. E, claro, reunir os amigos que, assim como você, precisam apenas de uma boa desculpa para ir aos copos.

Pensando nisso, este Cão separou quatro whiskies que são perfeitos para compartilhar, sejam eles vedetes do assunto ou simplesmente coadjuvantes.

CHIVAS REGAL – THE BROTHERS BLEND

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Este whisky leva a ideia de confraternizar ao nível mais alto. Sua caixa avisa, de forma clara, que se trata de uma bebida “extremamente suave, perfeita para compartilhar”. Há também um texto espirituoso sobre amizade, fraternidade e whisky. Nada mais adequado para um dia como hoje.

O Brothers Blend é, na verdade, uma variação do Chivas Regal 12 anos. O ponto de partida de sua fórmula é a mesma – o single malt Strathisla. Entretanto, a proporção é diferente. Ele leva uma quantidade bem mais generosa do single malt, o que o torna ainda mais floral e frutado.

O Chivas Regal Brother’s Blend pode ser encontrado nos aeroportos internacionais brasileiros, nas lojas de Duty Free, por US$ 38,00

THE MACALLAN RUBY

Eca, que nojo.

Perdão pela piada fraca. Mas o Macallan Ruby é uma joia para seus preciosos amigos. Ele é um single malt complexo e oleoso. Sua maturação ocorre exclusivamente em barricas de carvalho europeu que antes continham vinho Jerez espanhol. É um whisky que, certamente, agradará a todos os gostos, e o protagonista de qualquer boa degustação. Mais detalhes sobre essa preciosidade aqui.

ARDBEG TEN

Ardbeg Ten

O Arbeg Ten é a versão líquida de um churrasco. E, convenhamos, há poucas formas melhores de confraternizar do que um churrasco. Quer dizer, exceto se você for vegetariano. Neste caso, pense em um suculento (?) hambúrguer de quinoa. Seja como for, o Ardbeg Ten possui notas de fumaça, turfa, algas marinhas, sal e frutas cítricas.

Sua destilaria localiza-se, justamente, em Islay. Aliás, nesta data, a Ardbeg é um show à parte. Há uma degustação de whisky dentro de um bote inflável, uma apresentação de música folk no pátio da destilaria e – óbvio – um churrasco.

Saiba mais sobre o Ardbeg Ten aqui.

GLENFARCLAS 12 ANOS

Glenfarclas 12

Se você e seus amigos – assim como este Cão – são apaixonados por um bom charuto, o Glenfarclas 12 anos talvez seja o whisky certo para acompanha-los. É um whisky pesado, com sabor de especiarias e frutas cristalizadas. O final é longo e progressivamente seco. Ele é forte o suficiente para não desaparecer ao ser harmonizado com charutos, mas também não é tão forte assim, a ponto de sobrepor o puro. Seus irmãos mais jovens – Glenfarclas 10 anos e Heritage – também são excelentes opções, assim como o mais raro e maduro Glenfarclas 15 anos.

Conheça mais sobre o Glenfarclas 12 aqui.

QUALQUER UM

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Isso mesmo, qualquer whisky. Pode até mesmo ser um whiskey americano ou irlandês. Agarre o momento e aproveite.

Porque o espírito da bebida não é ditar regras e ser exclusiva. Pelo contrário. Whisky deve ser divertido. Assim, tudo que você precisa para este distinto dia é uma garrafa – ou talvez duas – de seu whisky preferido e alguns amigos. Beba da forma que mais lhe agradar. Com gelo ou sem, misturado ou puro, como acompanhamento ou não. Porque o whisky e o momento são exclusivamente de vocês.

Não há regras para aproveitar um bom momento.

 

 

 

Drops – Nikka Gold & Gold Samurai Edition

Catedral - Nikka GG

 

Vestido para a batalha. Este é o Nikka Gold & Gold Samurai Edition. É um blended whisky sem idade definida (NAS), com sabor adocicado, com baunilha e cereais. Mas não é bem o líquido que faz diferença, neste caso. Afinal, quantos whiskies fantasiados de Samurai você já viu?

