Exceção – Bruichladdich The Classic Laddie

Quando estava no colégio, uma das minhas aulas preferidas era biologia. Achava interessantíssimo assuntos como evolução, reprodução – sem duplo sentido aqui – e, claro, genética. Aliás, genética provavelmente foi um dos meus pontos mais queridos durante minha formação no ensino médio. Adorava descobrir quais eram os genes recessivos e dominantes, e encontra-los em meus amigos e familiares. Caso você não saiba o que é isto, aí vai uma explicação mais ou menos simples. Genes recessivos são aqueles que não se expressam no estado heterozigótico. Em uma linguagem leiga, acontece o seguinte. Muitos genes – tipo a cor do olho – possuem duas ou mais variações chamadas alelos. Se você tem, diremos, um alelo “azul” e outro “castanho”, e este último é o dominante, então você terá olhos castanhos. Entendeu? Não? Então aqui vão mais alguns exemplos. Se, para você, dipirona não tem gosto de nada, você é recessivo. Cruzar o dedão direito sobre o esquerdo ao encontrar as mãos é recessivo, assim como não conseguir dobrar a língua em U. Por outro lado, se sua orelha tem lóbulo (essa é aquela parte debaixo, perto do maxilar) solto, você é dominante. E ainda isto esteja longe de ser absoluto, geralmente, […]

Chivas 18 Tasting ou Como Ajudar Bebendo

O Instagram é um aplicativo interessante. Porque, apesar da infinidade de possibilidades que o aplicativo oferece, a maioria de nós – eu incluído – colocamos sempre as mesmas coisas. O Instagram é a prova que nossa vida é uma chatice, na verdade. Fotos do look do dia, do pé na piscina, da esteira na academia. Fotos com filtro usando a hashtag nofilter. Imagens de carros que não temos – ou pior, que às vezes temos – ou selfies na cama, como se tivéssemos acabado de acordar. Nossos bichos de estimação, nossa mesa de trabalho e nosso almoço. Ah, nosso almoço. Esse merece uma atenção especial. Porque, pra falar a verdade, exceto se for a foto de um filé de hadoque albino que viveu nas águas de degelo da Noruega, grelhado por um macaco prego com um curioso talento culinário, bem, há grandes chances de eu não me importar com o que você está comendo. Mas minhas fotos preferidas – e aqui tenho uma grande parcela de culpa – são as de bebida. As vezes tenho essa estranha compulsão de, além de beber, me ver na inconveniente obrigação de compartilhar aquilo que está no meu copo com aqueles desafortunados que me seguem. Mas […]

O Cão Farejador – Caol Ila 12 Anos

Este é mais um post do Cão Farejador. O Cão Farejador é um serviço de utilidade pública, cuja ideia é trazer ao leitor notícias sobre garrafas incomuns, raras ou indisponíveis em nosso país, mas que, por sorte ou destino, este Cão esbarrou durante uma visita a algum bar ou restaurante. A ideia é que você, meu caro, possa experimentar por conta própria whiskies que jamais imaginaria encontrar em nossa terra. Ou melhor, em São Paulo, quartel general deste blog. E a garrafa desta edição é o Caol Ila 12 anos. Se você gosta do Double Black, o Caol Ila é para você. Ele é um dos ingredientes principais do blended whisky da Johnnie Walker, e lhe empresta o sabor defumado, característico daquela expressão. A destilaria Caol Ila é a maior de Islay. Ela foi fundada em Port Askaig em 1846, e hoje pertence à Diageo, a gigante que também detém a marca Johnnie Walker. Sua produção anual é de aproximadamente quatro milhões de litros de whisky, sendo que a maioria é usada para compor blended whiskies. Apenas uma pequena parte – aproximadamente cinco por cento – é engarrafada como single malt, como essa garrafa da foto. O Caol Ila 12 […]

