O Cãoboy Sofisticado – Jack Daniel’s Sinatra Select

Sinatra's Select

Vou contar uma coisa para vocês. Uma coisa que talvez muitos leitores já tenham concluído. Ter filho é uma delícia. O nascimento da Cãzinha foi, sem nenhuma sombra de dúvida, a melhor coisa que já aconteceu comigo. Uma distante segunda coisa foi o dia que tomei Lagavulin pela primeira vez. Ah, e quando me casei com a Cã. Quando me casei com a Cã, claro.

Do tempo que estou com a Cãzinha, noventa por cento é como voar de robe de chambres entre as nuvens, olhando as poéticas luzes da cidade abaixo de mim. Tipo aquela viagem do Grande Lebowski. A sensação é de completude absoluta.

Mas existem os outros dez por cento. Dez por cento em que eu preferia estar sendo esfolado por uma esmeriladeira. Nesses dez por cento, estão os momentos em que ela se alivia na banheira, come a pipoca bicada pelo pombo que estava na sarjeta, lambe a mesa imunda da lanchonete ou enfia a chupeta na boca da amiguinha doente, para depois sorvê-la como se degustasse uma iguaria. E quando ela assiste a Galinha Pintadinha.

Olha, eu não tenho nada contra a Galinha Pintadinha. Pra falar a verdade, o desenho é mais ou menos bem feito e as músicas são tradicionais – o que é cultura, e cultura é sempre bom. Mas a coisa começa a ficar insuportável lá pela ducentésima vez que você vê o Pai Francisco dançando todo requebrado. Sério. Tem dias que eu escolheria ter meus tímpanos e olhos perfurados, só para não ver e ouvir o Pai Francisco dançar todo requebrado mais uma vez. Mas é inevitável, porque a Cãzinha ama a Galinha.

Sério. Me matem.
Sério. Me matem.

Semana passada estava no supermercado com a Cãzinha, que se comportava muito bem. Muito bem, até ver um suquinho da Galinha Pintadinha. Minha filha, um doce de criança, transformou-se no capiroto em menos de um centésimo de segundo. Gritava, apontando desesperadamente para aquele tetra pack multicolorido, estampado com uma galinha azul sorridente. O Suquinho da Galinha. Na cabeça de minha filha, uma homenagem improvável, que ela precisava possuir. Mais. Do. Que. Qualquer. Coisa.

Mas essa não foi a primeira vez que uma homenagem semelhante me fez comprar um produto. Pode ser que tenha ocorrido antes, quando eu era criança. Mas a primeira vez que me lembro, foi quando comprei um Jack Daniel’s Sinatra Select. E eu nem sou tão fã do Sinatra. Mas a lenda do homem aliada a uma mania quase doentia que tenho por edições especiais tornou a compra de uma garrafa daquelas um caso de inexigibilidade de conduta diversa.

Reza a lenda que a bebida de preferência Frank Sinatra era o tennessee whiskey Jack Daniel’s. Ele o tomava em copo baixo, com pouco ou sem gelo. Na verdade, ele tomava de qualquer jeito, em qualquer copo. E a lenda tornou-se tão popular que a própria Jack Daniel’s resolveu homenagear seu mais notório ébrio com uma edição especial de seu whiskey.

No helicóptero também, por que não?
No helicóptero também, por que não?

O Jack Daniel’s Sinatra Select é uma mistura entre o tradicional Jack Daniels Old No. 7 e o destilado maturado em barricas virgens de carvalho americano, batizadas como “Sinatra Barrels”, cuja característica é possuir reentrâncias em seu interior, aumentando a área de contato entre o destilado e o barril, acelerando a maturação. De acordo com a Jack Daniel’s, essa característica também coloca em evidência uma camada das ripas que formam o barril conhecidas por eles como “deep red layer” ou camada vermelha profunda. Segundo a empresa, é dessa camada que advém a maior parte do sabor e aroma transferido ao whisky.

E ainda que, na verdade, essa tal camada vermelha seja apenas a camada divisória – a fronteira – entre a parte tostada do barril e a madeira não queimada, a verdade é que a diferença de sabor entre o Jack Daniel’s Sinatra Select e o Old No. 7 é evidente. Comparado ao seu clássico irmão, Jack Daniel’s Sinatra possui um sabor muito mais intenso e profundo de caramelo, baunilha e laranja. Por conta disso, a presença do álcool é bem menos perceptível, ainda queo Sinatra seja engarrafado a uma graduação alcoólica mais alta do que seu irmão, de 45%, contra 40 % do Old No. 7.

Assim como o Old No. 7, o destilado do Jack Daniel’s Sinatra Select atravessa um filtro de carvão vegetal de bordo (maple tree) de três metros de profundidade, antes de ser maturado. Como explicado anteriormente por aqui, este processo tem como objetivo filtrar impurezas, reduzindo o sabor de grão característico de whiskeys americanos.

A Jack Daniel’s é, atualmente, a maior produtora de whiskey dos Estados Unidos. Toda sua produção é realizada na cidade de Lynchburg, no condado de Moore, estado do Tennessee. E por uma das maiores ironias do mundo etílico, há uma lei seca em vigor naquele condado, que proíbe expressamente a venda de bebida alcoólicas. Assim, quem trabalha na Jack Daniel’s não pode beber o whisky que ajuda a produzir. Isso é mais torturante do que ser diabético e ter uma loja de chocolates!

Voltando ao Jack Daniel’s Sinatra, o preço é seu único problema. No Brasil, uma garrafa não sai por muito menos de R$ 500,00 (quinhentos reais). Isso o torna o whiskey americano mais caro oficialmente à venda em nosso país. Aliás, duas vezes mais caro do que o segundo colocado, o excelente Woodford Reserve, também pertencente à Brown Forman.

Mas isso tudo não importa. Porque comprar o Jack Daniel’s Sinatra Select raramente será uma decisão cem por cento racional. Esse é um whiskey para entusiastas. Fãs de Sinatra ou apaixonados por Jack Daniel’s. Afinal, não somos muito diferentes de crianças com personagens animados. É só nossa Galinha que muda. E o suquinho. Ah, o suquinho. Esse fica bem melhor.

Tipo: Tennessee Whiskey

Marca: Jack Daniel’s

Região: N/A

ABV: 45%

Notas de prova:

Aroma: Caramelo, com leve baunilha.

Sabor: Claramente cítrico, com laranja, bala de caramelo e baunilha. Apesar da graduação alcoólica, a impressão do álcool é discreta.

Com Água: Adicionar agua ressalta o sabor da baunilha e reduz um pouco o sabor de caramelo. Este é um whiskey que fica melhor puro.

 Preço: em torno de R$ 500,00 (quinhentos reais)

Drink do Cão IV ou Fidedignidade – Smoked Rob Roy

Toda vez que assisto um filme de Hollywood baseado em fatos reais, tenho o mesmo pensamento. Que aquilo aconteceu com gente bem mais feia, e mais ou menos daquele jeito. Geralmente, mais para menos do que para mais. E Rob Roy, estrelado por Liam Neeson e dirigido por Michael Caton-Jones, não é uma exceção.

O filme chegou por aqui com o nome de Rob Roy: A Saga de Uma Paixão. Um título bem cretino, que já indicava que a história real de Robert Roy MacGregor e aquela retratada na tela teriam poucos pontos de contato. E tudo bem que é divertido assistir o Liam Neeson matando todo mundo (aliás, só por isso fizeram Busca Implacável 1, 2 e 3, certo?), mas tudo tem limite.

