Como Curar sua Ressaca – Whisky Bloody Mary
A medida que vamos nos aproximando das festividades de final de ano, o mundo é acometido por uma estranha e inexplicável sensação de amor ao próximo. Mesmo que o próximo esteja bem longe de ser próximo. Provas disso são aqueles seus conhecidos, que você achou que haviam morrido, sido presos ou emigrado para algum lugar primitivo – afinal, você não tinha notícias deles há mais de dez meses – mas que, magicamente, reaparecem no final do ano. Reaparecem geralmente tentando combinar algum evento. E, normalmente, algum evento que envolve álcool.
Porque a verdade é que o álcool é um excelente lubrificante social. O álcool simplesmente vaporiza aquele momento meio constrangedor, quando o assunto acaba. E, se consumido de forma relativamente prudente, torna-se ferramenta essencial para sobreviver às inconvenientes festividades de final de ano.
Entretanto, o problema chave aí é a prudência. Porque ninguém está isento de cometer um erro e exagerar. E, com o exagero, vem a ressaca. Tanto a moral quanto a física. Contra a primeira, não há muito a fazer. Se você ficou nu, dançou sobre a mesa ou dormiu no chão, o melhor que tem a fazer é tentar esquecer, e não mencionar o assunto. Nunca. Nunca mais.

Já a ressaca física é remediável. Ela é cientificamente conhecida como veisalgia. Falarei um pouco sobre ela hoje, e como curá-la.
Etimologicamente, veisalgia é a combinação da terminação “algia”, vindo do grego άλγος (álgos), que significa dor, com a palava Kveis, proveniente do norueguês que significa – de forma brilhante, na minha opinião – o desconforto advindo da total, absoluta, exorbitante, insana e imprudente devassidão. Ou algo assim.
A ressaca pode ser causada por diversos fatores. O mais frequente deles é a desidratação e consequente perda de vitaminas hidrossolúveis e eletrólitos. A maioria destas vitaminas pode ser reposta pela ingestão de certos vegetais. O mais completo deles sendo, sem a menor dúvida, o tomate. O tomate possui vitaminas A e C, beta-caroteno e licopeno, um antioxidante. O tomate é o antídoto mágico contra a ressaca. Por isso, nunca se esqueçam: comam seus vegetais.
Entretanto, segundo o pesquisador Adam Rogers, autor do livro “Proof: The Science of Booze”, a desidratação não é a única causa da ressaca. Deve-se considerar a hipótese da veisalgia ser também causada por intoxicação por metanol.
O metanol está presente, em pequena quantidade, em quase todas as bebidas alcoólicas, por ser um produto derivado da fermentação. Nosso corpo transforma o metanol em formaldeído e acido fórmico. São estas substancias as responsáveis, em parte, pelos sintomas pouco agradáveis da ressaca.

Não há muito a fazer para acelerar o processo de eliminação do metanol. Exceto por uma coisa. Algo que você jamais imaginaria: mistura-lo com álcool. Inclusive, em caso de intoxicação por metanol, é prática a injeção daquele, de forma a bloquear a transformação do metanol em formaldeído e ácido fórmico, e ganhar tempo.
Considerando o poder regenerador do tomate e a capacidade curativa do álcool, que os intrépidos bartenders do passado inventaram o Bloody Mary. O Bloody Mary é o clássico coquetel do rebound. Ele é composto, basicamente, por suco de tomate, tabasco, suco de limão, molho inglês e vodka. Há uma variação com gim, conhecida como Red Snapper.
Ninguém sabe ao certo como surgiu o Bloody Mary. A teoria mais aceita é que tenha tomado forma pelas mãos de Fernand Petiot, bartender parisiense do Harry’s Bar, um dos locais mais frequentados por Ernst Hemingway. O coquetel era uma das bebidas favoritas do escritor.
E ainda que o Bloody Mary e o Red Snapper sejam excelentes, eles possuem um defeito. Um único problema em sua cândida – ou talvez rubra – existência. Eles não levam whisky. Sorte que isso é completamente remediável.
Assim, preparem suas aspirinas e pastilhas efervescentes. Aí vai mais uma página para seu manual de sobrevivência no mundo pós-neuro-apocalíptico da veisalgia. Uma refeição completa em um copo. E, como de costume, com a melhor panaceia de todos os tempos: Whisky.
WHISKY BLOODY MARY
INGREDIENTES:
- 2 doses de blended whisky ou whiskey*
- 4 doses de suco de tomate
- 1/3 dose de suco de limão
- 2 a 3 dashes (sacudidelas) de molho inglês (Worcestershire Sauce)
- Tabasco
- Sal (se você quiser dar uma aprimorada, faça uma mistura de ½ sal e ½ salsão picado bem fininho)
- Pimenta do reino.
- Rodela de Limão (opcional)
- Ramo de salsão (opcional)
- Mixing Glass (ou qualquer vasilhame que você possa usar para misturar coisas)
- Colher bailarina (ou qualquer colher que você consiga enfiar dentro do Mixing Glass sem colocar seus limpos dedos dentro do coquetel)
- Copo Highball (alto) ou tumbler (baixo)
- Três pedras de gelo pequenas, ou uma grande.
PREPARO:
- Colocar todos os ingredientes bebíveis dentro do mixing glass. Não, o ramo de salsão e a rodela de limão não são bebíveis. Nem a colher bailarina. Se estiver em dúvida sobre o que é bebível ou não, ressaltei em itálico os itens que devem ser misturados nesta parte. Mexer cuidadosamente.
- No copo do coquetel (que pode ser highball ou tumbler) colocar gelo. Descer – sem coar – os ingredientes misturados no mixing glass.
- Se você estiver se sentindo sofisticado, decore o copo com o ramo de salsão e a rodela de limão, fazendo um corte no raio da fatia, e colocando-a na lateral do copo.
(*) Whisk(e)y – Você pode usar seu whisk(e)y de preferência aqui. Apenas tenha em mente que um bourbon deixará o coqutel mais adocicado, enquanto que um whisky defumado o tornará mais seco. Este Cão utilizou Famous Grouse dessa vez.





























