Chivas 18 Tasting ou Como Ajudar Bebendo

O Instagram é um aplicativo interessante. Porque, apesar da infinidade de possibilidades que o aplicativo oferece, a maioria de nós – eu incluído – colocamos sempre as mesmas coisas. O Instagram é a prova que nossa vida é uma chatice, na verdade. Fotos do look do dia, do pé na piscina, da esteira na academia. Fotos com filtro usando a hashtag nofilter. Imagens de carros que não temos – ou pior, que às vezes temos – ou selfies na cama, como se tivéssemos acabado de acordar. Nossos bichos de estimação, nossa mesa de trabalho e nosso almoço. Ah, nosso almoço. Esse merece uma atenção especial. Porque, pra falar a verdade, exceto se for a foto de um filé de hadoque albino que viveu nas águas de degelo da Noruega, grelhado por um macaco prego com um curioso talento culinário, bem, há grandes chances de eu não me importar com o que você está comendo. Mas minhas fotos preferidas – e aqui tenho uma grande parcela de culpa – são as de bebida. As vezes tenho essa estranha compulsão de, além de beber, me ver na inconveniente obrigação de compartilhar aquilo que está no meu copo com aqueles desafortunados que me seguem. Mas […]

A Catedral do Whisky – uma visita à maior coleção da América Latina

  Às vezes grandes descobertas estão mais próximas do que imaginamos. Tão próximas como, por exemplo, o jardim de casa. A internet está cheia de casos sobre objetos curiosos que teriam sido desenterrados de onde eles menos poderiam estar. Uma das minhas histórias preferidas é a de duas crianças, que em 1978 decidiram que iriam – à revelia de sua mãe – cavar alguns buracos no jardim. E aquilo poderia ter terminado em apenas uma bronca bem dada, se a dupla não tivesse encontrado uma Ferrari Dino 246 GT enterrada logo ali. O carro, que hoje vale aproximadamente trezentos mil dólares, teria sido sepultado lá por ladrões que, por algum motivo, jamais voltaram para reavê-lo. Outra história curiosa é de um homem, que talvez por tédio, talvez por ser esquisito mesmo, resolveu que percorreria seu jardim com um detector de metais. E graças a essa atividade completamente aleatória, ele acabou encontrando uma pepita de ouro de aproximadamente três quilos e meio. Aquele perdigoto de metal precioso foi mais tarde leiloado por quatrocentos e sessenta mil dólares. E eu, apesar de nunca ter encontrado nada enterrado em meu jardim – em parte porque moro em apartamento – me senti como se […]

Sobre Gelo e Molho Shoyu – Gelo no Whisky

Nota: Este texto foi originalmente escrito pelo Cão Engarrafado e publicado na página de nossos parceiros da Charutando.com.br . Mas, dada a relevância do assunto, achei que seria uma boa reproduzi-lo por aqui também. Hoje em dia as pessoas tem regra para tudo. Há uns meses fui a um restaurante japonês famoso e me sentei ao balcão. E como tenho mania de sempre experimentar o diferente, fui logo pedindo o menu de especialidades. O sushiman preparou quatro niguiris. Primeiro, passou um pouco de raiz forte. Aí pegou um pincel, molhou em um potinho de shoyu, e cuidadosamente sacudiu o pincel sobre o sushi, deixando que algumas gotinhas do molho caíssem sobre o peixe cru. Tipo o Pollock, se o Pollock fosse um sushiman. Até aí, lindo. Mas como eu gosto de shoyu, pedi a ele que me desse um potinho com um pouco mais do molho. E a resposta dele foi não, de forma nenhuma, porque é assim que você deve comer sushi, para sentir o real sabor do peixe. Frente à negativa, argumentei que já conhecia o sabor do peixe, porque eu já tinha comido sushi com shoyu e sem shoyu, e em minha opinião, com era melhor que sem. […]