Primeiro, Robert Roy era horroroso. Não que o Liam seja um exemplo de beleza masculina, mas seu grau de semelhança com Rob é o mesmo que eu tenho com um nematelminto. Em segundo, o filme simplesmente desliza sobre acontecimentos históricos importantíssimos, como a batalha de Glen Shiel, capitulo essencial na vida do herói escocês. Ao invés disso, o diretor insiste em focar a trama em Robert e sua esposa, Mary, cumprindo com suas obrigações conjugais em um campo florido de urze.

Separados no nascimento
Separados no nascimento

Mas Robert Roy MacGregor não inspirou apenas filmes medíocres. Em 1894, um bartender do hotel Waldorf Astoria em Nova Iorque criou um coquetel em sua homenagem. Na verdade, a homenagem foi indireta. O drink teria sido criado como referência à opereta homônima, composta por Reginald De Koven e Harry Smith, que contaria a historia do herói escocês. Nunca assisti à opereta, mas não me surpreenderia se ela fosse mais fiel à realidade do que o filme. Afinal, até uma adaptação feita por minha filha de um ano e meio usando bonecos de meia seria mais fidedigna.

O coquetel Rob Roy é, basicamente, um Manhattan, substituindo-se o bourbon por whisky escocês. Até aí, algo um tanto óbvio. Mas a genialidade por trás dessa substituição elementar é que, como há variedade de sabores muito maior em whiskies escoceses do que bourbons, pode-se criar versões diferentes do coquetel, trocando-se apenas seu ingrediente central.

Foi isso que fizemos no Caledonia Whisky & Co., nosso bar em São Paulo. Com uma base de Johnnie Walker Double Black e Talisker, criou-se uma versão defumada e salina do coquetel clássico, ainda mantendo a personalidade da mistura.

Assim, desta vez este Cão fugirá do tradicional, e ensinará a versão melhorada – na minha opinião, claro – do famoso coquetel. Peguem seus smartphones e tablets e tomem nota.

SMOKED ROB ROY:

INGREDIENTES:

Para fazer o coquetel você vai precisar de:

  • 50ml de algum whisky defumado ( Johnnie Walker Double Black e Talisker, na proporção que quiser – recomendo 40 -10).
  • 25 ml de vermute (Martini Riserva Speciale, Carpano).
  • Angostura bitters
  • Gelo
  • taça de martini ou taça coupé (isso é aquela taça que o Leonardo DiCaprio segura e brinda com a câmera na adaptação de Grande Gatsby. É também a taça da foto acima. Suba lá e veja novamente)
  • Mixing glass (ou qualquer outro copo grande e largo que você possa usar para misturar os ingredientes)
  • Strainer (ou qualquer peneira de cozinha mesmo)
  • Laranja Bahia (opcional)

PREPARO:

  1. Gele a taça. Pode coloca-la no freezer, mas o jeito mais rápido e eficiente é colocar algumas pedras de gelo e água dentro dela, até o momento em que for transferir o coquetel.
  2. No mixing glass, coloque três pedras de gelo e os dois ingredientes líquidos do coquetel. Vire o vidrinho de angostura e dê umas duas chacoalhadas (dois dashes), de forma que algumas gotas caiam sobre o coquetel. Utilize uma colher para mexer a mistura por uns três ou quatro segundos.
  3. Transfira o conteúdo do mixing glass para o copo com gelo, utilizando a peneira ou strainer. A ideia é que o líquido passe sem o gelo, para não diluir mais.
  4. Opcional – você pode dar um toque cítrico adicionando um pedaço de uns três centímetros da casca da laranja bahia. Basta jogá-lo dentro do coquetel.
  5. Pronto. Quando terminar este, pode tentar com outro whisky ou ingrediente à sua escolha. Há grandes chances de ficar genial. Ou, pelo menos, melhor do que o filme estrelado por Liam Neeson.

O Cão Sofisticado – Kavalan Solist Vinho Barrique

Kavalan solist

Hoje vou falar do Kavalan Solist Vinho Barrique, whisky produzido em Taiwan, que ganhou prêmio de melhor whisky do mundo em 2015. Mas antes, vou falar um pouco de cinema. Do cinema. Do senhor cinemà: Jean Luc Godard.  Godard, muito além de uma referência em uma música do Legião Urbana, é, talvez, o melhor cineasta da história. O cinema do mundo inteiro foi influenciado por Godard. É possível ver referências a suas obras em diretores tão diferentes quanto Bernardo Bertollucci e Quentin Tarantino.

Mas vou confessar uma coisa: para mim, sentar no sofá e tentar relaxar com um filme do Godard é um exercício de futilidade maior do que tentar encontrar poesia em uma música do Mr. Catra.

É que cada plano e cada contraplano de seus filmes tem uma razão de ser. Um objetivo por trás, muito além de simplesmente contar uma história. Cada cena é milimetricamente montada para desconstruir dogmas férreos do audiovisual, ou para deliberadamente tirar o espectador de sua zona de conforto, reafirmando que aquilo é apenas um filme, e que o espectador é o que ele realmente é – um espectador de uma obra de ficção. Isso sem falar da fase Dziga Vertov, em que ele se volta para o cinema político.

Pode ser que eu seja simplesmente burro, mas, para mim, é impossível ver um filme do Godard fazendo outra coisa. Qualquer outra coisa, mesmo que, em uma situação normal, ela não fosse interferir muito na minha atenção. Tipo me coçar. Tenho medo de me coçar em um filme do Godard e a satisfação primitiva proporcionada pela coceira me fazer perder alguma referência.

Problema seu. Bjo flw vlw
Problema seu. Bjo flw vlw

De certa forma, Jean Luc Godard é o Kavalan Soloist Vinho Barrique do mundo dos whiskies. Genial, mas nem um pouco fácil. Para alguém que está esperando tomar apenas algo simplesmente palatável e agradável, a quebra de expectativa é comparável a pagar por uma massagem em um spa acabar sendo açoitado por um halterofilista.

Até aí, não há polêmica. Mas acontece que o Vinho Barrique ganhou, em 2015, o prêmio de melhor whisky do mundo pela World Whiskies Awards, uma das premiações mais importantes no mundo do whisky. E talvez por sua nacionalidade improvável, a notícia quase viralizou na internet – afinal, como pode o melhor whisky do mundo não ser escocês, e nem mesmo japonês?

E a razão, na humilde opinião deste canídeo, não é simples. Ou é, e eu sou estúpido, por isso tenho dificuldade em entender Godard. Parte da resposta provém do fato de que os jurados, na maioria dessas competições, fazem a avaliação às cegas, para que não sejam influenciados pela nacionalidade ou rótulo da bebida. Além disso, existe o fator experiência. Os jurados são, normalmente, pessoas experientes dentro do mundo dos whiskies. E isso faz com que aqueles que oferecem uma experiência mais intensa – como é o caso do Vinho Barrique – tendam a ser mais bem avaliados do que aqueles que, em tese, agradariam um paladar leigo.

Mas tudo isso é mera especulação. A única razão verdadeira e praticamente irrefutável é que o Solist Vinho Barrique é realmente surpreendente.

