Quatro dos whiskies mais caros a venda no Brasil

Essa semana assisti um filme que há tempos queria ver. Brewster’s Millions. Brewster’s Millions é uma comédia dirigida por Walter Hill, com Richard Pryor e John Candy. De forma bem resumida, ela conta a história de um rapaz – Monty Brewster – que precisa torrar trinta milhões de dólares para herdar trezentos milhões. A tarefa, que parece fácil no começo, torna-se hercúlea. Brewster percebe que gastar tanto dinheiro é bem difícil. No final do filme, ele só consegue atingir seu objetivo ao entrar para a vida política e concorrer a prefeito de Nova Iorque. Faz sentido, realmente,  porque se tem uma coisa que não dá dinheiro, é política.

O filme é bem divertido, mas uma coisa que não consigo entender direito é a dificuldade de Monty. Torrar dinheiro é tão fácil quanto esbarrar em pornografia na internet. Basta ter um pouquinho de criatividade e uma pletora de possibilidades se abre. Tudo bem que no filme havia regras que o impediam de comprar certas coisas. Mas pense em máquinas de fazer pão, restaurante japonês a-la-carte, roupinha de cachorro da Burberry e fones de ouvido do Dr. Dre. Elevando um pouco o ticket, é até mais simples. Uma Bugatti folheada a ouro, uma cama que flutua magneticamente ou um iate com dois motores de caça supersônico Harrier.  E se o gosto for pelo mundo corporativo, invista em uma linha aérea ou de um hotel. Consigo sonhar com um sem-fim de alternativas.

Sim, o iate, a Bugatti e a cama existem.

Eu, no entanto, não torraria em nada disso. Talvez seu poder de dedução já tenha chegado naquilo que usaria para esta árdua tarefa. Whisky. O mundo do whisky fornece a incrível possibilidade de transformar centenas de milhares de dinheiros em xixi, literalmente. Mas não sem enorme satisfação e alegria. E o melhor de tudo isso é que a bebida – ao contrário de bens mais duráveis como automóveis e embarcações – acabam. Assim a necessidade de se comprar algo pornograficamente caro se renova periodicamente, evitando que você acumule muito dinheiro indesejado com esses malditos rendimentos.

Se você já é insanamente rico, este post é praticamente uma lista de compras de fim de semana para você. Acorde mais cedo no sábado, desvencilhe-se de seus lençóis com fios de ouro. Abra mão do café da manhã com Louis Roederer Crystal e coloque a 488 para funcionar.  A vida é curta e seu patrimônio só aumenta. Desaplique seu dinheiro. Cada hora passada é uma oportunidade perdida de gastar tudo aquilo que você acumulou nos últimos sessenta minutos. Exerça as opções de seu stock option e vá as compras.

Mas se sua conta bancária ainda não atingiu a obesidade mórbida, não se preocupe. Continue comigo. Aí vão cinco whiskies tão caros quanto pão de queijo em aeroporto. E o melhor – todos estão à venda em nosso país. Nada de desperdiçar dinheiro em viagens. O foco aqui são os whiskies. Sonhe um pouco. É como escreveu uma vez Oscar Wilde “qualquer um que viva dentro de suas possibilidades sofre de falta de imaginação“.

Note que esta lista não pretende enumerar os whiskies mais caros a venda em nosso país. Isso é uma tarefa quase impossível. Mas apenas apontar algumas das mais onerosas compras neste incrível universo etílico.

Johnnie Walker Odyssey

O Odyssey é até hoje é o whisky mais caro já revisto nestas infames páginas. Ele foi o o protagonista da épica viagem inaugural do John Waker & Sons Voyager, um humilde iate de cento e cinquenta e sete pés, desenhado à moda da década de vinte, pertencente à Johnnie Walker. Tudo que há no Odyssey transpira exclusividade. Seu belo decanter de cristal possui uma base arredondada, que permite que o whisky balance. A – peculiar – ideia é que a garrafa não caia com o movimento do mar. Seu estojo também possui um conjunto de roldanas que permite que a garrafa permaneça sempre na posição vertical.

Ele é composto de apenas três single malts, cujas identidades são mantidas no mais absoluto segredo. Sua idade também não é revelada. A ideia aqui não é ser o whisky mais maturado. Mas aquele que oferece a mais luxuosa experiência para seu afortunado – literalmente – apreciador. Ele é, na verdade, uma perfeita materialização do luxo que a Johnnie Walker emana. Uma garrafa deste maravilhoso blended malt scotch whisky sai pela pechincha de R$ 7.500,00 (sete mil e quinhentos reais). Pense pelo lado bom – é menos do que custa a roda de uma Lamborghini. Eu acho.