Fascinação – Glenfiddich 12 Anos

  Sabe, crescer é engraçado. Digo isso em parte por experiência própria mas, principalmente, por observar a querida Cãzinha. Para ela, até o mais trivial é fascinante. Já muitas vezes a surpreendi mesmerizada com coisas tão simples como o brilho de uma colher, um risco em um papel ou mesmo seu próprio cabelo. A abordagem dela é de fazer inveja a qualquer pesquisador. Há certa curiosidade inconsequente, que – em muitos casos – lhe permite fazer coisas que me deixam absolutamente maluco. Como, por exemplo, cutucar as patas de uma barata morta, avaliar a consistência do cocô do cachorro e enfiar brinquedos de plástico na torradeira. Talvez o que direi em seguida possa ter uma faceta pessimista. Mas não é isso. Na verdade – como diz todo pessimista – é uma simples constatação cristalina. À medida que vamos crescendo, cada vez menos nos fascinamos. Crescer, dentre muitas outras coisas, é trocar involuntariamente fascínio por experiência. E isso não é necessariamente ruim. Mas é também a razão pela qual muitas vezes escolho me acomodar no sofá com um copo na mão a conhecer um lugar novo com a Cã. Há, no entanto, uma parte interessante sobre a experiência. Que é a […]

(Um pouco mais que um) Drops – Laphroaig An Cuan Mór

Sabe, nunca fui muito de praia. Gosto muito da sensação proporcionada pelo mar. Aquele leve embalo, quase caótico, que nos puxa e traz de volta à areia. Mas todo o resto não me atrai muito. A começar pela areia nos lugares errados. E pela sensação de viscosidade proporcionada pela água salgada evaporando sob o sol. Ah, e passar protetor solar. No entanto, gosto muito do oceano. Algo misterioso. Belo, imponente e enigmático. O mar sempre me proporcionou certo fascínio. Mas não só ele. Estes adjetivos se aplicam perfeitamente também ao An Cuan Mor, um single malt sem idade definida produzido pela destilaria favoria do Príncipe Charles, a Laphroaig. Não por acaso, An Cuan Mor traduz-se literalmente, como “O Grande Oceano”, em gaélico. É um whisky defumado, mas ao mesmo tempo adocicado, com sabor de frutas vermelhas, cítrico e com um final irresistivelmente adocicado e aromático. Apesar de não ter idade estampada no rótulo, a expressão pode se passar facilmente por um single malt com idade superior aos dezoito anos. De acordo com a própria Laphroaig, “esta expressão singular é a celebração da arte da Laphroaig, com a seleção dos melhores lotes por nosso distillery manager, por conta de seu sabor excepcional. […]

Curso Avançado de Whisky – Whisky Academy

  Quer aprender um pouco mais sobre whisky? Então conheça a primeira edição do Curso Avançado de Whisky, da Whisky Academy.   A ideia do curso é fornecer ao participante um panorama sobre a bebida, incluindo métodos de produção – destilação, influência dos diferentes tipos de carvalho, cereais utilizados na produção e seu impacto no produto final – origem da bebida, história, coquetéis com whisky, legislação (brasileira e internacional) dentre outros assuntos.   Além disso, serão degustados, conforme os padrões estabelecidos pela Wine and Spirits Education Trust de Londres, 24 (vinte e quatro) rótulos, incluindo blended whiskies, single malts com e sem idade, rye whiskeys, bourbons e tennessee whiskeys. O participante também terá a oportunidade de experimentar alguns rótulos que não estão disponíveis no mercado brasileiro.   A equipe de professores é formada por alguns dos melhores especialistas em whisky no Brasil como: Cesar Adames, professor pela Wine and Spirits Education Trust de Londres (WSET) e com mais de vinte anos de experiência no mercado de destilados, Alexandre Campos, formado também pela WSET, reconhecido como um dos maiores especialistas em whisky no Brasil pela publicação internacional Malt Whisky Yearbook, e Maurício Salvi, criador e apresentador do canal Maurício Salvi no […]

Bloqueio – Whyte and Mackay 13 (The Thirteen)

Essa semana estava sem imaginação para um novo texto. Observava, com olhar fixo, a página em branco do documento à minha frente, enquanto percorria em minha mente tudo aquilo que já tinha visitado neste blog.  Não sabia que whisky reveria, e, pior, não tinha a mais rasa ideia de como introduzi-lo. E enquanto me esforçava para pensar em qualquer coisa que pudesse ser minimamente usada em um texto, veio-me uma frase que é comumente atribuída a Hemingway. Escreva bêbado, edite sóbrio. Concluí, com certo entusiasmo, que era aquilo que precisava. Beber um whisky, que me ajudaria a escolher o whisky que beberia – e escreveria – em seguida. Uma visita a dispensa. Lagavulin. Ardbeg. Glenfarclas. Nada disso. Enquanto pensava, precisava de algo mais leve. Algo que pudesse beber despreocupado, e que me auxiliaria a refletir e lubrificasse minha mente. Algo despretensioso, mas que me estimulasse a tomar o próximo gole quase involuntariamente. O escolhido logo brilhou para mim. Um Whyte and Mackay 13 anos. Em um copo baixo, logo servi uma generosa dose. Afinal, caso tivesse que me levantar da cadeira novamente para completar o copo, poderia perder a concentração. Melhor pecar pelo excesso. Com o primeiro gole, comecei a pensar. […]