O Kavalan Vinho Barrique é whisky extremamente alcoólico (em torno de cinquenta e seis por cento), envasado sem qualquer diluição (cask strenght) sendo que cada garrafa é preenchida com whisky de somente um barril (single barrel). Isso, na prática, significa que a graduação alcoólica pode variar de garrafa para garrafa, e que pode haver pequenas diferenças em sabor e aroma entre elas. No exemplar que provei, a graduação era de 57%. E ainda que eu esperasse mais, o álcool estava lá para ser lembrado.

Sua maturação ocorre em barricas de carvalho americano. A Kavalan chamusca as barricas e as preenche com vinho branco e tinto. Depois, deixa que sequem por dois anos, para que sejam novamente chamuscadas antes de receber o destilado.

Este processo de preparação e maturação proporciona ao Vinho Barrique aromas de frutas secas e sabor de especiarias, mas não tanto quanto seria o caso de um whisky maturado em barricas de ex-jerez. Ainda que não exista qualquer idade estampada no rótulo, é presumível que seu destilado não tenha passado muito mais do que cinco anos em suas barricas. Basta lembrar que sua destilaria foi fundada em 2005.

Ainda que a Kavalan seja uma destilaria muito jovem, não é a primeira vez que foi reconhecida internacionalmente. Em 2010 seu Solist Ex-Bourbon Cask recebeu prêmio de melhor single malt do resto do mundo pela World Whiskies Awards, e, no mesmo ano, seu Kavalan Solist Sherry Cask recebeu medalha de ouro na San Francisco World Spirits Competition. Nada mau para uma destilaria com apenas dez anos de idade.

Praticamente o Jordi do mundo das destilarias.
Praticamente o Jordi do mundo das destilarias.

Infelizmente, o Kavalan Solist Vinho Barrique não está disponível em nossa terra. Aliás, ele não está disponível praticamente em lugar nenhum do mundo, o que provavelmente torna este post um dos mais inúteis da história deste blog. Acontece que, com a vitória pela WWA, uma horda ensandecida de gente comprou o estoque mundial do whisky, e as poucas garrafas que sobraram são vendidas a preços astronômicos. Fazendo uma pesquisa rápida no mundo virtual, podemos ver exemplares a preços que variam entre trezentos e quinhentos dólares.

E para falar a verdade, ainda que o Solist seja absolutamente delicioso para mim, nomeá-lo como melhor do mundo é difícil. Não porque ele não mereça o título. Mas porque nomear algo como melhor do mundo simplesmente não faz sentido – ainda que funcione para polemizar no mundo cibernético e aquecer os ânimos já belicosos ao redor de qualquer assunto. É como Godard. Talvez ele seja mesmo o melhor cineasta do mundo. Mas às vezes, só as vezes, eu prefiro ver um Tarantino.

KAVALAN SOLIST VINHO BARRIQUE

Tipo: Single Malt sem idade definida (NAS)

Destilaria: Kavalan

Nacionalidade: Taiwan

ABV: Variável – Cask Strenght

Aroma: frutas vermelhas, ameixa, canela.

Sabor: Frutas vermelhas, cereja, açúcar mascavo. O álcool está bem presente, principalmente no início. O final é longo, mas não tanto quanto seria de se esperar (e como aconteceria um whisky cask strenght se fosse maturado em barricas de jerez). Gosto residual de especiarias e – veja só – vinho.

Com água: A água beneficia este whisky, tirando parte do excesso de alcool do caminho. Torna-se mais fácil sentir as notas frutadas (frutas vermelhas) e de especiarias (canela). O final não se altera muito.

O Cão Didático – Single Malts para Iniciantes

whiskies para iniciantes

Quando comecei a escrever o Cão, não sabia absolutamente nada sobre escrever um blog. Para falar a verdade, tinha um preconceito quase natural em relação a blogs. Afinal, o que de especial eu teria para falar não pudesse ser encontrado com uma rápida pesquisa no Google? Absolutamente nada.

E eu sei que você espera que eu diga que com o tempo essa impressão foi se esvaindo, até se tornar apenas uma remota lembrança de alguém que não tinha a mais rasa ideia do que estava por começar a fazer. Mas não. Olha, desculpem-me pela quebra de expectativa. Na verdade, eu realmente não tenho nada de novo para falar.

Mal aí!
Mal aí!

Mas ainda que eu seja só mais uma pessoa com um modem e um gosto quase doentio por whiskies, esses meses de vida do Cão trouxeram algo que eu jamais poderia sequer prever. Comecei – na verdade, redescobri – o prazer de escrever. E o que antes era preconceito, virou mania. Então, uns meses atrás, resolvi dar uma pausa em minhas pesquisas e estudos sobre whisky para me dedicar a aprender a escrever um blog. Um blog sobre whisky.

E durante minhas explorações, descobri uma série de ferramentas incríveis. Você sabia que existe um formatador automático de texto e um organizador automático de tópicos? Prato cheio para alguém como eu, que é tão organizado quanto uma mesa de boteco. Mas minha ferramenta preferida, de longe, é uma que me informa quais foram as pesquisas feitas nos sistemas de busca que levaram a essas páginas porcas escritas por mim, e por quanto tempo a pessoa ficou na página depois de acessa-la.

E ainda que a maioria das pesquisas esteja entre normal e saudável, às vezes aparecem umas bem estranhas. Uma das minhas preferidas foi “cachorro pode beber whisky?”. E ainda que o doente que pesquisou isso não tenha encontrado resposta para essa pergunta esdrúxula e ridícula por aqui, ele passou exatos cinco minutos e trinta e sete segundos lendo esse blog. Tempo suficiente para ler uns dois textos. Imagino que ele pensou “bom, já que vou alcoolizar meu cãozinho, melhor eu descobrir qual whisky ele vai gostar mais, né?”

Teve outra que me deixou preocupado. Era “como engarrafar um homem?”. Pensei em alertar as autoridades, mas a ferramenta não informa quem acessou, nem exatamente de onde. E aí achei melhor ficar quieto, mesmo porque alguém poderia pensar que a ideia partiu de mim.

Mas apesar de algumas frases absolutamente descabidas, há pesquisas que tenho vontade de dar a resposta. Uma delas é “single malt para novato”. É uma dúvida autêntica, e não vai me colocar na cadeia, como no caso de, enfim, outras buscas. Assim, resolvi fazer um post especial sobre isso.

Nas redes sociais, sempre que fazem essa pergunta, a resposta que mais ouço – ou melhor, leio – é que o ideal é comprar um whisky que não esteja tão longe do espectro de sabores que a pessoa já conhece. Assim, recomenda-se Cardhu 12 anos, que é bem parecido com alguns whiskies da linha da Johnnie Walker, ou Glenlivet 12, single malt com excelente custo-benefício (eu sei, eu mesmo já o recomendei por aqui), e que tende a agradar a maioria dos paladares… Faz sentido…

...Ou não...
…Ou não…

Enfim, recomenda-se algo para não assustar, e muitas vezes se esquece que, se aquela pessoa está procurando entrar no mundo dos single malts, é porque ela está provavelmente disposta a sair de sua zona de conforto e – grande parte das vezes – gastar um pouco mais para ter uma experiência nova. Experimentar novos sabores. E isso é louvável. Afinal, se não fosse a curiosidade, ninguém jamais teria comido uma ostra.

