O Cãoboy – Jack Daniel’s Single Barrel

Jack Single Barrel

Chuck Norris é uma lenda. Já ouvi que uma vez, Chuck Norris levou uma facada no olho. A faca ficou cega. Dizem, inclusive, que o coração de Chuck Norris não bate, porque ninguém bate em Chuck Norris. E também que uma vez ele foi picado por uma cascavel e, após quatro dias de dor lancinante e agonia, a cobra morreu.

Chuck Norris está para as pessoas assim como Jack Daniel’s está para os whisk(e)ys. Diversos mitos envolvem o famoso destilado. Por exemplo, o significado do número sete no Jack Daniel’s Old No. 7. Dizem que sete era o número da sorte do Sr. Jack Daniel. Outra explicação é que, após algumas tentativas de produzir o whiskey, o que mais lhe agradou foi a amostra de número sete. Existe também a lenda – um tanto misógina – de que o Sr. Jack tinha várias namoradas, e a número sete era sua preferida.

Seja como for, hoje em dia, o Jack Daniel’s Old No. 7 é o rótulo individual de whisk(e)y mais vendido no mundo. A marca possui um séquito de fãs que só pode ser comparado ao da Harley Davidson. Só que você não precisa usar barba e jaqueta de couro. E o whiskey é bem mais barato do que uma chopper.

Dizem que Chuck Norris pilota uma Harley Davidson da Jack Daniel’s.
Dizem que Chuck Norris pilota uma Harley Davidson da Jack Daniel’s.

Atualmente, a Jack Daniel’s possui quatro rótulos diferentes em seu portfólio permanente:  Gentleman Jack, Jack Daniel’s Tennessee Honey, Jack Daniel’s Single Barrel e, claro, o clássico Jack Daniel’s Old No. 7. Além destes, a destilaria costuma lançar edições especiais, como o Unaged Rye, Silver Select, Sinatra’s Select, entre outros. Dentro do portfólio permanente, o mais interessante deles é, por uma boa margem de vantagem, o Jack Daniel’s Single Barrel.

O Jack Daniel’s Single Barrel passa pelo mesmo processo de fabricação dos demais rótulos da marca. Seu mosto é uma mistura de principalmente milho, um pouco de centeio e de cevada maltada, que, depois da fermentação, é destilado em destiladores de cobre. Após este processo, o produto passa por um filtro de carvão vegetal (maple tree) de três metros de profundidade. Isso é conhecido por lá como “charcoal mellowing”. Segundo a Jack Daniel’s, o processo filtra as impurezas e reduz o sabor dos grãos.

Por fim, o destilado é armazenado em barris de carvalho americano. Ao contrário do que ocorre com o whisky escocês, estes barris jamais foram usados para envelhecer qualquer tipo de bebida. Já o tempo de maturação é relativo. Conforme a Jack Daniel’s, cada barril possui seu próprio tempo para maturar o whiskey em seu interior. Assim, não é possível medir maturação em anos, meses ou dias. O que vale é o sabor do produto final.

Eu já ouvi essa história por aqui antes… Foi com o Macallan Ruby, talvez?

É depois da maturação que vem a diferença entre o Single Barrel e os demais Jack Daniel’s. Como você já deve ter presumido ao ler o nome, Single Barrel significa que cada garrafa vem de um único barril. De acordo com a destilaria, isso faz com que garrafas que sejam provenientes de barris diferentes tenham características levemente distintas, herdadas de seu respectivo barril. A Jack Daniel’s reserva apenas os melhores barris para receberem o rótulo de Jack Daniel’s Single Barrrel – em média, apenas um entre cem barris é escolhido. Além disso, o Single Barrel é diluído somente até atingir 46% de graduação alcoólica, 6% a mais do que o Jack Daniel’s tradicional.

O resultado final é quase um roundhouse kick do mundo etílico. Um produto muito mais complexo do que o famoso Old No. 7. Todos os aromas e sabores da versão clássica estão lá, mas o Single Barrel tem um final mais longo, e um leve aroma de caramelo queimado que combina perfeitamente com o sabor de baunilha emprestado pelos barris virgens.

Jack Daniel’s Single Barrel versão humana
Jack Daniel’s Single Barrel versão humana

O preço também é um pouco mais complexo. Uma garrafa do Single Barrel sai, em média, por R$ 250,00 (duzentos e cinquenta reais), quase o dobro de um Jack Daniel’s Old No. 7. Para este cão, que gosta de tomar sua bebida pura, o investimento compensa. Mas se a ideia for misturar – exceto no caso de um Old Fashioned, talvez? – um Jim Beam ou Wild Turkey já funcionam.

