Whiskies para comprar no Duty Free V

Este é um post sazonal, que já teve três edições. Depois, leia a primeirasegundaterceira e quarta aqui, se quiser.

Janeiro é o mês de muita coisa. Da continuidade dos boletos. Das chuvas torrenciais e dos alagamentos. De passar um calor incivilizado, e tentar se refrescar lavando o rosto na pia, somente para descobrir que tá tão quente, mas tão quente que até a água que estava dentro do cano está quente. Janeiro é o mês da cerveja estupidamente gelada, da caipirinha e da praia. Janeiro não é bem um mês pra whisky.

Mas Janeiro é também o mês das viagens. De sair do calor da cidade pra ficar fedido, cremoso e queimado em algum outro lugar de sol fustigante, mas, quiçá, com uma vista mais bonita ou uma brisa um pouco mais fresca. Ou de tirar o passaporte do fundo daquela pasta de documentos, pegar o avião e tentar fugir pra algum lugar com uma temperatura menos abrasadora. Mas não sem antes passar na loja do Duty Free.

E é aí que eu quero chegar. Janeiro talvez não seja o melhor mês para beber whisky. Mas é um dos melhores pra comprar. A oferta do freeshop é ligeiramente diferente daquela de nossa terra natal. E assim, abre-se a oportunidade para comprar algo diferente, ou exclusivo. Assim, aí vai mais uma lista de whiskies que podem ser facilmente encontrados nos Duty Frees de aeroportos brasileiros, no embarque ou desembarque de voos internacionais. Organizados por preço, do maior para o menor.

GLENFIDDICH RARE OAK 25 ANOS

Preparem-se para sentir mais calor ainda. Primeiro, vou escrever o óbvio. É um Glenfiddich com um quarto de século de maturação. Somente isto já seria suficiente para que você, querido e abastado leitor, comprasse uma dessas ampolas. Porém, se apenas isto não for razão suficiente, aqui vão mais algumas.

O Glenfiddich 25 anos é uma expressão exclusiva de Duty Free de uma das mais famosas destilarias de toda a Escócia. Sua maturação acontece em uma combinação de barricas de carvalho americano de de ex-bourbon, e barricas de carvalho europeu que antes contiveram vinho jerez espanhol. É um whisky mais vínico e bem mais pungente do que seu irmão (um pouco) mais velho, o Excellence 26 anos, já revisto por aqui. E, para o gosto deste Cão, melhor.

De acordo com a destilaria “mais de duas décadas e meia de maturação cuidadosa resultaram neste whisky intrigante e complexo, que é um presente para o paladar. Grandes barricas (botas) espanholas gradualmente proporcionam um sabor frutado profundo e rico ao líquido, enquanto barricas de carvalho americanos menores trazem a infusão de notas de baunilha e um leve apimentado a este single malt de prestígio

E como não há almoço de graça – especialmente durante viagens aéreas, o Glenfiddich 25 anos custa a pechincha de US$ 429,00 (quatrocentos e vinte e nove dólares).

JURA THE ROAD

A Jura é uma das mais polivalentes destilarias da Escócia. Há expressões para todos os gostos. De delicadas e adocicadas a defumadas e pungentes, passando pelo vínico e rico. O Jura The Road é um exemplo deste último. Sua maturação acontece em duas etapas. A primeira, em barricas de carvalho americano de ex-bourbon. A segunda, em barris de ex-vinho jerez de carvalho europeu. O whisky é engarrafado a 43.6% de graduação alcoólica.

O The Road faz parte de uma série de quatro lançamentos da Jura para Duty Free, batizada de Jura Sherry Cask Collection. A diferença entre elas é o tempo de maturação, a graduação alcoólica e o tipo de barrica de ex-jerez utilizada na maturação. Em ordem, do mais barato para o mais caro, a Sherry Cask Collection conta com The Sound, The Road, The Loch e The Paps.