Então, minha resposta a essa pergunta é variável – depende do que a pessoa gosta. Se você está acostumado a tomar bourbons e tennessee whiskeys, como os Jack Daniel’s, é bem provável que vá gostar do Glenfiddich 15 anos. Há um pequeno ponto de convergência (o uso de barricas virgens), mas a experiência é completamente diferente.

Por outro lado, se seu gosto é pelos tradicionais blended whiskies, como Chivas Regal e parte dos Johnnie Walker, talvez seja interessante investir em um Balvenie Doublewood ou um Glenmorangie Quinta Ruban, cuja diferença de sabor é facilmente notável em comparação aos primeiros, por conta da maturação extra em ex-jerez e ex-porto, respectivamente.

Entretanto, se preferir whiskies com alguma defumação – como White Horse, Black Grouse e Johnnie Walker Double Black – você, além de possuir muito bom gosto, provavelmente ficará fascinado com uma garrafa de algum Laphroaig, como o Quarter Cask ou Ardbeg 10 anos, cuja turfa é bem mais notável do que naqueles blends. E se estiver se sentindo sofisticado, arriscaria um Laphroaig 18 anos, um dos meus whiskies preferidos a venda em nosso país.

Pensando bem, talvez não. Esqueça tudo que eu falei. Para ser sincero, essa é também uma pergunta que eu não poderia responder. Aliás, uma das perguntas que eu menos deveria tentar responder. Porque aí eu estaria quase tomando a decisão por você. E isso é injusto.

Então aí vai minha única recomendação absoluta. Se você tem vontade de experimentar determinado single malt, experimente. Seja teimoso. Seja quase estúpido. Se eu te disser para não tomar um whisky porque ele é ruim (ainda que eu provavelmente nunca vá lhe dizer isso), vá lá, beba, e jogue na minha cara que foi uma delícia.

Afinal, meu caro, se eu mesmo não tivesse arriscado, jamais estaria aqui escrevendo este texto.

Drink do Cão – Boulevardier

Boulevardier

Você já tomou Negroni? Negroni é um drink feito, essencialmente, de gim, vermute tinto e Campari. Hoje, acho uma das coisas líquidas mais deliciosas que existe fora do universo do whisky. Mas minha relação com aquele coquetel nem sempre foi assim.

A primeira vez que tomei um Negroni tinha pouco mais de dezoito anos. E queria morrer. Achei uma das piores coisas que já tive o desprazer de beber. Incluindo uma vez que acidentalmente tomei um pouco de gasolina tentando fazer um sifão para abastecer meu carro. Sério. Teria preferido fazer qualquer coisa a terminar aquele coquetel. Se, naquele momento, alguém me desse a escolha entre ser atravessado por um cutelo gigante em brasa ou bochechar aquele Negroni, teria preferido o cutelo escaldante. Fácil.

Eu devo ser muito teimoso ou absolutamente estúpido, porque aquela experiência horrível não me dissuadiu de experimentar o drink mais uma meia dúzia de vezes. E o mais estranho é que, à medida que tomava, passava a gostar cada vez mais daquele negócio amargo. Até que passei a adorá-lo.

 

Não é sempre que cometo um erro. Mas quando o faço, cometo umas seis vezes, só pra ter certeza.
Não é sempre que cometo um erro. Mas quando o faço, cometo umas seis vezes, só pra ter certeza.

 

Mais recentemente, comentei com Fernando Lisboa, barman por trás do Bar Cuttelo e dos Coquetéis Treze, que era uma pena que o Negroni não tivesse qualquer relação com whisky, porque não poderia fazer um post dele neste blog. E ele me respondeu algo que eu não esperava. Ele disse que claro que havia relação. Havia um coquetel feito quase como um negroni, mas que levava Bourbon. Chamava-se Boulevardier.

Fui perquisar. Descobri que o Boulevardier é, basicamente, um negroni. Só que ao invés de gim, utiliza-se algum bourbon, mudando-se um pouco as proporções. Aprendi também que ele foi criado na década de vinte, provavelmente por um senhor chamado Harry McElhone. Harry, principal bartender do hotel Plaza de Nova Iorque, mudara-se para a Europa antes do advento da lei seca norte-americana.

No velho continente, Harry trabalhou no bar Ciro’s em Londres e, mais tarde, em sua filial de Deauville, na França até finalmente mudar-se para Paris e abrir seu próprio bar. Durante este período, produziu os tradicionais coquetéis que eram servidos na América do Norte antes da lei mais chata de toda a história mundial, bem como novas criações – inventadas com ingredientes que não se encontrava nos Estados Unidos.

Foi durante este período que surgiu o Boulevardier pelas mãos de Harry, ou de algum de seus fiéis clientes e entusiastas etílicos – ninguém sabe ao certo. O que se sabe é que o coquetel figurou no guia de coquetelaria escrito por McElhone, chamado “Barflies and Cocktails”, em 1927.

O nome Boulevardier presta homenagem à Paris Boulevardier, uma revista para expatriados dos Estados Unidos, editado por Erskine Gwynne. Erskine, que apesar do nome esquisito e do fato de ser sobrinho do magnata Alfred Vanderbilt, era como um ex-colega de trabalho meu: gente boa, ainda que nunca o tenha visto sóbrio para comprovar. A palavra “Boulevardier” advém do francês, e era usada para definir os homens elegantes e refinados das ruas parisienses. Enfim, os metrossexuais da época do seu avô.

 

Boulevardier
Boulevardier

O Boulevardier era o drink de preferência de Erskine. E não é para menos. Ele é um negroni melhorado. Melhorado porque, bom, porque tem whiskey, óbvio.

Então peguem suas canetinhas e caderninhos. Aí vai mais uma lição de coquetelaria by Da Dawg in da Bottle, hoje com a participação ilustre de Coquetéis Treze.

BOULEVARDIER:

INGREDIENTES:

Para fazer o coquetel você vai precisar de:

  • 40ml de Bourbon ou Tennessee Whiskey (Maker’s Mark, Wild Turkey ou Woodford Reserve de preferência, mas pode tentar com qualquer outro, por sua conta e risco…)
  • 30 ml de vermute (este Cão normalmente usa Carpano Antica Formula. Mas o coquetel ficará bem decente também com Carpano Classico. Só evite o Punt e Mes).
  • 30ml de Campari (Sim, aquele que seu avô boulevardier tomava com gelo. Não, nem tente substituir por qualquer outra coisa, não vai dar certo.)
  • Gelo
  • Copo baixo
  • Mixing glass (ou qualquer outro copo grande e largo que você possa usar para misturar os ingredientes)
  • Strainer (ou qualquer peneira de cozinha mesmo)

PREPARO:

No mixing glass, coloque três pedras de gelo e os três ingredientes líquidos do coquetel. Utilize uma colher para mexer a mistura por uns três ou quatro segundos.

No outro copo, coloque um pouco mais de gelo (como sempre, uma pedra grande, ou três pedras menores).

Transfira o conteúdo do mixing glass para o copo com gelo, utilizando a peneira para separar o gelo que ficou naquele outro copo.

Feito. Quando terminar de bebê-lo, que tal um Negroni?

Inu Engarrafado – Suntory Hibiki 17 anos

Hibiki

Vou confessar a vocês algo difícil. Um desejo profundo, que tenho certeza que todo mundo tem, mas que quase ninguém admite ter. Talvez vocês me condenem depois de saber, ou julguem que seria melhor se eu visitasse um psicanalista. Mas não me importo. Preciso tirar isso do meu peito. Preparem-se, porque aí vai.

