Drops – Teeling Single Malt Irish Whiskey

Recentemente apresentei por aqui o Corsair Triple Smoke. Um single malt whisky produzido bem longe do frio escocês. No estado do Kentucky, nos Estados Unidos. Agora é a vez de outro single malt concebido em terras estrangeiras. Mais especificamente, a Irlanda. País de James Joyce, Oscar Wilde, Samuel Beckett e – porque não Colin Farrel e Liam Neeson. E, assim como este último, capaz de destruir combatentes de peso. Prova disso é sua nomeação como melhor single malt irlandês, na recente World Whisky Awards de 2017. O Teeling Single Malt é um animal recessivo em seu país de origem. Elaborado exclusivamente de cevada maltada, destilado somente em alambiques de cobre e engarrafado sem filtragem a frio, a 46% – uma graduação relativamente alta para um irish whiskey. Até mesmo na maturação o Teeling Single Malt é pouco convencional. Seu amadurecimento ocorre em barricas antes usadas por bourbon whiskey. Porém, antes de ser engarrafado, o whiskey é finalizado em uma incrível variedade de barris. Fazem parte de seu processo de finalização barricas usadas anteriormente por vinhos do Porto, Madeira, Borgonhês e cabernet sauvignon. Longe de ser o resultado de uma aposta, ou uma marca pouco reconhecida buscando destaque por meio de inovações […]

Macallan Fine Oak 12 anos

O tempo é implacável com certas coisas, mas generoso com outras. Uma vez abordei este assunto, ao falar sobre atemporalidade, a Katy Perry e Like a Virgin. Mas dessa vez, não regressarei nem uma década. Vamos falar de 2012. Em 2012 a música que emplacou a primeira posição da Billboard foi Somebody I used to Know (Em uma tradução literal, e ironicamente na minha opinião, Alguém que eu Costumava Conhecer), de um cara chamado Gotye, com participação ilustre de uma tal de Kimbra. Temos que reconhecer que o acaso tem seu próprio senso de humor. Porque passados cinco anos, o título da canção tornou-se quase uma piada pronta. Depois desse sucesso estrondoso, nunca mais ouvi falar deles. Nem em noticiário de desgraça. Também naquele ano a rainha Elizabeth II celebrou o Jubileu de Diamante de seu reinado. Não poderia afirmar que o tempo tratou bem dela – isso seria ir muito longe.  Mas convenhamos, apesar do intervalo de cinco anos, ela hoje não parece nem um dia mais velha. Talvez porque ela já aparentasse a idade naquela época, ou talvez porque ela seja uma versão feminina e monarca do Highlander. Outra coisa que aconteceu em 2012 foi a saída dos single malts da série Fine Oak […]

Drops – Corsair Triple Smoke American Single Malt – Single Malts do Mundo

Você sabia que os Estados Unidos também produz single malt? E há destilarias espalhadas por quase todo o território americano. Exemplos são a Swift (Texas), Westland (Washington), Colkegan (Santa Fé – Novo México) e a Corsair (Kentucky), que produz esta curiosa garrafa da foto. O Corsair Triple Smoke. A destilaria Corsair, aliás, tem uma história bem interessante. É que ela foi quase uma obra do acaso. Seus fundadores, Andrew Webber e Darek Bell começaram produzindo cerveja artesanal. Depois, resolveram desbravar novos territórios, e tentaram criar um novo processo para produzir biodiesel. Porém, por mais que tentassem, os experimentos davam sempre errado. Andrew então, cansado, disse a Darek que produzir biodiesel era muito difícil, e que whiskey seria bem mais fácil. E alguns anos e uma academia de destilação da Bruichladdich depois, a Corsair possui sete produtos diferentes em seu portfólio permanente, e mais de dezenove edições experimentais, limitadas ou anuais. Há destilados para todos os gostos – whiskeys, gins, genevers e coisas meio difíceis de definir, como o Grainiac, um whisky destilado de milho, cevada, centeio, trigo, quinoa, triticale, trigo sarraceno, aveia e um grão que este Cão nunca nem tinha ouvido falar – Espelta. A Corsair tornou-se famosa por desafiar […]