O preço é de US$ 82,00 (oitenta e dois dólares)

CHIVAS REGAL XV

Um dos mais recentes lançamentos da Chivas Regal, o XV está posicionado entre o Chivas Extra e o maravilhoso Chivas 18 anos. A ideia é reduzir a lacuna de preço que há entre as expressões, adicionando mais um degrau. Mais um degrau do jeito que a Chivas costuma fazer – de uma forma espetacularmente sofisticada.

O Chivas XV – como seu nome sugere – possui quinze anos de maturação mínima. Seu blend é composto por boa parte de whiskies finalizados em barricas de Conhaque de Grande Champagne. Algo que têm se tornado uma tendência, mas que ainda é bem pouco ortodoxo. Isso agrega complexidade sensorial ao whisky, trazendo notas vínicas, de caramelo e frutas vermelhas. O whisky foi especialmente pensado para ser consumido tanto puro quanto em coquetéis, de uma forma pouco sisuda

De acordo com Richard Black, diretor de marketing global da marca, “Foi um movimento decisivo para nossa categoria. Chivas XV representa um lado mais contemporâneo do whisky escocês e encoraja seus consumidores a criar experiências memoráveis que perdura para muito além da celebração”. O preço é de US$ 69,00

JACK DANIEL’S BOTTLED IN BOND

Deixe-me explicar o que significa “Bottled in Bond”. No final do século dezenove, o consumo de whiskey nos Estados Unidos era bastante alto. A qualidade, porém, não era das melhores – muitas garrafa eram preenchidas por destilados sem procedência, e a proliferação de destilarias clandestinas era grande. Para resolver a questão, o governo federal daquele país promulgou o “Bottled in Bond Act”.

A lei determinava que certos whiskeys que atendessem aos requisitos lá dispostos pudessem utilizar a expressão “Bottled in Bond” em seus rótulos – como se fosse um selo do INMETRO pro goró. De acordo com ela, para que o whiskey pudesse ser orgulhosamente estampado com a frase, ele deveria (a) ser produzido em uma única temporada de destilação (de janeiro a junho, ou de junho a dezembro), por uma única destilaria; (b) maturar em uma “bonded warehouse” sob a supervisão do governo por no mínimo 4 anos. e (c) possuir 50% de graduação alcoólica.

O Jack Daniel’s Bottled in Bond segue todos estes requisitos, e presta homenagem àqueles produzidos no século dezenove. O que, aliás, é interessante – a icônica garrafa quadrada da marca data de 1895, e o Bottled in Bond Act foi publicado apenas dois anos depois, em 1897. Mas nada disso importa. Tudo é storytelling. O que importa é que ele é uma garrafa de um litro de Jack Daniel’s a 50% ABV. Precisa de mais alguma informação pra comprar? Ah, custa US$ 42,00 (quarenta e dois dólares).

11 thoughts on “Whiskies para comprar no Duty Free V

  1. Estou no exterior, sai por guarulhos! Havia uma promoção de Chivas 18 mais um Royal Salute por 170,00 dólares! Não tenho muito conhecimento sobre preços, esse valor está valendo comprar?
    Abraço

    1. Guilherme, tudo bem? Sim, o preço está bom. Mas eu não compraria um whisky que voce encontra em lojas normais, no Duty Free. Aproveitaria para pegar edições exclusivas, que só podem ser encontradas lá. Há um Chivas 18 especial, chamado First-Fill, ou Casks Edition – algo assim. Esse é bacana e é é exclusivo. O Royal Salute Eternal Reserve também.

  2. Achei bem bacana o Chivas e o JD. Vi também umas versões diferenciadas com graduação de 43%. Inclusive semana passada provei o tradicional 07.
    Abraço!

  3. Ah Chivas… Chivas… Chivas… sempre Chivas… quão melhor é o mundo na tua âmbar companhia… para beber sem moderação, às talagadas brutalmente dionisíacas!

    1. Oseias, talvez prefira o 25. Ambos são excelentes, mas a maturação fracionada do 25 é mais o meu gosto.

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