Lançado em 1968, o Gold & Gold é um dos mais longevos whiskies da Nikka, famosíssima marca japonesa. E de lá pra cá, a garrafa passou por pouquíssimas modificações – mesmo porque as armaduras samurais também não sofreram muitas modernizações, né?

A garrafa que fotografamos é relativamente antiga. A atual perdeu a inscrição “G&G” no torso do samurai, e seu capacete ficou diferente. E apesar de não aparecer na foto, o whisky sofreu pouquíssima evaporação.

A versão Samurai Edition é vendida exclusivamente nos Duty Frees de aeroportos japoneses. Apesar de não ser um whisky caro por lá, por conta da enorme procura, pode-se ver garrafas sendo vendidas por mais de cento e cinquenta libras em leilões no Reino Unido.

E aí, alguém disposto a dar uma volta ao mundo?

Da Atemporalidade – Johnnie Walker Green Label

Green Label

Trinta de julho de dois mil e três foi um dia triste para os amantes de automóveis. Naquela data, enquanto lágrimas deslizavam de uma forma desnecessariamente dramática sobre as maçãs do rosto de milhares de espectadores, o último Fusca a ser fabricado no mundo também deslizava, ovacionado, para fora da linha de montagem da Volkswagen, em Puebla, no México.

Concebido pelo engenheiro Joseph Ganz e desenvolvido por Ferdinand Porsche, o Fusca foi detalhadamente pensado para ser a materialização da praticidade sobre rodas. Todas as suas partes eram facilmente substituíveis e pouco custosas. O motor – refrigerado a ar, para evitar que o conteúdo do radiador congelasse no inverno – era forte o suficiente para cruzar as Autobahns sem esforço.

Conhecido internacionalmente como Volkswagen Type 1 ou Volkswagen Beetle, o Fusca tornou-se, em 1972, o automóvel mais vendido da história. Vinte e um milhões, quinhentos e vinte e nove mil, quatrocentos e sessenta e quatro foram fabricados. Seu sucesso era absoluto.

Tão absoluto que anos antes de ser descontinuado, já havia um modelo novo em produção, na Alemanha. Era o New Beetle. Mas, ao contrário de seu predecessor, o New Beetle era um objeto de desejo preconcebido. Com desenho retrô, curvas sedutoras e muita tecnologia embarcada, a única coisa que lhe faltava era a simplicidade do modelo anterior. Uma simplicidade atemporal, que lhe trouxe a resiliência necessária para atravessar décadas no coração das pessoas.

Mais "atemporal" do que a Lindsay Lohan, por exemplo.
Mais “atemporal” do que a Lindsay Lohan, por exemplo.

Outro produto que deixou saudades foi o Johnnie Walker Green Label. O Green Label era, talvez, o mais querido whisky da linha permanente da Johnnie Walker. Ele era, provavelmente, o whisky preferido daqueles que buscavam intensidade e, ao mesmo tempo, equilíbrio, nos produtos da marca do andarilho.

Acontece que em 2012, a Diageo – detentora da marca Johnnie Walker – anunciou que retiraria aquele blended malt da maioria dos mercados internacionais, restringindo-o a Taiwan. Havia uma questão de produção.

É que blended  malts levam apenas single malts em sua fórmula. Por isso, dependem da disponibilidade dos single malts que o compõe. E à medida que o estoque daqueles whiskies torna-se escasso, a produção deve ser reduzida de acordo, até que as reservas se recomponham. No caso do Green Label, o problema se agrava, já que aqueles whiskies devem ser maturados por, no mínimo, 15 anos.

No caso do Green Label, porém, houve uma troca. Ato continuo à sua retração quase total, a Diageo lançou o Johnnie Walker Gold Label Reserve. Dessa vez, um blended whisky – não um blended malt – sem idade definida. Mas o clamor popular foi tão grande que a marca voltou atrás. Em 2015 foi lançada uma edição especial, até que, em 2016, o Green Label passou a novamente integrar o portfólio da Johnnie Walker.