Às vezes eu queria ser outra pessoa.

Mas não qualquer outra pessoa. E não, eu não queria ser um cachorro, apesar do nome do blog. E nem um sheik árabe bilionário, tampouco um astronauta. Quem eu realmente, mas realmente queria ser, se pudesse escolher entre todas as pessoas do mundo inteiro, seria o Bill Murray.

E aí você vai argumentar comigo que isso é realmente insano. Afinal, porque alguém quereria ser o Bill Murray, se você pudesse ser, sei lá, o Neymar? Ou o Donald Trump? E aí eu vou responder que é porque nem o Neymar, nem o Donald Trum possuem licença para serem completamente malucos – ainda que ultimamente o Donald Trump tenha tentado bastante – e todo mundo achar normal. Mas o Bill Murray tem. E ele faz isso sem precisar mexer nem um músculo da face. Quase como uma vaca hindu.

Para você ter uma ideia, o Bill Murray é tão louco que uma vez ele invadiu uma sessão de fotos de um casal, levantando a camisa e batendo na barriga. Tipo um orangotango. Um orangotango sério, profundo, de semblante pétreo, mas, ao mesmo tempo, infinitamente expressivo. E o engraçado é que o casal nem ficou bravo. Afinal, é o Bill Murray.

Além do Bill Murray ser o cara mais naturalmente expressivo que eu conheço – ainda que as expressões dele variem entre tédio perfeito e total descrença na raça humana – ele foi também responsável por alçar à fama um whisky pouquíssimo óbvio. O blended japonês Suntory Hibiki. Graças à sua performance no filme “Encontros e Desencontros” de Sofía Coppolla, é absolutamente impossível ouvir qualquer coisa sobre whisky japonês sem pensar “It’s Suntory time!”

 

Can you do it like latpak!?
Can you do it like latpak!?

E ainda que Bill desdenhe (de leve) o Hibiki durante o filme, a verdade é que ele é um dos melhores blended whiskies disponíveis no mercado brasileiro atualmente. Principalmente a versão mais maturada, o Hibiki 17 anos. Ele é um whisky incrivelmente complexo, mas ao mesmo tempo muito fácil de ser bebido.

Como todo blended whisky, o Hibiki 17 anos é composto por grain whiskies e single malts. Em sua composição, pode-se encontrar whiskies de famosas destilarias japonesas, como Yamazaki e Hakushu, além de grain whisky da destilaria Chita. Ao contrário do que ocorre na Escócia, é raríssimo que um blended whisky japonês contenha maltes de destilarias que não pertencem à sua empresa mãe, e o Hibiki não é exceção. Assim, não espere encontrar nenhum Nikka na mistura, como os Yoichi e Miyagikyo. Por lá, não há tanto intercâmbio de barricas e single malts para produção de blends, como ocorre no Reino Unido.

A maturação dos whiskies contidos na fórmula do Hibiki 17 anos ocorre em diversos tipos de barricas, incluindo carvalho japonês mizunara, ex-bourbon e ex-jerez. Uma curiosidade sobre seu processo produtivo é que seus maltes, após misturados, são filtrados por carvão de bambu, em um método muito semelhante àquele usado por Tenessee Whiskeys, como o Jack Daniel’s Single Barrel.

Genial, né Bill?
Genial, né Bill?

Ao contrário da garrafa do Suntory Kakubin, que é quase tão feia quanto Ozzy Osbourne, o frasco do Hibiki é um dos mais bonitos que já vi para um whisky em sua faixa de preço. Ela possui vinte e quatro faces, que simbolizam cada uma das estações do antigo calendário lunar japonês. Sua rolha acompanha o desenho da garrafa.

O Suntory Hibiki 17 anos recebeu uma pletora de prêmios internacionais. Dentre eles, foi eleito como melhor blended whisky japonês entre 13 e 20 anos por três vezes consecutivas, de 2012 a 2014, e como melhor blended whisky japonês em 2010 pela World Whiskies Awards.  Além disso, recebeu ouro na International Spirits Challenge em 2013 e 2012.

No Brasil, uma garrafa de Hibiki 17 anos custa, em média, R$ 600,00 (seiscentos reais). Não é nada barato, ainda mais por se tratar de um blended whisky vindo do Japão, país que ainda não consolidou entre os brasileiros a sua conhecida fama internacional como produtor de whisky. Por outro lado, é um blend que faz frente a muitos single malts em sua faixa de preço. Para compra-lo, é preciso ser um pouco Donald Trump e um pouco Bill Murray. Louco, mas com uma excelente noção de investimento!

SUNTORY HIBIKI 17 ANOS

Tipo: Blended Whisky com idade definida – 17 anos

Marca: Suntory

Região: N/A

ABV: 43%

Notas de prova:

Aroma: Aroma frutado e levemente cítrico.

Sabor: Mel, compota de frutas, frutas cítricas. Um pouco de especiarias, canela e baunilha.

Com água: A agua ressalta o sabor da baunilha e especiarias tornando o whisky um pouco menos adocicado.

Preço: R$ 600 (seiscentos reais)

Macallan Sienna e um Novo Dia para Beber

macallan sienna

A ficção está cheia de ébrios. Bons exemplos são Jack Torrence, de O Iluminado, e “O Cara”, interpretado por Jeff Bridges em O Grande Lebowski. Para você ter uma ideia, O Cara, durante os cento e dezessete minutos do filme, toma nove White Russians. Isso equivale a um coquetel a cada treze minutos de filme.

Mas o mais célebre atleta ficcional do álcool é, indiscutivelmente, James Bond. O espião bebe mais do que um Escort XR3. Um estudo envolvendo médicos da Universidade de Nottingham mostrou que Bond, no decurso de suas histórias, tomou o equivalente a mil cento e cinquenta doses de álcool, em apenas oitenta e oito dias. Isso equivale a uma garrafa e meia de vinho, ou cinco martinis de vodka, todo dia.

Mas James Bond não apenas bebe como se vivesse apenas duas vezes. Ele é uma biblioteca etílica. Prova disso é o diálogo que trava com M e o Sr. Donald Munger, ao tomar um cálice de Jerez pertencente àquele último, em Diamantes são Eternos. Bond diz “temo pelo seu fígado, meu senhor. Este é um Solera excepcional. Safra de 1951, acredito”. M, então, retruca “não há safra para Jerez, 007”, ao que Bond responde “Me referia ao vintage original no qual este Jerez é baseado. 1951. Inconfundível”.

E quando o assunto é whisky, o agente secreto menos secreto do mundo não esconde sua clara preferência pelos Macallan. Não é segredo para ninguém. Nem para Silva, seu inimigo em Skyfall, que lhe serve uma dose de Macallan 1962, dizendo “Macallan cinquenta anos. Particularmente, um dos seus preferidos, não?”  Olha, pode ser que você ache estranho, mas meus desafetos não andam por aí me oferecendo whiskies de cinco décadas.

Se eu fosse Bond, também estaria com essa risadinha besta.
Se eu fosse Bond, também estaria com essa risadinha besta.

O problema é que, além de ter bom gosto, James Bond possui um gosto caro. Por exemplo, um Macallan 1962 igual ao que aparece no filme foi recentemente leiloado no Reino Unido. Por dez mil libras. O equivalente a aproximadamente quarenta e cinco mil reais!