Se quiser saber mais sobre ele, veja a prova completa aqui.

Glenfiddich 26 anos – Excellence

No Brasil, é realmente difícil encontrar um single malt com preço astronômico, capaz de fazer frente aos blends super exclusivos da Johnnie Walker e Royal Salute. O mercado de single malts ainda é um nicho, e poucas empresas possuem a coragem de se aventurar nestes mares.

O Glenfiddich 26 anos é maturado em barricas de carvalho americano que antes contiveram bourbon whiskey. Segundo a destilaria, o whisky “é vibrante, com um equilíbrio entre os taninos secos, açúcar mascavo e o adocicado da baunilha. Um sabor profundo de carvalho surge gradualmente, entremeado por notas de especiarias e alcaçuz.” Assim como atrizes e críticas de cinema brasileiras, este Cão não poderia opinar. Tudo que ele fez foi tirar uma foto da garrafa e depois devolvê-la, vagarosa e cuidadosamente, para a prateleira da loja.

Esta bela espécime custa, em média, R$ 4.500,00 (quatro mil e quinhentos reais).

Royal Salute 38 anos Stone of Destiny

Royal Salute 38 Stone of Destiny

Nome brega, rótulo folheado a ouro, número três na segunda casa decimal. O Stone of Destiny cumpre com louvor todos os prerrequisitos de um clássico whisky astronomicamente caro. Seu decanter de cerâmica é feito a mão pela marca francesa Révol. A idade denota que o whisky mais jovem em sua composição passou três décadas e oito anos em barricas de carvalho. E assim como o Odyssey, sua composição é secreta.

O Stone of Destiny é um exercício de perfeição da Royal Salute. Ele é um whisky equilibradíssimo, mas, ao mesmo tempo bastante profundo. Não há qualquer sabor dissonante. É quase contraditório. Um whisky tão bem elaborado, mas tão fácil de se beber despreocupadamente. Quer dizer, despreocupadamente se você tiver alguns milhares de reais sobrando. Uma garrafa da belezinha custa R$ 3.500,00 (três mil e quinhentos reais). Isso significa que que cada dose do Stone of Destiny corresponde a mais de uma garrafa de Chivas 12. Melhor beber com mais calma.

Se quiser saber mais, veja a prova dele aqui.

The Macallan Rare Cask

Perto dos demais da lista, o Rare Cask – com seu preço de quatro dígitos com um número dois à esquerda – parece até uma pechincha. Mas convenhamos, uma lista de whiskies caros sem um The Macallan perde toda a credibilidade. A destilaria é sinônimo de exclusividade no mundo dos single malts.

Nas palavras da The Macallan”muito menos do que 1% das barricas maturando na destilaria foram identificadas como capazes de receber o nome Rare Cask. Com raridade como sua essencia, este é um whisky produzido de barricas tão raras que jamais serão usadas para outro whisky da The Macallan. A combinação de barricas de carvalho americano e espanhol de ex-jerez, sendo grande parte delas de primeiro uso, dão origem a um whisky com coloração esplêndida e incontestavelmente amadeirado (…)

O Rare Cask custa em torno de R$ 2.200,00 (dois mil e duzentos reais). Se quiser saber mais sobre esta maravilha, clique aqui.

 

 

16 thoughts on “Quatro dos whiskies mais caros a venda no Brasil

  1. Em uma loja no shopping Iguatemi em Campinas, tem uma coleção de Blue label com 5 exemplares raros se não estou enganado, está avaliado em 25 ou 50mil nao me lembro ao certo

  2. Olá, fiquei curioso com a manchete e vim fuçar. Rsrs
    No exato momento uma ação da DIAGEO está vendendo o magnífico The John Walker por $16.500,00, e o Odyssey nessa mesma ação sai em torno de $6.900,00. Ação essa de dia dos pais no shopping Iguatemi.

