Drops – St. Austell Smuggler’s Grand Cru

Tá com frio? Que tal uma cerveja com graduação alcoolica de 11,5% e maturada em barricas de whisky para aquecer? Essa é a St. Austell Smuggler’s Grand Cru. A St. Austell Brewery, localizada em Cornwall, é uma conhecidíssima cervejaria inglesa, famosa por cervejas como as curiosamente batizadas Proper Job e Big Job que significam, numa tradução tosca, Trabalho de Verdade e Trabalho Importante. Assim, se alguém te mandar arrumar um “Trabalho de Verdade”, não se ofenda mais. Vá para o bar. A Smuggler’s Grand Cru é uma edição especial da St. Austell. É uma Belgian Strong Ale, maturada por até nove meses em barricas que antes continham o single malt da destilaria Tomintoul, de Perthshire. Após a maturação, a cerveja é engarrafada pelo método champagnoise – em que há segunda fermentação dentro da garrafa – na vinícola Camel Valley, também em Cornwall. O resultado é uma cerveja bastante complexa, que remonta açúcar mascavo, vinho, fumaça, baunilha e caramelo. Ela é levemente azeda por conta de seu processo de maturação, que a faz lembrar uma Lambic. Entretanto, este sabor é equilibrado pelas notas de baunilha e caramelo. A Smuggler’s Grand Cru pode ser encontrada em algumas lojas especializadas, como o Empório […]

O Cão Didático – Cereais usados no Whisky

Conhecimento é sempre bom. Mesmo sobre assuntos enfadonhos, como botânica. Esta foi minha conclusão após uma viagem com alguns amigos para o sítio de um deles, lá pelos meus dezoito anos de idade. Como quase todo adolescente recém-chegado à maioridade legal, nosso foco principal era beber. Beber qualquer coisa. Não tínhamos muitos critérios. Só podia ser natural. Afinal, não havíamos tido tempo de criar quaisquer critérios.  Nosso manifesto de viagem contava com umas quatro garrafas da vodka – da mais barata encontrada no supermercado local – bem como uma dúzia de engradados de uma cerveja que poderia ser definida, de forma muito benevolente, como a pior coisa que já bebi depois de gasolina (leia mais sobre isso aqui). Com o problema líquido solucionado, nosso próximo passo seria decidir o que comer. E ainda que a ideia de adquirir um estoque de salgadinhos fosse tentadora, em um lampejo de consciência, resolvemos que teríamos tempo de sobra para cozinhar. Assim, resolvemos preparar uma massa. Uma pequena caixa de spaghetti e alguns tomates dariam uma refeição decente e descomplicada. No primeiro dia, demos cabo de boa parte da cerveja e duas garrafas daquela maravilha cristalina destilada e – bastante animados – começamos a […]

Drops – Glenfiddich 125 Anniversary Edition

Quer saber como era o sabor dos whiskies há mais de 125 anos, na época em que grande parte das destilarias da Escócia foram fundadas? Então conheça o Glenfiddich 125 Anniversary Edition. Lançado como uma edição limitada para comemorar os cento e vinte e cinco anos de fundação da destilaria, o Glenfiddich 125 foi elaborado por Brian Kinsman – seu malt master – utilzando os mesmos métodos utilizados no século de sua inauguração. Como já explicado por aqui, no século dezoito, era muito comum que a cevada maltada fosse secada em uma fogueira de turfa (peat). Isso dava ao whisky um aroma turfado, de bacon, bastante característico. Este processo é até hoje reproduzido por muitas destilarias, principalmente aquelas localizadas em Islay, mesmo que poucas delas ainda produzam seu próprio malte. O Glenfiddich 125 é, na verdade, uma combinação de barricas de dievrsas idades, de Glenfiddichs defumados e não defumados, proporcionando complexidade e profundidade. A garrafa vem em um estojo de metal, com uma rolha especial de cobre e um certificado de autenticidade. Há também um pequeno livreto, que você pode usar para se distrair enquanto toma uma dose desta maravilha. O Glenfiddich 125 Anniversary Edition podia ser encontrado, até ano […]