Notícia do Cão – Jack Daniel’s Pub & Poker

Está procurando o que fazer nas próximas semanas? Ou é apaixonado por poker, mas está cansado de jogar de pijama em casa? Fica frustrado porque pela tela do computador ninguém consegue ver sua poker face, ensaiada à exaustão dos músculos da sua cara? Bem, então talvez você vá gostar da novidade. É que a Poker4All, empresa dos sócios Leonardo Rizzo, Ronaldo Fernandes, André Biazzo e Eduardo Guerreiro, abrirá um pub voltado para o mais famoso esporte de cartas do mundo. Ele funcionará em um dos camarotes do Estádio do Morumbi, e tem a assinatura do mais famoso Tennessee Whiskey do mundo – o Jack Daniel’s. A casa realizará dois torneios de poker por semana. Nos demais dias, funcionará como um bar e restaurante, aberto, inclusive, na hora do almoço. Com a vantagem de que sempre haverá uma mesa disponível para praticar torneios de poker por lá. Segundo Adriano Santucci, gerente de marketing da marca de tennessee whiskeys: “A proposta do Pub é unir várias paixões em um só lugar: Futebol, Poker e Jack Daniel´s. É uma verdadeira experiência de marca onde o público vai poder vivenciar uma atmosfera que traduz o espírito autêntico e independente de Lynchburg, casa de Jack Daniel´s, e degustar […]

O Cão Farejador – Caol Ila 12 Anos

Este é mais um post do Cão Farejador. O Cão Farejador é um serviço de utilidade pública, cuja ideia é trazer ao leitor notícias sobre garrafas incomuns, raras ou indisponíveis em nosso país, mas que, por sorte ou destino, este Cão esbarrou durante uma visita a algum bar ou restaurante. A ideia é que você, meu caro, possa experimentar por conta própria whiskies que jamais imaginaria encontrar em nossa terra. Ou melhor, em São Paulo, quartel general deste blog. E a garrafa desta edição é o Caol Ila 12 anos. Se você gosta do Double Black, o Caol Ila é para você. Ele é um dos ingredientes principais do blended whisky da Johnnie Walker, e lhe empresta o sabor defumado, característico daquela expressão. A destilaria Caol Ila é a maior de Islay. Ela foi fundada em Port Askaig em 1846, e hoje pertence à Diageo, a gigante que também detém a marca Johnnie Walker. Sua produção anual é de aproximadamente quatro milhões de litros de whisky, sendo que a maioria é usada para compor blended whiskies. Apenas uma pequena parte – aproximadamente cinco por cento – é engarrafada como single malt, como essa garrafa da foto. O Caol Ila 12 […]

Fascinação – Glenfiddich 12 Anos

  Sabe, crescer é engraçado. Digo isso em parte por experiência própria mas, principalmente, por observar a querida Cãzinha. Para ela, até o mais trivial é fascinante. Já muitas vezes a surpreendi mesmerizada com coisas tão simples como o brilho de uma colher, um risco em um papel ou mesmo seu próprio cabelo. A abordagem dela é de fazer inveja a qualquer pesquisador. Há certa curiosidade inconsequente, que – em muitos casos – lhe permite fazer coisas que me deixam absolutamente maluco. Como, por exemplo, cutucar as patas de uma barata morta, avaliar a consistência do cocô do cachorro e enfiar brinquedos de plástico na torradeira. Talvez o que direi em seguida possa ter uma faceta pessimista. Mas não é isso. Na verdade – como diz todo pessimista – é uma simples constatação cristalina. À medida que vamos crescendo, cada vez menos nos fascinamos. Crescer, dentre muitas outras coisas, é trocar involuntariamente fascínio por experiência. E isso não é necessariamente ruim. Mas é também a razão pela qual muitas vezes escolho me acomodar no sofá com um copo na mão a conhecer um lugar novo com a Cã. Há, no entanto, uma parte interessante sobre a experiência. Que é a […]

(Um pouco mais que um) Drops – Laphroaig An Cuan Mór

Sabe, nunca fui muito de praia. Gosto muito da sensação proporcionada pelo mar. Aquele leve embalo, quase caótico, que nos puxa e traz de volta à areia. Mas todo o resto não me atrai muito. A começar pela areia nos lugares errados. E pela sensação de viscosidade proporcionada pela água salgada evaporando sob o sol. Ah, e passar protetor solar. No entanto, gosto muito do oceano. Algo misterioso. Belo, imponente e enigmático. O mar sempre me proporcionou certo fascínio. Mas não só ele. Estes adjetivos se aplicam perfeitamente também ao An Cuan Mor, um single malt sem idade definida produzido pela destilaria favoria do Príncipe Charles, a Laphroaig. Não por acaso, An Cuan Mor traduz-se literalmente, como “O Grande Oceano”, em gaélico. É um whisky defumado, mas ao mesmo tempo adocicado, com sabor de frutas vermelhas, cítrico e com um final irresistivelmente adocicado e aromático. Apesar de não ter idade estampada no rótulo, a expressão pode se passar facilmente por um single malt com idade superior aos dezoito anos. De acordo com a própria Laphroaig, “esta expressão singular é a celebração da arte da Laphroaig, com a seleção dos melhores lotes por nosso distillery manager, por conta de seu sabor excepcional. […]

