Macallan Fine Oak 12 anos
O tempo é implacável com certas coisas, mas generoso com outras. Uma vez abordei este assunto, ao falar sobre atemporalidade, a Katy Perry e Like a Virgin. Mas dessa vez, não regressarei nem uma década. Vamos falar de 2012.
Em 2012 a música que emplacou a primeira posição da Billboard foi Somebody I used to Know (Em uma tradução literal, e ironicamente na minha opinião, Alguém que eu Costumava Conhecer), de um cara chamado Gotye, com participação ilustre de uma tal de Kimbra. Temos que reconhecer que o acaso tem seu próprio senso de humor. Porque passados cinco anos, o título da canção tornou-se quase uma piada pronta. Depois desse sucesso estrondoso, nunca mais ouvi falar deles. Nem em noticiário de desgraça.
Também naquele ano a rainha Elizabeth II celebrou o Jubileu de Diamante de seu reinado. Não poderia afirmar que o tempo tratou bem dela – isso seria ir muito longe. Mas convenhamos, apesar do intervalo de cinco anos, ela hoje não parece nem um dia mais velha. Talvez porque ela já aparentasse a idade naquela época, ou talvez porque ela seja uma versão feminina e monarca do Highlander.

Outra coisa que aconteceu em 2012 foi a saída dos single malts da série Fine Oak da The Macallan do mercado Brasileiro. Entre aquele ano e o seguinte, aquela série foi substituída pela 1824 – os conhecidos Amber, Sienna e Ruby. Depois de um hiato de cinco anos, um de seus representantes está de volta às prateleiras das lojas brasileiras. o Macallan Fine Oak 12 anos.
Os single malts da série Fine Oak da The Macallan são maturados em três diferentes tipos de barricas. Carvalho americano que antes continha bourbon whiskey, conferindo notas de caramelo e baunilha, e uma combinação de barricas que antes contiveram vinho jerez, tanto de caravalho americano quanto europeu, trazendo especiarias e frutas cristalizadas ao whisky. Assim como em um blended whisky, o The Macallan mais jovem na composição do Fine Oak 12 anos terá, obviamente, doze anos de maturação.
Na época de seu lançamento, em 2004, a linha Fine Oak da The Macallan trouxe alguma polêmica aos puristas do single malt. Para aqueles, um The Macallan deveria ser maturado exclusivamente em barricas de ex-jerez, conforme era a tradição da destilaria. A novidade – o uso de barricas de bourbon – seria comparável a adicionar um turbocompressor a um BMW tradicionalmente aspirado. Pode até ter ficado melhor, mas ninguém admitiria. Para eles, aquilo era um absurdo.
Aí vão dois parágrafos inteiros de curiosidades para os whisky geeks. Tradicionalmente, The Macallan é considerado um whisky da região de Speyside. Entretanto, Craigellachie – onde a destilaria se localiza – faz parte do território das Highlands, de acordo com a autorregulação vigente. A destilaria adquiriu sua licença para funcionar em 1824, mas fora fundada bem antes disso, por um fazendeiro chamado Alexander Reid, que por algum motivo esquisito, resolveu batizá-la de Macallan.
É que a origem do nome Macallan é um mistério até hoje. Algumas teorias envolvem anjos, monges e outras até mesmo o rei Guilherme, o Conquistador. Na versão da história contada pela própria destilaria, ela deriva das palavras “Magh” – algo como “pedaço de terra fértil”, e “Allan“, uma (bem longínqua) modificação de St. Fillan, um monge irlandês pregava o cristianismo pela Escócia durante o século XVIII. Ainda que este Cão considere a explicação plausível, prefere uma bem mais simples. “Allan” deriva de “Eilean“, que significa “ilha”, “pedra” ou “península”. Então, basicamente, Macallan significaria “ilha fértil” ou “península fértil”. O que, convenhamos, faz bem mais sentido – até porque ela está numa curva do rio Spey.

De volta ao Macallan 12 anos Fine Oak. Comparado a outros The Macallan disponíveis em nosso país – cuja maturação ocorre exclusivamente em barricas que antes continham vinho jerez – como o Amber e o Ruby, o Fine Oak 12 anos traz mais dulçor e, talvez, mais equilíbrio. Apesar da característica oleosidade da destilaria estar lá, a impressão é que aquele é um single malt mais leve e mais familiar para aqueles acostumados a blended whiskies.
No Brasil, uma garrafa do The Macallan Fine Oak 12 anos custa, em média, R$ 300,00 (trezentos reais). É menos do que seu primo Amber, da série 1824. Na opinião deste Cão, o Fine Oak não é apenas mais acessível no preço. Mas também no paladar. Para aqueles que começaram há pouco tempo a experimentar single malts, ou que nunca provaram um The Macallan, ele é a porta de entrada perfeita. E para aqueles que já o conheciam, mas estavam saudosos de sua presença em nossas terras, trago boas notícias: Assim como a rainha e em oposição ao Gotye, ele continua em plena forma.
MACALLAN FINE OAK 12 ANOS
Tipo: Single Malt com idade definida (12 anos)
Destilaria: The Macallan
Região: Speyside
ABV: 40%
Notas de prova:
Aroma: Aroma de mel e baunilha.
Sabor: mel, baunilha, levemente cítrico e adocicado (laranja lima talvez). Final longo mas suave, com especiarias e baunilha.
Preço: em torno de R$ 300,00
Disponibilidade: lojas brasileiras e na Caledonia Store.



