Entretanto, ao contrário do Fusca, o Green Label deslizou incólume pelo toque da modernidade. Sua composição permaneceu praticamente a mesma, ainda que, talvez, a proporção tenha mudado um pouco. Ele está um pouco mais leve, e mais adocicado. Quatro single malts maturados por, no mínimo, 15 anos. Talisker (da ilha de Skye), Caol Ila (de Islay), Craggranmore e Linkwood (ambos, de Speyside). E só.

Nova e antiga garrafa
Nova e antiga garrafa

Segundo Jim Beveridge, master blender da Johnnie Walker “O desafio por trás do Green Label é criar um espectro de sabor mais amplo, utilizando apenas single malts maturados por, no mínimo, 15 anos em barricas de carvalho europeu e americano, garantindo que estes sabores realmente se complementem e trabalhem em harmonia, para criar um blend de grande complexidade e riqueza, que conserva, em seu coração, o estilo de sabores ousados da Johnnie Walker, com sua característica fumaça”.

E continua “Criar este blended malt é sobre tornar os aromas mais pronunciados e vibrantes, com uma profundidade de caráter que não seria possível apenas com um single malt”.

Outra boa notícia – e, mais uma vez, ao contrário do que ocorreu com o Fusca – é que o preço do Green Label permaneceu também praticamente inalterado. Exceto por uma natural correção monetária. Atualmente, ele custa em torno de R$ 300,00 (trezentos reais), posicionado entre o Gold Label Reserve e o Platinum Label.  Na opinião deste Cão, um posicionamento perfeito, criando mais um degrau e diminuindo um pouco o enorme vão que existia no custo entre o rótulo dourado e o prateado (leia mais sobre isso aqui).

O Johnnie Walker Green Label prescinde recomendações. Assim como o Fusca, sua fama realmente o precede. Mas, ao contrário do automóvel alemão, sua atemporalidade continua lá. Sem muitas mudanças ou grandes toques de modernidade. Simplesmente um excelente whisky.

JOHNNIE WALKER GREEN LABEL

Tipo: Blended Malt Whisky com idade definida (15 anos)

Marca: Johnnie Walker

Região: N/A

ABV: 43%

Notas de prova:

Aroma: levemente cítrico e frutado, com fumaça.

Sabor: frutado, levemente cítrico, com nozes e madeira. Elegantemente defumado.

Com água: A água reduz o sabor e aroma frutado e ressalta o final defumado.

Drops – Macallan Rare Cask

Juvenal – o poeta grego, não o jogador de futebol – escreveu em suas sátiras que “Rara é a união entre o puro e o belo“.

Provavelmente Juvenal se referia a algum conceito misógino, ou à pureza inalcançável do homem, corrompido por um mundo impuro. Não sei. Mas se não fosse um hiato temporal de alguns milênios, eu poderia apostar que Juvenal escrevera a frase na presença de uma garrafa do Macallan Rare Cask. O Rare Cask é a quase perfeita fusão entre beleza, pureza e – como o próprio nome indica – a raridade.

Nas palavras da The Macallan”muito menos do que 1% das barricas maturando na destilaria foram identificadas como capazes de receber o nome Rare Cask. Com raridade como sua essencia, este é um whisky produzido de barricas tão raras que jamais serão usadas para outro whisky da The Macallan. A combinação de barricas de carvalho americano e espanhol de ex-jerez, sendo grande parte delas de primeiro uso, dão origem a um whisky com coloração esplêndida e incontestavelmente amadeirado (…)

De acordo com a destilaria, o Rare Cask é a combinação dos whiskies maturados em algumas das melhores barricas de The Macallan. E tudo bem que “muito menos de 1%” pode ser qualquer numero entre mais de uma centena de barricas ou apenas algumas dezenas. Afinal, os armazéns da The Macallan guardam milhares delas. Mas um por cento continua sendo um corte extraordinário.