Drink do Cão – Remember the Maine

A marinha brasileira já fez uma enorme contribuição para o mundo da coquetelaria. Se, para você, essa frase não faz o menor sentido, não se preocupe. Ela não faz mesmo. Mas se você considerar uma sequência de eventos de causa e consequência – às vezes, consequências indiretas – a frase se torna curiosamente verdadeira. E é essa a história que vou contar hoje. De trás pra frente, para ter mais graça. Em 1895 foi comissionado o USS Maine, um encouraçado de guerra da marinha americana. Um encouraçado que teria caído no esquecimento, não fosse seu naufrágio poucos anos mais tarde. O USS Maine afundou no porto de Havana, Cuba, em fevereiro de 1898, devido a uma enorme e repentina explosão. E ainda que a razão da explosão nunca tenha sido devidamente esclarecida, os americanos acharam de bom tom culpar a Espanha. Por que? Bem, porque o USS Maine estava no porto de Havana justamente para proteger os interesses norte-americanos – leia-se, o domínio dos Estados Unidos – durante a revolta cubana conta a Espanha. Esta revolta, mais tarde, culminou na independência da ilha. E, na cabeça da imprensa estadounidense – que contava com nomes bem respeitados hoje em dia, como […]

Curso Avançado de Whisky – Whisky Academy

  Quer aprender um pouco mais sobre whisky? Então conheça a primeira edição do Curso Avançado de Whisky, da Whisky Academy.   A ideia do curso é fornecer ao participante um panorama sobre a bebida, incluindo métodos de produção – destilação, influência dos diferentes tipos de carvalho, cereais utilizados na produção e seu impacto no produto final – origem da bebida, história, coquetéis com whisky, legislação (brasileira e internacional) dentre outros assuntos.   Além disso, serão degustados, conforme os padrões estabelecidos pela Wine and Spirits Education Trust de Londres, 24 (vinte e quatro) rótulos, incluindo blended whiskies, single malts com e sem idade, rye whiskeys, bourbons e tennessee whiskeys. O participante também terá a oportunidade de experimentar alguns rótulos que não estão disponíveis no mercado brasileiro.   A equipe de professores é formada por alguns dos melhores especialistas em whisky no Brasil como: Cesar Adames, professor pela Wine and Spirits Education Trust de Londres (WSET) e com mais de vinte anos de experiência no mercado de destilados, Alexandre Campos, formado também pela WSET, reconhecido como um dos maiores especialistas em whisky no Brasil pela publicação internacional Malt Whisky Yearbook, e Maurício Salvi, criador e apresentador do canal Maurício Salvi no […]

Bloqueio – Whyte and Mackay 13 (The Thirteen)

Essa semana estava sem imaginação para um novo texto. Observava, com olhar fixo, a página em branco do documento à minha frente, enquanto percorria em minha mente tudo aquilo que já tinha visitado neste blog.  Não sabia que whisky reveria, e, pior, não tinha a mais rasa ideia de como introduzi-lo. E enquanto me esforçava para pensar em qualquer coisa que pudesse ser minimamente usada em um texto, veio-me uma frase que é comumente atribuída a Hemingway. Escreva bêbado, edite sóbrio. Concluí, com certo entusiasmo, que era aquilo que precisava. Beber um whisky, que me ajudaria a escolher o whisky que beberia – e escreveria – em seguida. Uma visita a dispensa. Lagavulin. Ardbeg. Glenfarclas. Nada disso. Enquanto pensava, precisava de algo mais leve. Algo que pudesse beber despreocupado, e que me auxiliaria a refletir e lubrificasse minha mente. Algo despretensioso, mas que me estimulasse a tomar o próximo gole quase involuntariamente. O escolhido logo brilhou para mim. Um Whyte and Mackay 13 anos. Em um copo baixo, logo servi uma generosa dose. Afinal, caso tivesse que me levantar da cadeira novamente para completar o copo, poderia perder a concentração. Melhor pecar pelo excesso. Com o primeiro gole, comecei a pensar. […]