Mas não se desespere. Para tomar Macallan, você não precisa ser um agente secreto e seu imposto de renda não precisa equivaler ao PIB de Lichtenstein. Aqui no Brasil, não é difícil encontrar três, dos quatro integrantes da Série 1824 da Macallan, todos sem idade definida, e maturados exclusivamente em barricas de ex-Jerez. Jerez sem safra. Exceto se você for James Bond.

Na semana passada, este Cão teve o prazer de participar de uma degustação da linha 1824 em São Paulo com Maurício Leme e Gianpaolo Morselli, gerente comercial e embaixador da Macallan no Brasil, respectivamente. Foram servidos os três whiskies que são comercializados por aqui: Amber, Ruby e o recém-chegado Sienna, que me aprofundarei um pouco mais neste post.

Durante o evento, Gianpaolo mostrou aos presentes diversas particularidades da destilaria e de seus produtos. Ficou bem claro a todos que o processo produtivo da Macallan é, realmente, um dos mais rigorosos da indústria. Exemplo disso é a percentagem de destilado aproveitada. Apenas dezesseis por cento do destilado – produzido no meio do processo de destilação no alambique – vira single malt. Do restante, nove por cento (quatro e meio de cada ponta) vai para blended whiskies, como Famous Grouse. O resto é descartado, por ser considerado tóxico.

Que desperdício de um bom whisky.
Que desperdício de um bom whisky.

Os alambiques da Macallan são alguns dos mais baixos da indústria. Seu desenho patenteado favorece a passagem das moléculas mais pesadas pelo pescoço do destilador, resultando em um destilado mais oleoso, característico também de whiskies como Dalmore e Glenfarclas.

No caso da Série 1824, a maturação ocorre exclusivamente em barricas que antes continham Jerez oloroso. Entretanto, no caso do Amber e Sienna, há a combinação de barricas de carvalho americano e barricas de carvalho europeu, tanto de primeiro uso, quando usadas previamente para maturar Macallan. Já no caso do Ruby, são utilizadas apenas barricas de carvalho europeu de primeiro uso.

Outra curiosidade é que a Macallan faz um rodízio na posição das barricas em seu armazém. Isso é feito porque aquelas mais próximas ao teto tendem a contrair e expandir mais, devido à variação na temperatura, influenciando o sabor do whisky. Um Macallan Sienna, por exemplo, é a mistura de barricas cuja maturação equivaleria à de um whisky quinze anos. Mas por conta dessa técnica, seu tempo de maturação tende a ser menor, permitindo à destilaria atender à crescente demanda por seus single malts. Curiosamente, no caso específico do Sienna degustado, a mistura foi de whiskies mais maturados, entre quinze e dezoito anos, segundo Gianpaolo.

No Brasil, um Macallan Sienna sai por volta dos R$ 700,00 (setecentos reais). Não é – sob nenhuma perspectiva – um whisky barato. Mas na opinião deste Cão, pouquíssimas destilarias conseguem produzir algo que seja ao mesmo tempo tão equilibrado e complexo sem ser, ao mesmo tempo, sem graça. Por este prisma, o Macallan é mais ou menos como o James Bond. Refinado mas, ao mesmo tempo, com personalidade.

MACALLAN SIENNA

Tipo: Single Malt sem idade definida

Destilaria: Macallan

Região: Speyside

ABV: 43%

Notas de prova:

Aroma: Aroma frutado e doce, levemente cítrico.

Sabor: Mel, compota de frutas, laranja. Final longo, frutado e com especiarias.

Com água: o sabor adocicado fica menos evidente, abrindo espaço para o sabor de especiarias. Final fica mais curto.

Preço: R$ 700,00 (setecentos reais)

 

Drinque do Cão III – Old Fashioned

Old Fashioned

Esses dias descobri que a música mais tocada no dia do meu nascimento, ao redor do mundo, foi Like a Virgin, da Madonna. Já no dia de nascimento da minha filha, a música que encabeçava as listas de sucessos era Black Horse, da Katy Perry, com participação especial de um tal de Juicy J (tive que googlar para ver quem era).

Quando contei a um amigo sobre essa descoberta, ele me disse que realmente a música havia piorado muito. Afinal, Like a Virgin é um clássico do pop, uma das músicas mais emblemáticas de uma década, e, bom, Black Horse é só um monte de barulho eletrônico com uma morena – na minha opinião “bem” – bonita cantando. E que tudo era ridículo sobre aquela música, inclusive o nome do convidado especial que, em uma tradução livre, seria “O Jota Suculento”.

Tive que discordar. Tudo bem que Jota Suculento é um nome bem tosco, principalmente para um cara gigante, e que Madonna é um pouco melhor. Mas, analisando friamente, os versos “como uma virgem, tocada pela primeiríssima vez, como é gostoso aqui dentro, quando você me abraça” não são nenhum Bob Dylan perto de “o amor dela é como uma droga, estava tentando só dar um pega, mas essa mamãezinha é tão dopante, que baguncei tudo e viciei”.

Porque o melhor sobre a Katy Perry é, provavelmente, a Katy Perry.
Porque o melhor sobre a Katy Perry é, provavelmente, a Katy Perry.

Meu ponto, em resumo, é que não é porque algo ruim envelheceu bem, que ficou automaticamente bom. E meu amigo finalmente colocou a mão na consciência e concordou comigo.

Entretanto, algo que já era bom, com o tempo, costuma ficar bem melhor. E é exatamente este o caso do Old Fashioned. Criado no século XIX, foi o primeiro coquetel da história. O Old Fashioned sobreviveu à sua quase extinção por conta da Lei Seca americana nas primeiras décadas do século XX, e finalmente se tornou um dos clássicos drinks de acordo com a International Bartenders Association – IBA. Quase como Like a Virgin, com a diferença que o Old Fashioned é bom.

Ainda que o Old Fashioned não seja tão famoso no mundo audiovisual como o Martini ou o Cosmopolitan, ele tem sua importância. É, por exemplo, a bebida de preferência de Don Draper, vivido por Jon Hamm na série Mad Men, e do personagem de Ryan Goslin na comédia “Crazy, Stupid Love”.

Mulheres: o foco da foto é o coquetel à esquerda.
Mulheres: o foco da foto é o coquetel à esquerda.

Ao contrário do Penicillin, fazer um Old Fashioned é mais rápido do que ouvir Black Horse inteira – ainda que eu não entenda bem por que você faria isso – e mais simples do que inventar um nome menos cretino que Jota Suculento. O único problema é que, por ser um coquetel bem antigo, existem centenas de variações e aperfeiçoamentos.

Então, para evitar polêmicas, vou ensinar a versão mais clássica possível, com apenas duas pequenas alterações (sendo uma delas completamente opcional), porque, bom, porque é assim que eu faço, e eu acho que é mais fácil e fica mais gostoso.