Drops – Ardbeg Corryvreckan – O Cão Engarrafado

Esta não é uma prova. Nem um drops, para ser sincero. É um relato. É que meu primeiro encontro com o Ardbeg Corryvreckan não foi meu. Pois é. Eu estava lá apenas de figurante. Um coadjuvante em uma curiosa cena que havia pouquíssimas vezes tido o prazer de presenciar. Na verdade, a protagonista foi a querida Cã, durante um jantar de nossa viagem à Escócia há alguns anos. Estávamos há algumas quadras do hotel em um restaurante que tínhamos – por muita sorte – conseguido uma mesa. Um daqueles lugares concorridos, que você precisa usar a lanterna do celular para ler o cardápio, e que serve pequenas porções de coisas com ruibarbo e espuma. Mas estávamos animados e com fome. E eu ansioso para provar algum whisky que não conhecia. Afinal, estava na Escócia. Havia uma considerável carta de single malts. Decidi que escolheria algo ao mesmo tempo familiar e estranho. Uma destilaria conhecida por mim, mas uma expressão diferente. Fui pela graduação alcoolica. O Ardbeg Corryvreckan, com 57,1%. Quando a taça chegou, mesmo antes de experimentar, notei o olhar interessado da Cã. Que cheiro bom, o que é? É um Ardbeg forte. Deixa eu provar – pausa, gole – nossa, você precisa […]

Drops – Craigellachie 13 anos

Você desvia de escadas na rua? Anda por aí como um chaveiro, com olho grego, pimenta e pé de coelho pendurados no pescoço ou na bolsa? Coloca o sal na mesa para a outra pessoa pegar, e, se porventura o saleiro cai, rapidamente joga um pouco para trás, por cima do ombro? E paraskevidekatriaphobia, você tem? Se você não entendeu essa última, eu explico. Paraskevidekatriaphobia é o medo de sexta-feira treze. A palavra foi criada por um psicoterapeuta norte-americano, o Dr. Donald Dossey, e é formada por três elementos – “paraskevi”, “dekatria” e “phobia”, que em grego significam, respectivamente “sexta-feira”, “treze” e “medo”. E como você já deve ter adivinhado pela explicação etimológica, define o medo da sexta-feira treze. Segundo ele, de uma forma bem humorada, quem conseguisse pronunciar a palavra estaria magicamente curado daquela fobia. O Cão Engarrafado, no entanto, tem outra cura. Uma que não exige qualquer habilidade léxica e que também envolve o amaldiçoado número. Tomar uma dose do Craigellachie 13 anos, à venda nos Duty Frees dos aeroportos brasileiros, no embarque e desembarque de voos internacionais. O Craigellachie 13 anos é a espinha dorsal dos single malts da destilaria Craigellachie, localizada em Speyside, e pertencente à Bacardi. Junto dos demais single malts […]

Luxo Portátil – The Trunk by The Macallan

O pôr do sol projetado em feixes, atravessando as diminutas janelas de um enorme hangar. Em seu interior, jatos executivos, helicópteros e automóveis de luxo, dividindo espaço com elegantes homens de terno. No porta-malas de um esportivo, uma belíssima caixa de couro, contendo três garrafas de single malt The Macallan e um curioso aparato cor de cobre. Pode parecer o prólogo de algum filme de James Bond. Se fosse, no entanto, os homens estariam armados. Aquela curiosa peça de metal maciço provavelmente seria uma ogiva nuclear, pronta para aniquilar a cidade. E todos estariam tensos, aguardando a chegada do agente menos secreto do mundo. Mas lá não havia nenhuma tensão. Aliás, muito pelo contrário. Todos pareciam relaxados, e conversavam animadamente com copos de whisky na mão. Porque aquilo não era um filme de espião. Era o Hangar Passaro Azul em Congonhas. Foi lá que aconteceu o lançamento de um exclusivíssimo kit da The Macallan na última quarta-feira, dia 22 de fevereiro. O The Trunk, um baú de madeira produzido artesanalmente, revestido de couro nobre e alcântara em seu interior. Interior, aliás, recheado de maravilhas. O The Trunk contém um Ice Ball Maker – uma peça metálica capaz de moldar os famosos gelos esféricos, perfeitos para gelar a bebida, […]

Drops – Tobermory 10 Anos

Você gosta de mergulho? E águias? E por que não rali automotivo? Se respondeu sim para as três perguntas, seu lugar no mundo existe. É que essas coisas que aparentemente têm pouca relação são as principais atrações da ilha de Mull, na Escócia. Mull é a segunda maior porção de terra das hébridas interiores – um arquipélago a oeste da parte continental da Escócia – com mais de oitocentos e oitenta quilômetros quadrados de, bem, absolutamente nada. Apesar da extensão territorial, a ilha possui apenas três mil habitantes. Mas além de automóveis off-road, aves de rapina e recifes de coral, Mull também possui uma atração para os amantes de whisky. É a destilaria Tobermory, localizada no vilarejo homônimo, o maior da ilha. A destilaria Tobermory produz duas linhas diferentes de whisky. A primeira, com o mesmo nome da destilaria, é composta de whiskies pouco turfados, com notas cítricas e de especiarias. A outra, Ledaig, é defumada, com sabor de iodo e fumaça. E a espinha dorsal da primeira – Tobermory – é justamente o whisky da foto. O Tobermory 10 anos. O Tobermory 10 é cítrico e levemente defumado. Sua defumação, no entanto, não vem da queima da turfa, mas […]