    1. Sim sr., sabemos. A Johnnie Walker é campeã de whiskies caros aqui no Brasil. Há também um Johnnie Walker Blue Label 1805 Celebration que custa quase 90 mil reais a venda em alguma loja por aí. Por isso mesmo que a gente colocou “alguns dos whiskies mais caros” e não “os mais caros”. Senão ia dar só Johnnie! rs

  3. Interessante, e realmente dá vontade de provar.
    Mas a impressão que tenho é que há mesmo todo o glamour e exclusividade, mas que mesmo assim não são whiskies tão bons assim. Me explico: num ranking dos, sei lá, 10 (ou mesmo 20) melhores whiskies, algum dos quatro estaria presente?

    Abraços

    1. This is classified information, João….rs. Mas concordo com você em um negócio. Quando voce pergunta para alguém qual o whisky preferido, ela nunca diz um whisky caríssimo. É sempre algo bom, mas com preço razoável. E aliás, é raro também que seja alguma edição limitada.

    1. Hahahha Mateus, é meu xodó também. Dá para comprar no site da master of malt e da Glencairn. Acho que está umas 20GBP, não é uma pechincha, mas bem comprável.

  4. Como vai, mestre?
    Whisks interessantíssimos, sem dúvidas, mas por enquanto fica só na apreciação teórica hahaha.
    Abraço!

    1. Sim, Paulo. Sabemos. Assim como um Johnnie Walker Blue Label 1805 Celebration que custa quase 90 mil reais. Por isso coloquei o título da matéria como “alguns DOS whiskies”, com “dos” e não “os whiskies mais caros”… e incluí a frase “Note que esta lista não pretende enumerar os whiskies mais caros a venda em nosso país. Isso é uma tarefa quase impossível. Mas apenas apontar algumas das mais onerosas compras neste incrível universo etílico.” hehe! 🙂

  5. Boa noite, Cão! Belo texto, como sempre!
    Já peço desculpas pela pergunta (bem) fora de contexto com o post, mas vamos la! rs
    Há um limite de tempo para beber um whisky aberto? Faço a pergunta pq achei uma garrafa de Glenfiddich Pure Malt na casa do meu pai que deve estar aberta há pelo menos uns 15 anos. Nós tomamos e aparentemente está bom, mas não entendo quase nada! Hehe

    1. Paulo, essa é uma pergunta bem debatida. Olha, vou te responder brevemente o que eu acho, e aí depois vou fazer um texto melhor sobre isso. Que, aliás, é uma bela ideia. Obrigado! rs

      O whisky muda depois de aberto. Muda um pouco, porque o álcool evapora, e alguns componentes mais voláteis – até onde pude perceber empiricamente – também. Whiskies mais delicados não aguentam muito tempo abertos sem alterações de sabor, como é o caso dos Glen Grant, Chivas, Buchanan’s etc. Porém, isso não significa que ele piorou, necessariamente. Mas apenas que mudou, evoluiu um pouco na garrafa. Seria o correspondente a deixar um vinho decantar por algumas horas. Esse “muito tempo”, porém, é bem relativo. Ao longo dos primeiros 6 meses aberto (garrafa pela metade, veja bem) foi quando senti mais evolução. Depois estaciona um pouco. Mas para estragar mesmo – quer dizer, oxidar – demora muito, muito tempo. Anos. Tenho um Chivas 12 da década de 80 que está absolutamente oxidado, mas mesmo assim, se você colocar gelo, é provável que demore a perceber.

      A velocidade da oxidação e “mudança” dependerá do volume restante na garrafa, também. Quanto mais ar em contato com o líquido (ou seja, quanto menos líquido) mais rápido o whisky se alterará.

  6. Olá Maurício.
    Eis-me aqui novamente bisbilhotando suas matérias. Saudades!
    Parabéns pela excelente postagem das edições “veja com os olhos e beba com a testa” rsrs. Os The Macallan fazem jus à sua qualidade e ao alto valor em praticamente todos os seus rótulos (se bem que vemos poucos deles aqui no Brasil). Eu particularmente possuo um The Macallan Sherry Oak 1995 em minha coleção e não o degustei ainda. O Stone of Destiny é mais popular na terra canarinha e, ao meu ver merecia uma posição de destaque ao estilo Drinks’ Majesty. Grande abraço.

    1. Edmilson, concordo! Na verdade, se fosse colocar só os mais caros – os mais caros mesmo – ia dar só Johnnie Walker. Nosso mercado ainda é um mercado de blends! Tem que ter muita coragem para inserir um SM com mais de 1k de preço por aqui!

      Esse sherry oak é precioso! Guarde para um momento especial. Ou não, abra logo, beba e transforme qualquer momento em um especial. rs

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