Como a maioria das expressões da The Macallan, o Rare Cask não leva corante caramelo. A coloração cobre do whisky completamente natural, e advém exclusivamente das barricas usadas em sua maturação.

Barricas na The Macallan (fonte: http://www.my-lifestyle-news.com/)

Os alambiques da Macallan são alguns dos mais baixos da indústria. Seu desenho patenteado favorece a passagem das moléculas mais pesadas pelo pescoço do destilador, resultando em um destilado bastante oleoso. Além disso, o corte do destilado da The Macallan também é bem justo. Apenas dezesseis por cento do destilado – produzido no meio do processo de destilação no alambique – vira single malt. Do restante, nove por cento (quatro e meio de cada ponta) vai para blended whiskies, como Famous Grouse. O restante, denominado cabeça e cauda, é descartado, ou utilizado em outros processos como limpeza, combustível e mesmo durante uma futura destilação.

O Cão Engarrafado já fez a prova de todas as expressões da The Macallan disponíveis no Brasil. Se quer ler mais, veja nossas provas do Macallan Ruby, Macallan Sienna e Macallan Amber. E aproveite também para saber sobre o Macallan Rare Cask Black, versão defumada do Rare Cask, aqui provado.

Para este Cão, o Macallan Rare Cask possui aroma adocicado e de especiarias, com cravo e chocolate. O sabor é persistente, e acompanha as deliciosas notas do aroma. É um whisky muito semelhante a seu irmão Macallan Sienna, mas bem mais refinado – ou melhor, sofisticado – e oleoso. Por aqui, uma ampola desta raridade sai por aproximadamente R$ 2.100,00 reais. É bastante dinheiro. Mas, afinal, ninguém aqui disse que “barata é a união entre o raro, o belo e o puro“.

MACALLAN RARE CASK

Tipo: Single Malt sem idade definida

Destilaria: Macallan

Região: Speyside

ABV: 43%

Notas de prova:

Aroma: adocicado, frutado. Canela, com um certo aroma de vinho fortificado.

Sabor: Mel, compota de frutas, passas. Final longo e oleoso com mel e pimenta do reino.

Preço: R$ 2.100,00 (aproximadamente)

Disponibilidade: a venda na Caledonia Store.

Da Improvisação – Wild Turkey 101 Rye Whiskey

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Quando eu era criança, assistia muita televisão. Via todo tipo de programa. Pra falar a verdade, via qualquer coisa que estivesse passando. Mesmo porque eu não tinha muita escolha. Com apenas umas três ou quatro opções de canais, me encontrava constantemente no dilema entre ver jornal, jardinagem ou aquele mesmo filme, reprisado pela centésima vez. Aquele, com uma turminha do barulho, vivendo altas aventuras com Patrick Swayze, Winona Ryder e  Daryl Hannah. Dublado pela VTI-Rio*.

Mas havia também aqueles programas que eu realmente gostava. Entre eles, ocupando posição de destaque, estava MacGyver.  Caso você não viva neste mundo, ou tenha nascido após o advento da televisão a cabo, eu explico. MacGyver foi uma série cujo protagonista – Angus MacGyver – era um agente secreto, interpretado por Richard Dean Anderson. Suas missões consistiam, resumidamente, em derrotar inimigos de sua pátria ou prevenir hecatombes.

Até aí, MacGyver parecia um agente secreto ordinário da ficção científica, como muitos Bonds e Bornes por aí. Só que Angus era diferente. Por ter sofrido um trauma de infância envolvendo um revólver, ele não utilizava armas. Assim, a solução de seus problemas passava, quase sempre, por preparar alguma gambiarra sinistra, normalmente criada com o auxílio de seu canivete suíço. Alguma gambiarra como um desfibrilador, utilizando dois candelabros e um microfone. Ou uma bomba relógio, empregando goma de mascar. Ou mesmo o desarmamento de um míssil com um tênis.

