Teacher’s 12 Golden Thistle – Refinamento Áureo

Esses dias fui almoçar em um restaurante novo que abriu aqui perto de casa. Tudo muito bonito, bem diferente daquele que lá funcionara antes dele. Cadeiras de latão, lâmpadas de filamento carbono, mesas de madeira de demolição. Olhei o menu. Comida orgânica, café fairtrade, cerveja artesanal. Pratos com ruibarbo e sobremesa com regaliz.

Um rapaz se aproximou da minha mesa e estendeu a mão. Contemplei aquele indivíduo que ostentava um curioso bigode a la Dali e uns mullets que poderiam fácil ter sido usados pelo Mel Gibson na década de oitenta. Camisa xadrez, suspensório, all-star. Levei uns bons trinta segundos observando aquela figura até perceber que ele era o mesmo dono do restaurante antigo, só que fantasiado. Não sei do quê. Apertei sua mão.

Contratamos um consultor. Ele disse que a gente devia mudar para alcançar outra faixa do mercado. E vou te falar que tá indo bem. Vai ter um parklet lá fora com cobertura, e a gente vai prender as bicicletas no teto. Acenei com a cabeça. Tá tudo mudando mesmo. Mas escuta, e preço? Bom, o preço mudou também. Mas como disse lá o pessoal do Porta dos Fundos, agora o que se vende é a experiência. O menu vai ser sazonal. Quando todo mundo já souber o que gosta, a gente muda. É para ser cool antes de ser cool, entendeu?

Acho que…

…não, não entendi. Mas não importa, porque na mesma semana recebi de um amigo um lançamento que me deixou bem curioso. O Teacher’s 12 Golden Thistle. Recém chegado ao Brasil, o Golden Thistle possui a mesma genética de nosso velho conhecido Teacher’s Highland Cream, mas bem mais sofisticado. A começar pela declaração de idade – 12 anos. E pela maturação, que ocorre me barricas de single malt defumado, os Laphroaig.

O paralelo era quase inescapável. A garrafa do Golden Thistle se sentiria tão à vontade no novo restaurante quanto o clássico Cream se sentiria no antigo estabelecimento. A ampola remonta a um frasco de remédio de um apotecário clássico. O rótulo duplo dourado, com alto relevo e plastificado, tem pouca relação com a (quase) folha A4 grudada no Teacher’s tradicional. Um visual que não deve nada aos melhores blends premium do mercado.

O sabor remonta, de longe, o Teacher’s Highland Cream. Porém, o whisky é menos agressivo e mais bem acabado. Há um certo sabor adocicado de laranja lima. O final é médio e quase imperceptivelmente enfumaçado. Segundo a marca, sua base é o single malt Ardmore, proveniente das highlands e indiscutivelmente defumado. Este Cão, porém, suspeita que a receita original do Teacher’s foi modificada para esta expressão, e que uma boa dose de Auchentoshan – também pertencente à Beam Suntory – foi utilizada.

Acontece que o Teacher’s 12 Golden Thistle é bem menos defumado que seu irmão mais novo. O que não deixa de ser uma quebra de expectativa, ainda que talvez positivamente surpreendente. Considerando seu DNA e a anunciada finalização em barricas de Laphroaig, esperava encontrar algo tão enfumaçado quanto um Bowmore ou, talvez, um Johnnie Walker Double Black. Mas não é o que acontece. O Golden Thistle é um whisky bem mais contido, civilizado e amável que seu irmãozinho caçula. É o irmão mais velho responsável.

O Teacher’s tem uma reputação a velar por aqui. É – por uma larga margem de diferença – o whisky mais consumido no Brasil. São oitenta e quatro milhões de doses consumidas por ano. Pernambuco é o estado que mais bebe o rótulo. Por lá, uma em cada duas garrafas vendidas é dele. Introduzir um whisky como o Golden Thistle neste cenário é uma bela responsabilidade – ao mesmo tempo que se deve agradar à enorme legião de convertidos, é preciso também converter novos correlegionários. Responsabilidade, esta, que foi cumprida com sucesso, na opinião deste canídeo.