Da excelência e notoriedade – Manhattan

Há poucas coisas e pessoas no mundo que são tão distintas que realmente dispensam apresentações. São aqueles ícones, quase divindades em seus respectivos altares. O tempo, catalisador do oblívio, não os apagou. Pelo contrário, os alçou à categoria de lendas. Algumas delas são Bach, Ferrari, Dostoievski, Coca-Cola, Orson Welles, Cohiba e bacon – sim, caso você não tenha notado a letra minúscula, refiro-me a bacon. Isso. As costas do porco. No mundo da coquetelaria, talvez o coquetel mais emblemático do mundo seja o Manhattan. O Manhattan é a música clássica do mundo dos coquetéis. Atemporal, elegante e profundo. Três adjetivos que lhe garantiram a entrada no rol das mais distintas coisas do mundo, trazendo-lhe à imortalidade. Apesar de sua fama incontestável, não se sabe a origem do Manhattan. A história mais famosa é que ele tenha sido elaborado no Manhattan Club, em Nova Iorque, no ano de 1874, para a comemoração do aniversário de uma – também bastante distinta – senhora. Madame Jennie Jerome, mais conhecida por ser a mãe de Winston Churchill. Acontece que, como ensina David Wondrich, em seu – também icônico – livro Inbibe!, Madame Churchill não poderia estar em Nova Iorque naquele ano. Simplesmente porque estava […]

Drops – Ledaig 18 Anos

Às vezes, apenas o tempo é capaz de nos mostrar a significância de algo. Há experiências que temos certeza que permanecerão por muito tempo em nossa memória. Mas há outras que não parecem grande coisa no momento e que, depois, se revelam importantíssimas. Tive uma dessas com o Ledaig 18 anos. Comprei o whisky durante minha primeira viagem à Escócia. Assumo que, em boa parte, devido à bela caixa de madeira gravada. Passei um bom tempo sem abri-lo, até que, certo dia, resolvi que o experimentaria. Logo ao abrir a rolha percebi que era algo que me agradaria. Aroma, primeiro gole, segundo. Um whisky excelente. Entretanto, não dei muita importância. Era uma delícia como muitos. O curioso aconteceu depois. À medida que experimentava outros whiskies com perfil semelhante – Bowmores, Longrows, Juras – minha memória sempre recorria àquele Ledaig 18. Era como se ele fosse a base de comparação. Uma base de comparação bem alta. E o mais estranho é que, muitas vezes, quando alguém me perguntava qual whisky eu era apaixonado, ainda que muitas vezes respondesse de forma política, no fundo do meu pensamento, o Ledaig 18 surgia. Levou um bom tempo para eu perceber isso, e ainda mais […]

Da Arqueologia e Evolução – Glenmorangie Lasanta

Essa semana fiz uma descoberta arqueológica em minha dispensa. Encontrei lá, escondido, num cantinho, atrás das caixas de Macallan Ruby e Glenlivet 18 anos, um panetone. Fechado, na caixa. Totalmente intocado. Uma reminiscência do de nosso último natal. Visualmente, estava intacto, ainda que aparentasse levemente ressecado. Não sei o que me levou a fazer isto. Mas, quando menos percebi, já provava um pedaço. E estava horrível. Não bastasse o leve aroma de gorgonzola que aquela peça arqueológica exalava, havia um exagero de frutas cristalizadas. Não passas. Eu até gosto de uvas passas. Mas uns perdigotos de frutas inominadas. Recobrei minha razão com a primeira mordida. Sério. Quem poderia, em sã consciência, colocar tantas frutas assim num panetone? O pior é que eu realmente, realmente gosto da massa do panetone. Há aquele sabor adocicado, leve, que às vezes remonta a especiarias e às vezes a baunilha. É quase um whisky em formato sólido. Felizmente, alguma mente fértil e com bom gosto idealizou algo que resolveria este problema. O Chocolate. Assim, nascia a versão aprimorada – ou melhor, corrigida – do panetone. O Chocotone. O Chocotone é a salvação para todos aqueles que – assim como eu – gostam muito da massa, […]

Drops – Glenmorangie Pride 1981

  Aí vai um whisky despretensioso para sua tarde de quarta-feira. Este é o Glenmorangie Pride 1981, maturado por 28 anos, uma das mais exclusivas e cobiçadas expressões da destilaria de Tain. A maturação do Glenmorangie Pride ocorreu em duas etapas. Em 1981, seu precioso líquido foi destilado e colocado em barricas de carvalho americano que antes contiveram bourbon whiskey. Segundo Bill Lumsden, master distiller da Glenmorangie, a ideia teria sido produzir uma edição especial, maturada por 18 anos. Entretanto, em 1999, a Glenmorangie adquiriu uma pequena quantidade de barricas de carvalho que antes teriam sido usadas para envelhecer um dos mais famosos e caros vinhos sauternes do mundo, o Chateau D’Yquem. Ou seja, joias em forma de barril. Na posse dessas maravilhas, Lumsden então decidiu que produziria um whisky ainda mais especial. Transferiu o conteúdo das barricas de bourbon – que lá já descansavam por 18 anos – para aquelas de Chateau D’Yquem, e lá deixou por mais dez anos. Na época, o maior tempo de finalização (ou maturação extra) já praticada pela Glenmorangie. Segundo Bill “Percebi que se deixasse o whisky nas barricas por mais tempo, sabores resinosos, picantes e de taninos do carvalho francês poderiam começar a […]