Segundo a Wikipedia, a habilidade quase brasileira do agente secreto de criar objetos improváveis a partir componentes toscos tornou-se tão notória que um novo termo – que eu, sinceramente, nunca havia ouvido antes – foi criado. MacGyverismo. O MacGyverismo é aquela silver tape ao redor do retrovisor. Ou aqueles clips de papel, no zíper daquela sua mochila velha. Ou até mesmo aquele coquetel, que você precisava experimentar, mas não tinha todos os ingredientes. Assim, com um pouco de criatividade e bom senso, colocou outra coisa, e ficou ótimo.

Churrasco. Estilo MacGyver.
Churrasco. Estilo MacGyver.

Aliás, quando o assunto é coquetelaria, o Brasil proporciona, até hoje, boas oportunidades para a prática do MacGyverismo. Por exemplo, não temos por aqui Lillet Blanc. Assim, preparar um Negorni Bianco ou um Vesper Martini tornam-se exercícios de criatividade dignos de agentes secretos. Outro ingrediente que simplesmente não aterrissava em nossas terras era o Rye Whiskey, essencial para o Manhattan e tantos outros drinks.

Por conta desta falta, os bartenders brasileiros são obrigados a recorrer a algum Bourbon whiskey para preparação daqueles coqueteis, como Woodford Reserve ou Maker’s Mark. Entretanto, a partir de abril deste ano, este MacGyverismo deixou de ser necessário. A Campari, detentora da marca Wild Turkey, resolveu, finalmente, trazer para nosso país um Rye Whiskey. O Wild Turkey 101.

Antes de qualquer coisa, aí vai um pouco de whiskey-geeking. A maior diferença entre rye whiskeys e bourbons é a composição de seu mosto. Enquanto bourbons devem utilizar mais do que cinquenta e um por cento de milho em seu mosto, rye whiskeys utilizam cinquenta e um por cento de centeio. O centeio traz sabor de especiarias, menta e canela para o whiskey, enquanto o milho traz dulçor. Os outros quarenta e nove são, geralmente, uma mistura entre milho, cevada e trigo. No caso do Wild Turkey 101 Rye, a proporção é de cinquenta e um por cento de centeio, trinta e sete por cento de milho e doze por cento de cevada (51-37-12).

Ainda que não carregue idade estampada em seu rótulo, o Wild Turkey Rye matura por, em média, cinco anos em barricas virgens tostadas de carvalho americano. Ainda que isto pareça pouco tempo, é importante lembrar que whiskeys americanos utilizam barricas virgens e passam sua maturação em clima quente, o que potencializa bastante a transferência dos sabores da madeira para o destilado.

Barricas na Wild Turkey
Barricas na Wild Turkey

Outra característica interessante sobre o Wild Turkey 101 Rye é que o destilado proveniente dos destiladores passa para as barricas com pouquíssima diluição. Isso faz com que o sabor do white dog (o produto da destilação, sem maturação) do whiskey fique mais evidente, mesmo depois de totalmente maturado.

O Wild Turkey 101 Rye possui graduação alcoólica de 50,5%. Apesar disso, está longe de ser um rye whiskey agressivo. Há um certo dulçor e um sabor de especiarias que contrabalança muito bem a impressão do álcool na língua. Mesmo puro, ele funciona muito bem. Mas seu grande talento é, na verdade, a coquetelaria. Se você é do tipo que gosta de coquetéis com sabores mais fortes, provavelmente adorará utilizar o 101 ao elaborar suas receitas.

Animou? Bem, há um pequeno senão. Por aqui, o Wild Turkey 101 Rye é uma ave rara, que somente pode ser vista em seu habitat natural. Ou seja, nos melhores bares especializados em coquetelaria do Brasil. Não há previsão sobre a venda do whiskey no varejo ainda.

Por enquanto, seguimos praticando o MacGyverismo.

WILD TURKEY 101 RYE WHISKEY

Tipo: Rye Whiskey

Marca: Wild Turkey

Região: N/A

ABV: 50,5%

Notas de prova:

Aroma: balinha de caramelo, manteiga, mel, baunilha.

Sabor: Caramelo, com bastante sabor de especiarias, como canela e pimenta. Final adocicado e com baunilha.