Drops – Glenmorangie Dornoch

Um whisky com senso de responsabilidade. Este é o Glenmorangie Dornoch, edição limitada da destilaria Glenmorangie, localizada nas Highlands escocesas. É que o Dornoch foi criado em homenagem à Dornoch Firth, um estuário próximo à Glenmorangie. Para levantar fundos e conscientizar o público sobre a importância daquela pitoresca paisagem, a Glenmorangie realizou uma parceria com a Marine Conservatory Society (Sociedade de Conservação Marinha). Parte da receita recebida com a venda da garrafa é revertida à instituição. O Dornoch é um single malt sem idade definida. Para atingir seu perfil de sabor, parte do destilado clássico da Glenmorangie é maturado em barricas de carvalho americano que antes contiveram bourbon whisky, enquanto parte de um destilado apenas levemente turfado descansa em barricas de carvalho europeu de ex jerez amontillado, uma variedade mais seca de jerez, o famoso vinho fortificado espanhol. Atualmente, a Glenmorangie pertence à multinacional Louis Vuitton Moet Hennessy – sim, a mesma responsável pelas bolsas de grife, champagnes e conhaque – assim como sua irmã Ardbeg. O responsável pela criação dos whiskies da destilaria é Dr. Bill Lumsden, um desajustado cavalheiro formado em bioquímica. Este ano, inclusive, Bill recebeu o prêmio de Master Distiller do ano pela International Whisky Competition. Ficou […]

De tudo que é inato – Glenmorangie The Original

Hoje vou começar com uma expressão em latim. Tabula Rasa. Tabula Rasa é um conceito epistemológico, que postula que os seres humanos nascem com o conteúdo de sua mente completamente em branco. Este conteúdo, aos poucos, vai se acumulando graças à percepção e empirismo. A tabula rasa é uma das bases da filosofia de John Locke, e se opõe à teoria do Inatismo que prega que alguns conhecimentos estão presentes desde o nascimento. Simplificando. Uma teoria diz que nascemos como um papel em branco – o que, curiosamente, é a tradução de tabula rasa. Já a outra, determina que saímos do ventre sabendo uma coisa ou duas. Como, sei lá, reconhecer situações perigosas. Ou mamar, gostar de comida gorda e fazer cocô. O que faz sentido, porque eu não me lembro de ninguém me ensinando essas coisas. E se eu lembrasse, provavelmente teria vergonha de meu professor. Como pai de uma criança de dois anos e meio, não sei bem no que acreditar. Porque ninguém ensinou minha filha o que é belo ou feio, bom ou mau, ou mesmo a preferir macarrão a salada. Por outro lado, ninguém com um mínimo de conhecimento prévio faria coisas como colocar a chupeta […]

Diplomacia – Gim Virga

Antes de começar, tenho que dizer que isto não é um post sobre whisky. É um post sobre um gim. Mas um gim tão especial, que achei que merecia uma menção por aqui. Continue comigo. Em breve você entenderá por que. As relações entre o Brasil, Inglaterra e Holanda são bem mais estreitas do que pensamos. A história de nossa pátria está eivada de episódios com os – muitas vezes nem tão – simpáticos povos britânicos e holandeses. Um exemplo disso foram as invasões holandesas ao Brasil, que você já deve conhecer, se permaneceu acordado durante as aulas de história. A principal delas foi no século dezessete. Os holandeses dominaram a cidade de Recife, com o objetivo de controlar parte do comércio de açúcar brasileiro. Os holandeses, este povo pouco civilizado, durante sua invasão bárbara, fomentaram as artes com o envio de importantes pintores à sua colônia, construíram pontes, teatros, diques, drenaram pântanos e trouxeram saneamento à população. Inauguraram um zoológico, um jardim botânico e um observatório astronômico. Além disso, asseguraram liberdade religiosa para aqueles sob seu governo. Mas a população da colônia não estava acostumada àquele tratamento humanizado. Então, anos mais tarde, se revoltaram com o governo holandês, e […]