OLD FASHIONED

INGREDIENTES:

Para fazer o coquetel você vai precisar de:

  • 2 e ½ doses de Bourbon ou Tennessee Whiskey (esse Cão prefere com Woodford Reserve ou Maker’s Mark, mas Jack Daniel’s Single Barrel, Jack Daniel’s No. 7 ou Wild Turkey funcionarão perfeitamente também)
  • Angostura (isso é um bitter. Normalmente não sou nada fresco em relação a substituir ingredientes em coquetéis, mas, por favor, neste caso, nem tente. Use Angostura)
  • Água
  • Gelo
  • Um torrão de açúcar, ou uma colher de café de açúcar, bem cheia
  • Casca de laranja (pode ser opcional)
  • Cereja em calda (totalmente opcional)
  • Copo baixo

PREPARO:

No copo baixo, coloque o torrão de açúcar. Com toda sua perícia, mire a garrafinha de angostura nele, e chacoalhe duas vezes. Vai cair um pouco mais do que uma gota por vez, e embeber o torrão.

Pegue um pouco de água e, com muito cuidado, umedeça o torrão de açúcar até ele quase se desfazer. A ideia da água aqui é simplesmente auxiliar o açúcar a se dissolver, e evitar que ele se deposite no fundo do copo. Essa é a mudança. Algumas pessoas embebem o torrão com água antes. Elas não sabem o que fazem.

Coloque algumas pedras de gelo no copo (se for apenas uma, bem grande, melhor ainda) e, finalmente, adicione as duas doses e meia de whisky.

Aqui vai a segunda alteração da receita clássica. Se você quiser um aroma um pouco mais cítrico, descasque uma laranja e coloque uma fatia de mais ou menos dois por cinco centímetros dentro do copo. E se você ainda não estiver satisfeito com sua obra, coloque uma cereja em calda como – desculpe pela piadinha ridícula – a cereja do bolo.

Pronto. Sente-se confortavelmente e aproveite. Enquanto isso, contemple e reconheça. Algumas coisas ficam apenas velhas. Outras, tornam-se clássicas.

Por um Mundo Sustentável – Highland Park 18 anos e Ola Dubh 18

Highland Park e Ola

O que você quer ser quando crescer? Durante minha infância, tive várias respostas diferentes para essa pergunta. Lá pelos três, queria ser caminhoneiro. De carreta, daquelas com doze eixos. Depois pensei melhor, e resolvi que seria piloto de carro. Mas como tenho a mesma coordenação de canhoto bêbado escrevendo com a mão direita, decidi que, para evitar o bullying, daria a resposta genérica: astronauta.

Hoje, pensando bem, não sei por que eu queria ser astronauta. Ser astronauta deve ser um saco. Pior ainda se for da Estação Espacial Internacional (ISS). Primeiro porque você tem que morar num lugar apertado, desconfortável e frio. E pior, com gente que você nem sabe direito quem é. Imagina ter que passar seis meses, absolutamente confinado lá dentro, na companhia de, sei lá, o Tony Ramos? Será que hoje tem Friboi?!

Mas o pior de tudo, de longe, é que você tem que beber seu xixi. É sério. Se eu soubesse disso, teria desistido na hora de ser astronauta. É que a ISS reutiliza 97% da água descartada por seus “habitantes”, por meio de um sistema de centrífuga e fervura.

Beleza, mas e a carne? É Friboi?!
Beleza, mas e a carne? É Friboi?!

Na prática, isso significa que o suor secretado pelas glândulas pentelhas (sem duplo sentido aqui) do Tony Ramos se misturará com o xixi dele e com a água do banho dele, que, por sua vez, se misturarão com seu xixi e com o cafezinho que você tomou. E esse caldo nojento de gente será centrifugado e fervido, para que você, meu caro astronauta, possa novamente tomar uma água pura, límpida e cristalina.

Desde que soube disso, alertei todas as crianças que conheço. E deu certo. Uma delas, inclusive, desistiu de explorar o cosmos para tornar-se piloto de F1. Achei uma escolha sensata. Mas será que eu conto pra ele que os pilotos fazem xixi dentro do macacão?

Enfim, apesar de ser um negócio bem nojento, não há outra saída. Descartar toda a água e trazer nova da terra seria, simplesmente, burro. Em um local de recursos escassos, a reutilização é essencial.

Mas não é só no perrengue que recursos devem ser reutilizados. Eles podem ser reutilizados também para melhorar coisas que já são boas. Um exemplo bem claro disso é o whisky Highland Park, e as cervejas Ola Dubh, da cervejaria escocesa Harviestoun. A cervejaria reutiliza as barricas de carvalho que antes maturaram os whiskies da destilaria, para envelhecer sua própria cerveja. A Highland Park, por sua vez – e como toda destilaria escocesa – reutiliza, principalmente, as barricas que maturaram vinho jerez. É uma história de reciclagem de dar gosto. E certamente bem melhor do que beber seu xixi recondicionado.

No caso da Ola Dubh, A Harviestoun coloca sua Old Engine Oil, uma cerveja escura de alta graduação alcoólica, para maturar por até seis meses em barricas que antes continham o single malt. Assim, o rótulo das cervejas indica o whisky proveniente da barrica que a maturou. Quer dizer, uma Ola Dubh 18 não passou dezoito anos em barril, mas foi maturada por um período bem menor que este, em uma barrica que antes foi usada para produzir o Highland Park 18 anos.

E isso é engraçado, porque as cervejas que utilizam barricas que maturaram as expressões mais caras do whisky – como é o caso da Ola Dubh 30 – acabam por adquirir menos sabores e aromas provenientes das barricas. Muito provavelmente porque, para estes whiskies, a Highland Park já utiliza barris de segundo ou terceiro uso, e não sobra muito para ser transferido à cerveja.

Ou seja, às vezes, menos é mais.
Ou seja, às vezes, menos é mais.

Ainda que a diferença entre as expressões da Ola Dubh seja apenas discreta, a preferida deste cão é a 18. Em grande parte, por conta de memória afetiva. Meu Highland Park preferido, dentro do portfólio permanente da marca é também o 18 anos. Ele é um whisky extremamente equilibrado, com um toque leve – ainda que bem perceptível – de fumaça.

A Ola Dubh 18, por sua vez, é uma cerveja escura, bastante densa e com pouca carbonatação. Comparada a outras cervejas do gênero, ela é menos doce, e o tempo no barril lhe proporciona aromas de baunilha e especiarias. Talvez eu esteja enganado, mas não senti o mesmo aroma defumado do whisky na cerveja. Nela, ele é bem mais discreto. O que é estranho, porque, ao contrário do que ocorre com o whisky, a barrica não passa por qualquer processo de tosta antes de receber a cerveja – o que deixaria em muito maior evidência o aroma do whisky.

A Higland Park localiza-se na ilha de Orkney, famosa pela colonização viking (muitos rótulos da Highland Park fazem homenagem ao folclore deste povo). É também a destilaria que está mais ao norte, dentre todas as escocesas. A Harviestoun, por sua vez, localiza-se em Clackmannanshire, 300 milhas ao sul da Highland Park – mais ou menos dobro da distância que ISS fica da terra, e a mesma que eu quero ter do xixi do Tony Ramos.

A garrafa de 350ml da Ola Dubh 18 custa, em média, R$ 50,00 (cinquenta reais). É bem caro para quaisquer padrões. Entretanto, em vista do processo produtivo elaborado e de seus ingredientes, é uma cerveja que certamente vale a pena experimentar. O Highland Park 18 anos, bem, esse não existe no Brasil. Entretanto, pode-se encontrar em lojas de duty-free, inclusive de nossos aeroportos internacionais, por aproximadamente US$ 95,00 (noventa e cinco dólares).