Sem Medo – Finalistas do Jameson Bartenders Ball

O cinema está cheio de improvisação. Algumas das cenas mais antológicas nasceram de atores, que, numa impressionante demonstração de técnica e audácia, fizeram o improvável. Uma das histórias que mais gosto é a de Laranja Mecânica. A sequência em que Malcolm MacDowell ataca um escritor e sua esposa não estava totalmente planejada. Kubrick teria passado quatro dias filmando e refilmando a mesma cena, mas, como é natural àquele cineasta, ele não estava satisfeito. Exausto e irritado, ele então disse a Malcolm “sinceramente, faça o que você quiser”. E então o ator refez a cena. Uma cena de espancamento. Sem medo, dançando e cantando. Aliás, cantando a única música que conseguia lembrar. A de “dançando na chuva”. E assim, uma das mais memoráveis cenas de um dos mais memoráveis filmes surgiu. Uma vez, o ator Christopher Walken disse “Improvisar é maravilhoso. Mas o problema é que você não consegue improvisar, a não ser que você saiba exatamente o que está fazendo. Esse é o tipo de coisa paradoxal sobre improvisar”. E apesar da frase de Walken, aparentemente, não fazer muito sentido, ela, paradoxalmente faz. A improvisação, ou melhor, a boa improvisação, exige conhecimento, experiência e técnica. E, além de tudo isso, […]

Whiskies Para Tomar Com Os Amigos – World Whisky Day & Feis Ile

Hoje é um dia duplamente especial para o mundo do whisky. Na verdade, triplamente especial. Primeiro, porque hoje é sábado. E, só por isso, já é um excelente pretexto para chamar os amigos e compartilhar aquela garrafa de whisky e um bom papo. Mas não é só isso. Hoje é também o World Whisky Day (O Dia Mundial do Whisky). E tudo bem que para este Cão – e talvez, para muitos de vocês – quase todo dia é dia do whisky. Mas é que hoje é oficial. O World Whisky Day foi criado em 2012 por um rapaz de apenas vinte e três anos de idade, chamado Blair Bowman. Sua vontade era criar um dia para que as pessoas pudessem se encontrar, comemorar e descobrir mais sobre a bebida nacional da Escócia. Cinco anos mais tarde, a data já é comemorada em todos os cantos do mundo. No ano passado, por exemplo, houve até um evento na Antártida! Mas talvez estes não sejam motivos suficientes para você. Porque, sei lá, sábado é um dia bem recorrente. Toda semana tem um. E um dia criado há apenas cinco anos por um ébrio rapaz talvez não tenha o necessário ar de […]

Drops – Nikka Gold & Gold Samurai Edition

  Vestido para a batalha. Este é o Nikka Gold & Gold Samurai Edition. É um blended whisky sem idade definida (NAS), com sabor adocicado, com baunilha e cereais. Mas não é bem o líquido que faz diferença, neste caso. Afinal, quantos whiskies fantasiados de Samurai você já viu? Lançado em 1968, o Gold & Gold é um dos mais longevos whiskies da Nikka, famosíssima marca japonesa. E de lá pra cá, a garrafa passou por pouquíssimas modificações – mesmo porque as armaduras samurais também não sofreram muitas modernizações, né? A garrafa que fotografamos é relativamente antiga. A atual perdeu a inscrição “G&G” no torso do samurai, e seu capacete ficou diferente. E apesar de não aparecer na foto, o whisky sofreu pouquíssima evaporação. A versão Samurai Edition é vendida exclusivamente nos Duty Frees de aeroportos japoneses. Apesar de não ser um whisky caro por lá, por conta da enorme procura, pode-se ver garrafas sendo vendidas por mais de cento e cinquenta libras em leilões no Reino Unido. E aí, alguém disposto a dar uma volta ao mundo?