O Teacher’s 12 em seu evento de lançamento. Será que essa planta do lado é ruibarbo? (foto: Charles Johnson)

Aliás, o primeiro mercado a receber o Golden Thistle foi, justamente, o Brasil. Mais especificamente, os estados de Pernambuco, Paraíba, Ceará, Rio Grande do Norte e Alagoas. Depois, o whisky também será comercializado na Índia – outro país que é apaixonado pelo velho professor. Walter Celli, presidente da Beam Suntory Brasil comentou sobre o whisky em seu evento de lançamento, que aconteceu em Recife sob a batuta de Cesar Adames: “Nosso 12yo vem para somar ao portfólio de Teacher`s, o whisky mais vendido do Brasil, fortalecendo ainda mais nossa liderança e ampliando as possibilidades de mercado, com a entrada para o segmento super premium”. 

Por aqui, o Teacher’s tem preço médio de R$ 99,00 (noventa e nove reais). É um preço que o coloca em combate direto com concorrentes de peso, como o Famous Grouse Finest, Grant’s Family Reserve, Whyte & Mackay Special e o todo poderoso Johnnie Walker Red Label. Não é uma briga fácil. Mas é uma também que o Teacher’s 12 Golden Thistle está totalmente pronto para enfrentar. Ele não deve nada a qualquer um deles.

Se você é um apaixonado pelo Teacher’s Highland Cream e está pronto para dar um passo de sofisticação, ou se gosta de whisky e não consegue ver um lançamento sem experimentar, procure o Golden Thistle. Não importa se você usa coque, alargadores na orelha, camisa xadrez e bigodes sofisticados. Ou se aprecia um menu com itens que ninguém sabe bem o que são. Experimente o Teacher’s 12 Golden Thistle. Mesmo que ele já seja cool.

TEACHER’S 12 GOLDEN THISTLE

Tipo: Blended Whisky com idade definida – 12 anos

Marca: Teacher’s

Região: N/A

ABV: 40%

Notas de prova:

Aroma: mel, frutas vermelhas, sucrilhos (sério, o cereal matinal mesmo).

Sabor: frutas vermelhas, mais cereais matinais, um certo apimentado suave. Final curto e muito levemente enfumaçado. Corpo leve.

 Preço: em torno de R$ 99,00 (noventa e nove reais)

 

5 thoughts on “Teacher’s 12 Golden Thistle – Refinamento Áureo

  1. Ola, amigo cão, eu vi a algum tempo esse whisky sendo comentado nos grupos, a garrafa me chamou atenção mas como não gosto muito do teacher’s acabei nao comprando, mas quem sabe darei uma chance a ele logo mais…
    Para não perder a deixa desse comentário, gostaria de saber se ja provou algum whisky da Tomatin. Ele aparece aqui no Brasil volta e meia, pelo menos o 12, o casck stregth e o legacy aparecem.
    Eu ja provei deles mas ainda nao vi nenhuma análise, se puder fazer posteriormente ficaria grato em ter uma segunda opinião.

    1. Victor, Tomatins são whiskies honestos. Não são incríveis, mas tem cada vez mais apresentado expressões melhores. O Cask Strength é ótimo. Apenas tome cuidado onde comprar. Sei que há estas expressões no Mercado Livre, mas há bastante falsificação também. Não vá pelo preço mais barato, e procure um vendedor de confiança, se não tiver outro jeito.

      Meu preferido deles é o Tomatin 18, seguido de perto pelo Cask Strength!

  2. Aprendi a beber o Teatcher’s há muitos anos com meu Padrinho , que era Barman desde a época da segunda guerra. Espero ansioso este lançamento…. Não aprecio os ” cortado e engarrafado” fora da Escócia.

  3. Como vai, mestre?
    Anunciar que um whisky sofre maturação em barricas de Laphroaig deveria significar alta influência da defumação. O que não seria nada mal hahaha.
    Grande abraço!

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