Com Água: A agua reduz um pouco a impressão da pimenta, tornando o whiskey menos picante.

*Não, este filme não existe. Não adianta tentar adivinhar.

Especial Jameson Bartenders Ball – Liffey – O Cão Engarrafado

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Este é o terceiro e último post sobre os coquetéis provados durante o Jameson Bartenders Ball Bar Crawl, que, a convite da Jameson Irish Whiskey, tivemos o prazer de participar. O primeiro foi o Barrel Cocktail, de Vinícius Gomes e o segundo, Irish Pleasure, de Jean Dall Acqua. O drink dessa semana é o Liffey, elaborado pela bartender Barbara Salles, chefe de bar do Alberta#3.

O Liffey é um coquetel cítrico e adocicado. Coincidentemente, é um contraponto perfeito com o coquetel de Dall Acqua (cítrico e com especiarias) ou o de Vinicius (seco e levemente amargo). Há um leve sabor de pimenta, mas que está longe de deixar o coquetel realmente picante. O que é bom.

Segundo Bárbara, o coquetel foi elaborado com uma combinação de ingredientes que agradasse o paladar da bartender, mas que fosse também compatível com o gosto da maioria dos brasileiros, que tendem a preferir bebidas doces. Nas palavras de Bárbara “Como a maioria dos brasileiros têm um paladar mais adocicado, pensei em um coquetel que conseguisse satisfazer a todos. O cítrico do limão siciliano ajuda a suavizar o sabor do álcool e escolhi o xarope de maracujá por seguir uma linha mais cítrica, além de bem adocicado“. E continua “O uso da pimenta confere um retrogosto mais exótico e ajuda a equilibrar todos os ingredientes

Sem mais tergiversações, aí vai a receita do Liffey, elaborado por Bárbara Salles. Como sempre, este Cão recomenda que, se tiver a oportunidade, experimente também a criação original. Afinal, nada se compara a experimentar a criação pelas mãos de sua criadora.

LIFFEY

INGREDIENTES

  • 50 ml Jameson
  • 20 ml Xarope de maracujá
  • 30Ml Infusão de limão siciliano
  • 3 gotas tabasco
  • 2 Gotas angostura
  • Zest (fatia) flambado de laranja bahia
  • Guarnição: Zest (fatia da casca) torcido com laranja bahia e limão tahiti

PREPARO:

Em uma coqueteleira, adicione todos os ingredientes líquidos. Adicione gelo e bata por uns quatro segundos. Coando, desça os ingredientes sobre uma taça de martini e decore com a fatia de laranja bahia e limão tahiti.

Drops – Bruichladdich Octomore Scottish Barley

Octomore Scottish Barley

Aí vai mais um whisky para valentes. Este é o Octomore Scottish Barley. Os Octomore são edições limitadas anuais da destilaria Bruichladdich, localizada em Islay, na Escócia. Islay é famosa por seus whiskies turfados, que possuem sabor defumado por conta do processo de secagem da cevada maltada em uma fogueira de turfa.

Mas o Scottish Barley não é um defumado qualquer. Veja bem, sua graduação alcoolica é de 57%. Como se isso não bastasse, os Octomore são os whiskies mais defumados do mundo.

É que a defumação de um whisky é medida em partes por milhão (ppm) de fenóis. Whiskies turfados, como o Johnnie Walker Double Black, por exemplo, possuem algo em torno de 30ppm. Outros mais defumados, como Ardbeg, entre 40 e 50 ppm. Já o Scottish Barley possui 167ppm. Mais do que o triplo do Ardbeg. E ainda há uma versão de Octomore que chega a 258ppm!

O álcool e a defumação extrema dão ao Octomore sabor de bacon, fumaça, pimenta do reino e iodo. Aliás, se você é fã de bacon e sempre sonhou em encontrar uma versão líquida da iguaria, pode parar de procurar. O Scottish Barley é para você.

O Cão já fez a prova de uma série de whiskies da região de Islay. Veja mais aqui