Drops – Glen Scotia Victoriana

A era vitoriana foi bem esquisita. As pessoas possuíam uma pletora de hábitos estranhos. Por exemplo, como não existia televisão, Netflix, internet, smartphones e toda essa parafernália que nos auxilia a evitar o desagradável contato humano diário, os vitorianos tinham que recorrer a formas alternativas de diversão. Um costume bem comum era o de se fantasiar e posar para os outros. Pode parecer tranquilo, mas você gostaria de ver seu sogro vestido de odalisca? Bom, eu não. Outros hábitos estranhos incluíam fotografar os mortos como se estivessem vivos, correr atrás dos adolescentes até que eles estivessem cansados demais para se masturbar (é sério isso!) e comer cérebro de tartaruga. Credo, que nojo. Apesar dos costumes curiosos, a era vitoriana teve uma  prolífica produção cultural – com escritores como Oscar Wilde e Charles Dickens – e uma inegável evolução econômica e científica. Foi durante aquele período que inventaram coisas como a lâmpada, o telefone, pneus de borracha e a máquina de escrever. O petróleo e seus derivados também passaram a ser mais amplamente utilizados. Mas a maior contribuição da era vitoriana foi, sem dúvida, o whisky. Não é que o whisky foi inventado naquele período, não, claro que não. Ele foi criado muito antes disto. […]

Drops – The Macallan Rare Cask Black

Se você acompanha o Cão Engarrafado, deve ter notado que tenho um certo fraco por whiskies defumados. Aliás, não apenas whiskies. Tudo. Adoro bacon, sou fanático por salmão e hadoque defumado, e um contumaz consumidor de quantidades copiosas de molho barbecue. Nada é tão bom que não possa ficar melhor com um pouco de fumaça. Dentro do infinito rol de coisas que hipoteticamente poderiam ficar melhores com fumaça, estava The Macallan. Eu imaginava, em silêncio, como seria um whisky defumado produzido pela destilaria conhecida como o Rolls-Royce, o Stenway & Sons do single malt. Um dos mais renomados whiskies da Escócia em sua clássica versão puxada para o jerez, mas com um toque de fumaça. Assim, imaginem minha ansiedade quando soube que ela havia finalmente lançado uma versão defumada de seu single malt. O Macallan Rare Cask Black. Aquele desejo jamais proferido por mim havia se tornado real. Por sorte – ou talvez destino – a expressão aterrissou nas lojas de Duty Free no embarque e desembarque de voos internacionais, em nossos aeroportos. Assim, não demorou muito para que eu tivesse a chance de prová-lo, e pudesse novamente dormir sossegado e recobrar a paz de espírito. Segundo a The Macallan, o Rare Cask Black é um […]

Sobre Prodígios – Talisker 10 anos

Envelhecer é algo curioso. A tendência é que ficamos menos dispostos. As coisas passam a não funcionar tão bem quanto funcionavam antes. Temos dores improváveis em locais quem nem sabíamos que existiam, e tudo vai se tornando progressivamente mais amargo. Inclusive nosso gosto. As manias se agravam e a boa vontade diminui. Tornamo-nos mais metódicos, cerimoniosos e nostálgicos. Mesmo quando não temos nenhum motivo para sentir nostalgia. O tempo tende a atenuar as dores e potencializar os momentos alegres do passado. O que, ainda que assim o pareça, não é necessariamente bom. A idade, na verdade, não nos torna piores, mas nos faz mais complexos. E nisso, seres humanos e whiskies costumam se assemelhar bastante. Só que, para a maioria de nós, o avançar da idade é temeroso. Já no caso da melhor bebida do mundo, ele costuma ser às vezes até mesmo supervalorizado. Temos a falsa impressão de que o whisky mais amadurecido é necessariamente melhor. E que, numa situação em que há dois produtos de idades diferentes e preço semelhante, o jovem deve ser preterido em favor do mais maturado. Acontece que, dentro desta lógica pouco razoável, acabamos negligenciando os prodígios. Prodígios como o Talisker 10 anos, que […]