Assim, este post do Cão terminará com uma dupla recomendação. Se você gosta de whiskies complexos e levemente defumados, o Highland Park 18 não decepcionará. E se você é fã de cervejas escuras, e quer experimentar algo diferente, ou mesmo entender como a madeira impacta no sabor de uma cerveja, invista na Ola Dubh.

Exceto se você for astronauta. Porque aí, o máximo que você vai beber é xixi recondicionado mesmo.

NOTAS DE PROVA

OLA DUBH 18

País: Escócia

Cervejaria: Harviestoun

Tipo: Imperial / Double Porter

ABV: 8,00% (varia)

Notas de prova:

Aroma: aroma de café, chocolate e caramelo.

Sabor: Chocolate amargo e café. Quase sem carbonatação. Bastante densa, com um pouco de baunilha e especiarias. Final longo, adocicado e levemente defumado.

Preço: R$ 50,00 (cinquenta reais)

 

HIGHLAND PARK 18 ANOS

Tipo: Single Malt 18 anos

Destilaria: Highland Park

Região: Islands – Orkney

ABV: 43%

Notas de prova:

Aroma: aroma de mel e frutas. Defumado quase imperceptível.

Sabor: Frutado, com compota de frutas e damasco. Claramente defumado, mas não tanto quanto um Laphroaig 18 anos. Final longo, com especiarias e fumaça.

Com água: A água torna o sabor mais doce e o defumado fica menos evidente. O final fica mais curto e um leve aroma floral aparece.

Preço: US$95,00 (noventa e cinco dólares)

Sobre a Criatividade – Glenfarclas 12 Anos

Glenfarclas 12

Esses dias me perguntaram qual era meu livro preferido. Fiquei bastante tempo pensando. Um livro só? Não dá para fazer ao menos um top five? Gosto de quase tudo de Dostoievski. Gosto também de Camus, especialmente A Queda, e para os dias de mais testosterona, Hemingway. Vivo, Ian McEwan é excelente, principalmente Serena.

Mas uma obra só? Aí acho que terei que escolher Cem Anos de Solidão, de Gabriel Garcia Marquez. Para quem nunca leu, o livro trata da trajetória secular de uma família – os Buendía – e do vilarejo por eles fundado, Macondo. Na verdade, a história pode ser interpretada como uma alegoria, em um mundo de realismo fantástico, para a América Latina. Macondo passa, ao longo de sete gerações de Buendías, por quase tudo que passou a América Latina, desde a chegada dos espanhóis.

O único problema do livro é entender quem é quem. São mais de cinquenta personagens só da família. Isso faz com que muitos leitores tracem uma arvore genealógica dos Buendía, para auxiliar na leitura. Mas nem assim é fácil. Por dois motivos. Primeiro porque os Buendía não eram lá muito ligados nesse negócio de moralismo, então não adianta você tentar entender quem é quem pelo contexto. Às vezes está realmente rolando uma sacanagem entre primos, ou irmãos, ou tia e sobrinho. E você acha que entendeu a história errado, mas não entendeu.

Podia ser os Buendía, mas na verdade são os Sonhadores, de Bertolucci.
Podia ser os Buendía, mas na verdade são os Sonhadores, de Bertolucci.

E em segundo lugar – e que torna o livro ainda mais confuso – é uma particularidade dos Buendía. A mais absoluta e indiscutível falta de criatividade para nomes. A família contou, ao longo de sete gerações, com mais de cinco Arcádios ou José Arcádios, e mais do que o triplo disso de Aurelianos.

No mundo real, uma família bem parecida com os Buendía – ao menos na parte de criatividade para nomear seus descendentes – são os Grant, proprietários da destilaria Glenfarclas por mais de seis gerações. A Glenfarclas foi comprada de seu fundador, Robert Hay, por um homem chamado John Grant, em 1865. John teve dois filhos, John e George. George, por sua vez, teve outros dois filhos, batizados de John Peter Grant e George Scott Grant. George Scott Grant, por seu turno, teve um filho, cujo nome não poderia ser outro senão John L.S. Grant. John, por fim, lhe deu um neto. Adivinhem seu nome? Acertou quem disse George Grant.

Para ser bem sincero, criatividade, de uma forma genérica, definitivamente não é o forte da família Grant. Tudo bem que eles lançaram o primeiro whisky cask strenght do mundo, o Glenfarclas 105, em 1968. Mas aquele foi a último raio de criatividade que atingiu um Grant. Atualmente, a Glenfarclas possui nove expressões com idade definida em seu portfólio. Todas elas, maturadas primeiro em barricas de ex-bourbon, para depois passar para barricas de ex-jerez. A única coisa que muda é a idade e a cor da garrafa. Mesmo assim, a cor da garrafa às vezes repete!

Mas há uma vantagem suprema nisso tudo. Depois de seis gerações produzindo, basicamente, o mesmo whisky, os Grant e sua destilaria Glenfarclas tornaram-se mestres incontestes de seu estilo. Não o de batizar pessoas. Mas de produzir whiskies clássicos, encorpados, ricos e de final persistente. O acompanhamento perfeito para um bom charuto. E por incrível que pareça, para acompanhar um puro, o melhor deles é o Glenfarclas 12 anos, irmão mais jovem do Glenfarclas 15 anos, já revisto por este Cão. E isto se deve, em parte, por conta de um desequilíbrio quase proposital.

José Arcadio e seu filho Aureliano Buendía.
José Arcadio e seu filho Aureliano Buendía.

A maturação do Glenfarclas 12 anos ocorre em barricas de bourbon e ex-jerez, especialmente oloroso. Entretanto, ao contrário do que normalmente acontece com outros single malts, parte do destilado descansa por doze anos em barricas de ex-jerez, e a outra parte, em barricas de ex-bourbon, encontrando-se apenas no momento do engarrafamento. O perfil encorpado do destilado, aliado ao relativamente curto espaço de maturação e aos tipos de barrica utilizados, ressalta o sabor picante do single malt, e torna seu final mais forte e persistente.

A Glenfarclas é a única destilaria escocesa que ainda utiliza fogo direto para aquecer todos seus alambiques. Esta técnica tende a produzir um destilado mais encorpado, mas aumenta muito o custo de manutenção dos alambiques, que hoje, são os maiores da região de Speyside, onde a Glenfarclas se localiza.

Em 2006 o Glenfarclas 12 anos foi eleito como “melhor whisky maturado em jerez” na Copa do Mundo dos Single Malts (Single Malt World Cup), e em 2008, recebeu medalha de ouro no Festival da Cerveja e do Whisky de Estocolmo.

Se você gosta de um whisky doce, encorpado e persistente, o Glenfarclas 12 anos é satisfação garantida, ainda mais acompanhado de um charuto e boa literatura. Porque assim como muitas obras literárias, alguns whiskies jamais saem de moda ou ficam ultrapassados. Tornam-se, apenas, clássicos.

GLENFARCLAS 12 ANOS – NOTAS DE PROVA

Tipo: Single Malt 12 anos

Destilaria: Glenfarclas

Região: Speyside

ABV: 43%

Notas de prova:

Aroma: adocicado, especiarias, frutas.

Sabor: frutas secas, ameixa, cravo, canela e especiarias.  Levemente defumado. Final bastante longo, com especiarias.

Com água: o final torna-se mais curto, mas ainda é possível sentir os sabores de frutas secas claramente.