JACK DANIEL’S SINGLE BARREL

Tipo: Tennessee Whiskey

Destilaria: Jack Daniel’s

ABV: 47%

Notas de Prova:

Aroma: aroma de caramelo e amêndoas. Levemente apimentado.

Sabor: Mais amargo do que o Jack Daniel’s Old no.7, e mais picante. Sabores de caramelo e baunilha. Leve sabor de madeira queimada. Final longo com bastante baunilha.

Com água: Adicionando um pouco de água, o Single Barrel fica menos picante e ainda menos doce. O sabor da baunilha, no entanto, é ressaltado, e o final fica mais curto.

Preço médio: R$ 250,00

12 thoughts on “O Cãoboy – Jack Daniel’s Single Barrel

  1. Cão, essa resenha me levou a um questionamento pertinente.

    ES, capital, solstício de inverno do vigésimo oitavo dia do longo agosto de dois mil e dezessete (já não me importam mais os anos..levo um trimestre, anualmente, para acertar o ano corrente.. enfim..)

    Busco sempre o acalento do jack em minhas ébrias madrugadas. Eis que, numa casa noturna onde moças trocam sua companhia por algum dinheiro, peço o de costume e, após alguns minutos (duas cantadas e um namoro ao pé do ouvido numa loira, para quem gosta de tempo exato!), o garçom torna-me com uma garrafa que aparentava estar guardada fazia tempos ali (um misto de poeira [tentaram limpar..mas fora feito sem muito esmero] com suor de mãos [como se a garrafa chegasse no tupiniquim por mão-em-mão, do Tennessee]. O velho sete, mas põe velho nisso! E, digo com absoluta certeza, tomei um tiro de pimenta no primeiro trago!!!!!!!! Inquieto e desconfiado, fui bebendo..pimenta..predominante, mas o caramelo era o final…como descrito pelo colega!…as horas foram passando.. E com a bela dona mostrando-me seu rosto (amanhecendo), pude, ao sair, indagar o barman se ele teria mais alguma dessa (garrafa)..e fui interrompido pelo próprio garçom que me trouxe o elixir bukowskiano: “essa era a única, chefe”…
    Algum tempo depois, ele acabou..mas, feito algumas cãs em minha vida, a memória sempre retorna.. o gosto..o acalanto.. Enfim.. E hoje, após meia hora de ócio numa rede social, me deparei com um vídeo em que um cão degustava um JD Sinatra..e me levou a busca no Google e, por tabela, parei aqui.
    Todo esse preâmbulo feito, pergunto: teria eu tomado um potencial Single envasado como velho 7?!..seria possível?!
    Ainda não experimentei o Single por pura falta de vontade: o velho 7 me ganhou absurdamente faz anos atrás, numa festa da faculdade e, desde então, nunca mais quis beber outro uísque. Sim, estou a mais tempo com o Old7 que com qualquer cã que passou em minha vida. Praticamente um monogâmico (OK, uma escapolida aqui e acolá… Afinal, a vida me sorri as vezes [monetariamente falando..]).
    Ademais é isso. Saudações.

    1. Hahahaha, Rafael Zeni, a resenha foi fantástica!

      Meu caro, acho difícil que tenha tomado um Single Barrel envasado como Old No.7. O que pode ter acontecido é que esse velho sete foi recentemente aberto, e se mostrava mais “pungente”. Ou seu paladar estava mais inclinado para o lado apimentado – note o duplo sentido aqui – da vida naquela noite. Tenho uma experiência semelhante com um single malt chamado Longmorn. Quando experimentei o Longmorn pela primeira vez, na casa de um amigo, achei bem adocicado, meio seco e, por que não dizer, sem graça. Coloquei ele lá, em meu banquinho de memórias que possivelmente não se repetiriam.

      Anos mais tarde, eis que me surge novamente a oportunidade de experimentá-lo. E dessa vez, estava bem diferente. Um pouco iodado, bem puxado para frutas vermelhas, com final seco excelente. Não era nada do que eu lembrava. Fiz as pazes com o whisky, e agora temo experimentá-lo novamente e a impressão não se repetir. Essas coisas dependem de muitos outros fatores que não os objetivos. Mas acho que parte da graça está aí, né?

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